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COMENTÁRIOS DA LIÇÃO DA ESCOLA SABATINA

2º Trimestre de 2024 - O GRANDE CONFLITO


Auxiliar da Lição 7
Motivados pela esperança

TEXTO-CHAVE: Isaías 25:9 

FOCO DO ESTUDO: Mt 13:30, 38-41; 2Tm 3:13; Mt 24:27, 30, 31; 1Co 15:51-53; 1Ts 4:13-18; Dn 8:14; Dn 7:9-14; Dn 9:20-27; Rm 13:11 

ESBOÇO 

Introdução: Um ponto crucial no grande conflito foi a vinda do Messias. Durante o período profético de 70 semanas, o diabo lutou para destruir a fé de Israel na primeira vinda do Messias em cumprimento das promessas, profecias e tipos do Antigo Testamento. Da mesma forma, no fim do período profético de 2.300 anos, as forças do mal tentaram obscurecer seu cumprimento no juízo pré-advento que ocorre no santuário celestial e tentaram suprimir a proclamação da segunda vinda do Messias. 

No fim do período profético de 70 semanas, havia um povo fiel a Deus, como Simeão, que esperava “a consolação de Israel” (Lc 2:25, NVI) ou Ana e outros “que esperavam a redenção de Jerusalém” (Lc 2:38, NVI). Esses poucos fiéis viram em Jesus o cumprimento da promessa da primeira vinda do Messias. Da mesma forma, havia, no fim dos 2.300 anos, pessoas de fé, como Guilherme Miller, cuja mensagem da “verdade presente” direcionava para a esperança do iminente advento do Messias. Guilherme Miller não descobriu essa mensagem por meio de uma metodologia filosófica, mas por causa de uma leitura literal das Escrituras. Isso ilustra, mais uma vez, a importância das Escrituras para o grande conflito. 

Temas da lição: Este estudo focaliza dois grandes temas: 

  1. Ainda que as profecias bíblicas não apresentem a data e o ano exatos da segunda vinda de Cristo, as profecias das 70 semanas e dos 2.300 dias, vinculadas tanto à primeira quanto à segunda vinda de Jesus, foram cumpridas com precisão. Esse cumprimento rigoroso nos confirma a certeza e a proximidade da segunda vinda de Cristo. 

  2. Deus chamou a comunidade adventista com o propósito de anunciar globalmente o cumprimento da profecia mais extensa da Bíblia. Além disso, Ele os incumbiu de convocar a humanidade a acolher a esperança da segunda vinda de Jesus, que põe fim de maneira definitiva ao grande conflito. 

COMENTÁRIO 

Encontrando esperança no pré-milenismo 

Esperança e otimismo enchiam a atmosfera dos Estados Unidos do século 19, a nação emergente nascida da notável Revolução Americana. Esse período testemunhou uma série de transformações e avanços nos âmbitos social, econômico, político e tecnológico, sinalizando a chegada de uma era nova. O espírito da época influenciou os cristãos evangélicos protestantes do país, deixando uma marca nas crenças e nas próprias instituições religiosas. O resultado foi um cristianismo pós-milenista que possuía um fervor escatológico esperançoso e otimista. 

Mas o que é o pós-milenismo? Milenarismo vem da palavra “milênio”, que se refere aos mil anos do reinado de Cristo com os santos, conforme Apocalipse 20:1-6 descreve. Embora a maioria dos cristãos aceite esse ensino bíblico sobre o milênio, nem todos concordam em como relacioná-lo com a segunda vinda de Jesus e o Juízo Final. 

Os primeiros teólogos pós-apostólicos – os pais apostólicos – adotaram o pré-milenismo, a crença de que Cristo retornaria à Terra antes do milênio e executaria o último julgamento. (Os adventistas, é claro, entendem que o milênio será no Céu). No entanto, logo os pais da igreja subsequentes, como Orígenes de Alexandria (185-253/254 d.C.) e Agostinho de Hipona (354-430 d.C.), integraram a filosofia grega com a teologia cristã e aplicaram o método alegórico à leitura e interpretação da Bíblia. Consequentemente, eles rejeitaram o pré-milenismo como uma leitura ingênua e superficial do Livro do Apocalipse e propuseram, em vez disso, uma nova teoria do milênio, que mais tarde foi chamada de amilenismo. 

De acordo com essa teoria, o milênio deve ser entendido de modo alegórico ou espiritual. Como na filosofia grega, que postulou que o tempo não tem relevância particular para a espiritualidade ou para a esfera etérea da existência, esses pais da igreja concluíram que o milênio se refere ao período da igreja que decorre entre a primeira e a segunda vinda de Jesus. Por isso, esse período de tempo não é passado nem futuro, mas representa toda a era cristã. Durante esse tempo, Cristo reina espiritualmente com as almas dos santos mortos no Céu, bem como com a igreja na Terra. Essa última é o reino de Deus neste planeta. Cristo trabalha para estabelecer Sua igreja até os confins da Terra, diminuindo assim o poder do diabo. No entanto, antes da segunda vinda de Cristo, Satanás corromperá a igreja, resultando na ascensão do anticristo. Nesse momento Jesus voltará e irá salvar a igreja do anticristo e executará o juízo final, restabelecendo assim uma nova ordem de coisas. Essa posição foi adotada pela Igreja Católica Romana, igrejas ortodoxas e por algumas denominações protestantes, como as igrejas luterana, anglicana e presbiteriana. 

Pós-milenismo 

O pós-milenismo surgiu como uma derivação do amilenismo entre as igrejas protestantes do século 19, as quais o adaptaram à sua realidade contemporânea. Semelhante aos amilenistas, os pós-milenistas acreditavam que Cristo retornaria no fim do milênio. No entanto, ao contrário dos amilenistas, a maioria dos pós-milenistas pensava que o milênio representava mil anos literais. Esse período não representa toda a era cristã, mas apenas os últimos mil anos antes do retorno de Cristo. Durante esse tempo, Cristo trabalhará por meio do Espírito Santo e da igreja para espalhar o evangelho por todo o mundo a fim de estabelecer Seu reino milenar. À medida que a maior parte da população da Terra aceitasse o evangelho, o poder e o controle do diabo diminuiriam, e o mundo entraria gradualmente em sua era de ouro, um período de paz, retidão, justiça, amor e prosperidade que serviria como uma amostra da vinda do reino eterno de Deus. Demonstrando um otimismo marcante a respeito da essência do ser humano e da sociedade, os adeptos do pós-milenismo não anteviram um cenário em que a igreja se tornaria corrompida, ou em que o anticristo dominasse e oprimisse tanto a igreja quanto o mundo. Conforme sua visão, o milênio seria seguido pela segunda vinda de Cristo, a ressurreição geral, o Juízo Final e a instauração do reino divino eterno. 

A julgar pelo sucesso do evangelho no mundo durante o século 18, os pós-milenistas do século 19 concluíram que o milênio ainda estava no futuro, e muito embora fosse um futuro muito próximo, era iminente. Além disso, uma vez que o reino milenar seria inaugurado por meio da igreja por Cristo, os protestantes empenharam-se e começaram a trabalhar arduamente com o propósito de concretizar o milênio, aspirando alcançá-lo enquanto ainda estivessem vivos. Mudança e progresso encheram o ar da América do Norte. Um número crescente de sociedades bíblicas publicou Bíblias e literatura cristã. Missionários foram enviados ao exterior para preparar o mundo para que aceitassem o evangelho e entrassem no reino milenar. Paralelamente a esse desenvolvimento, um número crescente de invenções tecnológicas contribuiu para o aumento da qualidade de vida na América do Norte e em todo o mundo. As organizações de temperança dedicavam seus esforços a aprimorar a saúde das pessoas ao promover a abstenção do consumo de álcool. Observando a ausência de grandes guerras, os partidos políticos e todos os tipos de movimentos sociais clamaram por profundas mudanças sociais compatíveis com o estabelecimento do reino milenar de Deus. 

No entanto, nem todos se deixaram levar pelo fervor pós-milenista predominante. As concepções pré-milenistas originais dos apóstolos e dos primeiros líderes da igreja foram revividas pelos reformadores anabatistas no século 16; posteriormente, essas ideias foram perpetuadas por alguns evangélicos ingleses no século 18 e, por fim, começaram a ganhar preeminência na América do Norte ao longo da primeira metade do século 19. Nesse período, os maiores promotores do pré-milenismo bíblico foram Guilherme Miller e, após o Grande Desapontamento, os adventistas do sétimo dia. Assim como os pós-milenistas, os pré-milenistas adventistas acreditavam que o milênio representava mil anos literais, que ele ainda estava no futuro e começaria em breve. 

Os adventistas do sétimo dia 

Ao contrário dos pós-milenistas, no entanto, os pré-milenistas adventistas do sétimo dia entenderam, conforme leram na Bíblia, que as coisas iriam piorar para o povo de Deus antes do Dia do Senhor (2Pe 3:3-13), que Jesus viria antes do milênio (Ap 19:11-16) para salvar Sua igreja perseguida, ressuscitar Seus fiéis e levá-los todos com Ele para o Céu (1Ts 4:13-18). Lá, o povo de Deus não apenas reinaria com Cristo (Ap 20:4, 6), como também participaria com Deus no julgamento dos ímpios (Ap 20:4; 1Co 6:2). Durante esse tempo, a Bíblia descreve que o diabo será “preso por mil anos” (Ap 20:2) na Terra para que ele “não mais engane as nações” (Ap 20:3, ARA). Essas nações constituem os ímpios que não ressuscitarão até o fim dos mil anos (Ap 20:2, 3, 5). Uma vez terminado o julgamento milenar, Jesus retorna ao planeta Terra com todos os Seus santos. Ele ressuscita os ímpios (Ap 20:5, 7, 13) e executa o juízo final (Ap 20:11, 12). O diabo tenta enganar os ímpios uma última vez para incitá-los a lutar contra Deus e tomar o Seu reino à força (Ap 20:7-9). Esse evento é o auge do grande conflito, pois Cristo executa o juízo, e os ímpios, o diabo e o mal, bem como a própria morte, são todos lançados no “lago de fogo e enxofre” (Ap 20:9, 10, 14, 15, ARA) e são aniquilados para sempre. 

Miller e os adventistas do sétimo dia não partilhavam do otimismo exibido por seus contemporâneos pós-milenistas em relação à essência humana e ao futuro próximo, que se desenhava radiante e utópico para a humanidade. Contudo, essa posição não derivava do fato de Miller e os adventistas serem por natureza antissociais, pessimistas ou negativos e, portanto, incapazes de se alegrar com o progresso e a esperança da humanidade. Em vez disso, Miller e os adventistas do sétimo dia chegaram à compreensão pré-milenista a partir do estudo sólido, literal e histórico-gramatical da Bíblia. Por essa razão, eles rejeitaram tanto o amilenismo quanto o pós-milenismo. Afinal, essas doutrinas estavam enraizadas não na Bíblia, mas nas pressuposições da filosofia grega antiga ou de estudos socioeconômicos e políticos contemporâneos. As postulações dos amilenistas ou pós-milenistas não apenas não existem na Bíblia, mas vão contra os ensinamentos dela, distorcendo assim o evangelho e gerando falsas esperanças. Miller e os adventistas do sétimo dia ansiavam por esperança, mas queriam que ela fosse construída sobre o sólido fundamento da Palavra de Deus. 

Em um curto espaço de algumas décadas, as duas guerras mundiais e a Guerra Fria do século 20 desmantelaram o otimismo pós-milenista que envolvia a visão da natureza humana e da gradual instauração da humanidade no reino milenar de paz e prosperidade de Deus. A maioria dos evangélicos retornou ao pré-milenismo. No entanto, é importante notar que esse ressurgimento do pré-milenismo foi transformado e distorcido, dando origem ao ensinamento antibíblico do dispensacionalismo. Todavia, o simples fato de que os evangélicos retornaram ao pré-milenismo indica que o amilenismo e o pós-milenismo não são apenas antibíblicos, mas uma exegese inadequada e decepcionante dos eventos do fim dos tempos. O pré-milenismo bíblico é o único fundamento para a esperança. Ele ensina que, embora a humanidade não possa salvar a si mesma ou ao mundo, Jesus voltará no momento mais difícil da história. Antes do milênio, Ele nos salvará dos ataques finais do diabo e de seu exército e conduzirá o grande conflito para o fim. 

APLICAÇÃO PARA A VIDA 

  1. Como a segunda vinda de Jesus Cristo traz esperança ao seu contexto religioso e cultural? Como você pode explicar aos seus vizinhos que a volta de Jesus é a única esperança da humanidade? 

  2. Quão relevante é o cumprimento das profecias bíblicas de tempo (como a dos 2.300 anos) em seu contexto religioso e cultural? Pense e proponha maneiras pelas quais você pode torná-las relevante para as pessoas de sua comunidade. 

  3. Guilherme Miller desenvolveu um modo específico de ler e entender a Bíblia. Qual é o seu modelo de leitura e interpretação das Escrituras? Desenvolva e compartilhe com a classe da Escola Sabatina sua maneira de interpretar e aplicar o significado da Palavra de Deus. Compartilhe como os ensinos bíblicos não apenas impactaram sua vida, mas também influenciaram positivamente sua família e sua comunidade.