Comentários da Lição da Escola Sabatina

O DOM DE PROFECIA

Quarto Trimestre de 2026


Lição 3 – Profetas do Antigo Testamento

Destaques do Pastor Eber Nunes #lesadv

O número total de profetas na Bíblia varia conforme os critérios adotados para se identificar um profeta, mas, uma estimativa bastante utilizada é a de aproximadamente 133 profetas. Podemos dividi-los em três grupos:

Profetas que escreveram livros: Moisés escreveu o Pentateuco e o livro de Jó. Samuel provavelmente escreveu Juízes e partes de 1 Samuel. Natã provavelmente escreveu partes dos livros de 1 e 2 Samuel. Temos ainda quatro profetas que escreveram muito conteúdo, são chamados profetas maiores (Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel) e 12 que escreveram pouco conteúdo, são chamados profetas menores. Os livros proféticos do AT ocupam uma porção da Bíblia aproximadamente equivalente a todo o NT;

Profetas que aparecem nas narrativas bíblicas, mas que não escreveram livros: Elias (1Rs 17), Miriã (Êx 15); Débora (Jz 4 e 5); Aías de Siló (1Rs 11); Jeú (2Cr 19); Micaías, filho de Imlá (1Rs 22); Azarias (2Cr 15); Eliseu (1Rs 19); Hulda (2Rs 22); Samuel; Natã; entre outros;

Profetas do NT: João Batista; Ágabo; Simeão; as quatro filhas de Filipe, entre outros.

Alguns profetas eram jovens (Samuel, Daniel), alguns eram muito velhos (Ana, Simeão), alguns também eram sacerdotes ou juízes (Jeremias, Débora). Alguns eram pessoas comuns com empregos comuns (Paulo, Moisés). Temos homens profetas e temos mulheres profetas. Na maioria das vezes, os profetas não eram exatamente populares entre o seu povo porque tinham que entregar mensagens de mudança. As mensagens podiam chamar o povo a abandonar certos comportamentos queridos, mas prejudiciais, ou expor pecados secretos mantidos por aqueles na liderança.

Os profetas foram pessoas comuns como qualquer um de nós. Enfrentaram tentações, pecados, foram perseguidos, maltratados e, muitas vezes, mortos. Casaram-se, formaram famílias e educaram filhos. Foram pessoas que sofreram dores e sentimentos de tristeza pela dureza e impiedade dos seus concidadãos ao rejeitarem o registro da revelação divina comunicada por eles. Sentiram profunda mágoa e dor demonstrados por aqueles que recusaram seguir os caminhos do Senhor.

O denominador comum entre os profetas era que cada um tinha um coração disposto a fazer simplesmente a Deus.

A humanidade dos profetas

Sem dúvida, Elias foi um dos grandes profetas da Bíblia, foi ele quem profetizou uma grande seca sobre Israel e durante esse terrível tempo de seca, foi alimentado por corvos, foi ele que multiplicou o azeite da viúva e ressuscitou o filho dela. Foi esse profeta que, cheio do poder de Deus, enfrentou os profetas de Baal e revelou quem era, de fato, Deus em Israel ao fazer cair fogo do céu sobre o seu holocausto! Foi esse profeta que, sob o comando de Deus, orou, após três anos de terrível seca, para que novamente houvesse chuva sobre a terra. E assim se fez! Foi esse profeta que, na unção do Senhor, profetizou contra o rei Acabe e Jezabel, falando-lhes sobre o triste e terrível fim da vida de ambos! Foi esse profeta que, no Senhor, fez cair fogo do céu sobre dois dos três capitães enviados pelo rei Acazias (filho do rei Acabe) e que disse que a sua doença não teria cura e que Acazias se encontraria, irremediavelmente, com a morte.

Quando se examina a vida de Elias, tem-se a impressão de que ele é um tipo quase não humano. Imitá-lo parece algo impossível. Temos mais facilidade em nos identificar com personagens como Davi (que pecou vergonhosamente); com Pedro (que traiu o Senhor); e com tantos outros com pecados expostos como nós. Mas Elias parece aos nossos olhos como alguém impossível de ser imitado.

No entanto, Tiago nos traz, em sua epístola, uma informação por demais importante: Elias, esse homem tão poderoso em Deus, era um “homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos” (Tg 5:17). Elias era gente como a gente.

Logo após ter derrotado os profetas de Baal, Elias foi ameaçado de morte por Jezabel. Um mensageiro, enviado pela mesma, o fez saber que ele seria executado no dia seguinte, assim como os profetas de Baal haviam sido executados (1Rs 19). Elias, o grande homem de Deus, temendo pela própria vida, mesmo tendo experimentado da parte do Senhor uma grande vitória, fugiu para o deserto e desejou a morte. Este momento na vida do profeta, associado ao texto do apóstolo Tiago, serve como bálsamo da parte do Senhor a todos os seus filhos e filhas que se encontram por todo o globo terrestre. Elias (e tantos outros homens e mulheres de Deus), o grande profeta, poderia ser capaz de realizar, no Senhor, os mais tremendos feitos. Mas, ainda assim, era homem, era humano, era frágil, era barro, era gente como a gente e, portanto, alvo da graça e da misericórdia do Senhor, assim como nós o somos. Acho que, se a Bíblia não houvesse registrado esse fato e Tiago não nos tivesse informado que Elias “era semelhante a nós”.

“Abandonou Deus a Elias em sua hora de provas? Oh, não! Ele não amava menos Seu servo quando este se sentiu abandonado de Deus e dos homens, do que quando, em resposta à sua oração, flamejou fogo do céu e iluminou o topo do monte” (PR, 166).

Moisés duvidou de sua capacidade de falar (Êx 4:10); Samuel lamentou o fracasso de Saul (1Sm 15:35); e Elias entrou em desespero, chegando a desejar a morte após as ameaças de Jezabel (1Rs 19:4). Essas dificuldades mostram que os profetas, apesar de seu chamado, continuavam sendo humanos, sujeitos ao medo, à dúvida e à angústia emocional. Esse pensamento nos lembra da graça de Deus em usar pessoas comuns para transmitir mensagens extraordinárias.

Identificando os profetas verdadeiros

Desde o início da história de Israel, encontramos evidências de falsos profetas:

“Porém o profeta que presumir de falar alguma palavra em meu nome, que eu lhe não mandei falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta será morto” (Dt 18:20);

“Acautelai-vos dos falsos profetas” (Mt 7:15);

“Muitos, naquele dia, hão de dizer-Me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em Teu nome [...]? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de Mim, os que praticais a iniquidade” (Mt 7:22-23);

“Levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos” (Mt 24:11);

“Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos” (Mt 24:24).

A obra de falsificação só prova a presença do verdadeiro.

Dois extremos são perigosos. O primeiro é aceitar todos os que se dizem profetas; o outro é ter preconceito quanto ao dom profético. Poderia ser mais fácil para nós dizer que depois dos apóstolos ninguém mais se levantaria como profeta. Nos livraríamos de muitos problemas, mas não é isso que Deus nos apresenta. Deus promete o dom e nos dá os critérios (os instrumentos) para que possamos avaliar o dom:

“Não desprezeis as profecias” (1Ts 5:20 e 21);

“Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (1Jo 4:1).

É sensato crer que, se Deus pede que os profetas sejam provados, é porque Sua Palavra oferece evidências suficientes para que possamos fazê-lo.

O livro de Herbert E. Douglass, Mensageira do Senhor: O ministério profético de Ellen White, desenvolve o que se denomina “Características dos profetas” (páginas 26-42):

Predições cumpridas. “O profeta que profetizar paz, só ao cumprir-se a sua palavra, será conhecido como profeta, de fato, enviado do Senhor” (Jr 28:9);

Harmonia com a Bíblia. “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva” (Is 8:20).

A prova do “pomar”. “Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7:20);

Testemunho inequívoco sobre a natureza divino-humana de Jesus Cristo. “Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus” (1Jo 4:2).

Funções dos profetas

Embora Deus possa falar por meio de qualquer instrumento, como no caso da jumenta de Balaão (Nm 22:28-30), Ele normalmente levanta profetas de dentro de Sua comunidade fiel. Os profetas atuavam como mensageiros, transmitindo as ordens de Deus sem acrescentar opiniões pessoais. O termo “mensageiro” descreve bem essa função, pois os profetas comunicavam a palavra autoritativa de Deus, esperando que ela fosse obedecida, eles também:

Falavam em lugar de Deus. A função principal de um profeta não é a de predizer acontecimentos futuros, mas a de colocar-se como instrumento nas mãos de Deus a fim de se tornar Seu porta-voz. Ele deve dizer aquilo que Deus diria Se estivesse entre o povo, ou seja, comunicar Sua vontade em toda e qualquer circunstância;

Revelavam os planos de Deus. A Palavra de Deus nos mostra em Amós 3:7 que: “Certamente, o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o Seu segredo aos Seus servos, os profetas”. A revelação antecipada por Deus dos capítulos da história humana visa a fortalecer e encorajar o povo a fim de que se prepare para o enfrentamento dos desafios e possíveis crises. Tal função confere ao profeta certo grau de credibilidade, sobretudo quando suas predições se cumprem conforme a revelação divina. Podemos aferir as palavras do profeta de acordo com o princípio estabelecido por Moisés em Deuteronômio 18:22 que diz: “Sabe que, quando esse profeta falar em nome do Senhor, e a palavra dele se não cumprir, nem suceder, como profetizou, esta é palavra que o Senhor não disse; com soberba, a falou o tal profeta; não tenhas temor dele”;

Fortaleciam e guiavam os governantes. Em tempos de paz ou guerra, prosperidade ou adversidade, os líderes encontraram nas palavras dos profetas orientação, conforto e coragem para enfrentar os possíveis desafios. Infelizmente, muitos dos líderes não buscaram o auxílio divino, outros apenas rejeitaram os conselhos de Deus. É de se notar que os líderes sempre foram objeto do cuidado e atenção divinos e, no curso da história humana, Deus tomou todas as providências para ajudá-los em cada uma das circunstâncias vivenciadas. Sua intenção era orientá-los de tal maneira que não viessem a cometer erros, o que poderia comprometer todo o destino de uma geração de Seus filhos, proliferando assim a ação maléfica do pecado no mundo;

Encorajavam o povo à fidelidade. Em nossa jornada cristã rumo ao Céu, Deus comunica palavras de encorajamento que nos trazem motivação para prosseguirmos com firmeza em nossa caminhada. Geralmente, palavras de encorajamento são acompanhadas de censura e reprovação; raramente são encontradas sozinhas. Em paralelo ao encorajamento, Deus estabelece novos caminhos a serem seguidos. Uma das principais tarefas dos profetas é a de encorajar o povo a permanecer fiel à revelação divina e prosseguir rumo a novas conquistas;

Reprovavam o pecado. Quer sua tarefa fosse reprovar a injustiça social, erradicar a idolatria, ou protestar contra a imoralidade, os profetas receberam poder adicional da parte de Deus para exercer esta tarefa com coragem e vigor. A voz de reprovação do profeta era a voz de reprovação de Deus a qual era pronunciada a despeito das consequências;

Ensinavam o povo. Na essência da palavra, nem todos os profetas eram professores; no entanto, por meio de seus ensinamentos, o povo aprendia os princípios do reino de Deus. Eles tornaram esses princípios claros a toda a nação, estipulando sempre os parâmetros requeridos por Deus. Suas mensagens eram revestidas de uma linguagem didática, repleta de conselhos e instruções práticas;

Mostravam que Deus está no controle da história.

Além das funções acima citadas, podemos destacar ainda outras responsabilidades que eram pertinentes aos profetas. Em muitas circunstâncias, eles (a) agiram como consultores; (b) conselheiros; (c) pronunciaram juízos; (d) reprovaram o estado pecaminoso tanto em nível pessoal como coletivo; (e) operaram milagres, etc.

Profetisas

No contexto bíblico, Deus chamou tanto homens como mulheres para profetas, e no final dos tempos, também serão chamados a ser profetas tanto homens como mulheres (At 2:17 e 18). Por que temos muito mais homens profetas que mulheres na Bíblia? O fato de Deus ter chamado algumas mulheres para profetisas é sinal de que se havia alguma restrição, não era o sexo, e sim outros fatores, pois caso contrário, não teria chamado aquelas que chamou. É fato que as circunstâncias da época não favoreciam mulheres como profetisas, afinal, se já era difícil a um homem ser profeta e suportar forte oposição com maus-tratos físicos, muito mais difícil seria para uma mulher, além de que a sociedade no contexto bíblico era extremamente machista.

Algumas vozes proféticas femininas no AT e NT:

Miriã: Irmã de Moisés e Arão, Miriã é a primeira mulher expressamente chamada de profetisa no texto bíblico. Logo após a travessia miraculosa do Mar Vermelho, ela liderou as mulheres de Israel em cânticos, danças e louvores, celebrando o grande livramento de Deus sobre o exército egípcio e profetizando a vitória do Senhor sobre os inimigos de Seu povo;

Débora: A profetisa, juíza e guerreira. Débora exercia o ministério profético enquanto liderava Israel como juíza debaixo de uma palmeira. Sua sensibilidade espiritual permitia-lhe receber instruções diretas de Deus para a nação. Ela convocou o comandante Baraque, profetizou a estratégia para a vitória contra o exército cananeu de Sísera e até marchou para o campo de batalha, demonstrando coragem e discernimento espiritual extraordinários;

Hulda: A profetisa da reforma espiritual. Durante o reinado do jovem rei Josias, o Livro da Lei foi reencontrado no Templo. Diante do impacto daquela leitura, o rei enviou seus principais sacerdotes e oficiais para consultarem a profetisa Hulda. Com autoridade e firmeza, ela proclamou a Palavra do Senhor sobre o juízo vindouro contra a idolatria da nação, mas também anunciou a misericórdia de Deus sobre o rei por causa do seu coração contrito, desencadeando a maior reforma religiosa de Judá;

A esposa de Isaías: A profetisa e o ministério familiar. No livro do profeta Isaías, a sua própria esposa é identificada pelo termo "a profetisa". Mais do que uma simples designação por casamento, o título indica que ela compartilhava da vocação profética e do compromisso de discernir a vontade de Deus em um dos períodos mais complexos da história de Judá, em que a própria vida familiar do casal servia como sinal e sinalização profética para a nação;

Ana: A profetisa que esperou pelo Messias. Já em idade avançada no NT, Ana servia a Deus continuamente no Templo com jejuns e orações, noite e dia. Movida pelo Espírito Santo, ao ver o menino Jesus sendo apresentado por Maria e José no Templo, reconheceu imediatamente a chegada do Redentor, dando graças a Deus e profetizando sobre a salvação a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém;

As quatro filhas de Filipe: O ministério na igreja primitiva. No livro de Atos dos Apóstolos, o evangelista Filipe tinha quatro filhas solteiras que possuíam o dom de profecia. Elas representam o cumprimento da promessa de Deus de que, nos últimos dias, o Espírito Santo seria derramado sobre toda a carne e tanto os filhos quanto as filhas profetizariam. Essas jovens atuavam ativamente na edificação, exortação e consolo da igreja primitiva.

Deus concede dons e ministérios segundo a Sua soberana vontade, sem fazer distinção de pessoas. Ao longo de várias épocas, Ele capacita mulheres para serem porta-vozes da Sua verdade, restauradoras da esperança e pilares de fé para suas famílias e comunidades.

Falsos profetas

“Acautelai-vos dos falsos profetas” (Mt 7:15);

“Muitos, naquele dia, hão de dizer-Me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em Teu nome [...]? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de Mim, os que praticais a iniquidade” (Mt 7:22-23);

“Levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos” (Mt 24:11);

“Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos” (Mt 24:24);

“Houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos mestres” (2Pe 2:1);

“Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo” (1Jo 4:1);

Em Jeremias 14, Deus confiou ao profeta uma mensagem de juízo contra Judá, juízo que viria na forma de espada (guerra), fome e peste. Porém, falsos profetas contrariaram essa mensagem. Jeremias os descreveu com palavras muito claras: “E o SENHOR respondeu: ‘Esses profetas profetizam mentiras em Meu nome. Nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei. Eles estão profetizando para vocês visões falsas, adivinhações inúteis e engano que procede do seu íntimo’” (Jr 14:14).

Jim Jones levou 913 pessoas ao suicídio coletivo em 1978, na Guiana, prometendo que todos iriam para o Céu;

David Koresh, autoproclamando-se Filho de Deus, do ramo davidiano, levou à morte 70 homens, mulheres e crianças, num confronto com a polícia, no ano de 1993, em Waco, Texas;

A polícia mexicana acusou o pastor Ramón Morales Almozan de levar à morte 29 seguidores, sufocados em 1991. O pastor ordenava aos fiéis que continuassem orando, enquanto a fumaça tóxica inundava o templo.

O melhor sempre é recorrer à Palavra profética, que é segura, infalível e nos dá verdadeira certeza quanto ao futuro.

Imperfeita, mas disposta

A experiência de Ellen White com o dom profético compartilha semelhanças com a dos profetas do AT. Em sua segunda visão, em dezembro de 1844, ela previu as provas e a oposição que enfrentaria e, a princípio, resistiu ao chamado. Contudo, as palavras “torne conhecido aos outros o que Eu revelei a você!” sempre ecoavam em sua mente (PE, 37). Naturalmente tímida e retraída, Ellen White sentiu-se aterrorizada com a ideia de relatar publicamente suas visões. Ela buscou oração e encorajamento de amigos, sentindo-se sobrecarregada pela responsabilidade que lhe fora confiada.

Durante um período de oração, ela relatou uma experiência transformadora: “Enquanto eu orava, as densas trevas que me envolviam se desfizeram, uma luz brilhante, como uma bola de fogo, veio em minha direção, e, ao descer sobre mim, minhas forças se foram. Parecia-me estar na presença de Jesus e dos anjos. Novamente, foi repetido: ‘Torne conhecido aos outros o que Eu revelei a você!’” (Spiritual Gifts, vol. 2, p. 37). Embora essa experiência tenha encorajado grandemente Ellen White, ela suplicou por humildade, temendo a exaltação própria, e recebeu a garantia de que seria afligida por enfermidade caso o orgulho surgisse. Esse momento consolidou seu compromisso com o chamado divino.

Ao longo de seu extenso ministério, Ellen White descreveu a si mesma como uma “mensageira”, enfatizando seu papel de transmitir as mensagens de Deus, e não de ocupar um ofício específico. Em 1903, ela escreveu: “Desde o ano de 1844 até o presente, tenho recebido mensagens do Senhor e as transmitido ao Seu povo. Meu trabalho é este: dar ao povo a luz que o Senhor me concedeu. Estou incumbida de receber essas mensagens e divulgá-las. Não devo aparecer perante o povo como detentora de qualquer outro cargo além do de mensageira, portadora de uma mensagem” (TPI, vol. 8, p. 195).

Ellen White se tornaria a voz mais influente na futura Igreja Adventista do Sétimo Dia. Ainda assim, ela era humana e tinha falhas, provações físicas, desafios familiares e dificuldades de relacionamento.

Tanto no AT quanto na experiência de Ellen White, o dom profético constituía um chamado profundo, frequentemente acompanhado de provações pessoais e grande humildade. Embora escolhidos para uma tarefa extraordinária, esses mensageiros continuavam sendo humanos, dependendo da força de Deus para cumprir sua missão divina.

Deus escolhe pessoas imperfeitas, mas dispostas a servi-Lo.

Na década de 1860, Ellen White exercia liderança no desenvolvimento da denominação adventista e de sua missão de proclamar as três mensagens angélicas. Em 1863, Deus guiou esse grupo a organizar oficialmente a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Nas décadas seguintes, a voz profética de Ellen White exerceu influência no estabelecimento dos sistemas de saúde e de educação em escala mundial. No entanto, a contribuição mais importante de seu ministério está em seus escritos, que somam cerca de 100 mil páginas.

Louvo a Deus pelas maravilhosas lições que podemos aprender de Sua Palavra e é por isso que sou apaixonado pela Escola Sabatina! #lesadv


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