Comentários da Lição da Escola Sabatina

O DOM DE PROFECIA

Quarto Trimestre de 2026


Lição 5 – Revelação e inspiração

Destaques do Pastor Eber Nunes #lesadv

Desde a entrada do pecado no mundo, a humanidade perdeu o privilégio da comunhão direta com Deus. Entretanto, em Seu amor, Deus não deixou o ser humano sem orientação. Por meio do processo de revelação e inspiração, Ele continuou Se comunicando com a humanidade caída, transmitindo Sua vontade por intermédio de profetas, profetisas e outros autores das Escrituras.

Para compreender como Deus Se comunica com a humanidade, é fundamental conhecer os conceitos de revelação, inspiração e iluminação. A compreensão desses processos influencia diretamente nossa percepção do caráter de Deus, nosso relacionamento com Ele e a maneira como compreendemos, vivemos e compartilhamos a fé.

Revelação geral e especial

“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo” (Hb 1:1 e 2).

• A palavra hebraica para revelação é galah (“descobrir”) e a palavra grega é apocalypto (“revelar”), normalmente estas duas palavras se referem a uma revelação divina. Algumas vezes pode ser uma revelação de uma pessoa (Gl 1:16), e outras vezes ela pode ser uma revelação de proposições (Rm 3:2);

• Para nós, “revelação” vem do latim revelare, que significa retirar o véu, tornar conhecido o que é desconhecido, ou visível o que está oculto à vista de todos;

• A revelação bíblica representa o ato divino pelo qual Deus Se permite descobrir a Si mesmo, Seu caráter, Sua vontade e Seus planos, dando ao homem um conhecimento que ele não poderia conseguir por si mesmo;

• Deus não se revela diretamente aos pecadores, pois a presença de um Deus santo fulminaria um frágil pecador impuro.

A revelação que Deus concede possui algumas características:

1- Ela é progressiva. Sabendo que somos pecadores, fracos e imperfeitos, o Senhor se revela pouco a pouco, conforme nossa capacidade de compreensão e nossas necessidades (Jo 16:12, 13);

2- Ela é limitada. Há coisas reveladas e coisas encobertas. Nosso interesse, tempo e esforço devem ser dedicados à compreensão daquilo que foi revelado (Dt 29:29);

3- Ela é suficiente para nossa salvação. Deus não nos revelou tudo, nem sabemos de tudo que gostaríamos para satisfazer nossa curiosidade, mas temos o suficiente para crer em Cristo como Salvador e herdar a vida eterna (Jo 20:30; 21:25).

Os teólogos distinguem dois tipos de revelação: geral e especial:

1- Revelação Geral, assim chamada por ser direcionada a todos os homens, em todas as épocas e lugares, ela se expressa através de três formas;

1. Na natureza: A perfeição de Deus pode ser observada na natureza, através da ordem existente (Sl 19 e Rm 1:20), da harmonia entre as espécies onde cada ser vivo se adapta ao ambiente onde vive. Tudo que o homem faz dá problema, imagine que um dia ficássemos sem ar! Deu um probleminha;

2. Na consciência: “Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração” (Rm 2:14, 15 e At 17:23). Alguém que nunca teve contato com uma civilização sabe que é errado pegar o que é do outro;

3. Na história: A presença de Deus é reconhecida no curso da história, revelando-Se aos homens por meio de Sua participação nos acontecimentos que fizeram a história (Ez 39:28).

2- Revelação Especial (Hb 1:1 e 2). Essa revelação é sobrenatural e transcende a revelação natural. Ela consiste principalmente em Deus manifestar Sua pessoa e Sua vontade pela comunicação direta com a humanidade. A Bíblia e Cristo foram os principais meios pelos quais a revelação especial ocorreu. A origem do mal, a salvação pela fé em Jesus, a segunda vinda de Jesus, a verdade do sábado, a ressurreição dos mortos no fim dos séculos, são verdades que nunca poderíamos descobrir por nós mesmos ou pesquisando a natureza. Esses são assuntos que não podem ser encontrados na natureza nem no cosmo. Essas verdades foram reveladas a nós e estão na Bíblia. Por outro lado, “não devemos procurar explicar aquilo que Deus não revelou” (MS, 91 e 92).

O processo de inspiração

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3:15 a 17).

• O termo grego usado pelo apóstolo para a palavra traduzida por “inspirada” é ‘theopneustos’, que é a junção de duas palavras gregas ‘theos’ (Deus) e ‘pneustos’ (sopro ou vento), a tradução literal é: “soprado por Deus”, o que significa algo como “soprar para dentro”;

• No contexto do entendimento da Bíblia, observamos que elas (as Escrituras) foram inspiradas por Deus. Isso significa que Deus como que “soprou” para dentro de cada autor todas as capacidades e conteúdos que iriam compor a Sua palavra inspirada e que ficaria registrada;

• A Palavra do Senhor não está apoiada em quaisquer pensamentos próprios dos autores, mas na própria ação de Deus através deles;

• Inspiração foi o meio que Deus usou para conseguir colocar a Sua revelação na forma das Escrituras, até porque muitas mensagens proféticas foram primeiro anunciadas oralmente antes de serem registradas por escrito (Is 7:3; Jr 7:2; Mt 5–7).

Embora existam no mundo teológico várias teorias sobre a inspiração, destacarei apenas as três que têm sido mais defendidas por alguns estudiosos na atualidade:

1. Inspiração verbal. A ênfase está nas palavras e não no autor. Compreende que o processo de comunicação do conteúdo da mensagem é de responsabilidade exclusiva de Deus, ou seja, não há participação humana. Todas as palavras e detalhes são pré-selecionados por Deus e a única função do profeta é usar a sua pena (caneta) e escrever. A partir desta ideia é que surgiu a expressão “a pena inspirada”. Temos que lembrar que o profeta é o porta-voz de Deus, não a Sua forma de expressar;

2. Inspiração do pensamento. Ao contrário da inspiração verbal, a ênfase aqui está no autor e não nas palavras. A inspiração atinge a mente do autor, e o Espírito Santo assegura que a mensagem seja corretamente comunicada. Esse modelo entende que não é a pena (caneta) do profeta que é inspirada, mas sim, seu pensamento;

3. Inspiração mecânica/ditado. O Espírito Santo dita cada palavra para o profeta sem considerar sua formação sociocultural e educacional.

Com base na Bíblia e nos escritos de Ellen White, a Igreja Adventista do Sétimo Dia adota a inspiração do pensamento como a teoria padrão para explicar o processo de comunicação entre Deus e o homem. Este modelo compreende a união harmônica do divino com o humano, ou seja, a mente e a vontade divina são combinadas com a mente e a vontade humana. Tal fenômeno representa uma ação sobrenatural. Ao formular ou escolher palavras e expressões para representar os pensamentos recebidos de Deus, o profeta exercita o intelecto e a escolha humana em cooperação com a mente e a vontade divina.

Considerações sobre inspiração:

• A revelação tornou conhecida a verdade de Deus, enquanto a inspiração assegurou sua comunicação fidedigna;

• Inspiração envolve o homem num sentido ativo, enquanto a revelação é somente uma atividade de Deus;

• Na inspiração, o profeta recebe de Deus e transmite a outros;

• Ao receber a revelação divina, o profeta é dotado por Deus para comunicar a mensagem de forma fiel e verdadeira;

• Após Deus Se revelar ao ser humano, chega o momento em que os profetas devem comunicar a palavra de Deus a outros e eles o fazem traduzindo em suas próprias palavras, com o vocabulário que lhes está disponível. Nesse processo, Deus se submete à linguagem e à comunicação falha e limitada do ser humano. A inspiração é como uma revisão didática para que a mensagem não seja transmitida de forma diferente do que Deus queria comunicar. No momento da inspiração, Deus não dita as palavras para os profetas, mas os faz lembrar, de forma clara, o quadro geral dos acontecimentos, ou dos temas que deviam ser transmitidos ao povo de forma oral ou escrita. “Não são as palavras da Bíblia que são inspiradas, mas os homens é que o foram. A inspiração não atua nas palavras do homem ou nas suas expressões, mas no próprio homem que, sob a influência do Espírito Santo, é possuído de pensamentos. As palavras, porém, recebem o cunho da mente individual” (ME, vol. 1, p. 21);

• Os profetas e apóstolos não foram meros copistas do que ouviam ou viam, mas, enquanto eram movidos pelo Espírito, escreviam, envolvendo-se para realizar da melhor forma possível a tarefa deles requerida. Nessa perspectiva, a revelação vem ao homem por meio da união da mente e da vontade divina com a humana;

• Os escritores da Bíblia foram os escribas de Deus, não a Sua caneta;

• A parte que Deus mesmo escreveu, seus dez mandamentos, é de Sua própria autoria; esses mandamentos foram revelados pela escrita de Deus, por Sua caligrafia, em duas pedras. Esse texto representa a máxima autoridade divina, e revela resumidamente o caráter de Deus;

• A inspiração atua tanto na mensagem escrita como na oral;

• Inspiração foi a obra de Deus em guiar e dirigir os escritores da Bíblia para que eles escrevessem a verdade absoluta, mesmo quando ela estivesse além do seu entendimento (como foi o caso da parte selada do livro de Daniel).

“Homens falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2Pe 1:21). A palavra grega pheromenoi (“movidos”) indica que o Espírito os conduziu, garantindo que as Escrituras não fossem meramente uma invenção humana. A inspiração pode ser descrita como um ato divino que capacita os profetas a receber e comunicar a revelação de maneira autoritativa e confiável. Essa iniciativa divina assegurou a preservação fiel da verdade de Deus por meio da Palavra escrita, como se observa quando Moisés foi instruído a registrar as palavras do Senhor (Êx 17:14; Dt 31:9). Posteriormente, Josué reforçou a importância de obedecer ao que está escrito no Livro da Lei (Js 23:6), destacando o papel duradouro das Escrituras inspiradas na condução do povo de Deus.

Importante:

• Atualmente, com base em princípios finitos e falíveis, muitas pessoas ousam determinar no conteúdo das Escrituras e do Espírito de Profecia o que é e o que não é inspirado. Tais indivíduos costumam afirmar que alguns profetas foram parcialmente inspirados ao escrever certos conteúdos. Essa abordagem tem conduzido pessoas à descrença e, como consequência, a compreensão da verdade tem sido colocada em xeque. Desta forma, os escritos revelados por Deus passam a ser interpretados de acordo com a imaginação e preferência pessoal e, como resultado, a verdade é distorcida;

• Não existe na Bíblia nenhuma evidência de que alguns trechos foram mais ou menos inspirados que outros. Toda a Escritura foi inspirada por Deus (2Tm 3:16).

Iluminação:

• Revelação é o fato da comunicação divina; inspiração é o meio da comunicação divina, iluminação é o dom de entender a comunicação divina;

• Sempre, antes de estudar a Bíblia, o cristão deve orar a Deus para iluminar a sua mente com entendimento para compreender a Sua Palavra;

• A iluminação é um dom concedido a todos os crentes, ao passo que a revelação-inspiração é concedida apenas aos profetas;

• Por falta de iluminação, ou porque as pessoas não desejam a iluminação, é que existem tantas religiões e igrejas;

• Quando oramos para compreendermos a Bíblia ou em favor do pregador, devemos pedir a iluminação do Espírito Santo e não a inspiração, pois os escritos bíblicos já foram revelados e inspirados aos escritores bíblicos. Necessitamos apenas da iluminação do Espírito para compreender Sua verdade;

• “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1Co 2:14).

Mensagens orais

A tarefa de comunicar as mensagens proféticas aos destinatários originais podia ser realizada de forma oral (2Pe 1:19-21), por escrito (Jo 20:30, 31) ou até por meio de dramatizações (Ez 4:1-8). Na Bíblia temos diferentes manifestações da revelação-inspiração:

1. Teofanias. Aparições visíveis de Deus (Gn 17:1; Êx 33:11), que revelavam Sua presença e inspiravam os profetas;

2. Sonhos e visões. Mensagens divinas comunicadas e, posteriormente, registradas (Nm 12:6; Dn 2:19);

3. Mensageiros angélicos. Anjos que transmitiram revelações (Dn 10:11; Lc 2:8-14);

4. Lançamento de sortes. Orientações divinas no processo de tomada de decisões (Nm 26:55; At 1:21-26);

5. Urim e Tumim. Juízos divinos por meio do sumo sacerdote (Êx 28:30);

6. Discursos divinos. As palavras diretas de Deus, posteriormente registradas por escrito (Êx 20:1-17);

7. Sinais e milagres. Atos que revelavam o poder de Deus, registrados para as gerações futuras (Êx 7–14);

8. Jesus Cristo. A revelação suprema, cuja vida e ensinos foram preservados nas Escrituras.

Nem todos os profetas mencionados na Bíblia escreveram livros bíblicos. Muitos receberam mensagens de Deus e as transmitiram oralmente ao povo, aos reis ou a pessoas específicas. Isso revela um princípio importante: o dom de profecia não estava condicionado à produção de um livro bíblico. Uma pessoa podia exercer autenticamente o ministério profético sem deixar nenhum escrito que integrasse as Escrituras.

Podemos identificar duas realidades no ministério profético bíblico:

1. Profetas que produziram escritos incorporados à Bíblia (Is, Jr, Ez, Dn e outros);

2. Profetas que exerceram o dom profético sem produzir livros bíblicos (Elias, Eliseu, Débora, Hulda, Ágabo e outros).

Isso não significa que os profetas do segundo grupo fossem menos inspirados. Significa que nem toda revelação profética foi destinada a integrar o cânon bíblico.

Paulo ensina que o dom de profecia foi concedido pelo Espírito Santo para edificação da igreja (1Co 12:10; 14:3).

Nem todos os profetas escreveram a Bíblia, mas todos os verdadeiros profetas foram chamados a comunicar a vontade de Deus. O dom profético é mais amplo do que a produção das Escrituras, embora toda manifestação desse dom deva ser examinada à luz da Palavra de Deus.

Mensagens escritas

Por que Deus pediu que Seus profetas registrassem Suas mensagens por escrito?

• Porque ele desejava que Sua revelação não ficasse limitada às pessoas que ouviram a mensagem originalmente, mas fosse preservada e transmitida fielmente às gerações futuras. “Escreve isto para memória num livro” (Êx 17:14);

• Porque embora a criação mostre as digitais do Criador, ela não diz muito a respeito do caráter, dos sentimentos e propósitos desse Criador, então Deus resolveu tornar esses aspectos mais claros e permanentes na forma de um livro divino-humano, escrito por pessoas inspiradas pelo Espírito Santo (2Pe 1:21);

• Para que creiamos que Jesus é o Filho de Deus. “Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus” (Jo 20:30 e 31);

• Para ensinar as gerações futuras por meio das experiências e dos erros do passado. “Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos” (1Co 10:11).

• Para registrar a revelação profética e para orientar o povo de Deus ao longo da história. “Escreve, pois, as coisas que viste, e as que são, e as que hão de acontecer depois destas” (Ap 1:19);

• A escrita preserva a revelação. A mensagem oral alcança inicialmente aqueles que a ouvem. A mensagem escrita pode alcançar pessoas de diferentes lugares, culturas e gerações. Deus ordenou que Suas mensagens fossem registradas para que Sua vontade continuasse sendo conhecida;

• A escrita permite que a revelação seja examinada. Ao preservar a mensagem, as Escrituras oferecem uma referência permanente para o ensino, a correção e a avaliação das crenças e práticas religiosas. Por isso, os ensinamentos espirituais devem ser examinados à luz da Bíblia;

• A escrita transforma experiências do passado em orientações para o presente. Paulo afirma que os acontecimentos registrados nas Escrituras servem de exemplo e advertência para nós (1Co 10:11). A Bíblia não apresenta apenas acontecimentos históricos; ela revela princípios espirituais que continuam relevantes.

Deus não apenas falou à humanidade no passado. Ele providenciou que Sua Palavra fosse preservada para continuar falando conosco hoje. Depois da plena revelação de Deus na encarnação de Jesus, a forma mais eficaz e amplamente usada de revelação divina é a fala do Senhor. Na Bíblia, encontramos repetidas referências ao Deus que fala. Sua Palavra é dada aos porta-vozes, os profetas. As numerosas ocorrências de expressões como “Palavra do Senhor”, “Assim diz o Senhor” e “Palavra que o Senhor falou” testemunham desse fato. Esse discurso divino produz a Palavra do Senhor e, finalmente, leva à sua incorporação em um documento escrito. O ato de anotar a Palavra de Deus também é resultado da iniciativa divina (ver Êx 17:14; Êx 24:4; Js 24:26, etc.).

Dramatização, símbolos e parábolas

“Filho do homem, toma um tijolo, põe-no diante de ti e grava nele a cidade de Jerusalém” (Ez 4:1).

• Se a revelação bíblica ocorresse hoje, provavelmente a verdade seria ilustrada com coisas, situações e profissões da atualidade. Assim, teríamos parábolas e outras figuras de linguagem sobre a geladeira, o relógio, a lâmpada, o automóvel, o celular, a internet, o pedreiro, o médico, o gerente, e muitas outras coisas que fazem parte da nossa realidade. Como a revelação bíblica foi apresentada a uma sociedade essencialmente agropastoril, seus escritores ilustraram a verdade com figuras extraídas de seu contexto cultural. Eles falavam de campo, arado, sementes, frutos, de animais e dos fenômenos da natureza, como o vento, a estiagem, e a chuva.

Por que Deus utilizou dramatizações para transmitir Suas mensagens?

• Porque Deus não queria apenas que as pessoas ouvissem Sua mensagem, mas que a compreendessem, fossem impactadas por ela e respondessem ao Seu chamado. Em Ezequiel 4:1-8, Deus ordenou que o profeta representasse o cerco de Jerusalém. A dramatização transformou uma advertência verbal em uma mensagem visual, concreta e difícil de ignorar;

• Para despertar a atenção das pessoas. Em um contexto no qual as advertências proféticas eram frequentemente rejeitadas, as dramatizações despertavam a curiosidade e levavam as pessoas a prestar atenção à mensagem divina;

• Para tornar a mensagem mais compreensível. Os símbolos transformavam conceitos complexos em imagens familiares (Mt 13:1-23);

• Para produzir um impacto emocional. O casamento de Oseias com Gômer representava a infidelidade espiritual de Israel. Deus utilizou uma experiência familiar dolorosa para demonstrar a gravidade da infidelidade de Seu povo e a persistência de Seu amor (Os 1–3);

• Para facilitar a memorização da mensagem. Uma imagem marcante pode permanecer na memória por muito tempo. A estátua de Daniel 2, os animais de Daniel 7 e as bestas de Apocalipse 13 são exemplos;

• O objetivo final das dramatizações não era simplesmente impressionar, mas provocar uma resposta espiritual. Deus desejava que Seu povo reconhecesse seus pecados, compreendesse as consequências de suas escolhas e retornasse a Ele;

• Deus não utilizou dramatizações para transformar Sua mensagem em espetáculo, mas para transformar a indiferença das pessoas em atenção, reflexão e arrependimento.

A dramatização de Ezequiel revela que Deus adapta a maneira de comunicar Sua mensagem para que as pessoas compreendam a seriedade de Seu chamado.

Isso também nos ensina algo importante sobre a pregação, o ensino e a missão: não basta transmitir informações corretas; precisamos comunicá-las de maneira compreensível, significativa e capaz de levar as pessoas a uma decisão.

Ellen White sobre revelação e inspiração

Depois de estabelecer os aspectos vertical e horizontal da comunicação de Deus, podemos agora examinar a experiência de revelação-inspiração de Ellen White. Se seu dom profético for autêntico, ele deve estar em harmonia com a experiência dos escritores bíblicos. Essa harmonia é exatamente o que encontramos em seu próprio testemunho. Ela declarou: “Sou tão dependente do Espírito do Senhor ao relatar ou escrever uma visão como ao ter a visão” (ME, vol. 1, p. 29). A experiência profética de Ellen White refletia o padrão bíblico, no qual revelação e inspiração atuavam conjuntamente.

O aspecto vertical, “ter a visão”, era central em seu ministério. Ao longo de 70 anos, ela recebeu aproximadamente 1000 sonhos e visões sobre diversos assuntos, incluindo admoestação pessoal, administração da igreja, educação, saúde, teologia e o grande conflito. Ela descreveu essas experiências como sendo levada à presença de Deus, contemplando eventos do passado e do futuro e recebendo orientação divina.

O aspecto horizontal, “relatar ou escrever uma visão”, era igualmente crucial. Pouco tempo após sua primeira visão, em 1844, ela foi instruída a compartilhar o que tinha visto, dando início a uma tarefa que duraria toda a vida. Suas visões, que podiam durar de alguns minutos a várias horas, frequentemente exigiam semanas ou meses para serem registradas. Ela observou que nem sempre se lembrava imediatamente da visão, mas que esta retornava com clareza ao escrever ou falar em um contexto apropriado.

É importante observar que nem todos os seus escritos derivaram diretamente de visões. Ela utilizava a memória, a comparação de fontes e a pesquisa histórica, especialmente em obras como O Grande Conflito. Também tomou emprestadas e adaptou expressões de outros autores quando comunicavam de maneira eficaz a mensagem pretendida. Assim como Paulo, ela, por vezes, aplicou princípios divinamente revelados a situações específicas sem receber uma nova visão.

Os adventistas do sétimo dia creem que a experiência de inspiração de Ellen White foi idêntica à dos escritores bíblicos. Como ela mesma afirmou em 1876: “Nos tempos antigos, Deus falou aos homens pela boca de Seus profetas e apóstolos. Nestes dias, Ele lhes fala por meio dos testemunhos de Seu Espírito” (TPI, vol. 4, p. 131).

Se a inspiração de Ellen White foi a mesma dos escritores bíblicos, então suas visões e escritos não seriam iguais à Bíblia em todos os aspectos e, portanto, um acréscimo ao cânon das Escrituras? Não. Embora seja lógico afirmar a igualdade da experiência de revelação-inspiração entre o AT, o NT e o dom profético pós-canônico, a questão da autoridade e do cânon das Escrituras é distinta. Embora não existam graus de inspiração, existem graus de autoridade, e os profetas pós-canônicos (como Ellen White) não possuem a mesma autoridade do cânon bíblico.

Ellen White destacou que nem todas as suas experiências e comunicações humanas eram inspiradas. Ela explicou: “Há vezes, porém, em que devem ser declaradas coisas comuns, pensamentos comuns precisam ocupar a mente, cartas comuns precisam ser escritas, e transmitidas informações que passaram de um obreiro a outro. Essas palavras e informações não são dadas sob inspiração especial do Espírito de Deus” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 31). É importante ter em mente essa distinção ao lermos e avaliarmos seus escritos, especialmente sua correspondência e seus diários pessoais.

Louvo a Deus pelas maravilhosas lições que podemos aprender de Sua Palavra e é por isso que sou apaixonado pela Escola Sabatina! #lesadv


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