Comentários da Lição da Escola Sabatina

O DOM DE PROFECIA

Quarto Trimestre de 2026


Lição 1 – O Criador fala

Destaques do Pastor Eber Nunes #lesadv

Estamos começando um novo trimestre onde estudaremos sobre o importante tema do Dom Profético;

Não há como falar do adventismo sem falar do Dom de Profecia. Afinal, a fé bíblica se sustenta em duas grandes convicções: Deus existe e Se revela, Se comunica com o ser humano;

O tema do Dom Profético é tão importante na Bíblia, que os adventistas do sétimo dia o têm como uma crença fundamental (crença número 18). Algumas referências bíblicas associadas a esse tema são: Números 12:6; 2Cr 20:20; Amós 3:7; Joel 2:28-29; Atos 2:14-21; 2Tm 3:16-17; Hebreus 1:1-3 e Apocalipse 12:17; 19:10; 22:8-9.

Em essência, a crença no Dom Profético afirma que:

O dom de profecia segue sendo um dom do Espírito Santo;

Esse dom é uma característica identificadora da igreja remanescente (Ap 12:17 e 19:10), que de acordo com a profecia viria a existir após o período dos 1260 dias, isto é, após 1798;

Os adventistas creem que esse dom se manifestou no ministério de Ellen White, cujos escritos possuem autoridade profética e têm a função de consolar, orientar, instruir e corrigir a igreja;

Os escritos de Ellen White não substituem as Escrituras; todo ensino e experiência, inclusive o exercício do dom profético, devem ser provados pela Bíblia. Ellen White fala com autoridade profética, mas, a Bíblia é a norma pela qual tudo deve ser testado, ela permanece como a norma final.

“Prostrei-me ante os seus pés para adorá-lo. Ele, porém, me disse: Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus; adora a Deus. Pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia” (Ap 19:10).

Esta é a única vez em toda a Bíblia que o termo “espírito da profecia” é mencionado. Os leitores nos dias de João estavam familiarizados com esta expressão, que fora frequentemente usada na tradução aramaica do AT. Por exemplo, Gênesis 41:38, na paráfrase aramaica do AT, diz: “Disse Faraó aos seus oficiais: ‘Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus?”. Em Números 27:18 o Senhor disse a Moisés: “Toma Josué, filho de Num, homem em quem há o Espírito, e impõe-lhe as mãos”. Para os cristãos primitivos, o “espírito da profecia” era uma referência ao Espírito Santo que concede o dom profético aos mensageiros de Deus. Isto, também, torna-se evidente quando comparamos Apocalipse 19:10 com Apocalipse 22:8 e 9. A situação, em ambas as passagens, é a mesma. João cai aos pés do anjo para adorá-lo. As palavras da resposta do anjo são quase idênticas, até a diferença é significativa. Os irmãos são identificados pela frase “que mantêm o testemunho de Jesus” em Apocalipse 19:10, em Apocalipse 22:9, estes irmãos são, simplesmente, chamados de “profetas.” De acordo com o princípio de interpretação “Escrituras com Escrituras”, chega-se à conclusão que o “espírito da profecia,” em Apocalipse 19:10, não é dado aos membros da igreja em geral, mas apenas aqueles que foram chamados por Deus a ser profetas e essa não é uma interpretação puramente adventista.

Considerações sobre o Dom Profético:

Dom Profético é a capacidade dada por Deus para transmitir advertências, instruções, revelações e promover a edificação da igreja. Esse Dom proporciona discernimento e apoio nas decisões e desafios da vida cristã, fortalece a fé e traz esperança;

O Dom Profético inclui mensagens de aviso que alertam a fé sobre os perigos espirituais e morais. Essas mensagens servem como um chamado a reflexão e a ação, promovendo um retorno às verdades bíblicas;

O Dom Profético também se manifesta através de mensagens de consolação, proporcionando esperança em tempos de dificuldade. Essas mensagens lembram a comunidade da presença e do amor de Deus mesmo em tribulações;

O Dom Profético é concedido diretamente por Deus, servindo como um canal de comunicação entre o Divino e a humanidade. Essa fonte divina assegura que as mensagens recebidas são autênticas e refletem a vontade de Deus para o seu povo;

Mensagens proféticas são claras e compreensíveis, permitindo que os receptores discirnam seu significado e aplicação. Essa clareza é essencial para que as verdades reveladas sejam corretamente entendidas e aplicadas na vida cotidiana;

Dom Profético não se baseia em adivinhações ou previsões aleatórias. Ele é fundamentado em revelações claras de Deus, que visam guiar e advertir o seu povo com um propósito;

Dom profético não deve ser associado a fenômenos espetaculares ou dramatizações. Ele se manifesta de forma séria e com reverência, refletindo a vontade de Deus.

Basicamente o Dom Profético:

Chama a atenção para a Bíblia. A última vez que Ellen White compareceu a uma assembleia mundial da Igreja Adventista (essas reuniões são conhecidas até hoje como Assembleia da Associação Geral) foi na cidade de Washington, nos Estados Unidos, no período de 13 de maio a 6 de junho de 1909. Ela fez 11 discursos, o que incluiu três sermões aos sábados pela manhã. No encerramento, ocorrido no domingo, dia 6 de junho, ao terminar aquele que seria seu último sermão numa reunião mundial dos adventistas, ela deixou uma mensagem aos participantes. Quando ia se afastando do púlpito, antes de assentar-se, retornou, e com a Bíblia nas mãos, pronunciou: “Irmãos e irmãs, eu lhes recomendo este livro”. Em toda sua vida, não houve uma só vez em que Ellen White se colocou acima de seus irmãos ou reclamasse autoridade para mudar o que já havia sido revelado nas Escrituras Sagradas. Nas 100 mil páginas que ela deixou escritas, não se pode achar uma única linha em que ela se exalte ou que contrarie a Bíblia;

Exaltar a pessoa do Senhor Jesus. A Enciclopédia Ellen White registra um fato que ocorreu com Ellen White durante um de seus sermões, onde ela: “Erguendo os olhos como se contemplasse diretamente o rosto de Cristo, exclamou: “Oh Jesus, como eu te amo! Como eu te amo!” (Enciclopédia Ellen G. White, 2018, 599);

Guiar contra os poderosos enganos do tempo do fim. “Satanás fará todo esforço possível para enganar e destruir o remanescente, mas Apocalipse mostra que o povo fiel de Deus terá o dom profético para guiá-lo através desses tempos difíceis” (Stefanovic, Ranko. El libro de Apocalipsis: Revelación para los últimos días, 2018, 95).

Comunicação no Éden

“Quando ouviram a voz do Senhor Deus” (Gn 3:8).

O amor precisa sempre ser expresso, por isso, quem ama procura de todos os meios estar contato constante com a pessoa amada;

Deus criou os seres humanos como manifestação do Seu amor, portanto, era imprescindível a comunicação entre Deus e eles. Assim, tão logo nossos primeiros pais foram criados, foi isso que Ele passou a fazer. As primeiras palavras de Deus aos seres humanos, registradas na Bíblia, foram o imperativo: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a Terra e sujeitai-a” (Gn 1:28). Seguiu-se a advertência de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2:16, 17);

Adão “andava e falava com Deus no Éden” (MDC, 27);

De acordo com Gênesis 3, a queda de nossos primeiros pais rompeu o convívio face a face entre o Criador e Suas criaturas, deixando após si profundas sequelas espirituais (eles “esconderam-se da presença do Senhor Deus”, Gn 3:8), psicológicas (Gn 3:10 — “medo”), sociais (Gn 3:12, 13 — acusações mútuas), físicas (Gn 3:16, 19 – “sofrimentos”, “dores”, “suor do rosto” e morte) e ecológicas (Gn 3:17, 18 – “maldita é a terra”).

Após a queda, a plenitude da glória do Deus santo e perfeito, que “é fogo consumidor” para o pecado (Hb 12:29), não mais poderia ser vista por seres pecaminosos (Jo 1:18; 1Tm 6:15, 16; 1Jo 4:12). Então, Ele passou a usar alguns meios que possibilitassem Sua comunicação com os seres humanos, sem que Sua glória os destruísse. “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o Universo” (Hb 1:1 e 20).

Escondendo-se de Deus

“Da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2;16 e 17).

Essa ordem só faz sentido se entendermos que Adão e Eva tinham livre-arbítrio para escolher se a obedeceriam ou não.

Sem o livre-arbítrio não seríamos humanos, seríamos como máquinas ou robôs;

Em toda a Bíblia, encontramos a realidade do livre-arbítrio moral (Dt 7:12, 13; Js 24:14, 15; Sl 81:11-14; Is 66:4);

“Como Deus, [o homem] possuía a liberdade de escolha, o direito de pensar e agir de acordo com imperativos morais. Assim, ele se achava livre para amar e obedecer ou para desconfiar e desobedecer” (NC, 108);

A verdadeira liberdade moral envolve riscos, porque se as pessoas (ou anjos) são verdadeiramente livres, eles devem ter a opção de escolher mesmo o mal;

“O conhecimento divino a respeito daquilo que os homens irão fazer não interfere com as suas decisões efetivas, assim como o conhecimento que um historiador possui sobre os atos passados das pessoas não interfere naquilo que elas fizeram. Da mesma forma como uma câmera registra cenas, mas não interfere nelas, o conhecimento antecipado de Deus penetra o futuro sem alterá-lo. A presciência de Deus jamais viola a liberdade humana”

Por ser de origem divina, o livre-arbítrio é protegido e respeitado por Deus;

C.S. Lewis escreveu que o “livre-arbítrio, embora possibilite o mal, também é a única coisa que torna possível todo o amor, toda a bondade ou toda a alegria. Um mundo de autômatos, de criaturas que trabalhassem feito máquinas, dificilmente valeria a pena ser criado. A felicidade que Deus designou para Suas criaturas superiores é a felicidade de serem unidas a Ele e umas às outras livre e voluntariamente [...]. Para isso [elas] têm de ser livres” (Cristianismo Puro e Simples, 81).

Gênesis 3 descreve a queda dos nossos primeiros pais. A promessa de Satanás de que eles seriam “como Deus, conhecedores do bem e do mal” soou irresistível (Gn 3:5). Logo após a transgressão, as consequências vieram, elas sempre vêm.

“E chamou o Senhor Deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás?” (Gn 3:9).

Deus confrontou Adão e fez-lhe perguntas não apenas para estabelecer sua culpa, mas para levá-lo ao arrependimento;

Não são feitas perguntas à serpente. Sua condenação já estava selada;

Adão é o primeiro a ser procurado por Deus com a pergunta: “Onde estás?” (Gn 3:9). Com relutância, ele admite seu medo e sua vergonha, provavelmente esperando que Deus não o pressione muito. No entanto, Deus vai fundo em Sua sondagem, buscando uma confissão do pecado: “Quem te fez saber que estavas nu?” (Gn 3:11). Jogando pelo menos uma parte da responsabilidade sobre o Criador, Adão diz: “A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi” (Gn 3:12). Adão deixa implícito que tanto a mulher quanto Deus devem dividir a responsabilidade pela queda. Sua própria participação é mencionada por último, com um mínimo de detalhes. E sempre será assim com quem é culpado. Sempre procuramos atenuar as circunstâncias (Pv 16:2);

A mulher é inquirida: “Que é isso que fizeste?” (Gn 3:13). A resposta dela é um pouco diferente (em essência) da resposta do marido: “A serpente me enganou e eu comi” (Gn 3:13). É óbvio que isso é verdade. A serpente realmente a enganou (1Tm 2:14) e ela, de fato, comeu. A culpa de ambos, homem e mulher, apesar da débil tentativa de justificação, ou pelo menos de diminuição, da responsabilidade humana, foi claramente estabelecida.

Antes de se aplicar a punição, a transgressão precisa ser comprovada e reconhecida. De outra forma, o castigo não terá efeito corretivo sobre o culpado.

Deus busca a humanidade

“E chamou o Senhor Deus ao homem” (Gn 3:9 e 10).

Quando Adão e Eva pecaram, Deus foi atrás deles. Assim a igreja deve fazer com quem peca, não para acusar, mas sim para resgatar;

Deus não entra em cena para condenar. Deus respeita o ser humano, mesmo nos seus erros;

“Quando ouviram a voz do Senhor Deus, que andava no jardim pela viração do dia” (Gn 3:8).

No momento mais agradável do dia;

Deus sabe o momento certo para lidar com o pecador;

A Bíblia é a história de Deus em busca do ser humano, história que começou no Éden e continua até hoje;

Em Êxodo 3:7 e 8, Deus vê o sofrimento de Israel, ouve seu clamor e diz: “Por isso, desci a fim de livrá-lo”;

Em Ezequiel 34:11 e 12, Deus Se apresenta como Pastor: “Eu mesmo procurarei as Minhas ovelhas e as buscarei”;

Em Lucas 15 temos três histórias: a ovelha perdida, a moeda perdida e o filho perdido. Em todas elas, Deus é apresentado como Aquele que deseja recuperar o perdido, afinal: “O Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido” (Lc 19:10);

Em Apocalipse 3:20, Jesus está à porta e bate;

De Gênesis 3 a Apocalipse 20, temos um Deus correndo atrás dos seus filhos.

Expulsos do jardim

“Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. (Gn 3:15).

No dia em que Adão pecou, o conflito cósmico que teve seu início no Céu, passou a desenvolver-se no planeta Terra;

Antes de pronunciar qualquer sentença sobre o primeiro casal, O Criador Amoroso proveu o livramento e a esperança;

Gênesis 3:15 é conhecido como verso-pai da esperança (protoevangelho);

Essa promessa foi a estrela de esperança a iluminar o escuro e sombrio futuro da raça humana. “O evangelho foi pela primeira vez pregado a Adão pelo próprio Cristo” (SDA, vl 1, 1193);

O texto apresenta de modo muito sucinto a resolução final do grande conflito;

O conflito seria entre a mulher e sua descendência, por um lado, e entre Satanás e sua descendência, por outro. Alguém dentre os descendentes da mulher deveria assumir uma luta pessoal e individual contra Satanás, esmagando-lhe a cabeça;

Neste verso está condensada a relação do grande conflito entre Cristo e Satanás, uma batalha que começou no céu (Ap 12: 7-9), continua na terra (Hb 2: 14), e terminará finalmente com a destruição do maligno ao fim do milênio (Ap 20: 10). Cristo não saiu ileso desta batalha. Os sinais dos pregos em suas mãos e pés e a cicatriz em seu flanco serão recordativos eternos da luta na qual a serpente feriu a semente da mulher (Jo 20: 25; Zc 13: 6);

A morte da serpente é o resultado da morte da semente da mulher (Gn 3:15).

“E deu o homem o nome de Eva a sua mulher” (Gn 3:20).

Até este momento da narrativa, a mulher não havia recebido um nome. O nome é dado a ela após a promessa de Gênesis 3:15;

O nome Eva vem do hebraico Hawwah, é uma forma semítica arcaica da palavra “vida”. Por que Adão colocou o nome vida em Eva? Existem duas posições para este verso: uma porque ele não morreu naquele momento, outra porque ele entendeu bem a promessa Gênesis 3:15;

Eva não é a mãe de todos os “morrentes”, mas dos viventes. A narrativa da queda não termina com o tema da morte, mas com o tema da vida, um fantástico sinal de esperança para a humanidade.

“Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal. Assim, que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente. O Senhor Deus, por isso, o lançou fora do jardim” (Gn 3:22 a 24).

Negar ao homem acesso a essa árvore foi tão somente um ato de misericórdia divina que possivelmente Adão não apreciou plenamente naquele momento, mas pelo qual estará agradecido no mundo vindouro (Ap 22:2, 14). Imagine viver eternamente com o pecado!

Tudo que perdemos no início de Gênesis, Jesus nos devolverá no fim do Apocalipse.

Porta-vozes de Deus

“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo” (Hb 1:1 e 2).

Apesar de o pecado causar separação: “Os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is 59:2). Deus encontrou formas de Se comunicar com os seres humanos caídos e embora tenha empregado muitos métodos, a forma mais reconhecida de comunicação divina é pelos profetas;

De tempos em tempos, Deus escolheu homens e mulheres comuns para tornarem-se portadores do dom profético. Por meio desse dom, também chamado Espírito de Profecia e Orientação Profética, a humanidade tem sido levada à compreensão do conflito cósmico que se desenrola, a guerra entre Cristo e Seus anjos e Satanás e seus anjos. Recebe entendimento acerca desse combate e dos meios providos por Deus para cuidar de Sua obra e aperfeiçoar o caráter de Seu povo. Por meio desse importante dom, Deus resgata Seu povo para o plano original e o guia para a Vida Eterna.

O NT também aponta que os profetas prestaram assistência na fundação da Igreja (Ef 2:20 e 21; 4:12-14; 1Co 14:4 e 3); advertiram quanto a dificuldades futuras (At 11:27-30; 20:23; 21:4, 10-14) e confirmaram a fé em tempos de controvérsia (At 15).

A lista de nomes de profetas é longa, nela constam, por exemplo, Enoque (Jd 14); Abraão (Gn 20:7); Moisés (Dt 18:15; Os 12:13); Samuel (1Sm 3:19 e 20), João Batista (Lc 1:13-17), Miriã foi a primeira profetisa (Êx 15:20, Mq 6:4), Débora que foi juíza e profetisa (Jz 4:4).

Necessitamos hoje, de um profeta? Diante desta recorrente pergunta, o professor Valdecir Lima escreveu um artigo esclarecedor (Revista Adventista, dezembro de 2000). O artigo apresenta a ideia de que, nos grandes momentos de crise da história bíblica, Deus levantou profetas para orientar, advertir e preparar Seu povo. Partindo de Amós 3:7: “Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas”, o Pr. Valdecir argumenta que a atuação profética constitui um padrão recorrente na maneira como Deus conduz Seu povo. Esse padrão é demonstrado por meio de quatro grandes momentos da história:

Antes do Dilúvio, a humanidade havia alcançado elevado nível de corrupção e violência, e Deus chamou Noé para advertir as pessoas antes do juízo;

Durante a libertação de Israel do Egito, Deus ouviu o clamor do povo e escolheu Moisés como profeta e líder para anunciar Seu plano e conduzir Israel à liberdade;

Diante da idolatria em Israel, Deus levantou diversos profetas para chamar o povo de volta à verdadeira adoração, incluindo Débora, demonstrando que também utilizou mulheres no ministério profético;

Para preparar o mundo para a primeira vinda de Cristo, Deus enviou profetas como Miquéias, Isaías, João Batista e Ana, que anunciaram a chegada do Messias e chamaram as pessoas ao arrependimento.

Se Deus enviou profetas antes de acontecimentos decisivos no passado, seria coerente que Ele também providenciasse orientação profética antes da segunda vinda de Cristo, que é o maior evento de todos os tempos desde a cruz!

A Igreja Adventista do 7º Dia, desde os seus primórdios, tem acreditado que, no cumprimento de Apocalipse 12:17, o espírito de profecia manifestou-se na vida e obra de Ellen G. White (1827-1915).

Com frequência, nos últimos anos de sua vida, Ellen White era indagada se Deus levantaria outro profeta verdadeiro. Sua resposta consistente era que o Senhor não lhe dera informação acerca desse assunto específico. Em 1907, ela escreveu: “Abundante luz tem sido comunicada a nosso povo nestes últimos dias. Seja ou não poupada a minha vida, meus escritos falarão sem cessar, e sua obra irá avante enquanto o tempo durar. Meus escritos são conservados em arquivo no escritório, e mesmo que eu não deva viver, essas palavras que me têm sido dadas pelo Senhor terão vida ainda e falarão ao povo” (ME, vl 1, 55).

Ellen White morreu há mais de um século, e alguns adventistas se perguntam se devemos esperar outro profeta. Em geral, citam Joel 2:28, texto no qual Deus prometeu derramar Seu Espírito “sobre toda a carne”, e as pessoas profetizariam, teriam sonhos e visões. Isso subentende que todos se tornariam profetas? Penso que não. Deus pode conceder revelações proféticas esporádicas a indivíduos, assim como fez com faraó (Gn 41:1-36) e Nabucodonosor (Dn 2), sem chamá-los para se tornar Seus mensageiros.

O melhor é deixar essa questão para o “Deus que é sábio demais para errar, e bom demais para nos causar dano” (O Cuidado de Deus, 298). Enquanto isso, vamos ler, estudar e praticar os escritos proféticos disponíveis para nós. Eles são mais do que suficientes para nos conduzir com segurança ao nosso lar celestial!

A rejeição aos profetas nos momentos cruciais da História sempre gerou sérias consequências para o professo povo de Deus, porque a rejeição de um profeta implica, de acordo com Lucas 10:16, na rejeição dAquele que o enviou.

Conclusão

Ellen Gould Harmon e sua irmã gêmea, Elizabeth, nasceram em 26 de novembro de 1827, em Gorham, Maine, nos Estados Unidos. Eram as caçulas entre oito filhos de Eunice e Robert Harmon. Alguns anos depois, a família se mudou para Portland, Maine. Aos 9 anos, Ellen sofreu um trauma que a afetou física, emocional e socialmente. Em um parque perto de casa, uma colega de escola, em um acesso de raiva, atirou uma pedra que atingiu seu rosto e a deixou semiconsciente por várias semanas. Esse acidente

interrompeu abruptamente sua educação formal e trouxe desafios de saúde que a acompanhariam por toda a vida, além de afetar sua autoestima e o convívio social.

Nesse contexto de dor e incerteza, Ellen passou a pensar em seu destino eterno. Ela tinha medo de Deus e se sentia indigna do Céu. Esses temores se intensificaram quando a família Harmon aceitou a mensagem milerita da breve volta de Jesus. Mesmo depois de seu batismo por imersão na Igreja Metodista, em 1842, Ellen ainda não se sentia digna do amor de Deus e acreditava que estava “perdida para sempre” (TPI, vl 1, 25).

Ellen teve dois sonhos que começaram a mudar sua visão sobre Deus. Mas foi apenas quando conheceu Levi Stockman, um pastor metodista, que ela compreendeu e experimentou de fato o amor e a graça divinos. Mais tarde, ela escreveu: “A fé tomou posse de meu coração. Experimentei um inexprimível amor por Deus, e tinha o testemunho de Seu Espírito de que meus pecados estavam perdoados. Minhas opiniões a respeito do Pai estavam mudadas. Considerava-O agora um Pai bondoso e afetuoso, em vez de um tirano severo que forçava as pessoas a uma obediência cega. Meu coração se deixava conduzir a Ele em amor profundo e fervoroso” (Vida e Ensinos [CPB, 2024], p. 23). Ao compreender a doutrina bíblica do estado dos mortos, Ellen entendeu gradualmente que não existe um inferno eterno. Sua nova compreensão do caráter de Deus e de Seu amor foi transformadora. Ellen G. White passou a amar profundamente a Jesus e O serviu por toda a vida.

Louvo a Deus pelas maravilhosas lições que podemos aprender de Sua Palavra e é por isso que sou apaixonado pela Escola Sabatina! #lesadv


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