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COMENTÁRIOS DA LIÇÃO DA ESCOLA SABATINA

2º Trimestre de 2024 - O GRANDE CONFLITO


Lição 1 – A guerra por trás de todas as guerras

Introdução

O tema do grande conflito entre o bem e o mal é um dos mais fascinantes da Bíblia. Na realidade, a Bíblia se divide em três partes: 1. Gênesis 1–2: Deus cria o mundo perfeito e põe o ser humano para habitar nele. 2. Apocalipse 21–22: Deus recria o mundo perfeito e põe de volta o ser humano para habitar nele. 3. Todo o restante entre Gênesis 3 e Apocalipse 20 é o desenrolar do grande conflito, desde a queda do ser humano, sua degradação total, a provisão feita por Deus para salvar o ser humano e o retorno de Cristo dando fim ao mal e ao pecado.

Ainda estamos vivendo as experiências de um mundo entre Gênesis 3 e Apocalipse 20. Ainda vivemos num mundo de pecado, e o grande conflito se desenvolve em nossa mente e em nosso coração. Isso ocorre porque em nós “por natureza, não existe qualquer inimizade entre o ser humano pecador e o originador do pecado” (Ellen G. White, O Grande Conflito [CPB, 2021], p. 422). Em Cristo, porém, tal “inimizade era em certo sentido natural. [...] E nunca se desenvolveu a inimizade a ponto tão notável como quando Cristo Se tornou habitante da Terra” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas [CPB, 2022], v. 1, p. 215). Nessa grande batalha entre o bem e o mal, a cruz se torna o ápice, o ponto mais alto do conflito. Ali, Cristo esmagou a cabeça da serpente e foi vitorioso. A vitória Dele passa a ser a nossa vitória.

I – O problema do mal e a sua origem

Talvez uma das perguntas mais difíceis a ser respondida é: se Deus é bom, por que existe o mal, ou por que Ele permite o mal? Pela descrição bíblica que temos de Deus, Ele é amor. Logo, a existência do mal não poderia ser atribuída a Deus. Entretanto, sendo Deus Onisciente, isto é, sabedor de todas as coisas, Ele sabia que Lúcifer seria o originador do mal e do pecado. Por que, mesmo sabendo tudo, ainda assim Ele criou o anjo que se rebelaria contra Ele e traria todo o mal que vemos ao nosso redor? A resposta a essa pergunta não é simples porque envolve o caráter de Deus, Sua grandeza e a extrema pequenez de nossa mente. Podemos, no entanto, ponderar uma resposta que seja satisfatória, dentro das nossas limitações, tendo como ponto de análise o livre-arbítrio. Sendo Deus coerente, é lógico afirmar que, ao criar Seus filhos com a capacidade de escolha, isto é, com o livre-arbítrio, essa característica é inerente a Ele próprio. Tornemos prático o argumento: imagine que Deus está criando os anjos. De repente, chega o momento em que Ele irá criar Lúcifer. Então, Deus para e pondera: “Não vou criar esse anjo querubim. Ele causará problemas, trará o pecado e a morte.” Quantos seres no Universo saberiam dessa decisão? Nenhum! Os anjos não saberiam, os humanos não saberiam. Mas Deus saberia! Ele mesmo teria conhecimento de que manipulou os resultados para tudo ocorrer como Ele queria. Imagine ainda que logo após criar Adão, Deus vai fazer a mulher e, novamente, pondera: “Não vou criar Eva. Essa mulher comerá do fruto, dará a seu esposo e o pecado entrará no mundo. Depois terei que morrer por eles. Farei outra mulher.” Quem saberia dessa decisão? Ninguém! Adão não saberia, os anjos não saberiam. Ninguém saberia, a não ser Deus, Ele saberia! Saberia que manipulou os resultados para que tudo ocorrese como Ele gostaria que acontecesse. Ou seja: “Livre-arbítrio para vocês, não para Mim.” Se Deus manipulasse para que os resultados fossem sempre como Ele gostaria que fossem, não seria livre-arbítrio da parte Dele, e Deus não pode ir contra Seu caráter. Deus não é um ser que diz: “Faça o que Eu mando, mas não faça o que Eu faço.” O livre-arbítrio concedido ao ser humano é o mesmo que permeia o caráter e as decisões de Deus. Por isso, mesmo que pudesse dar errado, mesmo sabendo que daria errado, Ele não manipulou os resultados para Seu benefício. Mesmo que nenhum ser do Universo soubesse, Ele saberia que manipulou Suas criações para que fossem como Ele queria. Isso é contra Sua índole, pois o livre-arbítrio também faz parte do caráter de Deus. Assim, Deus criou Lúcifer, o anjo cobridor, com plenas capacidades de escolha. Deus não manipulou os resultados, e isso fez com que um anjo puro tivesse a liberdade de escolher não mais servir a Deus. As decisões de Lúcifer provam que Deus usa o princípio do livre-arbítrio para Si próprio, pois, sendo capaz de manipular Suas criações, Ele nunca o fez. Isso não O torna responsável pelo mal, mas mostra claramente que, como um Ser amoroso, Ele fez todas as Suas criaturas com o poder de decidirem se O amariam e O serviriam ou não. Satanás é o originador do mal.

II – O conflito se desloca para a Terra

Com a capacidade de escolha dada a todas as suas criaturas, Deus permitiu que os seres criados pudessem dizer não ao Seu amor. Sim, porque só ama realmente aquele que é verdadeiramente livre para escolher amar. O amor não vêm por imposição. Assim, Deus permitiu que um ser criado de maneira majestosa, e que era o mais exaltado entre os anjos, rejeitasse Seu amor e Sua soberania. E então, o pecado veio à existência. No coração de um ser puro e que servia diante do trono de Deus, a mancha do pecado passou a existir. Algo inexplicável! Foi feito todo o possível para resgatar aquele anjo e os demais por ele influenciados. Todos os recursos foram usados, até o dia em que houve batalha no Céu e o diabo foi expulso juntamente com seus anjos. O grande conflito passa a ter novo palco, nova arena, onde as batalhas seriam travadas: a Terra!

Ao introduzir o pecado na Terra, Satanás buscou implantar no coração do ser humano o mesmo desejo que ele teve no Céu: ser igual a Deus. No momento em que tentou Eva, ele disse: “os olhos de vocês se abrirão e, como Deus, vocês serão conhecedores do bem e do mal”. Note que o mesmo desejo maligno de ser como Deus, de se igualar ao Criador, ele insere no coração de Eva, que, por um momento, desconfiou de Deus e deu crédito às palavras da serpente. Eva comeu o fruto e deu também a seu marido, e ele comeu com ela. Adão e Eva se tornaram mais parecidos, porém, com a serpente. O jogo das palavras hebraicas presentes no texto sugere exatamente isso. Ao se referir à serpente, o livro de Gênesis diz que ela era arum (astuta). Essa é a mesma raiz da palavra que designa o casal após comer o fruto, quando o texto diz que os olhos deles foram abertos e eles perceberam que estavam arum (nu), ou no plural arumim (nus). No desejo de ser como Deus, eles se tornaram mais parecidos com a serpente.

O salário do pecado é a morte. A boa notícia em meio ao caos em que os nossos primeiros pais estavam, e no qual nos encontramos ainda hoje, é que o dom gratuito de Deus é a vida eterna por meio de Jesus. Antes de Deus pronunciar as sentenças de penalidades sobre Adão e Eva (note que Deus não lança maldição sobre o casal, como o faz com a serpente e a Terra, apenas castigos), Ele primeiro pronuncia a solução para o problema do pecado: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a Sua semente; Esta te ferirá a cabeça, e tu Lhe ferirás o calcanhar.” Nessa primeira profecia da Bíblia, Deus traçou diante dos olhos de Adão e Eva todo o grande conflito que estava iniciando. Em um ato de amor, Deus colocou inimizade entre os descendentes de Eva e a serpente, e tal inimizade atingiria seu clímax com o próprio Deus vindo como semente da mulher e Se dando como sacrifício pelo ser humano, esmagando assim a cabeça da serpente. Com Seu sacrifício, Cristo possibilitou que o homem pudesse voltar a ter a imagem e semelhança de Deus, tal como era no Éden antes do pecado.

III – A batalha permanece no coração

Após a Sua morte e ressurreição, Jesus subiu ao Céu como nosso Sumo Sacerdote. Ali, Ele foi aceito pelo Pai e aplicou os méritos de Seu sacrifício em favor do ser humano. Tudo o que era necessário para que a raça humana fosse salva foi feito por Cristo na cruz. Conquanto Jesus tenha sido mais que vitorioso na cruz do Calvário, Ele sabia que o grande conflito ainda continuaria se desenvolvendo no coração do ser humano. Aceitar os méritos do sacrifício de Cristo ou rejeitá-lo tem sido a batalha de cada filho de Adão por mais de dois mil anos. Por isso, além da aplicação dos próprios méritos no Seu ofício sacerdotal, Cristo foi além e enviou o divino Consolador, a terceira Pessoa da Divindade, cujo trabalho é essencialmente na mente de cada um de nós, nos convencendo do pecado, da justiça e do juízo.

Conclusão

O grande conflito que se iniciou no Céu foi transferido para a Terra, se desenrola em nosso coração e logo mais terá seu fim. Muito em breve ouviremos de Deus: “O grande conflito terminou. Pecado e pecadores não mais existem. O Universo inteiro está purificado. Uma única pulsação de harmonia e felicidade vibra por toda a vasta criação. Daquele que tudo criou emanam vida, luz e alegria por todos os domínios do espaço infinito. Desde o minúsculo átomo até o maior dos mundos, todas as coisas, animadas e inanimadas, em sua serena beleza e perfeita alegria, declaram que Deus é amor” (Ellen G. White, O Grande Conflito [CPB, 2021], p. 560). Preparemo-nos para esse grandioso momento!

Pastor Eleazar Domini