Lição 2 – A mensagem da cruz
Destaques do Pastor Eber Nunes #?lesadv
Um missionário estava em uma festa religiosa, andando por entre as barraquinhas e observando o que cada uma oferecia. No alto de uma das barraquinhas ele viu um cartaz que dizia: “cruzes em promoção”, ele pensou consigo mesmo, é exatamente isso que muitos cristãos procuram hoje em dia, cruzes que não lhes custem quase nada. O ser humano, naturalmente, quer evitar todo tipo de cruz e perseguir todo tipo de glória.
Adotada pelos romanos, a cruz era o instrumento mais cruel de tortura na antiguidade. Muitos crucificados ficavam pendurados vários dias, sofrendo uma dor sobre-humana. Hemorragia, ossos quebrados, asfixia e câimbras faziam parte do repertório horrendo da crucificação, sem contar a presença de moscas, a zombaria e a vergonha extrema. Os romanos reservavam a crucificação para rebeldes e os piores ladrões. Durante o cerco de Jerusalém, o general Tito crucificou tantos fugitivos da cidade que não se podia encontrar espaço para as cruzes, nem cruzes para os corpos.
Ao receber esse tipo de punição, Jesus chegou ao ponto final da condenação. Ele Se “tornou maldição em nosso lugar” (Gl 3:13). O que era símbolo de morte tornou-se símbolo de vida. O que era derrota, Jesus transformou em vitória.
A cruz foi o altar onde Deus colocou sua oferta e, se ela não for o centro da nossa religião, a nossa religião não é a de Jesus. Ellen White nos assegura: “da cruz depende toda a nossa esperança” (AA, 116).
O impacto da cruz sobre os primeiros cristãos foi tremendo, sendo visto não simplesmente como um fato histórico, mas como um agente transformador. Basta observar que 25% dos evangelhos são dedicados a apresentar a morte de Cristo. Se o restante de sua vida fosse relatado com os mesmos detalhes, precisaríamos de pelo menos 8.400 páginas! Sua morte é igualmente lembrada até hoje por duas das principais cerimônias cristãs: a Santa Ceia e o batismo. Além disso, já no 2º século, a cruz tornou-se o símbolo principal dos cristãos. Não há caminho para o Céu que não passe pelo Calvário.
O evangelho da cruz
“Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e Este crucificado” (1Co 2:2).
• Havia, em certa igreja, um pregador muito alto, homem de grande estatura. Era uma igreja pequena e aquele era um pregador comum naquele púlpito. Atrás do púlpito ficava um vitral muito bonito, onde tinha uma cruz desenhada. E, de repente, num culto especial, aquela igreja convidou outro pregador para uma conferência, um homem de altura mediana. Quando o pregador, o homem de grande estatura se levantava as pessoas não conseguiam ver o vitral com a cruz. Mas nesse dia, com o novo pregador, os crentes viram a beleza da cruz estampada no vitral atrás do púlpito. De repente, uma menininha chamou a atenção de sua mãe, dizendo: “Mamãe, onde está aquele pregador que quando ele se levanta a gente não pode ver a cruz?”;
• Alguns pregadores engrandecem tanto os seus dons que os ouvintes não conseguem ver a Jesus;
• No século 19, um turista chegou a Londres. De manhã ele foi a uma grande igreja para ouvir um dos mais famosos pregadores daquele século. Quando ele saiu da igreja, exclamou de maneira intensa: “Que grande pregador nós ouvimos nesta manhã!” E à noite ele foi à igreja de Charles Spurgeon. Ao sair daquela igreja, também fez uma grande exclamação: “Que grande Deus este pregador pregou nesta noite”;
• O centro da pregação não deve ser o pregador, mas o Salvador. Paulo entendia bem isso;
• É a cruz de Cristo que nos faz relevantes;
• A morte de Cristo não é uma doutrina periférica do cristianismo, mas sua própria essência. A cruz não é um apêndice, ela é o núcleo, o centro, o eixo, e a essência do cristianismo;
• Todas as vezes que a igreja perde de vista a centralidade da morte de Cristo, ela perde a essência do próprio evangelho;
• O evangelho não é antropocêntrico, é cristocêntrico;
• Nenhuma mensagem pode ocupar o lugar da mensagem da cruz.
Loucura para os que se perdem
“Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus” (1Co 1:18).
• Após suas saudações iniciais, a ação de graças e a exortação à unidade, Paulo começa sua mensagem à jovem igreja em Corinto concentrando-se na loucura e na sabedoria;
• A declaração central de Paulo aos coríntios sugere que o evangelho é loucura para alguns, enquanto para outros representa o poder salvador de Deus. Esse paradoxo é significativo, pois sugere, e Paulo destaca em capítulos posteriores, que a fraqueza humana é, na verdade, uma oportunidade para que Deus manifeste Sua força. O restante da passagem apresenta uma série de contrastes entre sábio e tolo, Deus e o mundo, forte e fraco. A cruz, um instrumento de cruel tortura e morte no Império Romano, tornou-se o meio pelo qual Deus realizou a salvação. Esse argumento, que fundamenta toda a pregação de Paulo e da igreja cristã apostólica, certamente soava contracultural e paradoxal para muitos gentios recém-convertidos;
• Como Deus poderia salvar pessoas (e o mundo) por meio da morte de um condenado crucificado? Os judeus, por outro lado, percebiam essa mensagem como um “escândalo” (gr. skandalon), conforme registrado em 1 Coríntios 1:23. Esse “escândalo”, de um lado, ou “loucura”, de outro, refere-se metaforicamente a um obstáculo à fé;
• A maioria de nós cresceu em um mundo em que as cruzes em igrejas ou em outros espaços públicos funcionam como um símbolo do cristianismo e da mensagem da salvação. Na mente de multidões que vivem atualmente, a cruz do Calvário está cercada de sagradas recordações, entretanto, para a maioria das pessoas que viviam no mundo greco-romano do 1º século depois de Cristo a cruz significava morte cruel, castigo severo e absoluta vergonha,
• Exaltar como Salvador da humanidade Aquele que havia encontrado a morte sobre a cruz poderia, naturalmente, despertar zombaria e oposição, tanto de gentios como de judeus;
• O Messias dos judeus deveria derrotar os romanos, não ser crucificado por eles;
• Para os cristãos que vivem no século 21, é difícil imaginar quão “absurda” parecia, na mente das pessoas do primeiro século, a ideia de um Deus crucificado;
• No entanto, é justamente por ser uma mensagem tão chocante que ela merece nossa mais profunda reflexão. O retrato de um Messias crucificado deixa claro, para todo o Universo, até onde Deus esteve disposto a ir para cumprir o plano da redenção.
Poder para os que são salvos
“Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus” (1Co 1:18).
• Paulo faz um contraste entre loucura e poder, não entre loucura e sabedoria;
• Para Paulo, o oposto de loucura não é a sabedoria humana, mas o poder de Deus;
• Antes de Paulo falar em sabedoria, ele fala de poder. A cruz tem poder para salvar. O cristianismo transforma as vidas;
• A cruz tão contrária à sabedoria humana expõe o quanto esta sabedoria é, na verdade, insensatez;
• O verbo grego apollymi (“perder-se”, “perecer”) de 1ª Corintios 1:18 também pode significar “destruir” (Jo 10:10), em 1ª Coríntios 1:19, ele é traduzido dessa maneira: “Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos instruídos” (1Co 1:19);
• Deus aparece como o agente da destruição em 1ª Coríntios 1:19, o que, à primeira vista, pareceria contradizer o orgulho autodestrutivo mencionado antes, mas não há contradição, Deus simplesmente põe fim àquilo que já está em processo de autodestruição;
• Em contraste com “os que se perdem”, a expressão “nós, que somos salvos” (1Co 1:18) indica que a salvação vem unicamente de Deus;
• 1ª Coríntios 1:18 fala da autodestruição e de salvação do auto;
• Paulo diz que estamos sendo salvos, ou seja, não nos salvamos; nem poderíamos. Nossa salvação tem fonte externa. Enquanto a destruição é provocada por si mesma, a salvação só pode ser concedida, é dom da graça para pecadores. Como 1ª Coríntios 1:21 deixa claro, é Deus quem salva os que creem;
• Loucura, nesse sentido, é rejeitar o que Deus ofereceu à humanidade por meio da cruz de Cristo (1Co 1:30) e, assim, atrair sobre si a destruição.
Um Messias crucificado
“Os judeus pedem sinais e os gregos buscam sabedoria” (1Co 1:22).
• A ideia de que Deus, o Messias, foi crucificado não era o sinal que os judeus esperavam, tampouco correspondia ao tipo de sabedoria que os gregos desejavam. A cruz ia contra a expectativa de todos;
Os judeus estavam sempre chegando perto de Jesus pedindo milagres, mas Jesus nunca fez milagre para agradar a ninguém. Eles estavam acostumados a uma história de grandes milagres no AT, e eles aguardavam um Messias vencedor que iria quebrar o jugo dos seus inimigos. Na plenitude dos tempos veio o Messias sofredor, aquele que se fez carne e morreu numa cruz. Não era isso que os judeus esperavam. Por isso, eles tropeçaram na cruz. Não viram nela o poder nem a sabedoria de Deus. Os judeus não viram na cruz um instrumento de salvação para eles. A ênfase deles era em milagres poderosos e a cruz era um sinal de fraqueza. Eles aguardavam um Messias vencedor e Jesus veio como o Messias sofredor. Porque os judeus esperavam sinais, eles tropeçaram na cruz. Contudo, a fraqueza de Deus, a cruz, é mais forte do que os homens (1Co 1:25).
Os gregos enfatizavam a sabedoria. Eles escarneceram da cruz, mas Paulo pergunta: “Onde está o sábio? Onde o escriba? Onde o inquiridor deste século?” (1Co 1:20). Paulo está dizendo que a sabedoria do homem não conseguiu atingir o conhecimento pessoal de Deus, e não levou o homem ao conhecimento da salvação. O tempo áureo dos gregos e dos romanos, e a filosofia de Sócrates, Platão e Aristóteles não lhes trouxeram iluminação espiritual. O apogeu da filosofia grega, na idade de ouro, o século de Péricles, foi considerado por Paulo como tempo de ignorância e cegueira (At 17:30). A sabedoria deles não os habilitou a conhecer a Deus nem a receber a salvação. Paulo diz que Deus deu um grande zero para a sabedoria humana, pois ela não conseguiu conduzir o homem à salvação.
O evangelho do Cristo crucificado e ressurreto não desperta fé em judeus ou gregos, mas, antes, torna-se para eles um “escândalo” ou uma “loucura”, respectivamente. Paulo resume essa realidade em 1 Coríntios 1:25: “Porque a loucura de Deus é mais sábia do que a sabedoria humana, e a fraqueza de Deus é mais forte do que a força humana”. Essa declaração conduz Paulo à sua próxima afirmação importante: a eleição de Deus daqueles que compunham a igreja em Corinto não se baseava em sua sabedoria, poder ou influência, mas unicamente na soberania divina (1Co 1:26-29). A escolha de Deus nunca se fundamenta em conquistas humanas, poder ou influência, mas acontece em resposta ao ato de estendermos a mão para Jesus pela fé.
Cristo, poder e sabedoria de Deus
No conceito helenístico dominante no período do NT o foco estava na inteligência, no conhecimento teórico acima das habilidades práticas o filósofo era um amante da sabedoria alguém que difundia e conhecia o conhecimento a verdade podia ser organizada de forma que ajudasse a explicar o mundo havia muitas escolas filosóficas com ênfase distintas, mas todas se concentravam na observação na razão na lógica e nos argumentos intelectuais.
Paulo demonstra que a verdadeira sabedoria tem três elementos principais:
1- Ela é revelada na cruz. A sabedoria de Deus transforma a sabedoria deste mundo. A sabedoria humana exalta o nascimento nobre; Jesus nasceu de pais humildes; o primeiro berço foi a manjedoura; a sabedoria humana exalta o palavreado culto e o arrazoado humano; Jesus não recebeu educação formal e falava com simplicidade e maneira direta. A sabedoria humana exalta o orgulho, a pompa e a posição; Jesus morreu numa cruz, executado entre dois criminosos. Tanto os judeus como os gregos minimizaram o valor da cruz. Foi isto, mais do que qualquer outro aspecto do ministério de Jesus, que contestou a sabedoria humana. Mas a cruz era a sabedoria de Deus. É unicamente à sua luz que podemos descobrir onde se encontra a verdadeira sabedoria;
2- Ela é poder e conhecimento. A cruz tem poder para salvar. O cristianismo transforma as vidas. Podemos destacar dois outros pontos de interpretação. Em 1ª Coríntios 1:25, a loucura de Deus, literalmente, é a coisa tola de Deus, e a fraqueza de Deus é literalmente a coisa fraca de Deus. Paulo se refere à cruz do ponto de vista humano, a coisa mais louca e mais fraca, mas objeto da suprema sabedoria e poder, pela perspectiva de Deus. Segundo, podemos compreender que 1ª Coríntios 1:30 é um resumo dos comentários de Paulo sobre a sabedoria. Assim, Cristo não é apenas sabedoria, como um dos termos empregados, mas “a Sabedoria”, a que reúne todas as outras;
3- Ela é concedida pelo Espírito Santo. A pessoa espiritual tem a mente de Cristo (1Co 2:16), mente transformada pelo poder salvador de Deus e capacitada a discernir todas as coisas à sombra da cruz. O Espírito de Deus concede ao cristão um tipo especial de sabedoria. O próprio Deus é nosso instrutor. Aquele que toca os mais profundos motivos do nosso ser e concede a mente de Cristo é quem nos instrui. Aqueles que operam no nível da sabedoria humana não têm acesso a tal sabedoria e nem podem compreendê-la. É loucura para eles.
Cristo não é apenas o poder, Ele é também a sabedoria de Deus, por meio Dele, Deus enfrentou e resolveu o problema do pecado, algo que a sabedoria humana não podia fazer. A sabedoria do mundo é incapaz de fazer as pessoas conhecerem a Deus (1Co 1:21). Porém, por meio de Cristo, nós nos tornamos sábios “para a salvação” (2Tm 3:15)
Conclusão:
Leonard Sweet relata um diálogo que entreouviu. Um formando confidenciava a outro que considerava o convite de trabalho abaixo de suas qualidades. O outro estudante respondeu: “Você sabe, o mundo é um lugar melhor porque Michelangelo não disse: ‘Não faço tetos.’” O diálogo inspirou Sweet a escrever o seguinte:
“O mundo é um lugar melhor porque Moisés não disse: ‘Não trabalho com Faraós e migrações de massa.’
O mundo é um lugar melhor porque Davi não disse: ‘Não trabalho com gigantes.’
O mundo é um lugar melhor porque Pedro não disse: ‘Não trabalho com gentios.’
O mundo é um lugar melhor porque João não disse: ‘Não trabalho em desertos.’
O mundo é um lugar melhor porque Maria não disse: ‘Não faço nascimentos virginais.’
O mundo é um lugar melhor porque Paulo não disse: ‘Não escrevo epístolas.’
O mundo é um lugar melhor porque Maria Madalena não disse: ‘Não lavo pés.’
O mundo é um lugar melhor porque Jesus não disse: ‘Não trabalho em cruzes.’”
(Adaptado de Leadership, primavera de 1994).
A cruz é a grande ênfase de toda a Bíblia, tanto no AT como no NT , 2/5 do evangelho de Mateus são dedicados à última semana de Jesus em Jerusalém, mais de 3/5 do evangelho de Marcos, 1/3 do evangelho de Lucas e quase metade do evangelho de João dão a mesma ênfase apóstolo João fala da crucificação de Cristo como a hora vital para a qual Cristo veio ao mundo e o seu Ministério foi exercido o mesmo autor diz que Cristo morreu para remover o pecado satisfazer a justiça divina e revelar o amor de Deus. Todavia, não devemos olhar para a morte de Cristo na cruz apenas sob a perspectiva do sofrimento físico a grande questão é porque ele morreu na cruz Cristo não foi para a Cruz porque Judas o traiu por ganância porque os sacerdotes o entregaram por inveja ou porque Pilatos o condenou por covardia. Ele foi para a cruz porque o pai o entregou por amor. A cruz é a maior expressão de amor que Deus por nós e a mais intensa expressão da ira de Deus sobre o pecado.
A reação dos discípulos à morte de Cristo foi impressionante! Eles se entregaram completamente em resposta a essa prova de amor. Pedro foi crucificado de cabeça para baixo. Tiago foi decapitado. André foi crucificado. Mateus foi morto à espada. Marcos foi arrastado pelas ruas de Alexandria. Felipe foi enforcado. Tomé foi atravessado por uma lança. Diante da cruz, o medo foi substituído pela ousadia no cumprimento da missão. O exemplo de sacrifício pela fidelidade também foi seguido por Lucas, que acabou enforcado. Estêvão foi apedrejado. E Paulo, decapitado.
Louvo a Deus pelas maravilhosas lições que podemos aprender de Sua Palavra, e é por isso que sou apaixonado pela Escola Sabatina! #lesadv