Lição 10 – Completos em Cristo
Destaques do Pastor Eber Nunes #?lesadv
Na conclusão de Colossenses 1, Paulo expressou seu desejo de que seus leitores crescessem na fé, no conhecimento e no amor, em suma: que crescessem na maturidade em Cristo (Cl 1:28).
No capítulo 2, Paulo adverte contra os falsos ensinos, e alerta contra: julgamentos, legalismo ritual, misticismo e culto aos anjos e autoimposição de regras severas. Paulo afirma que essas práticas são “sombras”, de uma realidade que é Cristo, em quem somos completos.
O centro do capítulo 2 é Cristo, nele habita toda a plenitude da divindade, nele os fiéis estão completos, Ele cancelou a “dívida” do pecado na cruz, Ele venceu os principados e potestades. Nenhuma tradição humana, filosofia ou prática adicional pode substituir ou completar o que Cristo já realizou.
A sabedoria e o conhecimento de Deus
“Quão grande luta venho mantendo por vós” (Cl 2:1-7).
• Paulo estava muito preocupado com a infiltração de falsos mestres na igreja. O termo “luta” usado pelo apóstolo provavelmente significa ‘ansiedade’ ou ‘preocupação’, ele não se referia a lutas físicas, era uma luta espiritual como a luta de Cristo no Getsêmani.
“Para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor” (Cl 2:1-7).
• Paulo queria que os crentes de Colossos estivessem confortados, a palavra que ele usa é ‘paraklein’, que às vezes significa confortar, outras vezes significa exortar, mas sempre por trás do seu uso está a ideia de capacitar uma pessoa a enfrentar uma situação difícil com confiança.
“Para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Cl 2:1-7).
• O conceito de conhecimento é muito importante em Colossenses. Ao longo da carta, Paulo desejava que seus ouvintes tivessem o conhecimento da “graça de Deus na verdade” (Cl 1:6); da “vontade de Deus, em toda a sabedoria e entendimento espiritual” (Cl 1:9); da “riqueza da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vocês” (Cl 1:27); e “do mistério de Deus, que é Cristo” (Cl 2:2). Paulo mostrou que o antídoto contra os falsos ensinos é o conhecimento de Cristo (Cl 2:1-4, ??. Esse conhecimento provém da Palavra de Deus, como Paulo deu a entender em Colossenses 3:16: “Que a palavra de Cristo habite ricamente em vocês. Instruam e aconselhem-se mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus com salmos, hinos e cânticos espirituais, com gratidão no coração”;
• A verdadeira sabedoria que Paulo queria que eles conhecessem em Jesus os uniria em amor, em vez de dividi-los como fazia a falsa sabedoria;
• O termo “mistério de Deus” é usado de várias maneiras no NT. Aqui, Paulo usa esse termo em relação ao caráter e à pessoa de Deus, algo que não poderíamos conhecer a menos que fosse revelado por Ele;
• Outros poderiam desviá-los com palavras enganosas sobre mistérios; mas havia um mistério acima de todos os outros, o mistério do propósito do amor de Deus, revelado somente em Cristo e a preocupação de Paulo era que eles viessem a conhecer esse mistério que excede todo o entendimento, e que o conhecessem como uma presença permanente.
3 mistérios são descritos em Colossenses 1:24 a 2:3:
1- A Igreja como o Corpo de Cristo, pela qual Paulo serviu e sofreu (Cl 1:24–26);
2- A presença permanente de Cristo, a esperança da glória individual (Cl 1:27);
3- O Jesus Revelado, o tesouro de toda a sabedoria e conhecimento (Cl 2:2–3).
Paulo refutou alguns dos falsos ensinamentos que perturbavam os cristãos de Colossos. Eles foram influenciados por mestres que lhes diziam para buscar os tesouros da sabedoria e do conhecimento, mas não para buscá-los em Jesus. Não há nada de errado em buscar sabedoria e conhecimento; mas devemos buscá-los todos em Jesus.
Quando Paulo disse que essa sabedoria está escondida em Cristo, ele usou a antiga palavra grega ‘apokruphos’. O uso dessa palavra é uma alfinetada aos gnósticos que acreditavam que um vasto corpo de conhecimento elaborado era necessário para a salvação. Eles registraram esse conhecimento em seus livros, que chamavam de ‘apokruphos’ porque estavam além do alcance do homem comum. Paulo queria que todos soubessem que a verdadeira sabedoria não estava escondida em livros secretos, mas sim depositada em Cristo para que todos pudessem ter acesso a ela.
“Assim digo para que ninguém vos engane com raciocínios falazes. Pois, embora ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito, estou convosco, alegrando-me e verificando a vossa boa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo” (Cl 2:1-7).
• O corpo de Paulo está confinado na distante Roma, mas seu coração circunda os conversos que ama;
• Aqueles que disseram aos Colossenses para buscarem sabedoria e conhecimento à parte da simplicidade de Jesus foram muito persuasivos. O fascínio da sabedoria e do conhecimento ocultos e profundos pode ser forte e enganoso;
• Pode parecer simples, mas os enganadores enganam. Eles não divulgam sua falsa doutrina como tal, e geralmente ela será suficientemente semelhante à verdade para ser perigosa;
• Paulo não via a igreja de Colossos como tendo cedido à heresia. Eles estavam em grave perigo, mas ainda estavam em boa ordem e demonstraram a firmeza de sua fé;
• As palavras ordem e firmeza são usadas em contextos militares. Paulo vê a situação dos Colossenses como a de um exército sob ataque e afirma que suas linhas permaneceram intactas, sua disciplina preservada e sua ‘fé em Cristo’ firme.
Enraizados e crescendo em Cristo
“Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças” (Cl 2:6 e 7).
• Paulo usou uma curiosa combinação de metáforas;
• Como cristãos, caminhamos, mas também estamos enraizados e edificados;
• É incomum o apóstolo empregar essa metáfora dupla, extraída em parte do crescimento de uma árvore e da expansão de um edifício. Eles precisam estar enraizados; como a boa semente que já foi semeada, ela criará raízes, e as raízes se espalharão em comprimento, largura e profundidade. Eles precisam estar enraizados; como o alicerce já foi lançado, eles precisam construir sobre ele. No 1º caso, eles precisam dar muito fruto; no 2º, precisam crescer para serem uma morada para Deus por meio do Espírito.
“Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Cl 2:8).
• ‘Enredar’ é o mesmo que: ser levados como presa, ou mesmo ser roubado e agredido;
• O apóstolo não condena a filosofia em si, nem denuncia os filósofos. Ele alerta contra a filosofia alardeada pelos falsos mestres em Colossos, a qual era vazia e vã, promovida pelo engano. O contexto sugere que essa filosofia tinha relação com as observâncias cerimoniais, as crenças humanas, tradições, hábitos e pontos de vista materialistas, todos distantes do evangelho de Deus. O centro dessa filosofia é a exaltação humana, enquanto Deus é completamente excluído ou ignorado (T1, 297);
• O gnosticismo ensinava que, como Deus não podia ter contato direto com o mundo material, o próprio Deus não criou o mundo, mas agiu por meio de espíritos inferiores;
• O gnosticismo (e algumas formas de misticismo judaico) tinha esses supostos mediadores em alta estima e os considerava seres angelicais de algum tipo. Paulo teve o cuidado de advertir os Colossenses de que os anjos não podiam ser adorados (Cl 2:18);
• Paulo ainda advertiu que as tradições dos homens não têm a mesma autoridade que a palavra de Deus;
• As tradições são os modelos habituais de crenças e comportamento humano, transmitidos de uma geração a outra;
• A palavra grega antiga traduzida como “rudimentos do mundo” é ‘stoicheia’. Esta é uma palavra que pode ter vários significados dependendo do contexto. O substantivo ‘stoicheia’ significa principalmente coisas colocadas lado a lado em uma fileira; é usado para as letras do alfabeto, o ABC. E então, como aprender o ABC é a 1ª lição em uma educação literária, passa a significar ‘rudimentos’, ‘primeiros princípios’ (Hb 5:12, como os ‘rudimentos’ do evangelho). Devido a essa associação com elementos fundamentais, a palavra também passou a se referir a elementos básicos como terra, água, ar e fogo;
• Muitas religiões ocultistas antigas viam o mundo como um lugar perigoso, ameaçado por espíritos ou forças espirituais que chamavam de elementos ou forças elementais (como a palavra que Paulo usa em Colossenses 2:8 e 2:20). Acreditavam que era possível se proteger dessas forças espirituais perigosas adorando-as ou encontrando proteção em uma divindade superior ou poder espiritual superior a esses elementos.
“Porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade. Também, nele, estais aperfeiçoados. Ele é a cabeça de todo principado” (Cl 2:9 e 10).
• Um falso ensinamento relacionado na igreja primitiva era o docetismo, que proclamava que Jesus não tinha um corpo humano real; Ele apenas aparentava ter um. Outro falso ensinamento era o cerintianismo, que afirmava que “Jesus Cristo, o homem” era separado e distinto do “Cristo espiritual”;
• Paulo diz que estamos “aperfeiçoados” em Cristo, isso é um fato para ser desfrutado, não um status a ser conquistado;
• Paulo declara aqui a autoridade de Jesus sobre todos os seres espirituais. Os falsos ensinamentos entre os cristãos de Colossos se concentravam nesses seres espirituais inferiores, mas Paulo deixa claro que Jesus está muito acima deles;
• Paulo afirmou que Cristo é nossa única esperança de salvação;
• Um homem pode ir para o céu sem dinheiro, sem saúde, sem fama, sem um grande nome, sem aprender, sem ganhar, sem cultura, sem amigos, sem 10 mil outras coisas, mas ele nunca poderá ir para o céu sem Cristo.
Cravado na cruz
“Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo” (Cl 2:11-15).
• Até mesmo o AT reconhece que existem 2 tipos de circuncisão: a circuncisão do corpo e a circuncisão do coração (Dt 10:16 e 30:6; Jr 4:4 e 9:25; Ez 44:7 e 44:9);
• A maioria dos cristãos de Colossos eram gentios que nunca haviam sido circuncidados fisicamente. Mas Paulo os assegura de que eles foram, de fato, circuncidados em um sentido espiritual, o que é ainda mais importante do que a circuncisão física;
• Parece provável que os falsos mestres atribuíssem grande valor à circuncisão e a impusessem aos Colossenses;
• A circuncisão espiritual significava despojar-se do velho eu. A palavra grega para ‘despojar-se’, um composto duplo, denota tanto a remoção quanto o descarte. A imagem é a de descartar ou ser despojado de uma peça de roupa suja.
“Tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos” (Cl 2:12).
• O batismo corresponde à circuncisão, mas não a ilustra. Contudo, o batismo ilustra nossa identificação com a morte e ressurreição de Jesus. Fomos sepultados com Jesus, sepultados na água. Também fomos ressuscitados com ele e ressuscitados da água;
• Visto que Paulo estabeleceu uma conexão entre batismo e circuncisão, alguns teólogos, dizem que, assim como os bebês eram circuncidados, os bebês deveriam ser batizados. Mas isso força demais a analogia de Paulo entre circuncisão e batismo e negligência os exemplos de batismo na Bíblia, mas de fato, a circuncisão é desnecessária para a salvação, porque somos identificados com Jesus e somos batizados para demonstrar isso.
“E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele” (Cl 2:11-15).
• A Bíblia contém muitas descrições de homens e mulheres separados de Jesus Cristo, e esta é uma das mais impactantes. Uma pessoa doente pode precisar de um médico, mas uma pessoa morta precisa de um Salvador;
• Nunca poderemos obter vida separados de Jesus.
“Perdoando todos os nossos delitos” (Cl 2:11-15).
• Perdão é a palavra grega antiga ‘charizomai’ uma forma verbal da palavra grega antiga ‘charis’ (graça). Somos perdoados pela graça.
“Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz” (Cl 2:11-15).
• O registro de nossas dívidas é uma lista de nossos pecados, ou dívida moral, perante Deus, uma dívida que nenhuma pessoa imperfeita pode pagar completamente. Mas ela pode ser cancelada pelo pagamento de um homem perfeito, Jesus Cristo;
• O termo “escrito de dívida” é uma palavra genérica para um documento manuscrito e tem sido entendido de várias maneiras. Alguns o interpretam em um sentido jurídico, dizendo que representa as acusações contra um prisioneiro ou uma confissão de culpa feita por um prisioneiro. Outros o interpretam em um sentido financeiro, vendo-o como uma dívida ou um livro contábil que demonstra nossa falência perante Deus. De qualquer forma, significa que o documento que antes nos condenava foi removido por ter sido pregado na cruz;
• A ideia da palavra grega antiga traduzida como “cancelar” é que algo foi completamente anulado e, no mundo antigo, o termo era usado para caiar uma parede ou cobri-la com ouro, significa que as acusações contra nós foram completamente canceladas e encobertas;
• A palavra “ordenanças” (Cl 2:14) refere-se a decretos legais seculares (Lc 2:1; At 17:7) ou eclesiásticos (At 16:4). Esse termo grego aparece apenas mais uma vez nos escritos de Paulo, em referência à lei cerimonial, que servia como uma “parede de separação” entre judeus e gentios (Ef 2:14, 15);
• No mundo antigo quando se cancelava uma lei, decreto ou prescrição, eles eram fixados em uma tabua com um cravo. Na cruz de Cristo foi crucificada nossa lista de dívidas;
• Paulo reforça que os crentes gentios não precisam guardar a lei cerimonial, incluindo a circuncisão, nem obedecer aos regulamentos de pureza relacionados a ela (At 10:28, 34);
• Paulo não sugeriu que os 10 Mandamentos foram cravados na cruz, especialmente porque ele define o pecado como a violação dos 10 Mandamentos (Rm 7:7);
• Considerando que Paulo guardava o sábado, é evidente que ele não poderia estar argumentando a favor do cancelamento dos 10 Mandamentos. Assim, o “escrito de dívida” cravado na cruz não se refere à lei moral, mas consiste numa metáfora para ilustrar nossa dívida moral para com Deus por causa de nosso pecado (Rm 6:23). Foi essa dívida que Jesus cravou na cruz ao morrer em nosso lugar (2 Co 5:19; Gl 3:13).
“Despojando os principados e as potestades” (Cl 2:11-15).
• Outro aspecto da obra de Jesus na cruz é que Ele desarmou os poderes e as autoridades. Esses reinos angelicais hostis (Rm 8:38, Ef 1:21, 3:10, 6:12) não possuem as mesmas armas para usar contra os cristãos que possuem contra aqueles que não estão em Jesus;
Algumas declarações contidas nestes versos têm sido usadas por muitos para sugerir que Paulo estava falando sobre a anulação dos 10 Mandamentos; mais especificamente, argumenta-se que o sábado do 7º dia não é mais válido nem obrigatório para os cristãos. Contrariamente a essa afirmação, Colossenses 2 não trata do cancelamento dos 10 Mandamentos. Paulo deu a entender diversas vezes em suas cartas que os 10 Mandamentos continuam válidos para os cristãos. Ele citou o 5º mandamento em Efésios 6:2 e 3; o 6º, o 7º, o 8º e o 9º em Romanos 13:9; o 10º em Romanos 7:7 e 13:9. Em Colossenses 3:20, ele repetiu uma exortação que aparece em Efésios 6:1: “Filhos, obedeçam a seus pais”. Com base em Efésios 6:1 a 3, pode-se concluir que a exortação “Filhos, obedeçam a seus pais” (tanto em Ef 6:1 quanto em Cl 3:20) estava fundamentada na validade do 5º mandamento (Ef 6:2, 3; Êx 20:12). Em todas essas passagens está implícito que os 10 Mandamentos permanecem obrigatórios para os crentes sob a nova aliança. Além disso, as listas de vícios e virtudes nas epístolas paulinas, especialmente a lista de vícios encontrada em Colossenses 3:5 a 9, foram elaboradas com base nos 10 Mandamentos.
Em relação ao sábado do 7º dia, as evidências do NT indicam que ele continua obrigatório para os crentes sob a nova aliança. Assim como Jesus, Paulo também guardava o sábado (Lc 4:16; At 17:2). Em Apocalipse 14:6 e 7, uma alusão ao 4º mandamento ressalta a validade do sábado do 7º dia para os cristãos. De modo semelhante, quando Paulo e Barnabé protestaram contra a adoração que estava sendo oferecida a eles por idólatras, chamaram a atenção para a adoração ao “Deus vivo, que fez o céu, a Terra, o mar e tudo o que neles há” (At 14:15; Êx 20:11). Também é possível que, ao retratar a supremacia de Cristo em Colossenses 1:15 a 20, Paulo tivesse em mente tanto Gênesis 1 e 2 quanto Êxodo 20:8 a 11. Esses 2 trechos têm em comum o tema do sábado.
Um estudioso presbiteriano reconheceu: “Há boas razões para se crer [...] que os 10 Mandamentos [...] ainda são obrigatórios para nós. Quando Jesus, por exemplo, falou sobre ‘os mandamentos’, ficou claro que Ele tinha em vista os 10 Mandamentos (Lc 18:20). De modo semelhante, quando Paulo falou sobre a lei em Romanos 7:7, ele estava se referindo aos 10 Mandamentos” (Iain D. Campbell, “Opening up Exodus”, Opening Up Commentary[Leominster, U.K.: Day One Publications, 2006], 83).
Sombra ou corpo?
“Portanto, não permitam que ninguém os julgue” (Cl 2:16).
• A expressão “portanto” é importante. Ela conecta esta ideia à anterior. Porque Jesus conquistou uma vitória tão gloriosa na cruz, não devemos permitir que ninguém nos julgue por qualquer assunto relacionado ao legalismo.
“Pelo que vocês comem ou bebem” (Cl 2:16).
• Estas palavras se referem às ofertas de alimento e bebida apresentadas pelos israelitas em conformidade com o sistema sacrificial, codificado na lei cerimonial;
• Alguns concluíram erroneamente que a afirmação de Paulo indica a abolição da proibição de ingerir alimentos declarado impuros (Lv 11). Este não é o significado pretendido pelo apóstolo, o que é evidenciado nas observações seguintes:
1. A comida e bebida são declaradas sombras de Cristo (Cl 2:17); isto é, apontam para o sacrifício e o ministério de Cristo;
2. A proibição para não comer determinados alimentos precede a lei cerimonial (Gn 7:2). Por isso, certos animais devem ser considerados impuros por razões diferentes das cerimoniais. O apóstolo não está permitindo que os cristãos Colossenses comam e bebam o que quiserem, indiferentes às críticas. Paulo afirma que os cristãos não estão mais obrigados a praticar as exigências da lei cerimonial.
“Com relação a alguma festividade religiosa ou à celebração das luas novas” (Cl 2:16-19).
• O 1º dia de cada mês ou dia de lua nova (Nm 10:10; 28:11; 1Sm 20:5; Is 66:23).
“Ou dos dias de sábado” (Cl 2:16-19).
• Este é um dos textos bíblicos mais usados contra a observância do sábado do 7º dia. A maioria dos intérpretes vê a expressão: “dia de festa, ou lua nova, ou sábados”, como uma progressão anual/mensal/semanal;
• Estes sá¬bados mencionados nestes textos, nada tinham a ver com o descanso semanal, ou o sábado do decálogo. Os sábados cerimoniais esta¬vam no livro de Moisés, e não nas tábuas dos 10 Mandamentos, que só mencionam o sá¬bado do 7º dia comemorativo da Cria¬ção (Ex 20:11). Os sábados festivais foram instituídos no Sinai, após a entrega da lei de Deus, ao passo que o sábado semanal o foi na Criação (Gn 2:2, 3) e incorporado na lei moral, precedido de um imperativo ‘Lembra-te’. Não pode ha¬ver confusão;
• Cada um dos sábados cerimoniais, ou dias de descanso, caíam em datas fixas do ano, e assim em dias diferentes da semana a cada ano. Assim, eram propriamente chamados sábados anuais, em contraste com os sábados semanais. Esses dias em que o trabalho era proibido, “além dos sábados do Senhor” (Lv 23:38) eram:
1. O 1º Dia dos Pães Asmos - 15° dia do l° mês (Lv 23:6);
2. O 7º Dia dos Pães Asmos - 21 ° dia do 1° mês (Lv 23:8,11 );
3. Dia de Pentecostes - 6° dia do 3° mês (Lv 23:24,25);
4. Festa das Trombetas - 10° dia do 7° mês (Lv 23: 16,21);
5. Dia da Expiação - 10° dia do 7° mês (Lv 23:29-31);
6. Primeiro Dia da Festa dos Tabernáculos - 15° dia do 7° mês (Lv 23:34,35);
7. O 7º Dia da Festa dos Tabernáculos - 22° dia do 7° mês (Lv 23:36).
Existem muitas discussões quanto ao texto do AT de onde poderia ter sido extraído a expressão “dia de festa, ou lua nova, ou sábados”. Comentaristas bíblicos sugerem pelo menos 9 diferentes passagens (Nm 28-29; 1Cr 23:29-31; 2Cr 2:4; 8:12, 13; 31:3; Ne 10:33; Ez 45:13-17; 46:1-15; Os 2:11). Um estudo exegético, linguístico, estrutural, sintático e intertextual de Colossenses 2:16 com esses textos, constatou que o verdadeiro antecedente dessa expressão está em Oséias 2:11, que diz: “Farei cessar todo o seu gozo, as suas Festas de Lua Nova, os seus sábados e todas as suas solenidades”. Enquanto os dias de “festa” (hebraico ‘hag’; grego ‘heorte’) dizem respeito às “3 festas de peregrinação da Páscoa, do Pentecostes e dos Tabernáculos”, os “sábados” (hebraico ‘sabbat’; grego ‘sábbata’) se referem às 3 celebrações adicionais das Trombetas, da Expiação e dos Anos Sabáticos. A tentativa de associar os “sábados” de Colossenses 2:16 com o sábado semanal parece não endossada nem pelo contexto anterior e nem pelo posterior dessa passagem. O “sábado” do 7º dia, instituído na semana da criação (Gn 2:2,3), é de natureza moral e não pode ser qualificado como mera “sombra das coisas que haviam de vir”. O ‘sábado’ de Colossenses 2:16 deve ser necessariamente entendido como se referindo aos sábados cerimoniais.
“Estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo” (Cl 2:16-19).
• Uma sombra não tem substância, é projetada por algo (Hb 8:5 e 10: 1). As cerimônias judaicas eram sombras projetadas pelas realidades celestiais. A vida de Cristo;
• As sombras imitam de maneira imperfeita e grosseira cada um de nossos movimentos. As sombras sempre distorcem nossa figura, em maior ou menor grau. Elas alongam ou encurtam nossa silhueta, dependendo da direção e intensidade da luz, mas sempre nos permitem vislumbrar algo da realidade. Se você mexer o braço, sua sombra também mexerá o braço. Se você pular, sua sombra pulará. Sua sombra repete aquilo que você faz. Naturalmente, sua sombra não existiria se você não existisse. As sombras, embora pareçam estar vivas, não existem sem nós. Uma sombra é uma sombra, e não a realidade. Embora a sombra represente a realidade, não é uma duplicata da realidade, falando em termos materiais e físicos. As sombras dão uma ideia da realidade, mas, como diz Paulo, não são a “imagem real das coisas” (Hb 10:1). Como a sombra imita cada movimento que fazemos, as cerimônias e festividades prefigurativas representavam ou imitavam a atividade salvadora de Deus, em Cristo Jesus. Eram cerimônias pedagógicas, que apontavam para “as coisas que haviam de vir”. Da mesma forma que sua sombra não é a realidade de quem você é, as festividades não eram a própria realidade; era apenas sua sombra. Sombras apontam para uma realidade, mas em si mesmas elas não são reais;
• O tipo de sábado em consideração é mostrado pela frase “que haveria de vir” (Cl 2:17). O sábado semanal é memorial de um evento no início da história terrestre (Gn 2:2, 3; Êx 20:8-11; PP, 48). Por isso, os “dias de sábado” que Paulo declara serem sombras apontando a Cristo não podem se referir ao sábado semanal designado pelo 4º mandamento, mas indicam os demais dias cerimoniais que se cumprem em Cristo e Seu reino (Lv 23:6-8, 15, 16, 21, 24, 25, 27, 28, 37, 38);
• O sábado do decálogo é comemorativo de um fato passado: a Criação. Não era sombra de coisas futuras;
• Os sábados anuais eram parte do sistema cerimonial que representava a vida e morte de Cristo, e cessou quando Ele expirou na cruz., Eram “som¬bras de coisas futuras”. Em contraste com o sábado semanal, que foi ordenado à toda humanidade ao fim da semana da criação, os sábados anuais apontavam para a vinda do Messias. E sua observância findou com Sua morte na cruz.
A melhor forma de entender a argumentação de Paulo em Colossenses é compreendendo que quem estava em Cristo não precisava de mais nada. É claro que o conceito de estar em Cristo não significa apenas acreditar que Jesus morreu na cruz por nós, mas viver como um ímpio. Estar em Cristo é crer nisso, mas também crer que Jesus é nosso modelo e se esforçar para seguir esse modelo. Assim, quem está em Cristo busca acreditar no que Cristo acreditava, interpretar como Cristo interpretava, agir como Cristo agia, amar como Cristo amava. E tudo isso é realizado, claro, pela força do Espírito Santo.
Ora, isso era o que importava para Paulo. Se o indivíduo estava em Cristo, o modo como ele faria o que quer que fosse era irrelevante. Afinal, se ele estava em Cristo, ele também iria seguir as Escrituras como Cristo. Qualquer tradição que ficasse de fora, seria apenas tradição. E qualquer regra da Escritura seria cumprida do modo como Cristo interpretou e ensinou. Neste sentido, os detalhes, as tradições e os acréscimos dos hereges ascéticos não eram apenas errados, mas também inúteis para o crescimento na fé.
“Não permitam que ninguém que tenha prazer numa falsa humildade” (Cl 2:16-19).
• Essa era uma humildade artificial praticada ao agregar mérito, humilhação voluntária resultante em ascetismo (ascetismo é a religião do não, que busca os méritos por meio de esforço humano, pessoal);
• Paulo se refere à falsa humildade tal como ostentada pelos fariseus e ascetas que eram culpados do orgulho do exibicionismo.
“Na adoração de anjos” (Cl 2:17).
• Os falsos mestres aceitaram a guia dos anjos, aos quais consideravam emanações inferiores de Deus. Eles insistiam na fraqueza e inferioridade humana e na distância do grande e eterno Deus. Esse ponto de vista era uma extensão da humildade voluntária que defendiam. Se o corpo humano é completamente sem valor, não pode se aproximar de Deus e precisa de intermediários. Assim, os anjos eram adorados como seres superiores aos seres humanos, num sentido, extensões da divindade. Paulo adverte os Colossenses contra essa filosofia, que é oposta ao ensino de Cristo.
Preceitos de homens
“Se morrestes com Cristo” (Cl 2:20-23).
• Essa expressão está ligada à experiência da conversão. Morrer com Cristo significa:
o Abandonar a velha vida dominada pelo pecado;
o Não depender mais de sistemas humanos de salvação;
o Viver agora pela graça.
“Para os rudimentos do mundo” (Cl 2:20-23).
• Paulo está falando de:
o Sistemas religiosos baseados em regras humanas;
o Filosofias místicas e ascéticas;
o Tentativas de alcançar santidade por meio de práticas externas.
“Não manuseie!” “Não prove!” “Não toque!”? (Cl 2:21).
• Regras criadas por homens que aparentavam espiritualidade:
o Regras humanas não produzem verdadeira santidade;
o A transformação vem do Espírito Santo, não de restrições externas;
o A obediência bíblica é diferente de legalismo humano.
“Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos” (Cl 2:22).
• A Bíblia é a única regra de fé;
• Nenhuma tradição humana pode substituir a Palavra de Deus;
• A salvação é pela graça, mediante a fé (Ef 2:8-9).
“Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo” (Cl 2:23).
• Paulo ensina que o ascetismo pode parecer espiritual, mas não transforma o coração.
o A verdadeira vitória contra o pecado vem da união com Cristo;
o A santificação é obra contínua do Espírito;
o A obediência é fruto da salvação, não meio para alcançá-la.
Colossenses 2:20–23 não está anulando a Lei de Deus, mas rejeitando:
• Legalismo humano;
• Regras ascéticas criadas por homens;
• Tentativas de merecer salvação por esforço próprio.
Conclusão:
Inimigos que seguem rondando a igreja:
1. Gnosticismo. Crença que Jesus não poderia ser divino e humano ao mesmo tempo;
2. Legalismo. Crença que Jesus não é suficientemente, por conseguinte, enfatiza-se práticas, rituais e obediência como complementos para a salvação;
3. Misticismo. Crença de que buscar experiências místicas e espiritualistas é mais importante que confiar na Palavra;
4. Asceticismo. Crença de que abster-se de certas coisas instituídas pela Divindade resulta na busca a Deus.
Louvo a Deus pelas maravilhosas lições que podemos aprender de Sua Palavra e é por isso que sou apaixonado pela Escola Sabatina! #lesadv