Comentários da Lição da Escola Sabatina

Crescendo Em Um Relacionamento Com Deus

Segundo Trimestre de 2026


Lição 12 – Testemunhando de Cristo

Destaques do Pastor Eber Nunes #?lesadv

Uma menina e sua avó estavam na igreja certa manhã. A menina se ocupava com seu desenho, aparentemente alheia àquilo que o pregador dizia. Porém, ela estava escutando. Em dado momento, puxou a manga da blusa da avó e perguntou: “Vovó, o pastor disse que Deus vive em nós?”. Sim, querida. Ele vive. Ela continuou desenhando por mais alguns momentos, até que outra pergunta exigiu uma resposta urgente. “Vovó, o pastor acabou de dizer que Deus é maior do que nós?”. É claro, princesa. Deus é maior do que nós. “Se Ele é maior do que nós, e mora dentro de nós, uma parte dele não devia aparecer pelo lado de fora?”.

A menina tem razão; realmente, deveria e deve. Uma experiência real e genuína com Jesus permite que Ele seja visto “pelo lado de fora” de nossa vida. Chamamos isso de testemunhar.

Conforme o dicionário:

• Testemunha é alguém que presenciou ou ouviu um fato;

• Testemunho é uma afirmação fundamentada, comprovada;

• Testemunhar é dar um testemunho.

Na Bíblia, testemunhar tem 2 sentidos:

1. Falar em juízo como uma testemunha:

• “Ao testemunhar num processo, não per¬verta a justiça para apoiar a maioria” (Ex 23:2; Pv 29:24);

2. Demostrar algo através da atitude ou do relato:

• “Tu dizes que sou rei. De fato, por esta razão nasci e para isto vim ao mundo: para testemunhar da verdade” (Jo 18:37; At 4:33).

Um testemunho cristão tem 3 partes importantes:

• Como era a sua vida antes de conhecer Jesus?

• Como foi sua entrega a Jesus?

• Como é sua vida andando com Jesus?

Testemunhar é um dom, um talento, uma responsabilidade, ou uma necessidade?

• Imagine alguém que esteja morrendo. Pergunta-se a essa pessoa: Por que você está morrendo? Ela responde: Estou morrendo porque não me alimento. E ela ouve nova pergunta: Por que você não se alimenta? Ela responde: Porque eu não tenho o dom de me alimentar, não tenho talento, não é meu ministério. Alimentar-se é um talento, um dom, um ministério uma responsabilidade, ou uma necessidade? Assim como respirar, alimentar-se é uma necessidade, ou você faz ou morre;

• Ler a Bíblia, orar e testemunhar é uma necessidade, ou você faz ou morre;

• Cantar é um dom, pregar é um dom, ir à igreja é uma necessidade, devolver o dízimo é uma necessidade, testemunhar é mais que uma responsabilidade é uma necessidade porque tudo isso mantém a vida;

• Em estado saudável, todos comem, respiram e se exercitam naturalmente. Não há esforço nisso;

• Se um líder vê na igreja alguém que não está envolvido com a missão, esse líder tem que fazer algo por essa pessoa, senão ela vai morrer espiritualmente.

Testemunho é causa ou resultado?

• Depois de receber o Espírito, “com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus” (At 4:33).

• O fundamento do testemunho cristão é o que o crente viu e ouviu sobre Jesus. Quando não há testemunho, é porque nunca se ouviu ou se viu nada;

• Um grama de testemunho vale mais do que uma tonelada de propaganda;

• Nos momentos bons, as pessoas ouvem o que falamos, nas crises elas veem o que vivemos;

• Testemunho é resultado natural de um encontro com Jesus que mudou a vida.

Transbordando do coração

“Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28:18-20).

• “A comissão evangélica é a Carta Magna missionária do reino de Cristo. Os discípulos deviam trabalhar fervorosamente pelas almas, dando a todas o convite de misericórdia. Não deviam esperar que o povo viesse a eles; deviam eles ir ao povo com sua mensagem” (AA, 18);

• A comissão evangélica é uma das porções bíblicas mais marcantes do NT. Prefiro chamá¬-la de “a Grande Comissão”, pois, segundo Ellen White, ela “abrange todos os crentes em Cristo até o fim dos séculos” (DTN, 822);

• A Grande Comissão não é uma sugestão, é uma ordem;

• O fato de que cada um dos 4 evangelhos termina com uma versão da Grande Comissão é um forte testemunho de sua centralidade (Mt 28:18-20; Mc 16:15-20; Lc 24:45-49; Jo 20:21-23);

• Ao observar os verbos apresentados na ordem de Cristo na Grande Comissão em seu original, no grego, nota-se que a expressão “Façam discípulos” (matheteuõ) é o principal verbo e se encontra no imperativo, designando uma ordem a ser obedecida. Contudo, os demais verbos encontram-se no gerúndio (indo, batizando e ensinando a obedecer), denotando que ir, batizar e obedecer seriam consequências da obediência à 1ª ordem e apresentavam a maneira pela qual os discípulos de Jesus deveriam executar a Sua ordem de fazer discípulos;

• A ideia por trás do processo do discipulado implementado por Jesus é o da multiplicação. Ou seja, o discipulador deve se reproduzir na vida do discípulo, até o momento em que o próprio discípulo se torne um discipulador também, um formador de novos discípulos. O segredo desse processo é a formação do caráter de Jesus na vida dos discípulos (Gl 4:19). Isso não termina no batismo, mas é um processo que continua após o nascimento do novo converso nas águas.

“Discípulos de todas as nações” (Mt 28:18-20).

• “Nações” em Mateus 28:19 não se refere ao que hoje chamamos de nações (ou Estados nacionais), mas a “grupos étnicos”. Um grupo étnico refere-se a um conjunto de indivíduos que têm um senso comum de história, idioma, crenças e identidade. Não há sociedade humana na Terra em que o evangelho de Jesus não deva ser apresentado e onde não devam ser feitos discípulos para Ele. Agências missionárias da linha de frente, como a Global Frontier Missions e o Joshua Project, estimam que existam cerca de 17.446 grupos étnicos no mundo, sendo que mais de 7.400 deles ainda não foram alcançados pelo evangelho. Em outras palavras, 42% dos grupos étnicos do mundo não possuem comunidades nativas de cristãos capazes de evangelizar, sem testemunho externo, o restante de seu grupo. É interessante observar que 95 % dos grupos étnicos menos alcançados pelo evangelho estão espalhados pela Janela 10/40, uma área habitada principalmente por povos tribais, hindus, muçulmanos, budistas e não religiosos. Alguns desses grupos étnicos têm pouco ou nenhum acesso ao evangelho. Nas nações ocidentais também existem pessoas ainda não alcançadas pelo evangelho, devido ao crescente impacto do secularismo.

A ordem de Cristo é abrangente em suas implicações e nos desafia a fazer da missão o “todo” da igreja, confiando nos “todos” de Jesus:

1- “Toda” autoridade. Temos aqui a certeza de que vamos em nome do Senhor. Esse nome tem poder para abrir portas, derrubar muros, quebrar corações insensíveis, resolver problemas insolúveis, levantar o abatido e resgatar o que está perdido;

2- “Todas” as nações. Nosso trabalho é local, mas a visão precisa ser mundial;

3- “Todas” as coisas que vos tenho ordenado. Pregamos uma mensagem completa, distintiva, com fundamento profético, que transforma a vida na Terra e prepara para a vida no Céu;

4- “Todos” os dias. Esta é a segurança de que o Senhor estará conosco quando a missão for fácil ou difícil, quando estivermos felizes ou tristes, quando alcançarmos os resultados esperados ou enfrentarmos a frustração, quando formos aplaudidos ou criticados.

Sem dúvida, a grande comissão é a declaração de maior autoridade que Jesus fez. Se não cumprirmos integralmente essa grande comissão, estaremos totalmente em grande omissão.

“Deus poderia ter confiado aos anjos celestiais a mensagem do evangelho e toda a obra de amoroso ministério. Poderia ter empregado outros meios para realizar o Seu propósito. Mas em Seu infinito amor preferiu tornar-nos cooperadores Seus, de Cristo e dos anjos, a fim de que pudéssemos participar da bênção, da alegria e do reerguimento espiritual que resultam desse abnegado ministério” (CC, 2007, 79).

Sem imposição, mas com poder

“Este recebe pecadores e come com eles” (Lc 15:2):

• É um fenômeno sociológico natural o fato de que as pessoas preferem passar tempo com aqueles que lhes são semelhantes. Muitos adventistas do 7º dia se sentem mais à vontade ao redor de pessoas que possuem crenças similares, comem as mesmas comidas, guardam o sábado e compartilham os mesmos valores. No entanto, se quisermos ser eficazes em nossa missão, precisamos seguir o exemplo de Jesus e sair da nossa zona de conforto a fim de nos misturarmos e fazer amizade com não cristãos. Jesus Se misturava com as pessoas consideradas pecadoras e que estavam à margem da sociedade. A razão pela qual Ele veio ao mundo foi destruir o poder do pecado e, portanto, em nenhum momento Ele consentiu com o pecado ou menosprezou seu perigo. Ainda assim, os pecadores gostavam de estar perto dEle;

• Jesus ganhou uma reputação (uma má reputação aos olhos de muitos) por Se misturar com os marginalizados e rejeitados. Na verdade, Ele ficou estigmatizado como “amigo... dos pecadores” (Mt 11:19), um belo tributo à maneira extraordinária como Ele convivia e Se relacionava com pessoas;

• O movimento monástico da Idade Média considerava que o mundo era mau. Os monges acreditavam que o caminho para a santidade era o abandono das coisas deste mundo. Alguns deles fizeram esforços extremos para evitar o contato com a sociedade. No entanto, Deus espera que sejamos separados do pecado para alcançar os pecadores;

• Os cristãos são a luz do mundo e o sal da Terra (Mt 5:13 e 14). Jesus não ordena que Seus discípulos sejam sal e luz. Os verbos estão no indicativo e representam uma constatação da realidade: os verdadeiros discípulos SÃO sal e luz. Somente quando o sal é misturado com os alimentos ele pode preservar e dar sabor. Os cristãos que permanecerem juntos, confinados confortavelmente em suas igrejas, e tiverem pouco contato com o mundo terão poucas oportunidades de impactá-lo para Cristo;

• Alguém disse que os cristãos são como um barco na água. Tudo bem que o barco esteja na água se não houver água no barco. Os cristãos estão no mundo para influenciá-lo para Cristo, mas quando o mundo está nos cristãos, absorvendo seu tempo, atenção e energia, tudo está errado.

O princípio do “mesmo assim” ou do “apesar de” é essencial para revelarmos às pessoas o caráter dAquele que deseja o bem delas.

1. Jesus tocou um leproso e o curou, apesar da impureza (Mt 8:1-4);

2. Pedro negou Jesus 3 vezes, mesmo assim, Jesus o restaurou ao Seu serviço (Jo 21);

3. A igreja de Corinto foi indiferente à autoridade e à influência de Paulo, mesmo assim Paulo serviu àqueles irmãos (2Co 12:14, 15).

• “Apesar de” ela pensar diferente de mim…

• “Apesar de” ele ter mais que eu…

• “Apesar de” não ser mais membro da minha igreja…

• “Apesar de” não colaborar nas atividades da igreja…

• “Apesar de” terem falado mal de mim…

• Jesus tratou com respeito Judas, “apesar de” saber que ele o trairia;

• “Apesar de” ter sido cuspido no rosto, na cruz, “mesmo assim” Jesus perdoou os seus ofensores.

“Não faz parte da missão de Cristo obrigar as pessoas a recebê-Lo. Satanás e pessoas movidas por seu espírito é que buscam forçar a consciência. [...] Não há maior evidência de que possuímos o espírito [ou seja, o caráter] de Satanás do que a disposição de causar dano aos que não valorizam nossa obra ou agem contrariamente às nossas ideias” (DTN, 391).

O mundo pode rejeitar a verdade, mas isso não deve nos impedir de compartilhá-la com sabedoria, respeito e amor.

Como falar de Jesus

• Enquanto o texto da Grande Comissão enfatiza por que devemos alcançar as nações, a carta de Pedro mostra como devemos nos preparar para cumprir essa missão;

• Em 1º lugar, Pedro trata do problema dos relacionamentos dentro da comunidade de crentes (1Pe 3:8, 9). Em seguida, aborda o desafio dos relacionamentos com os descrentes, que não compartilham conosco os mesmos objetivos espirituais e valores de vida (1Pe 3:13-17). Para encorajar seus irmãos e irmãs a suportar o sofrimento ao praticar o bem, Pedro aponta para o exemplo de Jesus (1Pe 3:18).

“Sede todos de igual ânimo” (1ª Pe 3:8-15).

• Pedro convida “todos” (1Pe 3:8), isto é, todos os membros da igreja, a trabalhar na forma como nos relacionamos uns com os outros. Para tal, Pedro enfatiza a necessidade de unidade e amor. Ele tem em mente as disputas que dividem grupos dentro da igreja. Para Pedro, a solução para esse problema é o amor fraternal, que ele não define como mera emoção sentimental. Em sua descrição do que significa estar unido em um espírito de amor, ele utiliza 5 adjetivos:

1- Os crentes devem ter “o mesmo modo de pensar” (1Pe 3:8); uma expressão que se refere à necessidade de estarmos em harmonia uns com os outros;

2- Os crentes devem ser compassivos uns com os outros. Isso significa que precisamos ser sensíveis às necessidades e preocupações dos irmãos;

3- Os crentes devem ser “fraternalmente amigos” (1Pe 3:8). Com base em nossa ligação comum com Cristo, fazemos parte da família de Deus. Como tal, somos chamados a amar uns aos outros;

4- Devemos ser “misericordiosos”, isto é, estar dispostos a perdoar uns aos outros, assim como Cristo nos perdoou;

5- Devemos ser “humildes”. Humildade consiste em respeito. Ser respeitoso envolve a disposição de considerar o irmão como superior a si mesmo.

O trecho seguinte desenvolve a aplicação prática dessas qualidades. Concretamente, esse ideal de amor significa que não devemos retribuir o mal com o mal ao irmão ou à irmã que nos ofendeu (1Pe 3:9). Pelo contrário, devemos abençoá-los em resposta, como Jesus nos exorta a fazer (Lc 6:29). Para fundamentar seu argumento, Pedro cita o Salmo 34, que destaca o potencial destrutivo da língua quando fofocamos ou insultamos alguém (Sl 34:13). Pedro contrasta esse perigo com a bênção que acompanha aqueles que buscam a paz (1Pe 3:11, 12). O shalom, ou paz, que une os membros da igreja traz consigo a bênção de Deus, para que o mundo saiba que Ele enviou Jesus e nos amou assim como amou o Filho (Jo 17:22, 23).

Dando continuidade à mesma linha de pensamento, Pedro considera o caso daquele que sofre perseguição por sua fé nas mãos do ímpio descrente (1Pe 3:13, 14). Mesmo assim, argumenta Pedro, se você é inocente e sofre injustamente, não deve retribuir o mal com o mal por duas razões. Primeiro, porque o sofrimento do justo é uma bênção. Deus está ao seu lado. Segundo, porque a aflição oferece uma grande oportunidade de testemunhar e defender a fé (1Pe 3:15). Pedro raciocina que é melhor sofrer por fazer o bem do que sofrer por fazer o mal (1Pe 3:17). O princípio ético que sustenta essas recomendações é que é melhor sofrer como vítima do que causar sofrimento como opressor. Para fundamentar seu argumento sobre o valor positivo do sofrimento, Pedro aponta para Cristo, o Justo, que sofreu pelos injustos e, por meio de Seu sofrimento, trouxe salvação a eles (1Pe 3:18). Como resultado, Cristo é exaltado e agora está à direita de Deus.

Sugestões simples para ser mais intencional no nosso testemunho:

1. Escreva o nome de 5 pessoas que precisam desenvolver um relacionamento com Jesus e que fazem parte do seu círculo de influência;

2. Ore constantemente por essas pessoas;

3. Busque maneiras naturais de se aproximar delas;

4. Seja intencional e respeitoso em sua aproximação;

5. Convide essas pessoas para momentos de comunhão cristã. Um encontro social, um Pequeno Grupo ou outra atividade da igreja pode ser um excelente próximo passo;

6. Quando perceber que é o momento adequado, ofereça um estudo bíblico;

7. Ajude essas pessoas a se integrarem à igreja e acompanhe-as até que estejam firmemente estabelecidas na fé e na comunidade.

Quando seguimos as orientações de Pedro e agimos com intencionalidade, nosso testemunho é relevante, autêntico e transformador.

Um filho que se afastou

Oseias 7 descreve o afastamento do povo de Israel do Senhor:

• (Os 7:1-7). Embora o capítulo inicie com Deus expressando Seu desejo de curar o povo, logo nos deparamos com a triste iniquidade e maldade do povo. Além das práticas da falsidade, latrocínio e quadrilhas maquiavélicas na sociedade, os líderes são comparados a forno aceso, cheio de intrigas e conspirações, inflamando a nação com suas paixões desenfreadas. A corrupção não é apenas política, mas também espiritual e moral;

• (Os 7:8-12): As consequências da infidelidade a Deus são bem piores que as consequências da infidelidade matrimonial. Deus usa metáforas para ilustrar essa verdade em quem não vê mal no adultério espiritual. Mistura com os povos (alianças impuras, dependência de nações pagãs), e pão que não foi virado significa vida hipócrita, incompleta, sem verdadeira identidade e integridade;

• (Os 7:13-16): Apesar do capítulo encerrar com um lamento divino e um chamado ao arrependimento, o povo não retorna para Deus; ao contrário, busca ajuda de outras nações.

“Ouviu-se um clamor em Ramá, pranto e grande lamento; era Raquel chorando por seus filhos e inconsolável por causa deles, porque já não existem” (Jr 31:15).

• Este verso estabelece um tom de luto profundo ao evocar a imagem de Ramá, uma cidade tradicionalmente identificada a cerca de 8 quilômetros ao norte de Jerusalém, no território de Benjamim. Ramá é um lugar que teria sido conhecido pela reunião ou deportação de cativos. Ao destacar Ramá, este lamento evoca uma tristeza coletiva pela nação, como se a angústia da separação e do exílio estivesse em seu auge;

• O profeta evoca Raquel chorando por seus filhos. Raquel foi uma das matriarcas das 12 tribos de Israel, esposa amada de Jacó e mãe de José e Benjamim (Gn 35:24). Vista aqui, sua dor simboliza a dor de um povo que acredita ter seu futuro destruído.

Após uma terrível demonstração de angústia, o Senhor profere palavras de conforto: “Reprime a tua voz do choro e as lágrimas dos teus olhos, porque a tua obra será recompensada, e eles voltarão da terra do inimigo” (Jr 31:16). A instrução imediata para conter as lágrimas não é para descartar a tristeza legítima, mas para oferecer esperança de que essa perda devastadora não será permanente. Embora o luto seja justificado, a voz de Deus intervém com a promessa de que alívio e restauração estão por vir. A certeza de que seu trabalho será recompensado (Jr 31:16) ressalta o caráter fiel de Deus. Embora o povo enfrente a disciplina, a graça redentora do Senhor está sempre próxima. Essa promessa representa um ponto de virada crucial, indicando que seus esforços para retornar a Ele, arrepender-se e perseverar não serão ignorados. Há uma expectativa brilhante de que o cativeiro terminará e as crianças perdidas representando as gerações futuras serão trazidas de volta. A menção de um retorno da terra do inimigo ilustra o tema bíblico da redenção da escravidão.

Em Jeremias 31:17, a promessa se torna ainda mais específica e pessoal: “E há esperança para o seu futuro”, declara o Senhor,“e os seus filhos retornarão à sua terra”. O versículo destaca que os planos de Deus são trazer de volta não apenas o povo, mas também as gerações futuras, à sua herança legítima. Esta é uma mensagem direta a uma nação que acreditava que o exílio significava perder a bênção de Deus. A palavra esperança reforça que Deus nunca age arbitrariamente ou em contradição com Suas promessas da aliança. Embora o cativeiro e as lágrimas possam dominar o presente, o Todo-Poderoso tem o poder de estabelecer um amanhã baseado na restauração.

Em Jeremias 31:18 e 19, vemos que o arrependimento precedido por uma reflexão honesta estabelece a base para um futuro restaurado.

Eu os farei voltar

“Porque eu os farei voltar da terra do Egito e os congregarei da Assíria; trá-los-ei à terra de Gileade e do Líbano, e não se achará lugar para eles” (Zc 10:1-10).

• Os descendentes de Efraim (2º filho de José, Gn 41) ficaram conhecidos como a tribo de Efraim e uma vez que esta era uma das tribos mais proeminentes no antigo Israel, a Bíblia frequentemente a usa para representar a todas as 10 tribos do norte (Os 10:6 e 11:8);

• Durante o período pré-exílico, Deus frequentemente repreendeu as tribos do norte (representadas por Efraim) por sua idolatria e por sua associação com nações pagãs (Os 4:17 e 12:1). Infelizmente, eles ignoraram a advertência divina e Deus usou os assírios como Sua ferramenta para enviá-los ao exílio em 722 a.C. (2 Rs 17). Isso estava de acordo com as disposições da aliança/tratado que Israel havia firmado com Deus (Dt 28:41, 49 e 64). No entanto, Deus nunca abandonou a Seu povo. Embora Ele os castigasse, Ele sempre se lembrava deles no momento apropriado (Jr 31:20). Isso também estava de acordo com Sua aliança/tratado (Dt 32:36). Um dia, Ele os reunirá. Os israelitas serão felizes e alegres outra vez;

• Deus apresenta a razão pela qual chamaria a Seu povo de volta do exílio: “Porque os tenho remido” (Zc 10:8). O verbo traduzido como “redimir” é “padah” no texto hebraico, significando “resgatar”. Isso ocorre várias vezes no contexto do Êxodo, quando o Senhor libertou os israelitas de sua escravidão no Egito (Dt 7:8; 15:15). Da mesma forma, chegará o dia em que Deus graciosamente resgatará a Seu povo do exílio. Eles foram exilados de acordo com as disposições corretivas da aliança/tratado com Deus como resultado de sua desobediência a Seus mandamentos. Deus promete trazê-los de volta do exílio (Dt 32:36);

• A restauração de Deus incluirá o aumento populacional: “...multiplicar-se-ão, como se têm multiplicado” (Zc 10:8). Assim como os israelitas experimentaram uma explosão numérica durante sua estada no Egito, eles se multiplicariam novamente quando Deus os redimisse, inferindo que teriam segurança contra os inimigos, prosperidade material e física, e saúde espiritual. Todas essas coisas são necessárias para a prosperidade de uma população;

• A dispersão dos israelitas foi a maneira de Deus se manifestar em resposta a desobediência à Sua aliança/tratado.

As tribos do norte caíram nas mãos dos assírios em 722 a.C. e as tribos do sul em 586 a.C., cumprindo assim esta maldição. O povo da aliança, escolhido pelo Senhor como Sua posse, rebelou-se contra Suas leis e entrou debaixo de Suas ações disciplinares. Deus usou os inimigos como ferramentas para enviar Seu povo ao cativeiro (Dt 28:63). Eles foram levados a países distantes. No entanto, um dia, o remanescente disperso do povo de Deus se lembraria Dele, o que significava que eles se lembrariam da Sua salvação no passado e se voltariam a Ele em fé. Tal lembrança causará uma transformação na vida dos israelitas.

Quando os israelitas se voltarem a Deus em arrependimento, Ele os restaurará. Ele declara: “Também os farei voltar da terra do Egito, os congregarei da Assíria” (Zc 10:10). O Egito era um país situado ao longo do rio Nilo, o lugar onde os israelitas haviam vivido como escravos por cerca de 400 anos (Gn 15:13 e At 7:6).

A situação do afastamento de pessoas do caminho do Senhor, continua sendo muito forte nos nossos dias, não podemos deixá-los. Temos que ter planos para esses afastados, e devemos sempre estar testemunhando para eles com nossa vida coerente.

Conclusão:

“A comissão do Salvador aos discípulos incluía todos os que creem. Abrange todos os que confiam em Cristo até o fim dos tempos. É um grave erro supor que a obra de salvar pessoas depende apenas do pastor ordenado. Todos aqueles que receberam a inspiração celestial são depositários do evangelho. Todos os que recebem a vida de Cristo são mandados a trabalhar pela salvação de seus semelhantes. Para essa obra foi estabelecida a igreja, e todos os que tomam sobre si seus sagrados votos comprometem-se, assim, a ser colaboradores de Cristo” (DTN, 822).

Louvo a Deus pelas maravilhosas lições que podemos aprender de Sua Palavra, e é por isso que sou apaixonado pela Escola Sabatina! #lesadv Ver menos


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