Lição 11 – Tribulações
Destaques do Pastor Eber Nunes #?lesadv
A palavra “tribulação” (heb. tsarah) significa “dificuldade”, no sentido de problemas, adversidades, aflições, angústias e sofrimentos. Desde que o pecado entrou neste mundo (Gn 2:17), a vida tem sido cheia de espinhos e cardos (Gn 3:16-19), opressão (Ec 4:1), aflições e dores (Ec 2:22, 23).
“Em todas as épocas as testemunhas designadas por Deus se têm exposto às perseguições e ao desprezo por amor à verdade. José foi caluniado e perseguido por haver preservado sua virtude e integridade. Davi, o mensageiro escolhido de Deus, foi caçado como um animal feroz por seus inimigos. Daniel foi lançado na cova dos leões por ser leal ao seu concerto com o Céu. Jó foi destituído de suas posses terrestres e ferido no corpo de tal maneira que o desprezaram os próprios parentes e amigos; contudo manteve sua integridade. Jeremias não pôde ser impedido de falar as palavras que Deus lhe ordenara; e seu testemunho de tal maneira enfureceu o rei e os príncipes que o atiraram num poço asqueroso. Estêvão foi apedrejado por haver pregado a Cristo, e Este crucificado. Paulo foi encarcerado, açoitado, apedrejado e finalmente entregue à morte por ter sido fiel mensageiro de Deus aos gentios. E João foi banido para a ilha de Patmos “por causa da Palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo”. Apoc. 1:9” (AA, 575).
• Deus não prometeu que a vida seria um mar de rosas;
• Não há vida sem dor.
Diante das tribulações lembremo-nos:
• Deus permite, não manda os sofrimentos (Jó 1 e 2);
• Deus não desperdiça sofrimento na vida de seus filhos;
• As desgraças dos homens são as oportunidades de Deus;
• C. S. Lewis disse: “Deus sussurra em nossos prazeres e grita em nossas dores”;
• Deus permite as dificuldades para que nos lembremos que a terra não é nosso lar final;
• Às vezes, Deus permite que nossa vida vire de cabeça para baixo para aprendermos a viver de cabeça para cima;
• O sofrimento quebra nossa altivez e esvazia toda nossa pretensão de glória pessoal;
• O sofrimento nos torna mais humanos, mais dependentes, mais humildes e mais parecidos com Cristo;
• As tribulações são como tempestades. Todas até hoje, passaram. Alguém certa vez disse: “A pior hora de todas tem 60 minutos como qualquer outra”;
• A vida é a professora mais implacável: primeiro dá a prova e, depois, a lição;
• A função da pedagogia é ensinar, educar. As provações, se observadas com o olhar correto, nos mostrarão que são pedagógicas. A pedagogia da tribulação constrói pessoas mais fortes, mais sábias, mais dignas. Por isso, devemos buscar extrair os melhores ensinos delas;
• Se o milho de pipoca não passar pelo fogo, ele será para sempre milho de pipoca.
Não desperdice a sua tribulação. Já que tem de passar por ela, extraia o máximo de crescimento para sua vida. Jó fez isso, mesmo em meio à sua grande provação, quando avaliou tudo que passou na presença de Deus, e declarou: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem” (Jó 42:5).
Um grupo de fazendeiros plantava algodão no sul dos EUA. Eles investiram tudo que tinham naquela plantação, então apareceu uma praga chamada gorgulho do algodão que começou a acabar com toda a plantação, todos achavam que estavam à beira da falência. O que fazer? Os fazendeiros, homens determinados, tomaram uma decisão: vamos plantar amendoim. O amendoim trouxe mais lucro que o algodão. Se a vida lhe der limões, faça uma limonada.
“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8:28). Deus é especialista em transformar desgraças em bênçãos.
As tempestades da vida
“Mestre, não te importa que pereçamos? E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança” (Mc 4:35-41).
• Os discípulos atravessavam o Mar da Galileia quando foram surpreendidos por um forte temporal. Apesar de Jesus estar no barco, eles entraram em pânico ao perceber que suas habilidades e experiências não eram suficientes para controlar a situação. Enquanto o vento e as ondas aumentavam, Jesus dormia tranquilamente;
• Tudo estava bem com os discípulos até que o tempo mudou abruptamente. As condições da vida podem mudar muito rapidamente;
• O relato nos mostra que a companhia de Jesus não nos isenta de aflições;
• Não tenhamos medo nas tempestades, certifiquemo-nos de que Jesus está no barco;
• Temos que aprender a confiar em meio às tempestades;
• Quem acordou Jesus foram os discípulos, não a tempestade;
• Nenhuma tempestade assusta Jesus;
• A única vez que a Bíblia descreve Jesus dormindo foi em meio à uma tempestade;
• Temos que aprender a tirar o foco da tempestade;
• Do mesmo jeito que a tempestade vem, ela vai;
• Se a tempestade for forte, segure forte no leme e mantenha a direção; ela vai passar;
• Às vezes Deus não muda as circunstâncias, porque Ele deseja que elas nos mudem;
• Algumas vezes Ele acalma as tempestades. Algumas vezes Ele acalma Seus filhos.
Seja curada
“Se eu apenas lhe tocar as vestes, ficarei curada” (Mc 5:25-29).
• Conforme Levítico (15:19-27), o fluxo de sangue dessa mulher, que não sabemos nem o nome, não era o ciclo menstrual; sendo assim, essa mulher estava imunda, a cama que ela se deitasse, e o lugar que se sentasse, seria imundo; quem tocasse nesses lugares estaria imundo;
• Calcula-se que uma multidão de aproximadamente 2 milhões de hebreus tenha saído do Egito no início do êxodo. Habitando em tendas e em condições não tão favoráveis, o Senhor precisava zelar pela salubridade de Seu povo. Diante do perigo iminente de uma epidemia ou doença contagiosa, havia um local designado, fora do arraial, para que todo o povo não fosse afetado. O acampamento de Israel deveria ser higienicamente limpo. Aqueles que tivessem doenças transmissíveis e secreções corporais deveriam ser temporariamente excluídos de viver no acampamento para não transmitirem doenças. Era uma medida puramente higiênica, que é usada até hoje nos hospitais, quando se colocam pacientes em quartos exclusivos para isolamento de contato.
Situação desta mulher:
1. O sangue é símbolo da vida, ou seja, fisicamente falando, ela estava perdendo a vida lentamente;
2. Ela gastara tudo o que possuía (v. 26);
3. Ela estava há 12 anos sem tocar ninguém. Como é viver longe de todos, inclusive da própria família? Ela não podia ir à sinagoga, não podia se casar, não podia trabalhar perto dos outros. Ela viveria às margens da sociedade. Onde ela chegasse, as pessoas teriam que abrir espaço. E se tocasse em alguém intencionalmente, seria apedrejada;
4. Esta pobre mulher sofria “de um mal que lhe tornava um fardo a existência” (DTN, 292). Visto que o sangramento vaginal impedia o casamento e era razão para divórcio, no entendimento da cultura da qual ela fazia parte, a mulher não podia cumprir a função de mulher, de gerar nova vida como mãe. Além disso, ela empobreceu por ter gastado todo o dinheiro com médicos, mas sem sucesso. Assim como o leproso de Marcos 1:40, a vida daquela mulher era, na verdade, uma morte em vida, e a cura dela seria uma restauração à vida;
5. Nenhum de nós é capaz de entender plenamente a condição desta mulher, porque nenhum de nós está impedido de se aproximar de Cristo. Todos nós podemos adorar a Deus e nos aproximarmos dEle a qualquer momento, mas na sociedade em que esta senhora vivia, ela não podia adorar a Cristo de perto.
Se eu apenas o tocar serei curada:
• A mulher acreditou que um simples toque poderia dar a ela o que a medicina não lhe dera em 12 anos.
Puro e Impuro:
• Quando algo impuro toca algo puro, geralmente o puro se torna impuro, com Jesus foi o contrário.
Quem me tocou?
• Essa pergunta foi para mostrar que ela na~o foi curada por meio de um toque ma´gico, mas por uma pessoa (“dele sai´ra poder” Mc 5:30);
• Se o problema daquela mulher fosse apenas físico, Cristo poderia ter seguido Seu caminho e ela teria ficado no anonimato. Mas Jesus queria oferecer o mais importante: perdão e salvação;
• Tudo que ela queria após o toque era não ser notada, mas no Reino de Deus você é sempre notado.
“Filha a tua fé te salvou vai em paz e fica livre do teu mal” (Mc 5...).
• Por que chamá-la filha? Esse relato se dá no meio da história de Jairo, que levava Jesus para sua casa para que Jesus curasse sua filha de 12 anos, tempo que esta mulher sofria com uma hemorragia. Talvez, Jesus quisesse dizer a Jairo, eu sei o que você está sentindo, eu sei o que é ser pai.
Jó
“Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei. O Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!” (Jó 1:21).
• O livro de Jó começa com um registro enfático sobre as grandes virtudes de Jó. De acordo com o autor bíblico, Jó é “íntegro e reto” (Jó 1:1). Ele também era considerado “o maior de todos os do Oriente” (Jó 1:3). O próprio Deus testemunha sobre a singularidade e a unicidade de Jó, dizendo: “Não há ninguém como ele na Terra” (Jó 1:8). À luz de tudo o que se diz sobre Jó, ele é um homem perfeito. No entanto, no fim do livro, Jó, respondendo a Deus, confessa que, no tempo em que era julgado “perfeito”, seu relacionamento com Deus estava apenas em um estágio primitivo: “Eu Te conhecia só de ouvir.” Jó acrescenta então: “Mas agora os meus olhos Te veem” (Jó 42:5). Assim, Jó reconhece que havia algo importante que o impediu de ver a Deus plenamente no início;
• Uma leitura atenta do texto bíblico e particularmente do uso repetido da palavra ‘khinam’, que significa “sem motivo” ou “de graça”, nos ajuda a resolver essa questão. A palavra ‘khinam’ aparece pela primeira vez no livro de Jó em forma de pergunta, quando Satanás responde a Deus, que acabara de elogiar a piedade de Jó: “Será que é ‘sem motivo khinam’ que Jó teme a Deus?” (Jó 1:9);
• O argumento de Satanás é que Deus protegia Jó em excesso;
• Para provar seu ponto, Satanás então propôs um desafio a Deus: que lhe fosse permitido tocar nos bens de Jó, ou seja, atacar “tudo o que ele tem” (Jó 1:11). Satanás aposta que, nesse caso, Jó pecaria;
• Deus permite que toda a riqueza de Jó fique ao alcance devastador de Satanás. Um ataque dos sabeus, fogo que caiu do céu e um grande vento devastaram suas propriedades (Jó 1:13-19). Após a destruição, Jó perde tudo o que possui. Embora lamente, Jó não peca (Jó 1:22);
• Em resposta à acusação de Satanás, Deus usa a mesma palavra ‘khinam’ que o inimigo havia usado ao acusá-Lo de colocar uma cerca de proteção em torno de Jó. O Senhor declara: “Embora você Me incitasse contra ele para destruí-lo sem motivo [khinam]” (Jó 2:3). Jó confirma essa noção quando emprega a mesma palavra em seu clamor a Deus sobre suas feridas, que se multiplicaram ‘khinam’, “sem motivo” (Jó 9:17).
• A palavra khinam, que deriva de khen, “graça”, torna-se uma palavra-chave significativa que marca o destino de Jó. Por um lado, Jó sofre “sem motivo” (khinam). Por outro, ele é acusado de servir a Deus por motivos egoístas e pelo desejo de prosperidade;
• Essa acusação de Satanás também se repete nas suspeitas dos amigos de Jó (Jó 34:9; 35:3). O próprio Jó, em certos momentos, parece apoiar essa ideia quando enumera suas boas obras (Jó 29:12-17; 31:1) e declara sua expectativa de ser recompensado por elas (Jó 29:18). O que faltava, porém, no relacionamento de Jó com Deus era a experiência da graça. Jó precisou passar pela experiência do sofrimento “sem motivo”, “de graça”, isto é, sem a esperança de qualquer benefício, para compreender a imerecida graça de Deus.
O livro de Jó enfatiza que é Satanás quem inicia o sofrimento na raça humana (Jó 1:12). O próprio Deus confirma a responsabilidade de Satanás pelo sofrimento de Jó (Jó 2:6). Ellen White é muito clara sobre quem culpar pelo sofrimento de Jó: “A história de Jó mostra que o sofrimento é causado por Satanás” (DTN, 378). Jesus também atribui o sofrimento ao inimigo (Mt 13:28).
Ao seu amigo Bildade, que praticamente o acusa de ser um homem perverso, alguém que não conhece a Deus e, por isso, merece descer ao túmulo (Jó 18:21), Jó responde: “Eu sei que o meu Redentor vive” (Jó 19:25) e “Em minha carne verei a Deus” (Jó 19:26). Nesses 2 versos, Jó confirma sua fé na ressurreição, a qual ocorrerá no fim dos tempos, quando “o Redentor”, que hoje vive, “por fim Se levantará sobre a Terra” (Jó 19:25). Assim, a partir de seus sofrimentos carnais, Jó extrai o seguinte paradoxo de esperança: “Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus” (Jó 19:26). Nesse verso, Jó não se refere a uma experiência existencial em sua vida presente. Tampouco fala de sua imortalidade após a morte. O evento ao qual ele alude pertence a um acontecimento cósmico que diz respeito à “Terra”, um evento escatológico situado no futuro distante, ’akharon, “último”, ou o último dia. Esse evento não é outro senão a ressurreição dos mortos, ocasião em que ele, em sua “carne” (Jó 19:26), verá a Deus (seu Redentor) com seus próprios olhos (Jó 19:27).
Ecoando novamente as últimas palavras de Bildade (Jó 18:21), Jó conclui ironicamente seu discurso com este alerta: “Para que vocês saibam que há um juízo” (Jó 19:29). A esperança de Jó em sua ressurreição está, portanto, ligada ao dia do juízo, assim como no livro de Daniel (Dn 12:1-3). Jesus traz essa esperança à mente de Marta no dia da ressurreição de Lázaro (Jo 11:23). E Paulo prega sobre a bendita esperança àqueles que a negam (1Co 15:12-19). Essa esperança é a última mensagem da Bíblia: a única solução para o problema do mundo é a criação de “um novo céu e uma nova Terra”, onde “já não existirá mais morte, nem pranto” (Ap 21:1, 4).
O caminho de Emaús
“Que é isso que vos preocupa e de que ides tratando à medida que caminhais? E eles pararam entristecidos” (Lc 24:13-17).
• Aqueles 2 discípulos estavam deixando Jerusalém cheios de tristeza, decepção e esperança perdida após o sepultamento de Jesus. Haviam criado expectativas equivocadas sobre Jesus e, diante da cruz, concluíram que tudo havia acabado. Entretanto, Jesus não os abandonou. Ele tomou a iniciativa de aproximar-Se deles, caminhou ao seu lado, ouviu suas dores e, em seguida, abriu as Escrituras para mostrar que o plano de Deus continuava em andamento. À medida que ouviam a Palavra, seus corações foram aquecidos, sua fé restaurada e sua tristeza transformada em alegria e eles retornaram imediatamente a Jerusalém para anunciar que Cristo estava vivo.
• Muitas pessoas se afastam da igreja não por rebeldia, mas por expectativas frustradas;
• A decepção pode impedir-nos de reconhecer a presença de Jesus. Os discípulos estavam tão focados em sua tristeza que não perceberam que Jesus caminhava ao seu lado;
• A primeira pergunta de Cristo foi: “Que é isso que vos preocupa?” (Lc 24:17). Jesus se preocupa com os preocupados e se interessa pelos tristes. Nenhuma dor é pequena demais para ser levada a Jesus;
• Jesus caminhou aproximadamente 11 km para restaurar apenas 2 discípulos. Deus valoriza cada pessoa individualmente;
• Jesus não ficou esperando os discípulos voltarem. Ele foi ao encontro deles. O verdadeiro discipulado não espera; ele busca;
• Antes de ensinar, Jesus ouviu. Perguntou sobre o que conversavam e demonstrou interesse genuíno. Muitas pessoas precisam primeiro de alguém que as ouça antes de alguém que as aconselhe;
• Não existe sermão poderoso sem Bíblia. Jesus restaurou os discípulos através das Escrituras. Programas, música e recursos são importantes, mas nada substitui o poder da Palavra de Deus;
• O coração só arde quando a Palavra é aberta. “Não nos ardia o coração?” (Lc 24:32);
• “Fica conosco” (Lc 24:29), esta deve ser nossa oração diária;
• Após o encontro com Jesus, os discípulos abandonaram o caminho de Emaús e retornaram para Jerusalém. Conversão verdadeira sempre produz mudança de rumo;
• Jerusalém tinha problemas, mas era o lugar para onde os discípulos precisavam voltar. Não devemos abandonar a igreja por causa de suas imperfeições. A igreja não é perfeita, mas continua sendo o lugar escolhido por Deus;
• Eles ouviram a Palavra, aceitaram a Palavra e correram para anunciar a Palavra;
• A alegria da ressurreição foi tão grande que os discípulos não puderam esperar até o amanhecer para compartilhar a notícia.
Olhe para Jesus
Cliff Young é considerado o lerdo mais rápido do mundo. Em 1983, ele resolveu participar da Ultramaratona Australiana de 875 quilômetros. Somente atletas de elite participam dessa competição considerada a corrida mais longa do mundo. Cliff tinha 61 anos e os jornalistas riram dele: “Você tem o dobro da idade dos atletas.” Ele respondeu: “Acho que consigo. Venho de uma fazenda com 2 mil hectares e duas mil ovelhas. Não temos tratores. Para percorrer a fazenda eu gasto 3 dias sem dormir e sem comer.” Ele não sabia que os maratonistas corriam 18 horas e dormiam 6. Quando começou a corrida, Cliff logo ficou para trás. Porém, não parou no ponto de descanso. Não dormiu por 5 dias e ganhou a corrida com 9 horas de vantagem. Os jornalistas perguntaram: “O que você fez?” Ele respondeu: “Eu corri. Simplesmente não parei.”
Hebreus 12 apresenta a vida cristã como uma corrida. Mas temos a orientação de como vencer essa corrida?
1. Livrando-nos de todo pecado que nos envolve (Hb 12:1);
2. Correndo com perseverança (Hb 12:1);
3. Correndo com os olhos fitos no Autor e Consumador da fé (Hb 12:2).
“Corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus” (Hb 12:1-3).
• O verbo olhar (aphorontes), em “olhando firmemente”, significa tirar a vista das coisas que estão perto e desviam a nossa atenção e, conscientemente, fixar os olhos em Jesus como o nosso grande alvo. O olhar para as ondas fez com que Pedro desanimasse e afundasse (Mt 14:30);
• A expressão “autor e consumador da nossa fé” tem sido interpretada de várias maneiras. A palavra traduzida como autor é ‘archegon’, líder, pioneiro, sendo o mesmo vocábulo traduzido como capitão (da nossa salvação) em Hebreus 2:10 (KJ);
• A palavra “consumador” é ‘teleioten’, aperfeiçoador, que completa (Hb 10:14).
A imagem da corrida usada em Hebreus 12 é muito própria:
• Em primeiro lugar, ela sublinha a ideia de que a fé não é uma experiência estática ou meramente contemplativa, mas uma vivência ativa e dinâmica;
• Em segundo lugar, essa imagem ativa também sugere que a vida da fé pode encontrar momentos difíceis de cansaço, mas não se pode ceder à tentação do desânimo;
• Em terceiro lugar, a corrida aqui mencionada não é individualista, mas coletiva. Assim como em uma corrida de bastão, nossa corrida de fé na vida cristã é uma continuação da corrida de outros no passado, cuja memória e testemunho nos acompanha;
• Em quarto lugar, a corrida, embora desafiadora e cansativa, vislumbra um final de glória. É precisamente aqui que encontramos o terceiro e mais importante tipo de exemplo apresentado pela epístola para motivar a fé dos crentes, a saber, a perseverante e fiel atitude de Jesus com relação ao plano divino da salvação. Ao passo que os olhos dos crentes precisam contemplar nosso próprio exemplo motivador de fé do passado (Hb 10:32) e os encorajadores testemunhos de fé de vários personagens bíblicos (Hb 11), o foco principal do olhar deve estar firmemente concentrado em Jesus (Hb 12:2). Seu exemplo revela a desafiadora e cansativa “oposição dos pecadores contra Si mesmo” (Hb 12:3), bem como a profunda dor e humilhante vergonha da cruz (Hb 12:2). Contudo, Ele revela especialmente a gloriosa alegria dos resultados da Sua fidelidade e perseverança, que se expressa particularmente da condição régia de Cristo, que Se encontra assentado à direita do trono de Deus (Hb 12:2). De fato, Jesus Cristo não é apenas exemplo motivador para a perseverante fé dos cristãos. De maneira mais profunda, é por meio Dele que podemos ter fé, visto que Ele é “o Autor e Consumador da fé” (Hb 12:2).
Conclusão:
• Aqueles que mergulham no mar das aflições trazem pérolas raras para cima (Spurgeon);
• As aflições são sempre capítulos de uma história, mas nunca sua conclusão. A história dos filhos de Deus pode ter momentos de dificuldade, mas a conclusão será escrita apenas na eternidade. Avancemos com os pés na terra, e os olhos no céu;
• Deus separa as piores batalhas para os melhores soldados;
• “Jesus trabalhava para aliviar todo caso de sofrimento que via” (DTN, 52);
• “A história de Jó mostrara que o sofrimento é infligido por Satanás, mas Deus predomina sobre ele para fins misericordiosos” (DTN, 332);
• Os pés não sentem as correntes quando a mente está no Céu.
É quando enfrentamos os desafios da vida que mais precisamos nos apegar a Deus.
Louvo a Deus pelas maravilhosas lições que podemos aprender de Sua Palavra, e é por isso que sou apaixonado pela Escola Sabatina! #lesadv