Lição 3 – Orgulho e humildade
Destaques do Pastor Eber Nunes #?lesadv
Faz algum tempo, ouvi a história de um jovem pastor escocês que era muito orgulhoso. Ele foi convidado para falar a uma grande multidão. Subiu os degraus até o púlpito com os ombros jogados para trás e o peito estufado. Estava se sentindo extremamente confiante, aparentando muito bem seu orgulho. Ao começar a pregar, entretanto, o jovem pregador inexplicavelmente perdeu a concentração. Seus pensamentos não fluíam. Ele gaguejava e não conseguia se recuperar. Depois de uns 10 minutos de completo constrangimento, decidiu parar. Fechou sua Bíblia e desceu os degraus desanimado, de ombros baixos e cabeça curvada pela humilhação. Enquanto andava pelo corredor lateral da igreja, uma senhora escocesa segurou em seu casaco: “Rapazinho”, ela disse, “se você tivesse subido ao púlpito do jeito que desceu dele, teria descido do jeito que subiu.”
Orgulho:
“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda” (Pv 16:18);
Orgulho é um pecado que afeta não apenas algumas pessoas;
O orgulho é uma atitude do coração, e assim como o vento que não podemos ver, mas podemos ver os seus efeitos, assim é com o orgulho;
O orgulho é uma bússola que aponta sempre para si mesmo;
O orgulho exagera seus próprios feitos, enquanto diminui os feitos dos outros;
A pior derrota para um coração orgulhoso é a vitória de seus semelhantes;
Todo orgulhoso é crítico;
Dizemos que as pessoas sentem orgulho de serem ricas, inteligentes ou bonitas, mas isso não é verdade. Elas sentem orgulho de serem mais ricas, mais inteligentes ou mais bonitas do que as outras. É a comparação que faz uma pessoa sentir orgulho. O prazer é estar acima dos demais;
Jesus começou seu ministério expondo os princípios de Seu reino: “Bem-aventurados os humildes de espírito” (Mt 5).
Aprisionados pelo orgulho
“Como caíste do céu, ó estrela da manhã” (Is 14:12).
Muitos pais da igreja como Jerônimo e Tertuliano consideravam que este versículo se referia ao diabo, e daí o nome Lúcifer (Is 14:12) lhe foi atribuído;
Lúcifer é a palavra em latim para ‘estrela da manhã’, o que sugere que a glória desse rei não durou muito tempo, afinal, a estrela da manhã brilha, mas logo é tragada pela luz do sol.
“Tu dizias no teu coração: Eu subirei... exaltarei... assentarei... subirei... serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14:12-15).
O profeta revela 5 verbos no futuro, em destaque para o “EU”, mesclando as intenções do rei babilônico e as satânicas;
Parece claro que essas palavras abrangem mais que um mero rei humano da antiga Babilônia;
O profeta viu neste acontecimento algo muito mais profundo do que a derrota de um império, ele viu na queda do reino da Babilônia, a derrota de Satanás;
Apocalipse 12 identifica esse ser como o dragão que é o diabo, Satanás;
A ambição, orgulho, arrogância e vaidade desse rei caracterizam o diabo.
Ellen G. White e o orgulho:
“Se o orgulho e o egoísmo fossem postos de lado, cinco minutos bastariam para remover a maioria das dificuldades” (PE, 119);
“Quando alguém começa a parecer grande aos seus próprios olhos e pensa que pode fazer alguma coisa, o Espírito de Deus é retirado, e ele vai em sua própria força até que é vencido” (PE, 120);
“Nada é tão ofensivo a Deus nem tão perigoso para o ser humano como o orgulho e a presunção. De todos os pecados é o que menos esperança incute, e o mais irremediável” (PJ, 85);
“Há grande fraqueza no amor-próprio, na própria exaltação e no orgulho; na humildade, porém, há grande força”(TS, vl 1, 403).
Considerações sobre o orgulho:
“O orgulho é a galinha sobre a qual todos os pecados são chocados” (C.S. Lewis);
O orgulho motivou a rebelião de Lúcifer (Is 14; Ap 12), de Eva e Adão (Gn 3), motivou o assassinato de Abel por Caim (Gn 4), motivou a construção da torre de Babel (Gn 11), etc. Daí se dizer que o orgulho é a raiz de todo pecado;
“O orgulho leva a todos os outros vícios; é o estado mental mais oposto a Deus que existe” (C. S. Lewis);
O orgulho cria muitas fantasias, uma delas é a ideia de que o homem é um deus;
O orgulho é uma forma de idolatria;
Cristão não corre perigo quando é perseguido, corre perigo quando é admirado;
“Orgulho não é grandeza, mas inchaço. E o que está inchado parece grande, mas é doença” (Agostinho);
A única vez em que Jesus se apresentou acima das demais pessoas foi quando o pregaram numa cruz, lá no alto do Monte Calvário;
Em cada coração existe uma cruz e um trono. Se o eu está no trono, Jesus está na cruz. Se o eu está na cruz, Jesus está no trono;
Cuidado em nutrir sentimentos que parecem simples, eles podem torná-lo, o que você nunca imaginou, afinal o orgulho transformou um anjo em um demônio;
“O dinheiro faz homens ricos, o conhecimento faz homens sábios e a humildade faz grandes homens” (Gandhi);
Sempre que você se sentir tentado(a) a se tornar importante e autoritário(a), lembre o que a mãe baleia disse a seu bebê: “É quando você chega ao topo e começa a ‘soprar’, que é arpoado!”;
A vontade de Deus para nossa vida está nesse texto bíblico: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus” (Mq 6:8).
Como devo me enxergar?
Um rapaz inteligente se achar um ignorante, não é humildade, é baixa autoestima.
Uma moça bonita se achar feia não é humildade, é baixa autoestima. Devo me ver como mais pecador e imperfeito que penso, mas mais aceito e amado que espero.
Orgulho positivo, existe isso?
O orgulho pode ser bom ou mau. Orgulho positivo é um sentimento de satisfação ou alegria que surge quando nós ou nossos queridos conseguimos superar um obstáculo. Costumamos dizer que estamos “orgulhosos” dessas coisas ou por pertencer a uma determinada equipe ou grupo; não há nada de errado com esse tipo de “orgulho”, mas seria melhor usar outra palavra: satisfação, alegria etc.
Conheça a si mesmo
“Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, outro, publicano” (Lc 18:10).
Os fariseus eram um dos grupos mais benquistos do judaísmo no 1º século, eles eram as celebridades religiosas dos dias de Cristo, eram especialistas na arte de externalizar a religião, eram religiosos ordeiros, pragmáticos, bons cidadãos, moralistas destacados e cumpriam a lei à risca;
Os fariseus representam o “melhor” que o homem pode alcançar em sua justiça própria, independente de Deus;
Jesus elogiou a resposta de um fariseu, dizendo: “Você não está longe do reino de Deus” (Mc 12:34);
A Bíblia apresenta Gamaliel, Nicodemos e José de Arimateia, fariseus bem destacados;
Com o tempo os fariseus passaram a ser identificados como hipócritas;
Mesmo que Jesus criticasse o comportamento de alguns fariseus, Ele validava algumas coisas que eles diziam e recomendava que o povo lhes obedecesse nesses pontos (Mt 23:2, 3). Muitos ensinos deles eram bons; o problema estava com quem não os praticava;
Há muitos hoje que rejeitam corretamente o comportamento fariseu, mas também o ensino bíblico deles, e não foi bem isso que Jesus recomendou.
Publicanos:
Os publicanos eram os cobradores de impostos dos tempos de Jesus, eram vistos como vilões. Muitos deles extorquiam impostos abusivos. Na Judeia, eles eram considerados traidores da pátria, pois eram judeus que cobravam impostos de judeus para Roma.
Parábola do fariseu e do publicano:
Em uma de Suas parábolas, Jesus retrata um fariseu e um publicano orando no templo;
Esta parábola aconteceu no templo, em um dos 2 momentos diários (sacrifício da manhã ou da tarde), ela é um drama da aparência versus atitude;
A oração do fariseu mostra como ele era bom. Ele passou a oração inteira se exaltando diante de Deus. Basicamente, ele dizia: “Senhor, parabéns para mim! Graças Te dou porque eu sou o máximo!” Esse era um fariseu “raiz”. A lei exigia o jejum uma vez ao ano, mas ele jejuava duas vezes por semana. Ele devolvia o dízimo de tudo o que ganhava. Era, sem dúvida, um fariseu de primeira qualidade;
O publicano por outro lado era um miserável pecador, o máximo que ele podia fazer era bater no peito, e reconhecer sua culpa;
O fariseu não buscava perdão; esperava elogios. O publicano buscava o perdão;
O fariseu se comparava com os outros e se achava melhor. O publicano não se comparava com ninguém, porque se considerava o pior;
Os 2 homens são colocados no centro do drama: o fariseu estava na 1ª fila para que todos vissem sua contrição; o publicano estava lá atrás, porque não tinha coragem de se aproximar. O primeiro estava em pé, inflado de orgulho pelas próprias realizações. O segundo estava sangrando por dentro e humilhado por fora;
Jesus falou primeiro do comportamento deles e, depois, falou de sua oração;
Nossas orações falam mais sobre nós mesmos do que imaginamos. A maneira como nos aproximamos de Deus importa tanto quanto as palavras que proferimos quando oramos. O fariseu tinha uma religião calculada, ele contava quantas vezes jejuava, a quantidade de dízimo que devolvia, além de seus sucessos espirituais. Entretanto, conforme a frase atribuída a Albert Einstein, “nem tudo que conta pode ser contado; e nem tudo que pode ser contado conta”;
A opinião pública dizia que o primeiro era um homem de Deus. O segundo, por sua vez, era um ladrão que tinha se vendido aos romanos para fazer fortuna à custa do próprio povo;
O culto acabou, e os dois desceram para casa. Um voltou para casa sem a bênção e não sabia disso. O outro voltou para casa justificado e não sabia disso. Mas Deus sabe quem é quem. No momento certo, Ele exalta quem quer e humilha quem precisa;
Em sua indignidade, o infeliz publicano estava mais perto de Deus do que o arrogante fariseu cheio de virtude. Jesus acusou o fariseu fiel por ser um homem perdido e destacou o publicano traidor como um homem redimido;
A oração do fariseu não subiu ao céu, porque nem saiu dele mesmo;
É fácil para o leitor moderno aplaudir a severa repreensão de Cristo aos fariseus, e, sem perceber, tornar-se vítima da mesma atitude deles. Como certo professor de uma escola cristã que, depois de contar a parábola do fariseu e do coletor de impostos, disse às crianças de sua classe, ao concluir: “Bem, crianças, agora vamos inclinar a cabeça e agradecer a Deus porque nós não somos como o fariseu”.
Publicanos modernos podem se julgar superiores, criticando e desprezando os outros pelo rigor e conservadorismo deles, orando mais ou menos assim: “Graças te dou, ó Deus, porque eu sou livre da obediência da Tua lei, ou de qualquer outra norma.” Nesse caso, eles são apenas objetos de outro tipo de engano. Tenho visto debates entre “conservadores” e “liberais” na igreja. Mas, no fundo, eles são iguais, e vítimas do mesmo pecado: o orgulho. Cada grupo tem o próprio método para agradar a Deus. Os “conservadores” sabem que o método é fazer. Os “liberais” pensam que nada têm a fazer, e julgam que, por isso, são livres da obediência e do compromisso. Deus definitivamente não quer que sejamos fariseus legalistas nem publicanos acomodados no pecado.
Moisés, servo humilde
“Pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado” (Hb 11:24-26).
Certamente Moisés é um dos 10 personagens mais conhecidos da Bíblia;
Desde pequenos, ouvimos a história do menino que nasceu condenado à morte e, numa tentativa para sobreviver, foi colocado no rio Nilo em um cestinho;
Toda a vida de Moisés é relatada em 4 livros da Bíblia: Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, que somados ao Gênesis formam o Pentateuco;
Moisés foi o grande profeta do povo de Israel, o maior de todos eles, maior mesmo que Abraão, o pai e profeta com quem a nação se originou;
Os escritos de Moisés, a “Torah” (Gênesis a Deuteronômio), estruturaram a vida diária judaica;
Moisés libertou escravos hebreus da opressão egípcia;
Em resposta à sua oração, Deus abriu o Mar Vermelho;
É dito pela Bíblia que tal como Moisés, outro nunca mais se levantou em Israel, pois O Senhor falava com ele face a face (Dt 34:10).
Moisés “considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão” (Hb 11:24-26).
Moisés rejeitou o prestígio do mundo, e não era pouco o prestígio que ele tinha. Ele estava na posição de neto do Faraó, o homem mais poderoso em seu tempo, governante da sociedade mais sofisticada, rica e avançada daquela época. Ele tinha as honras de ser um príncipe no Egito. Tinha conforto, servos, poder, riquezas e privilégios. Ele era poderoso em suas palavras e obras” (At 7:22);
Moisés escolheu o povo de Deus, povo que era desprezado, escravizado, perseguido, alvo de desconfiança, ódio, e sem nenhuma chance de livramento da escravidão. Escolher o povo de Deus é se arriscar.
“Pela fé ele deixou o Egito” (Hb 11:27).
Ele rejeitou a pressão do mundo. Inicialmente, ele teve que fugir do Egito para Midiã, para escapar de ser morto por Faraó (Êx 2:15) e lá ficou por 40 anos (At 7:30), antes de voltar ao Egito para ser um instrumento de Deus na libertação dos hebreus;
A palavra “kataleipo” pode se referir a uma simples partida, mas é realmente uma palavra mais profunda, especialmente aqui. Alguns comentaristas entendem que significa uma renúncia de coração. O mesmo verbo é também usado em Lucas, significando que eles deixaram tudo para seguir Jesus. Assim, tem a ideia de não simplesmente deixar o Egito, mas de renunciar ao Egito. Ele rejeitou o Egito como tendo qualquer poder sobre sua vida. Ele rejeitou o poder que Faraó supostamente tinha sobre sua vida. Ele rejeitou o temor do homem, para tomar emprestadas as palavras de Provérbios 29:25, que diz: “O temor do homem armará laços, mas o que confia no Senhor será posto em alto retiro”.
No início do livro de Êxodo, Moisés e faraó são confrontados com o agir de Deus. No entanto, eles reagem de maneira diferente à presença divina. Moisés reage apresentando duas perguntas. A 1ª pergunta centrava-se nele mesmo: “Quem sou eu?” (Êx 3:11). Moisés se sentia insignificante diante de Deus e incapaz de cumprir a missão para a qual tinha sido chamado. A segunda pergunta de Moisés tem relação com o próprio Deus. Ele desejava conhecê-Lo (Êx 3:13) para poder se relacionar com Ele. Por outro lado, quando faraó ouve falar de Deus, ele reage negando Sua existência. Diferentemente de Moisés, faraó se recusa a conhecê-Lo (Êx 5:2). Faraó não consegue reconhecer a existência de Deus simplesmente porque se considera um deus. Consequentemente, faraó se recusa a ouvir sobre outra divindade. Faraó inverte a ordem divina de deixar os israelitas livres para que possam guardar o sábado (Êx 5:6-9) e, em vez disso, ordena que Israel faça ainda mais trabalho. Além disso, o Senhor conhecia Moisés face a face (Dt 34:10), enquanto faraó continuava rejeitando Deus e se recusava a humilhar-se perante Ele (Êx 10:3). Enquanto Moisés ficou conhecido como o homem mais humilde da Terra (Nm 12:3), faraó é lembrado como o mais orgulhoso (Êx 7–10; Ne 9:10).
O pecado mais ofensivo
“Suscitaram também entre si uma discussão sobre qual deles parecia ser o maior” (Lc 22:24).
Os discípulos achavam que Jesus libertaria Israel dos romanos, restauraria o reino de Davi e seria seu novo rei em glória. Quando isso acontecesse, sem dúvida, eles presumiam que teriam papéis de destaque e importância no reino;
Talvez a coisa mais decepcionante nesse patético incidente seja seu contexto: eles estavam a caminho de Jerusalém onde Jesus seria crucificado. Ele havia acabado de explicar que seria traído, condenado à morte, açoitado e crucificado, mas ressuscitaria no terceiro dia (Mt 20:18);
É fácil criticar a miopia, surdez e mesquinhez dos discípulos, mas olhemos para nós mesmos: quem não quer ser o maior?
“Trazendo uma criança, colocou-a no meio deles” (Mc 9:36 e 37).
A ordem das coisas no reino de Deus é contrária às coisas do mundo;
O maior é aquele que serve;
A ideia de grandeza para o mundo é exercer poder sobre os outros; a ideia de grandeza no Reino de Deus é servir os outros;
O principal assunto dos discípulos era posição, cargo, projeção. O principal assunto de Cristo era jejum e oração;
O mundo precisa de servos humildes e não de crentes orgulhosos;
Precisamos discutir menos sobre como podemos crescer e mais sobre como poderemos levar a igreja de Deus a crescer;
Autoridade espiritual não é resultado de posição, mas de consagração;
A verdadeira grandeza consiste na renúncia ao poder como um objetivo de vida;
A causa de muitas rixas e fracassos é inveja, ciúmes, queixas, críticas, comparações e busca por posições.
A jornada de Cristo para a grandeza envolveu humilhação, sofrimento, incompreensão, zombaria e morte. Cristo não teve status social e governamental, poder militar, títulos acadêmicos, nem realizações financeiras. Mesmo assim, Ele alcançou a grandeza que continua sem paralelos na história humana. O paradoxo do cristianismo está em encontrar o sentido de ser maior, sendo o menor e ser exaltado na humilhação. Talvez a grande questão não seja saber quem é o maior e sim, o que significa ser grande aos olhos de Deus. Muitas vezes, quem tem o desejo de ser o maior é porque tem o coração pequeno. Como o próprio Jesus ensinou, um grande homem é aquele que não perdeu o coração de criança.
Ser como criança é ser puro, inocente, sincero, simples, submisso e humilde. Mas essas não são qualidades apenas das crianças, os adultos também podem ter tudo isso. Talvez, a maior diferença entre adultos e crianças é que os adultos normais não são dependentes como as crianças. Uma criança não pode sobreviver sem a ajuda dos pais. Jesus quis ensinar dependência do Pai porque pouca coisa Deus pode fazer por alguém independente. Existe também uma grande diferença entre ser infantil e ser como a criança, atos infantis afastam, enquanto atitudes próprias das crianças atraem. Sejamos “crianças” na dependência de Cristo e “adultos” na maturidade cristã. “O dinheiro faz homens ricos, o conhecimento faz homens sábios e a humildade faz grandes homens” (Gandhi). No reino de Deus, grande é quem é como uma criança.
“Para ocupar um elevado cargo diante dos seres humanos, o Céu escolhe o obreiro que, como João Batista, assume posição humilde diante de Deus. O discípulo mais semelhante às crianças é o mais eficiente no trabalho para Deus. Os seres celestes podem cooperar com aquele que procura não se exaltar, mas salvar os outros” (DTN, 349);
“Nada é tão ofensivo a Deus nem tão perigoso para o espírito humano como o orgulho e a presunção. De todos os pecados, esse é o que menos esperança incute e o mais irremediável” (PJ, 85).
Contemple-O
“Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2:3 e 4).
A humildade muitas vezes é interpretada como fraqueza ou mesmo covardia;
Humildade não é pensar menos de si mesmo, é pensar menos em si mesmo;
Humildade não é uma garota linda considerar-se feia, ou um rapaz com QI 140, considerar-se um idiota isso é complexo de inferioridade;
A pessoa que não tem noção exata do que é, não é humilde, é complexada;
Quem se considera melhor que os outros, não é orgulhoso, é complexado;
A pessoa que se considera pior que os outros, não é humilde é complexada;
Se você é mais bonito que os outros, mais inteligente, não há nenhum problema em reconhecer isso, porque todos são superiores e inferiores, depende do que se avalia;
Humildade cristã é reconhecer o que você é e o que não é. Reconhecer o que te pertence e o que não te pertence, reconhecer que todos são superiores e inferiores depende do que se analisa;
O cristão humilde reconhece que as suas habilidades vêm do céu;
O humilde entende que cada respiração, cada batida do coração, cada dom, cada talento, vem somente de Deus, em quem “vivemos, e nos movemos, e existimos” (At 17:28) e como Paulo, ele diz “Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 6:14). Cristo é a fonte do verdadeiro conhecimento (Jo 15:5);
A palavra “humildade” deriva de um termo latino que significa “baixo”, “próximo ao solo”. Em Cristo, essa qualidade tão inversa aos paradigmas humanos encontra seu significado mais profundo e abrangente;
“O dinheiro faz homens ricos, o conhecimento faz homens sábios e a humildade faz grandes homens” (Gandhi);
Quanto mais repleto de grãos é o cacho de arroz, mais ele se curva;
A humildade é um remédio para os males que atacam a unidade da igreja;
Humildade é o vazio do eu, que Deus preenche;
A humildade deve ser a marca do cristão, pois seu Senhor foi humilde (Mt 11:29);
Uma pessoa humilde não canta “Quão grande é Tu” diante do espelho;
A humildade está intrinsecamente ligada ao altruísmo e em considerar as necessidades dos outros;
O orgulho ergue um muro entre as pessoas, a humildade ergue pontes;
Veja o contraste entre atitude de Cristo, a de Lúcifer (Is 14) e a de Adão (Gn 3). Lúcifer era o maior dos seres angelicais, próximo ao trono de Deus (Ez 28), mas desejou a sentar-se no trono de Deus! Lúcifer disse: “seja feita a minha vontade”, enquanto Jesus disse: “seja feita a tua vontade. Lúcifer não se contentou em ser uma criatura, quis ser o criador. Jesus era o criador e, no entanto, se tornou homem voluntariamente. A humildade de Cristo é uma repreensão ao orgulho de Satanás. Lúcifer não se contentou em ser rebelde sozinho, invadiu o Éden e provocou o ser humano para que também se rebelasse. Adão tinha tudo de que precisava, na realidade, era rei sobre a criação de Deus (Gn 1:26). Mas Satanás disse: “como Deus, sereis”. O homem tentou, deliberadamente, se apropriar de algo fora do seu alcance e, como resultado, lançou a humanidade inteira no abismo do pecado e da morte. Adão e Eva pensaram apenas em si mesmos. Jesus pensou nos outros.
É de se esperar que as pessoas incrédulas sejam egoístas e cobiçosas, mas não esperamos isso de cristãos que experimentam o sentimento de Cristo e a comunhão com o Espírito.
“Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo” (Fp 2:5-8).
Alguns dizem que esta é a passagem mais importante e mais emocionante que Paulo escreveu sobre Jesus;
Alguns autores chamam essa passagem de: “A Canção de Cristo”.
“Assumindo a forma de servo” (Fp 2:7).
Cristo não nasceu num Palácio, o rei dos reis não nasceu num berço de ouro, nem entrou no mundo por intermédio de uma família rica e opulenta, ao contrário nasceu num berço pobre, numa família pobre, numa cidade pobre, Jesus nasceu numa manjedoura, cresceu numa carpintaria e morreu numa Cruz;
Eventualmente ficamos impressionados com histórias de pessoas que eram pobres e ficaram ricas. O sucesso financeiro desperta curiosidade e fascínio, isso porque, em nossa sociedade, o dinheiro é símbolo de força, influência e poder. Raramente, porém, encontramos relatos de pessoas que, por decisão própria, escolheram ficar pobres. Já ouviu falar de um bilionário que doou todo o seu dinheiro e foi morar em uma favela? Não encontramos uma biografia dessas à venda nas livrarias por aí;
Jesus é Criador e Dono de todas as coisas, como diz o salmista: “Os céus são Teus, e Tua também é a terra” (Sl 89:11);
Ele em cuja presença os serafins cobriam o rosto, o objeto mais solene adoração voluntariamente desceu a este mundo onde foi desprezado e rejeitado (Is 53);
Apesar de toda essa riqueza, Ele Se fez pobre ao assumir a forma humana. O Rei dos reis deixou o Seu trono e veio morar como servo entre a raça caída (Fp 2:7);
Ele não veio fazer uma visita diplomática, como um representante da ONU ou um embaixador faz;
Jesus abriu e reconheceu firma no cartório dos miseráveis;
Tão pobre ele se tornou tomou um lugar emprestado para nascer uma casa para pernoitar um barco de pregar um animal para cavalgar uma sala para reunião e um túmulo para ser sepultado;
Jesus renunciou o que a maioria das pessoas dão a vida para ter, a riqueza;
Um dos maiores sermões de Jesus foi pregado sem a necessidade de nenhuma palavra. A cena foi a da última ceia com Seus discípulos. Naqueles tempos, um dos piores trabalhos, odiados até pelos escravos, era o de lavador de pés. Como as estradas eram empoeiradas, quando as pessoas chegavam às casas, na porta havia um servo para lavar seus pés. Os discípulos chegaram à casa para participar de uma refeição com Jesus (Jo 13:1-35). Todos estavam sujos e, como de costume, um judeu não comia sem se lavar. Porém, um problema apareceu. À porta estava o balde e a toalha, mas não havia servo para lavar os pés dos convidados. Um silêncio tomou conta da sala. Por conta da situação em que estavam, ninguém tocou no alimento, porém, ninguém, igualmente, se prontificou para a função tão humilhante de servo. A cena mudou quando Um dos participantes se levantou e caminhou em direção à porta. Jesus tomou o balde e a toalha e caminhou em direção ao discípulo conhecido pelo seu espírito orgulhoso. O Criador do Universo lavando os pés de criaturas pecadoras;
Muitas pessoas estão dispostas a servir aos outros desde que isso não lhe custe coisa alguma, mas se precisarem pagar algum preço perdem o interesse no mesmo instante.
A cultura contemporânea nos exorta a exigir e fazer valer os nossos direitos. Isso é bom e em geral é o que deve ser feito. Contudo, como aconteceu com Jesus, a vontade de Deus pode nos pedir que renunciemos a nossos direitos livremente a fim de servir ao Pai de maneiras que terão um impacto eterno para o reino de Deus. Esse processo de renúncia pode ser difícil e desconfortável, criando as condições de um crisol.
Conclusão:
Na primeira lição do trimestre, fomos confrontados com o diagnóstico do Senhor sobre a enfermidade espiritual de Laodiceia: “Você diz: ‘Sou rico, estou bem de vida e não preciso de nada.’ Mas você não sabe que é infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu” (Ap 3:17). João, o profeta do Apocalipse, denunciou o problema do orgulho espiritual, enraizado no foco do “eu”, com sua ênfase no ego. A dura realidade é que, separados de Deus, nada podemos fazer para vencer o “eu”. Podemos ser gratos porque a mensagem da Bíblia trata justamente da solução desse problema do “eu”, um problema que diz respeito a cada um de nós.
Louvo a Deus pelas maravilhosas lições que podemos aprender de Sua Palavra, e é por isso que sou apaixonado pela Escola Sabatina!#lesadv