Comentários da Lição da Escola Sabatina

Crescendo Em Um Relacionamento Com Deus

Segundo Trimestre de 2026


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Lição 2 – Conhecendo a Deus

Destaques do Pastor Eber Nunes #?lesadv

Teologia não é o mesmo que Teontologia;

Teologia lida com os atributos divinos e suas relações com o Universo;

Teontologia lida especificamente com o ser de Deus. Teontologia é formada da junção de 3 palavras gregas: THEOS (Deus), ONTÓS (ser, entidade), e LOGOS (estudo, tratado), ela busca estudar Deus e as Suas obras. Ellen G. White afirma: “Que ninguém se aventure a explicar a Deus” (Medicina e Salvação, 92). Ela estava querendo salientar que o homem não consegue explicar Deus totalmente, quer pela ciência, quer pela filosofia, quer pela subjetividade humana. Nos estudos teontológicos, sistemáticos, não se trata de explicar quem é Deus ou provar Sua existência, mas se estuda a Pessoa de Deus, Suas características, Seu caráter justo, santo e generoso;

Um perigo para um teólogo (que estuda os atributos de Deus) ou para um teontólogo (que estuda o ser de Deus), é achar que seu estudo o transforma em um especialista em Deus;

Você pode saber tudo sobre uma pessoa famosa, estudar sua vida, conhecer suas músicas e até liderar o fã-clube desta pessoa. Nada disso, porém, lhe dará a autoridade para entrar livremente em sua casa e comer à sua mesa. Ser especialista em alguém não o torna íntimo dessa pessoa. O oposto também pode acontecer. Você pode ser “circunstancialmente” íntimo de uma pessoa e não ter comunhão com ela. Isso ocorre com muitos casais que compartilham a mesma casa, dividem a mesma cama, mas perderam a conexão;

Portanto, o segredo para crescer em um relacionamento com alguém é conhecer, relacionar-se e renovar diariamente o amor em relação ao outro. Assim deve ser nosso conhecimento de Deus, afinal, crescer em um relacionamento com Deus é nosso objetivo.

Uma imagem mais clara de Deus

“A serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” (Gn 3:1-5).

A visão de Eva sobre Deus, Sua credibilidade, Sua natureza e Seu amor foram desafiados. As afirmações divinas foram questionadas. O tentador fez parecer que Deus não só era desonesto, como também negava algo bom à mulher;

O diabo alegou que, ao comerem o fruto dessa árvore, Adão e Eva alcançariam uma esfera de existência superior e entrariam em um reino de conhecimento mais amplo. Ele próprio havia comido do fruto proibido e, como resultado, adquirido o dom da fala. E insinuou que, por egoísmo, o Senhor queria privá-los desse fruto, para que não se tornassem como Ele. Foi por causa de suas maravilhosas propriedades, que conferiam sabedoria e poder, que Ele os proibiu de prová-lo ou mesmo tocá-lo” (PP, 54);

A serpente apresentou Deus como: (1) extremamente restritivo quanto ao que é bom; (2) ameaçado por aqueles que compartilham o poder do conhecimento da árvore proibida; e (3) mal-informado/enganado sobre as consequências letais da árvore;

A visão de Eva sobre Deus, Sua credibilidade, Sua natureza e Seu amor foram todos questionados;

Você não morrerá. Sabe o que acontecerá? Você será como Deus;

O tentador insinuou que Deus estava escondendo algo muito bom e importante de Suas criaturas;

O Deus do amor havia sido considerado um inimigo, um rival de Eva;

“Desde o início do grande conflito, o propósito de Satanás tem sido representar mal o caráter de Deus e provocar a rebelião contra Sua lei” (PP, 287).

“Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (Jo 14:8 e 9).

Um tema cristológico importante no NT é que Jesus revela como é Deus;

O rosto de Jesus revela o rosto do Pai;

Philip Yancey, em seu livro intitulado: ‘O Jesus que eu nunca conheci’, declara que aprendeu muito sobre a necessidade da encarnação quando cuidou de um aquário. O motivo é que os animais dentro da água necessitavam de muitos cuidados para continuar vivos, tais como alimento, limpeza regular do ambiente, oxigenação da água, entre outras coisas. Porém, com o passar do tempo, Yancey percebeu que apesar de todo o seu cuidado, ele não recebia nenhuma manifestação de gratidão. Ao contrário, cada vez que se aproximava, os peixes se escondiam com medo. Por que aquilo acontecia? A razão é que ele era muito grande diante de animais tão pequenos. A única forma de “falar” com os peixes de maneira que eles pudessem entender seria se tornando um peixe. Embora as proporções sejam infinitamente maiores, de certa forma, em Jesus, Deus Se tornou humano para Se revelar para a humanidade. Por meio de Jesus, enxergamos quem é Deus e ouvimos Sua voz falando em sotaque humano.

“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser” (Hb 1:1-4).

Em grego, a palavra traduzida como “expressão exata” é character, que denotava primeiramente a ferramenta usada pelo escultor para fazer gravação. Finalmente, essa palavra passou a indicar a marca ou impressão feita por essa ferramenta, uma impressão similar à que se vê em uma moeda. O objetivo era fazer uma reprodução exata da imagem do rei nessas moedas;

Cristo é a estampa ou a impressão de Deus, a essência de Deus;

Ele “é o resplendor da glória” do Pai (Hb 1:3).

Deus é santo

“Não há santo como o Senhor; porque não há outro” (1Sm 2:2).

‘Qadash’ é o termo para santo no Antigo Testamento, e é usado mais de 600 vezes, e de muitos modos;

O termo oposto a santo é ‘impuro’ ou ‘profano’ (Lv 10:10);

Quando a Bíblia diz que algo, ou alguém é ‘Qadash’, ela quer dizer que este algo ou alguém é separado;

‘Qadash’ foi habitualmente restrito pelas regras cerimoniais ou limitado a certo povo (Israel, sacerdotes), lugares (tabernáculo, Sião), coisas (altares), ou tempos (sábado);

Frequentemente, o termo (Qadash) é usado como verbo: “Santificar” uma coisa é “consagrá-la”, ou separá-la do comum. Deus “santificou” o altar (Êx 29:36), o Templo (1Rs 8:64), pessoas (Êx 19:10, 14) e lugares (Êx 19:23);

Em poucos casos a santidade é transmissível a outros objetos (Êx 29:37; 30:29; Lv 6:27), mas na maioria dos casos a impureza é transmissível para o que é santo (Ag 2:12);

A santidade é o alicerce de todas as outras características divinas;

No livro de Isaías, Deus foi mencionado como o ‘Santo de Israel’ 27 vezes (Is 1:4). Na presença de Deus, os anjos declaram: “Santo, santo, santo” (Ap 4:8; Is 6:3). Sua santidade O diferencia dos seres humanos pecadores, que não conseguem suportar nem mesmo um vislumbre de Sua presença física sem cair desfalecidos no chão (Dn 10:8; Ap 1:17);

Cerca de 800 anos depois de Isaías, João viu, numa visão semelhante, os 4 seres viventes proclamando: “Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso” (Ap 4:8);

De Gênesis ao Apocalipse, as Escrituras enfatizam a santidade de Deus. É um aspecto de Sua natureza que nós devemos estudar muito e frequentemente.

“Ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo” (Lv 20:26).

Os capítulos 18 a 20 de Levítico falam de santificação e selam cada bloco com a frase “Eu sou o Senhor, o Deus de vocês”. Levítico foge da magia e ensina santidade, vivencial e relacional. Não tem a pretensão de que somente os levitas sejam santos, mas todo o povo. Para Deus, o atemporal e universal (princípios) convive com o temporal e contextualizado (normas); cada momento da vida deve ser santo. Custa-nos entender isso, pois nossa mentalidade é diferente. Mas devemos interiorizar isso, porque não há momentos religiosos e momentos profanos. Cada piscar de olhos, cada respiração, cada pensamento e ação são um todo;

Nesses capítulos de Levítico, o povo precisava ser lembrado de que o segredo está na relação com Deus, que se estendia até os recantos mais íntimos da vida: o vínculo com os pais, a prática de uma sexualidade saudável, o sacrifício do coração, a solidariedade com os menos favorecidos, o trabalho consciente, a hospitalidade como um ato de grandeza e o exercício da memória. A relação de Deus com os Seus não é estanque, mas fluida, pois somos vasos comunicantes. Somos especiais porque nosso Deus é especial.

Deus é amor

“Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (1Jo 4:8).

Talvez a única outra característica de Deus que tem a mesma importância de Sua santidade seja Seu amor (1Jo 4:8);

O cristianismo é a única religião que oferece uma definição de Deus em uma só palavra. “Deus é amor.” Em seu evangelho, o discípulo amado até fez uma tentativa de descrever esse amor divino. Porém sabemos que as palavras são insuficientes para uma tarefa desse tipo. Tudo o que João conseguiu dizer foi: “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16). Deus amou de forma inexplicável, indescritível, impressionante e inédita. Os adjetivos falham diante da largura, profundidade e grandeza desse amor.

Quando olhamos atentamente para João 3:16, podemos encontrar 3 partes ou 3 realidades que nos permitem entender melhor a expressão do amor divino:

João fala do objeto do amor de Deus. Ele amou o mundo. A palavra mundo aqui se refere a pessoas, à humanidade. Há muitos que vivem amando coisas e usando pessoas. Transformam o outro em objeto, em peça da engrenagem da vida. Mas João nos lembra que somos alvo do amor de Deus;

João menciona a prova do amor divino. Ele amou tanto que foi capaz de dar Seu Filho para morrer em nosso lugar. Em sua carta aos romanos, Paulo confirma essa ideia com outras palavras. Ele escreveu: “Mas Deus prova o Seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8);

João aponta a finalidade do amor de Deus. Ele amou para salvar. “Para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16);

Nenhum ser humano será capaz de entender completamente o amor de Deus. A verdade é que vamos passar a eternidade estudando sobre isso, sem nunca chegar ao fim da matéria. Por hoje, basta lembrarmos que Deus nos ama intensamente, com amor inesgotável.

Se alguém questionar o seu valor, lembre-se de olhar para a cruz do Calvário.

“‘Deus é amor’ está escrito em cada botão de flor que se abre, em cada caule de grama nova. Os pássaros preciosos que enchem o ar de melodias com seus cantos alegres, as flores de cores requintadas que, em sua perfeição, perfumam o ar, as árvores altas da floresta com sua rica folhagem de verde vivo; tudo testemunha o terno e paternal cuidado de nosso Deus e Seu desejo de fazer Seus filhos felizes” (CC, 15).

O mundo pensa que o amor tem formato de um coração, mas na verdade tem o formato de cruz;

Se você precisa de uma definição de amor, não vá ao dicionário, vá ao calvário.

Deus e a criação

“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1:1);

“Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra” (Gn 2:7).

A Bíblia começa com dois relatos paralelos da criação: Gênesis 1 e 2. O nome de Deus, ’Elohim, no 1º relato da criação (Gn 1), transmite as ideias de grandeza e poder. O nome ’Elohim está no plural, o que expressa intensidade e majestade. Esse nome evoca ideias de poder e força. Já o nome YHWH, no 2º relato da criação (Gn 2), transmite ideias de proximidade e existência. Esse nome, etimologicamente relacionado ao verbo hayah (“ser”), refere-se ao Deus que existe por nós: Ele desce à Terra, fala com os seres humanos e anda com eles. É o Deus da história, o Deus pessoal de Abraão, Isaque e Jacó. Há também significado na proporção de referências a Deus nos relatos da criação em comparação com o número de referências aos seres humanos. Enquanto ’Elohim ocorre 35 vezes no primeiro relato da criação, YHWH aparece 11 vezes no segundo. No primeiro relato, Deus falou aos seres humanos apenas duas vezes e de maneira geral. Além disso, nesse relato, os seres humanos foram criados à imagem de Deus (Gn 1:27). No segundo relato, Deus criou o homem moldando o pó, o elemento de sua formação, com Suas próprias mãos e soprou nele o fôlego de vida (Gn 2:7). No 1º relato da criação, Deus falou aos seres humanos, mas nenhuma resposta humana foi registrada. Já no segundo relato, Deus falou pessoalmente com os seres humanos, e estes respondem a Ele.

O contraste entre os dois relatos paralelos da criação tem a intenção de destacar o glorioso paradoxo de Deus: o poderoso Deus da criação, que criou o Universo, é, ao mesmo tempo, o Deus pessoal da salvação, que Se relaciona com os seres humanos.

Emanuel, Deus conosco

“E lhe chamará Emanuel” (Is 7:14-16).

A Bíblia não identifica o personagem chamado de Emanuel em Isaías 7;

Provavelmente havia uma criança nascida nos dias de Acaz que lhe serviu de sinal (7:11), mas não nos é dito nada mais sobre ela porque esse não era o único ponto nesta história. As mensagens de Isaías têm que ver com julgamento e restauração e elas apontavam para o maior julgamento e a maior restauração de todos os tempos proporcionados pelo grande Emanuel;

A referência a Emanuel deve ser incluída entre as profecias messiânicas pelo princípio do duplo cumprimento (Mt 24);

Emanuel serviu como um tipo, uma prefiguração histórica que correspondeu a uma realidade salvífica posterior e maior (Mt 1:21-23);

Isaías não menciona o pai de Emanuel, refere-se somente à jovem que se tornaria sua mãe, uma clara referência ao nascimento de Cristo de uma virgem (sem o envolvimento de um homem). O redentor já fora chamado de semente da mulher no Éden (Gn 3:15).

“Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel” (Mt 1:23).

A história de fundo da profecia do nascimento de Emanuel contém uma lição de esperança, apesar do ceticismo humano. Acaz temeu perder a guerra contra seus inimigos e que a linhagem davídica fosse extirpada. Então o Senhor o advertiu: “Se vocês não crerem, certamente não permanecerão” (Is 7:9). No entanto, Acaz ainda se recusou a crer e rejeitou a oferta de Deus para pedir-Lhe um sinal (Is 7:12). A resposta de Deus parece carregada de ironia: porque o rei de Judá se recusou a se envolver no plano divino, “portanto” a criança será concebida sem a ajuda dele, isto é, independentemente de qualquer agência humana. Assim, “a virgem conceberá e dará à luz um filho” (Is 7:14). O profeta Isaías predisse ao rei um nascimento de caráter sobrenatural. O nascimento dessa criança viria de uma mulher virgem; além disso, o nome do menino seria “Emanuel”, que significa “Deus conosco”. O nascimento dessa criança traria, então, Deus para mais perto de Seu povo, uma experiência que constitui a evidência concreta de que Deus responderia e estaria presente na história, apesar do próprio rei. Para Acaz, o futuro nascimento de Emanuel de uma virgem foi um sinal de que o trono de Davi não ficaria vazio, uma garantia de que a linhagem davídica não seria extirpada. Para Acaz, a promessa do futuro nascimento de Emanuel tinha a intenção de servir como um sinal de esperança para confortá-lo em suas circunstâncias presentes. Para nós, hoje, a promessa de Emanuel, que veio e voltará, deve permear e iluminar nossa caminhada presente, de agora até o fim. Como o nosso Salvador disse: “E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos” (Mt 28:20).

Conclusão:

Conhecer a Deus transcende o acúmulo de informações intelectuais; é uma jornada espiritual baseada em um relacionamento pessoal, íntimo e experimental. Envolve compreender o caráter amoroso de Deus, Sua vontade e Sua revelação máxima em Jesus Cristo, transformando a vida através da comunhão, oração e estudo da Bíblia.

Implícito no conceito hebraico de “conhecer” está uma metáfora conjugal, conforme exemplificada na frase: “Adão conheceu Eva, sua mulher; e ela concebeu” (Gn 4:1). Conhecer a Deus, em essência, refere-se ao relacionamento de aliança, que mantemos com Ele. Essa linguagem da aliança (Gn 17:7, ?? também é refletida na linguagem de amor de Cântico dos Cânticos (Ct 2:16).

No NT, Paulo trabalha o paradoxo de conhecer a Deus, explicando que, na verdade, isso significa que Ele nos conhece (Gl 4:9).

Louvo a Deus pelas maravilhosas lições que podemos aprender de Sua Palavra, e é por isso que sou apaixonado pela Escola Sabatina! #lesadv


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