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COMENTÁRIOS DA LIÇÃO DA ESCOLA SABATINA

2º Trimestre de 2024 - O GRANDE CONFLITO


Resumo da Lição 1
A guerra por trás de todas as guerras

ESBOÇO 

Introdução: A lição desta semana aborda a questão do conflito cósmico ou o grande conflito entre Cristo e Satanás. Começaremos o estudo investigando tanto a origem do mal quanto a solução de Deus para a queda da humanidade no pecado. 

Vários aspectos do conflito cósmico merecem nossa reflexão. Para começar, o grande conflito não é perpétuo, pois se originou no Céu quando Lúcifer, um ser criado, liderou um grupo de anjos rebeldes que desafiaram a Deus, o eterno Criador e Rei de todos os seres. Sendo assim, se o mal e o diabo tiveram um começo, certamente terão um fim. 

Em segundo lugar, o conflito cósmico mostra a drástica incompatibilidade entre o bem e o mal. Nenhuma das partes pode coexistir ou tolerar a outra: cada grupo anseia pela extinção do outro. Quando o mal surgiu, ele desafiou a própria ideia do direito de Deus existir e governar, mesmo diante da Sua natureza eterna. 

Além disso, o grande conflito elimina qualquer forma de dualismo filosófico ou reli- gioso em que tanto o bem quanto o mal são coeternos, coiguais e necessários. A cosmovisão bíblica claramente exclui a necessidade do mal, uma vez que não precisamos dele para conhecermos e apreciarmos o que é bom. Não necessitamos do mal para reforçar o bem. 

Por fim, o fato de que o mal e o grande conflito se originaram no Céu desperta na mente dos agentes morais livres e racionais a noção de que o conflito é principalmente de natureza espiritual e deve, portanto, ter uma solução de ordem espiritual. Embora o Senhor não tenha contribuído para o surgimento do mal (na verdade, foi o mal que se levantou contra Ele), o pecado não pode ser extinto sem Deus. Por sua natureza, o mal danifica os seres e o Universo de forma fatal. Portanto, somente Deus e Seu poder sobrenatural e criativo podem exterminá-lo completamente e remover suas consequências catastróficas. 

É por essa razão que o plano divino da salvação não consiste simplesmente em identificar, reconhecer, envergonhar ou punir os criadores do mal. Tais medidas não são eficientes, muito menos suficientes, para acabar com a maldade do Universo. Em vez disso, o Senhor resolve o dilema do pecado ao assumir suas consequências sobre Si, em Cristo. Por Seu poder criativo, Deus Se envolve ativamente na destruição do perverso e na purificação e restauração do Universo. 

Temas da lição: O estudo desta semana destaca três temas principais: 

  1. O mal e o conflito cósmico se originaram em um Céu perfeito. Eles se espalharam pela Terra e criaram raízes no coração e na mente de agentes morais livres, que foram cria- dos à imagem de Deus.

  2. A consequência final do mal e do pecado é a rebelião contra Deus e Seu reino. 

  3. O único caminho para a salvação, e para o fim do conflito cósmico, é a cruz e a mediação de Cristo e Seu poder criador e restaurador. 

COMENTÁRIO 

A doutrina adventista do grande conflito 

Os adventistas do sétimo dia possuem uma visão singular sobre a origem do pecado e sua solução. Ao contrário de outros cristãos, eles não têm uma crença específica que se dedica à doutrina do pecado. Em vez disso, eles incorporam sua compreensão do pecado dentro do contexto da doutrina do “grande conflito”. John M. Fowler aponta corretamente que “nenhuma doutrina do pecado pode ser completa sem uma compreensão do tema do grande conflito entre Cristo e Satanás, entre o bem e o mal. A soberania e o caráter de Deus jazem em seu centro. Quando Lúcifer provocou a revolta no Céu contra Deus (Ap 12:7-9) e quando a revolta atingiu seu clímax, Deus não teve alternativa a não ser expulsar do Céu a hoste angélica caída” (“Pecado”, em Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia [CPB, 2012], p. 271). 

Enquanto outros cristãos também acreditam na queda de Lúcifer e de Adão e, até certo ponto, no conflito cósmico entre Deus e Satanás, os adventistas expressaram esses conceitos na forma de uma doutrina única, encapsulada na Crença Fundamental 8, intitulada “O grande conflito”: 

“Toda a humanidade está agora envolvida no grande conflito entre Cristo e Satanás quanto ao caráter de Deus, Sua lei, e Sua soberania sobre o Universo. Esse conflito originou-se no Céu quando um ser criado, dotado de liberdade de escolha, por exaltação própria, tornou-se Satanás, o adversário de Deus, e conduziu à rebelião uma parte dos anjos. Ele introduziu o espírito de rebelião neste mundo, ao induzir Adão e Eva ao pecado. Esse pecado humano resultou na deformação da imagem de Deus na humanidade, no transtorno do mundo criado e em sua consequente devastação por ocasião do dilúvio global, conforme retratado no relato histórico de Gênesis 1 a 11. Observado por toda a criação, este mundo tornou-se o palco do conflito universal, dentro do qual será finalmente vindicado o Deus de amor. Para ajudar Seu povo neste conflito, Cristo envia o Espírito Santo e os anjos leais para os guiar, proteger e amparar no caminho da salvação” (Associação Ministerial da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia [org.], Nisto Cremos: As 28 Crenças Fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia [CPB, 2018], p. 124). 

O ensinamento bíblico sobre a queda da humanidade no pecado também está presente na Crença Fundamental 7, intitulada “Natureza do homem”: 

“O homem e a mulher foram formados à imagem de Deus com individualidade, poder e liberdade de pensar e agir. Conquanto tenham sido criados como seres livres, cada um é uma unidade indivisível de corpo, mente e espírito, e dependente de Deus quanto à vida, respiração e tudo o mais. Quando nossos primeiros pais desobedeceram a Deus, negaram sua dependência Dele e caíram de sua elevada posição. A imagem de Deus neles foi desfigurada, e tornaram-se sujeitos à morte. Seus descendentes partilham dessa natureza caída e de suas consequências. Nascem com fraquezas e tendências para o mal. Mas Deus, em Cristo, reconciliou consigo o mundo e por meio de Seu Espírito restaura nos mortais penitentes a imagem de seu Criador. Criados para a glória de Deus, são chamados para amá-Lo e amar uns aos outros, e para cuidar de seu ambiente” (Nisto Cremos: As 28 Crenças Fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo dia, p. 99). 

Dois aspectos adicionais da doutrina adventista do grande conflito merecem nossa atenção: (1) a origem do tema do grande conflito e (2) a sua historicidade. 

Primeiramente, o tema do grande conflito surge das Escrituras e está no próprio fundamento da interpretação bíblica e do desenvolvimento doutrinário adventista. No comentário sobre a interpretação bíblica, Ellen G. White diz: 

“A Bíblia se autoexplica. Textos devem ser comparados com textos. O estudante deve aprender a ver a Palavra como um todo, e também a relação entre suas partes. Deve obter conhecimento de seu grandioso tema central, do propósito original de Deus em relação a este mundo, da origem do grande conflito e da obra da redenção. Deve compreender a natureza das duas forças que disputam pela supremacia, e aprender a identificar sua atuação através dos relatos da História e da profecia, até à grande consumação. Deve enxergar como esse conflito alcança todos os aspectos da experiência humana; como, em cada ato de sua vida, ele [o estudante] revela uma ou outra daquelas duas forças antagônicas; e como, quer queira quer não, ele está agora mesmo decidindo de que lado do conflito estará” (Educação [CPB, 2021], p. 135). 

Como resultado dessa abordagem bíblica à interpretação, o tema do grande conflito se entrelaça em todas as outras doutrinas bíblicas da teologia adventista. A integração do tema começa com a doutrina de Deus, com a própria essência de Sua natureza como sendo livre, amorosa, misericordiosa, reta, justa e fiel. Ao longo das Escrituras, o tema do grande conflito continua entrelaçado com as seguintes doutrinas: 

(a) O ensino da criação como uma expressão do amor, da liberdade e do poder de Deus. 

(b) A origem da natureza humana, a sua condição atual e o destino final. 

(c) A queda da humanidade de sua retidão original e a comunhão com Deus. 

(d) As ações de Deus em favor da salvação, conforme manifestam-se na encarnação, no ministério, na morte, na ressurreição, na ascensão e no ministério mediador de Cristo no santuário celestial, bem como em Sua segunda vinda. 

(e) O plano redentor da justificação e santificação e a promessa da glória futura para a raça humana. 

(f) O ato de Deus ao constituir Seu povo ao longo de todos os períodos da história humana, que culminou no chamado de um remanescente no fim dos tempos dentre as igrejas protestantes a fim de proclamar Seu convite final de misericórdia para a humanidade. 

(g) Os juízos pré-advento, milenar e executivo de Deus, que resultarão no término do mal e na restauração de todas as coisas. 

Em segundo lugar, o grande conflito é de natureza histórica. Como o cristianismo tradicional integrou pressuposições e conceitos filosóficos gregos tais como a natureza imaterial, atemporal e ilimitada do Céu, muitos cristãos interpretam as referências bíblicas sobre o conflito cósmico e a queda dos humanos no pecado como alegorias ou mitos teológicos. 

No entanto, a interpretação histórico-gramatical adventista da Bíblia apresenta Deus como pessoal e historicamente envolvido na história da queda da humanidade no pecado e na história da salvação. Deus, Lúcifer, os anjos (tanto os rebeldes quanto os justos), Adão e Eva, e a queda são todos personagens e eventos históricos reais. Jesus Se referiu a Satanás como uma pessoa literal e histórica, alguém que Ele conhecia desde antes do início da história da Terra e que foi o originador do mal e do pecado. Certa vez, Jesus explicou aos fariseus que eles não eram filhos de Abraão (Jo 8:39, 40) nem filhos de Deus (Jo 8:41, 42), mas pertenciam ao pai deles, “o diabo”, que “foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8:44, NVI). 

João, o revelador, também descreve tanto o diabo quanto o conflito cósmico que ele instigou como históricos. Seguindo o exemplo de Jesus, o apóstolo representa o diabo como “a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo” (Ap 12: 7-9), aquele que é o originador da guerra, do mal e do engano, tanto no Céu quanto na Terra. O contexto imediato de Apocalipse 12:7-9 sugere que o apóstolo João considerava como realidades históricas o diabo e o conflito cósmico, tão históricas como o próprio Deus (Ap 12:5, 6, 10, 17), o nascimento e a ascensão de Jesus (Ap 12:5), a existência da igreja e as perseguições contra ela (Ap 12:1, 6, 11, 13-15), e tão histórica como a cruz de Jesus, por cujo sangue somos salvos (Ap 12:11). Embora não saibamos a data exata do conflito celestial, acreditamos que ele tenha ocorrido “antes da criação de Adão e Eva” e foi tão histórico quanto a queda da humanidade, sendo instigado pelo próprio Satanás (Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, p. 274). 

APLICAÇÃO PARA A VIDA 

  1. O que as pessoas de sua cultura pensam sobre a aparente existência do conflito entre o bem e o mal? Como eles compreendem a origem do mal? Eles acreditam que o mal nunca vai acabar? Talvez eles pensem que o mal permanecerá ou até mesmo que ele seja necessário para manter algum tipo de equilíbrio no Universo e na história. Como você pode compartilhar com eles a perspectiva bíblica sobre o mal? 

  2. De que maneira as várias teorias sobre a origem do conflito entre o bem e o mal afetam a compreensão sobre moralidade e responsabilidade humanas? Observemos, por exemplo, a teoria da evolução. Como ela afeta nossa compreensão sobre a origem do mal e, consequentemente, sobre a moralidade humana? Que outras teorias sobre a origem do mal, além da evolução, você consegue pensar que prevalecem em sua cultura? 

  3. Pense em maneiras que descrevam e expliquem a doutrina adventista da origem do mal, do grande conflito e da esperança bíblica. Como você pode compartilhar essas verdades com amigos, vizinhos e colegas de outras denominações cristãs ou de outras religiões, filosofias ou cosmovisões? Que elementos você incluiria no esboço de sua descrição do grande conflito?