Lição 8 – A supremacia de Cristo
Destaques do Pastor Eber Nunes #?lesadv
Terminamos na lição 7 o nosso estudo da epístola aos Filipenses, agora, retomamos o estudo
da epístola aos Colossenses, pausado na lição 2.
Relembramos que:
? A igreja estabelecida em Colossos segundo estudiosos e evidências internas foi fundada
por Epafras (Cl 1:7; 4:12), servo de Cristo e companheiro de prisão de Paulo (Fm 23);
? Embora Paulo não tenha fundado a igreja em Colossos, as palavras direcionadas aos
cristãos da cidade mostram que ele se sentia responsável pela vida espiritual deles;
? Os cristãos de Colossos eram provenientes do paganismo (1:21 e 27) e costumavam
reunir-se nas casas de família como na de Ninfas (4:15) e na de Arquipo (4:17; Fm 2);
? A epístola aos Colossenses provavelmente foi entregue por Tíquico (Cl 4:7-9), que era
um antigo e leal companheiro de Paulo (At 20:4; Ef 6:21; Cl 4:7; 2Tm 4:12; Tt 3:12).
Características marcantes da epístola aos Colossenses?
? Alguns estudiosos acreditam que Colossenses seja a epístola mais profunda de Paulo;
? Paulo provavelmente nunca visitou a igreja de Colossos (Cl 2:1). Sendo assim, esta é a
única igreja que recebeu uma epístola de Paulo sem o ter conhecido pessoalmente;
? Colossos era uma cidade pequena, pobre e sem relevância no contexto econômico. Paulo,
como missionário estrategista, concentrava-se nos grandes centros, mas jamais se
esquecia das regiões menores. O evangelho deve ser levado aos grandes centros urbanos
e às pequenas cidades, vilas e regiões rurais;
? É maravilhoso o fato de que uma epístola tão importante como Colossenses fosse
enviada a uma igreja tão pequena, situada numa cidade tão insignificante. O que pode
parecer pequeno aos olhos dos homens, pode ser muito grande aos olhos de Deus;
? A grandeza de uma igreja não está na beleza do seu templo, na quantidade de seus
membros nem mesmo na robustez do seu orçamento financeiro.
Paulo escreveu aos Colossenses por 4 razões principais:
1. Combater uma terrível heresia (Cl 1:13-18).
? Segundo informado a Paulo por Epafras, os cristãos em Colossos (Cl 1:8) estavam
ameaçados por uma heresia que misturava elementos pagãos, judaicos e cristãos;
? Na epístola, Paulo se expressa com vigor contra essa heresia, chamada por alguns de:
‘Heresia de Colossos’, mas que também passou a ser conhecida como Gnosticismo;
? Gnosticismo vem da palavra grega gnose: conhecimento;
? Os gnósticos ensinavam que a salvação podia ser realizada por meio da gnose, do
conhecimento e não pela graça mediante a fé em Cristo (Ef 2); eles criam que somente
os esotéricos podiam chegar a esse conhecimento da luz e das trevas para salvação;
? Os gnósticos se viam como “conhecedores” das verdades profundas de Deus. Eles se
consideravam uma espécie de aristocracia espiritual;
? O gnosticismo foi tão devastador que 8 escritos do NT foram escritos para combatê-la:
Colossenses, 1 e 2Timóteo, Tito, 1, 2, 3João e Judas;
? Como o gnosticismo era um ataque muito forte à humanidade e à divindade de Jesus,
Paulo escreveu que Jesus Cristo sustenta todas as coisas (Cl 1:17); Ele é Deus (Cl 1:15)
e nEle habita a “plenitude” (Cl 1:19). Ele é a imagem do Deus invisível (Cl 1:15), Ele é
o primogênito de toda a criação (Cl 1:15). Ele é o criador de todas as coisas (Cl 1:16).
Ele é antes de todas as coisas e todas as coisas subsistem por ele (Cl 1:17). Ele é a
cabeça da igreja, que é o seu corpo (Cl 1:18). Ele é o princípio, o primogênito de entre
os mortos (Cl 1:18). Ele é a primazia e a preeminência de Deus (Cl 1:18). Ele é toda a
plenitude da Deidade, da Divindade (Cl 1:19 e 2:9), ou seja, Jesus Cristo é Deus
revelado na sua plenitude “pleroma” (Jo 1:18; 14:8-10). Ele é o promotor da paz e da
reconciliação consigo mesmo de todas as coisas nos céus e na terra (Cl 1:20 e 22).
2. Prevenir a igreja em Colossos contra o perigo de retornarem à velha vida (Cl 2:8; 3:5);
3. Enfatizar a importância do perdão e da bondade (Cl 3:12-14);
4. Fortalecer o respeito deles pelo líder Epafras, e pelo evangelho (Cl 1:7; 4:12).
Imagem do Deus invisível
“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1:26 e 27).
? Em hebraico a palavra para “imagem” é tselem, que se refere ao aspecto físico. Adão não
se parecia com Deus no sentido de que Deus tivesse carne e sangue. A Bíblia diz que
Deus é Espírito (Jo 4:24), e existe sem um corpo. A semelhança no aspecto físico era em
simetria, em perfeição;
? O homem é único dentre toda a criação de Deus, tendo tanto uma parte material (corpo)
como uma imaterial (alma/espírito);
? A imagem de Deus se refere à parte imaterial do homem. Ela separa o homem do mundo
animal, e o encaixa na “dominação” que Deus pretendeu (Gn 1:28), e o capacita a ter
comunhão com seu Criador. É uma semelhança mental, moral e social;
? Mentalmente, o homem foi criado como um agente racional e com poder de escolha: o
homem pode raciocinar e fazer escolhas;
? Moralmente, o homem foi criado em justiça e perfeita inocência, um reflexo da santidade
de Deus. Deus viu tudo que tinha feito (incluindo a humanidade), e disse que tudo era
“muito bom” (Gn 1:31). Nossa consciência, ou “bússola moral” é um vestígio daquele
estado original;
? Socialmente, o homem foi criado para a comunhão. Isto reflete a natureza triúna de Deus
e Seu amor. No Éden, o primeiro relacionamento do homem foi com Deus (Gn 3:8 indica
comunhão com Deus), e Deus fez a primeira mulher porque “não é bom que o homem
esteja só” (Gn 2:18);
? Criado à imagem de Deus, o ser humano deveria espelhá-la “tanto na aparência exterior
quanto no caráter” (PP, 45). Todavia, a essência dessa semelhança foi manchada pelo
pecado.
“Este é a imagem do Deus invisível” (Cl 1:15).
? A expressão “imagem do Deus invisível” aponta para a humanidade de Jesus, referindo-
se, à Sua encarnação. A palavra grega traduzida como “imagem” é eikon, termo
frequentemente usado no registro bíblico para indicar que algo é uma representação de
outra coisa. Por exemplo, a estátua do sonho de Nabucodonosor, bem como a imagem de
ouro levantada pelo rei (Dn 2:31; 3) foi chamada várias vezes de eikon na Septuaginta
(versão grega do AT). Obviamente, o conceito de representação remonta a Gênesis 1:26
e 27, em que Adão é descrito como criado à imagem de Deus. Jesus veio ao mundo como
o segundo Adão para representar e revelar Deus. Essa ideia significa que, se em vez de
Jesus, o Pai tivesse vindo ao mundo, Ele teria sido como Jesus;
? Paulo refuta as heresias gnósticas, mostrando que Cristo não é uma emanação de Deus,
uma espécie de ser intermediário por meio do qual o mundo material veio a existir, Ele é
o próprio criador do mundo visível e invisível; Cristo não é um espírito iluminado que
veio conduzir o homem a Deus pelos atalhos do conhecimento místico e esotérico, mas o
redentor que veio ao mundo para resgatar o homem pelo sangue da Sua cruz;
? Jesus veio restaurar a imagem, manchada, destruída pelo pecado;
? Jesus é a representação visível do Deus invisível;
? Cristo não é uma cópia de Deus, mas a encarnação do divino no mundo dos homens;
? Em Cristo, o Deus invisível tornou-se visível e palpável (Jo 1:14; 1Jo 1:1-4). Ele é o
espelho por meio do qual contemplamos a face de Deus. O Deus invisível tornou-se
visível a nós por meio de Cristo. O Deus transcendente tornou-se carne e habitou entre
nós por meio de Cristo. Aquele que habita na luz inacessível entrou na nossa história e
nos revelou o coração do Pai. Quem quiser saber quem é Deus, olhe para Jesus;
? “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o
revelou” (Jo 1:18);
? “Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (Jo 14:9);
? “Eu e o Pai somos um” (Jo 10:30);
? “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as
coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-
se à direita da Majestade, nas alturas” (Hb 1:3).
O primogênito de toda a criação
Jesus é “o primogênito de toda a criação” (Cl 1:15 a 17).
? Se Jesus é o primogênito, Ele teve um início. Jesus é uma criatura?
? Primogênito do grego ‘prototokos’, é uma palavra composta de duas outras: ‘protos’
(primeiro) e ‘tiktw’ (gerar, nascer), literalmente ‘prototokos’ significa: primeiro nascido;
? Nos tempos patriarcais o primogênito tinha privilégios e deveres especiais que os outros
filhos não tinham, como por exemplo uma herança maior (o dobro), porque ele era
considerado provedor da família, caso o pai morresse. Além disso ele devia prover os
animais para os sacrifícios por ser também o líder espiritual (Gn 49);
? No AT grego, a palavra ‘prototokos’ é às vezes usada no sentido figurado e significa o
mais forte ou o mais eminente de sua espécie (Jó 18:12 e 13; Is 14:30). Algumas vezes
denota posição de dignidade ou preeminência, concedida a alguém que não é o
primogênito filho a nascer (1Cr 16:18-21; Is 14:30; Jr 31:9);
? Davi é chamado de primogênito embora fosse o caçula (Sl 89: 20-27; 1Sm 16:10-12).
Davi não era o primogênito no tempo (cronologicamente), mas na situação ou posição;
? Jacó é chamado primogênito (Ex 4:21-22; Gn 25:25-26), mas ele era o segundo filho. Ele
foi chamado de ‘prototokos’, não porque havia nascido primeiro, mas porque havia
recebido os privilégios do primogênito;
? Efraim também é chamado de ‘prototokos’ (Jr 31:9) mas era o 2º filho (Gn 41:50);
? O que estas passagens estão focalizando é o fato de que aqui alguém tem status,
dignidade, prerrogativas, autoridade, que pertencem ao ‘prototokos’ (primogênito);
? ‘Prototokos’ é aplicada 7 vezes a Cristo no NT (Lc 2:7; Mt 1:25; Rm 8:28 e 29; Cl 1:15 e
18; Hb 1:6; Ap 1:5). Cristo é o primogênito no sentido de ter preeminência sobre toda a
criação e sobre todos os seres criados por Ele;
? Paulo não sugeriu, em nenhum momento, que Jesus foi o primeiro ser criado. Pelo
contrário, ele negou categoricamente essa possibilidade. O apóstolo destacou que Jesus
criou todas as coisas (Cl 1:16).
“Tudo foi criado por meio dele e para ele” (Cl 1:15 a 17).
? A expressão “por meio dele” (di autou), descreve Cristo como o instrumento imediato da
criação. Cristo é o agente do poder criador de Deus. Ele é o verbo criador (Gn 1:3; Jo
1:3). As galáxias, os mundos estelares, os anjos, os homens e todo o universo foram
criados por meio Dele. Ele trouxe tudo à existência. Jesus é o agente pessoal por meio do
qual Deus realizou a criação (Ef 3:9; Jo 1:1-3; Ap 4:11);
? A expressão “para ele”, (eis auton), indica que Cristo é o alvo da criação. O mundo foi
criado para o Messias. O universo tem uma grande finalidade: render a Jesus todo o
louvor e glória;
? Todas as coisas existem em Cristo, por Cristo e para Cristo;
? Paulo usa 3 preposições para descrever a preeminência de Cristo na criação: Nele, por
meio Dele e para Ele (Cl 1:15 a 17). Os filósofos gregos ensinavam que todas as coisas
precisavam de uma causa primária, de uma causa instrumental e de uma causa final. A
causa primária é o plano; a causa instrumental é o poder; e a causa final é o propósito;
? Quando olhamos para a criação, podemos ver que Jesus é a causa primária (foi Ele quem
a planejou). Ele é também a causa instrumental (foi Ele quem a realizou). Ele é ainda a
causa final (foi Ele quem a fez para o Seu próprio prazer e glória).
“Nele, tudo subsiste” (Cl 1:15 a 17).
? “Subsiste. ... Literalmente, ‘manter junto’, ‘conservar unido’ ou ‘suster em conjunto’. A
forma do verbo grego realça uma organização original e a contínua manutenção da
organização. O poder que sustém os vastos corpos celestes nas órbitas que lhes foram
prescritas com precisão matemática, e o poder que mantém as partículas dos átomos em
suas trajetórias predeterminadas, é o mesmo. Pelo poder de Cristo, todas as coisas
permanecem unidas” (The SDA Bible Commentary, vl 7, 192).
A Cabeça do corpo (a igreja)
“Ele é o cabeça de todo principado” (Cl 2:10).
? A palavra “cabeça” significa fonte e origem. A Igreja tem sua origem em Cristo. A Igreja
só tem vida em Cristo. Estávamos mortos e Ele nos deu vida. Cristo é a fonte de poder,
alegria e vida da Igreja. Assim como o corpo não existe sem a cabeça, a Igreja não tem
vida sem Cristo. Fomos escolhidos em Cristo, remidos por Cristo, estamos escondidos
com Cristo, seguros nas mãos de Cristo, assentados com Ele nas regiões celestes.
Morremos com Ele, ressuscitamos com Ele e com Ele viveremos eternamente;
? A palavra “cabeça” significa também aquele que governa, controla e dirige. Só Cristo
tem autoridade e poder para controlar e comandar a Igreja. O corpo age, mas é a cabeça
que comanda o corpo. É a cabeça que planeja para o corpo, dirige o corpo, guia o corpo,
inspira o corpo, ergue o corpo, energiza o corpo e controla o corpo. Todos os
movimentos e ações do corpo procedem da cabeça. Se o corpo não segue a orientação
que emana da cabeça, entra em colapso e age para sua própria destruição. A Igreja deve
estar sujeita a Cristo. A glória da Igreja é ser submissa a Ele. Quanto mais a Igreja está
sujeita a Cristo, mais livre, saudável e feliz ela é.
? Em certo sentido, a metáfora do Cabeça era bastante semelhante à imagem do Pastor.
Nesse papel, Jesus conduz a igreja “para as fontes da água da vida” (Ap 7:17); a conhece
e é conhecido por ela (Jo 10:14); e a ama a ponto de dar Sua vida por ela (Jo 10:11,
15), com o propósito de lhe conceder a vida eterna (Jo 10:28);
? Jesus é o fundamento, o dono, o edificador e o protetor da Igreja (Mt 16:18);
? Nenhum cristão na terra é cabeça da Igreja;
? Vários líderes religiosos podem ter fundado congregações ou denominações, mas
somente Jesus Cristo é o fundador da Igreja;
O termo “cabeça” é utilizado em alguns versos:
1. Moisés escolheu “homens capazes... e os pôs por cabeças sobre o povo” (Êx 18:25).
2. “Os cabeças das casas dos pais da congregação” (Nm 31:26).
3. Deus colocaria Israel “por cabeça e não por cauda” (Dt 28:13).
4. “A capital da Síria é Damasco, e o cabeça de Damasco é Rezim” (Is 7:8).
5. “Os filhos de Judá e os filhos de Israel [...] constituirão sobre si uma só cabeça” (Os
1:11).
6. “Cristo é o cabeça de todo homem” (1Co 11:3).
O Princípio (e Iniciador)
“Ele é o princípio” (Cl 1:18).
? A imagem de Jesus como o ‘Princípio’ de todas as coisas não era incomum no NT. Em
maior ou menor grau, todas as ocorrências dessa imagem se baseiam em Gênesis 1:1.
Assim, embora a declaração inicial de Mateus 1:1 não empregue o termo “princípio”, a
frase “livro da genealogia de Jesus Cristo” alude ao livro de Gênesis (Gn 5:1; 2:4). O
Evangelho de Marcos começava com a declaração, “Princípio do evangelho de Jesus
Cristo” (Mc 1:1), o que, para muitos estudiosos, remete a Gênesis 1:1. O Evangelho de
João abre com a afirmação: “No princípio era o Verbo” (Jo 1:1), e prossegue: “Ele estava
no princípio com Deus” (Jo 1:2). De modo semelhante, João inicia sua primeira carta
fazendo alusão tanto ao seu evangelho quanto ao livro de Gênesis (1Jo 1:1). Mais
adiante, ele declara: “Escrevo a vocês, porque conhecem Aquele que existe desde o
princípio” (1Jo 2:13, 14). Por fim, no Apocalipse, João atribui a Jesus o título de “o
Princípio da criação de Deus” (Ap 3:14);
? O título ‘Princípio’ aponta para o papel de Jesus como nosso Criador e Redentor.
“O primogênito de entre os mortos” (Cl 1:18).
? O uso que Paulo fez do título “Primogênito dentre os mortos” (Cl 1:18) foi muito
semelhante ao uso do mesmo título por João em Apocalipse 1:5. Ambos os autores
provavelmente tinham em mente o Salmo 89:27: “Por isso, farei Dele o Meu
primogênito, o mais elevado entre os reis da Terra”. De certo modo, o Salmo 89
funcionou como uma espécie de comentário de 2 Samuel 7:8 a 16, que detalha a aliança
de Deus com Davi. Uma leitura atenta do Salmo 89, contudo, revela que, em última
instância, o texto se refere a Alguém maior do que uma figura humana (Sl 89:29, 36). O
NT indica que Jesus é o Filho de Davi no sentido escatológico (Mt 1:1). Ao aplicar o
título “Primogênito” a Jesus (Cl 1:18), Paulo o apresentou como o cumprimento da
promessa da aliança de Deus feita a Davi.
“Para em todas as coisas ter primazia” (Cl 1:18).
? Muitas versões em inglês traduzem a palavra grega ‘proteuo’ como “primeiro lugar” em
vez de “primazia”;
? ‘Proteuo’ ocorreu apenas nesta passagem do NT, o que sugere que esta palavra foi
cuidadosamente escolhida por um motivo. Ela enfatiza a posição única e incomparável
de Jesus. O texto original implica que a ressurreição de Jesus Lhe concedeu autoridade
para Se tornar Senhor de todas as coisas. Em outras palavras, Jesus era Senhor por
direito; agora Ele Se tornou Senhor de fato! A supremacia e soberania universais são os
resultados esperados de Sua vitória sobre a morte. João, o revelador, também destacou
essa noção ao afirmar que Jesus é “o Primogênito dos mortos e o Soberano dos reis da
Terra” (Ap 1:5);
? A morte e a ressurreição de Jesus deram a Ele o domínio sobre todas as coisas.
Ao usar a palavra ‘proteúo’, Paulo afirma que:
1- Cristo é primeiro na criação;
2- Primeiro na igreja;
3- Primeiro na ressurreição;
4- Primeiro em tudo.
Reconciliando todas as coisas
“Aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue
da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas” (Cl 1:19 e 20).
? A palavra grega ‘apokatalassein’, “reconciliação”, é muito sugestiva, ela significa mudar
da inimizade para amizade;
? A preposição prefixada tem o significado de “volta” e implica a restituição de um estado
do qual a pessoa se separou. O significado é efetuar uma completa reviravolta;
? Há uma profunda necessidade de reconciliação entre Deus e o homem, o pecado o
afastou de Deus. O homem tornou-se inimigo de Deus e rebelde contra o Seu criador.
Sua alma está sem descanso, perturbada, solitária, vazia. O homem está sem direção e
sem propósito, ele não está em paz com Deus;
? Nessa situação terrível do ser humano, Deus tomou a iniciativa da reconciliação;
? Não é o homem quem busca a Deus, é Deus quem busca o homem (2Co 5:18). Não foi o
sacrifício de Cristo que mudou o coração de Deus. Antes, a cruz foi resultado do Seu
amor. Na cruz de Cristo, Deus mostrou Seu repúdio ao pecado e Seu amor ao pecador. O
amor de Deus é eterno, imutável, incondicional e sacrificial. Ele ama infinitamente os
objetos da Sua própria ira. Sendo nós filhos da ira, Ele nos amou com amor eterno.
Sendo nós pecadores rebeldes, nos deu Seu Filho;
? O sangue de Cristo é a fonte da reconciliação. Não fomos reconciliados com Deus por
meio da vida de Cristo, de Seus ensinos nem mesmo de Seus milagres. Fomos
reconciliados com Deus mediante a morte substitutiva de Cristo e o derramamento de
Seu sangue remidor. A fonte da qual dimana a reconciliação é a cruz de Cristo. Na cruz
Deus puniu nossos pecados em Seu Filho (2Co 5:21). A cruz ocupa um lugar central no
evangelho (1Co 1:21-23; Gl 1:19,20; 6:14). A cruz revela tanto a justiça quanto o amor
de Deus. Deus é justo porque puniu nossos pecados, e é amor porque nos deu Seu Filho
Unigênito para morrer em nosso lugar;
? Cristo morreu para trazer restauração ao universo. A criação natural será redimida do seu
cativeiro. Tudo convergirá em Cristo (Ef 1:10);
? É importante ressaltar que reconciliação universal não significa salvação universal. O
universalismo, a crença de que todos os homens serão salvos, é um grave equívoco.
Três bênçãos gloriosas da reconciliação:
1- Quanto ao passado, temos paz com Deus (Cl 1:20). A palavra grega eirene, “paz”,
significa mais do que um fim às hostilidades. Tem um conteúdo positivo e aponta
para a presença de bênçãos positivas e espirituais, tanto individual quanto
socialmente. Nossa relação com Deus foi restaurada. Não há mais barreira entre nós e
Deus (Rm 5:1). Fomos justificados, a inimizade foi tirada, o muro da separação foi
quebrado e a condenação, cancelada (Rm 8:1). Estamos quites com a lei e com a
justiça de Deus. Toda a justiça de Cristo foi imputada a nós (2Co 5:21). Temos, agora,
paz com Deus, a paz de Deus e o Deus da paz;
2- Quanto ao presente, temos vida de santidade (Cl 1:22). Deus não apenas nos
reconciliou consigo por meio de Cristo, mas nos deu nova vida. A finalidade da
reconciliação é a santidade;
3- A reconciliação corrige uma alienação passada (Cl 1:21), oferece-nos bênçãos
presentes (Cl 1:22) e garante-nos a glorificação futura (Cl 1:23). A esperança do
evangelho é a esperança da glória (Cl 1:5; 1:27; Jo 17:24). Evangelho sem escatologia
não é evangelho. A esperança do evangelho é a “bendita esperança” da volta de nosso
Senhor (Tt 2:13).
A reconciliação exige lealdade. Nenhuma pessoa pode ter segurança de que foi reconciliada
com Deus se está vivendo na prática do pecado. Deus não nos salva no pecado, mas do
pecado. A reconciliação é um traslado do reino das trevas para o reino da luz, da escravidão
para a liberdade, do pecado para a santidade, da morte para a vida. O apóstolo destaca duas
evidências, sem as quais não há garantia de reconciliação com Deus: A firmeza na fé
evangélica (Cl 1:23). O salvo não é como um caniço agitado pelo vento. Ele não é como a
palha que o vento dispersa. Suas bases estão plantadas no verdadeiro e único fundamento que
é Cristo. Ele é como uma casa construída sobre a rocha.
Conclusão:
Nenhuma doutrina foi mais atacada ao longo dos séculos do que a doutrina de Cristo. Os
primeiros concílios gerais da Igreja em Nicéia, Constantinopla e Calcedônia trataram quase
exclusivamente da cristologia. Ainda hoje, muitos se levantam para atacar o eterno Filho de
Deus, tentando despojá-lo de Sua divindade ou de Sua perfeita humanidade. Colossenses é o
grande tratado cristológico do NT. Daí a relevância desta carta.
Paulo escreveu Colossenses em oposição direta às influências gnósticas na igreja. Os
gnósticos afirmavam que Jesus não podia ser Deus, pois apareceu em carne humana, e a
matéria é má. Por isso devia ter sido uma emanação de Deus, mas não o próprio Deus. Paulo
combateu vigorosamente esse conceito:
? “Cristo é a imagem do Deus invisível” (Cl 1:15);
? Ele é o Criador de todas as coisas, tanto visíveis como invisíveis (Cl 1:16);
? Nenhuma pessoa, criatura ou objeto é anterior a Ele (Cl 1:17);
? Ele é a Fonte e o Mantenedor de todas as coisas (Cl 1:17);
? É supremo, e está acima de tudo (Cl 1:18);
? É a Cabeça da Igreja (Cl 1:18);
? Tudo o que Deus é, Jesus também é (Cl 1:19).
Louvo a Deus pelas maravilhosas lições que podemos aprender de Sua Palavra e é por isso
que sou apaixonado pela Escola Sabatina! #lesadv