Leia: O ANO BÍBLICO com a bíblia NVI e a Meditação Matinal - Maranata, O Senhor Vem! - Ellen G.White

LIÇÃO DO QUARTO TRIMESTRE DE 2017

Lição 10 – FILHOS DA PROMESSA

Comentário: Gilberto G. Theiss

SÁBADO
Redenção para Judeus e Gentios


“Logo, te Ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem Lhe apraz” (Rm 9:18).

Como está escrito: “Amei Jacó, porém Me aborreci de Esaú.... Pois Ele diz a Moisés: Terei misericórdia ...Compadecer-Me-ei de quem Me aprouver ter compaixão” (Rm 9:13,15 Citado na lição).

“Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (Mt 22.14). Muitos questionam o livre arbítrio concedido por Deus diante de textos como estes. Como poderíamos entender o livre arbítrio concedido a todos humanos, quando a Escritura nos orienta que nem todos são escolhidos? A escolha e a rejeição da parte de Deus não poderia ser uma quebra deste princípio?

De fato, muitos são chamados, e vou mais além, creio que na verdade todos são chamados, velhos, crianças, jovens, adolescentes, adultos, brancos, negros, enfim, todos, mas infelizmente somente poucos são escolhidos, porque são poucos os que aceitam e escolhem a Cristo verdadeiramente. A escolha de Deus, é resultado da própria escolha humana. Deus chama todos, mas somente são escolhidos, os que se escolhem para Deus.

DOMINGO
A preocupação de Paulo
(Rm 9.1-12)

“e vós sereis para mim reino sacerdotal e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel” (Ex 19.6).

No Antigo Testamento, Deus havia se revelado ao povo de Israel de maneira surpreendente e milagrosa. Portanto, ao se tornarem uma nação modelo, representante do caráter de Deus, deveriam levar as boas novas aos povos apresentando a salvação no cordeiro que tira o pecado do mundo. Eles deveriam alcançar as nações vizinhas com o evangelho (Is 56:7; 66:18-21; Za 8:22-23; Is 2:2-3), apresentando a redenção eterna através do messias que viria. Infelizmente o povo falhou ao deixar de representarem o caráter de Deus e por transformar o plano de Deus de salvação pela graça em salvação pelas obras (Ex 19:8; 24:3,7; Rm 9:31-32).

Embora o povo de Israel tenha falhado em cumprir os propósitos de Deus, Paulo esclarece em Romanos 9 que eles não haviam falhado completamente. Deus sempre foi muito seletivo procurando manter Sua promessa, mesmo em detrimento da maioria. Nem todos da semente de Abraão foram contados entre os descendentes das promessas de Abraão. Nem todos que viessem das entranhas de Isaque e Jacó seriam descendentes da promessa. Entretanto, sempre houve um remanescente, mesmo sendo poucos, a promessa e os planos de Deus alcançaram seus propósitos. O mesmo podemos dizer da igreja hoje, pois nem todos que são Adventistas serão selados no dia do selamento, mas isto não significa que Deus não conseguirá cumprir seus propósitos com esta igreja. Mesmo sendo poucos, Deus ainda é capaz de cumprir Seus grandes propósitos com a pequena minoria.

Assim foi com o povo de Israel e assim será com a igreja nos últimos dias. A linhagem ou herança, não garantem a salvação. Desta mesma forma, possuir o nome no livro da igreja, também não garante absolutamente nada em termos savíficos. É a fé, fé que opera por amor, que revela os que são verdadeiramente  “filhos da promessa” (Rm 9:8).

 SEGUNDA
Eleitos

“Como está escrito: Amei a Jacó e aborreci a Esaú. Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum. Porque diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão” (Rm 9:13-15).

Romanos 9 não apresenta a salvação de modo individual. Isto é de máxima importância para não cairmos no erro da predestinação. Se observarmos o contexto bíblico da vida, aceitação de Jacó e rejeição a Esaú, perceberemos que as escolhas e bênçãos outorgadas por Deus a nós, dependem em muito, de maneira muito especial, à reação que teremos diante de Seu chamado. Como é apresentado nos versos 14 e 15, não é somente nós que temos direitos de escolhas, Deus também tem as suas escolhas, e geralmente elas se apresentam na medida e forma em que reagimos diante do chamado de Deus. Imagine que você tenha feito algumas promessas aos seus filhos, mas estas promessas foram feitas sob a condicionalidade de suas atitudes. Se eles tirarem boas notas na escola e se comportarem bem nas aulas, passando de ano, ambos ganhariam uma linda bicicleta. Mas, ao chegar no fim do ano, apenas um dos filhos passara de ano. De maneira justa, você como pai, faz sua própria escolha, ou seja, escolhe cumprir sua promessa dando a bicicleta apenas para ao que passou de ano, enquanto que o outro, de maneira diferente, não recebeu o cumprimento da devida promessa.

Deus amou Jacó no sentido de ter outorgado a ele o direito de cumprir papéis específicos especialmente nos aspectos espirituais. Esaú recebeu o aborrecimento de Deus, porque deixou de cumprir determinados quesitos necessários. Querendo ou não, a lei da causa e efeito é válida, mesmo nos aspectos espirituais. Os perdidos serão achados em falta, porque de alguma forma rejeitaram viver em conformidade com os valores do evangelho eterno, enquanto que outros, mesmo ao custo de sacrifícios pessoais, fizeram de tudo para que o amor de Deus e Seus princípios pudessem ser uma realidade em suas vidas. Não tem como uma pessoa chegar a posição de chefe em uma empresa, quando ele não veste a camisa da empresa. E ainda correrá sérios riscos de ser despedido, caso faço mal uso de suas funções na empresa.

 TERÇA
Mistérios

(Rm 9.17) “Pois diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei: para em ti mostrar o meu poder, e para que seja anunciado o meu nome em toda a terra.”
(Rm 9.18) “Portanto, tem misericórdia de quem quer, e a quem quer endurece.”
(Rm 9.19)” Dir-me-ás então. Por que se queixa ele ainda? Pois, quem resiste à sua vontade?”
(Rm 9.20) “Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?”
(Rm 9.21) “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para uso honroso e outro para uso desonroso?”
(Rm 9.22) “E que direis, se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição;”
(Rm 9.23) “para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que de antemão preparou para a glória,”
(Rm 9.24) “os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?”

“Porque os Meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os Meus caminhos, diz o Senhor, porque, assim como os céus são mais altos do que a Terra, assim são os Meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os Meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos” (Is 55:8-9).

Deus, em Seu trato com o Egito, tinha como objetivo apresentar quem de fato era o verdadeiro Deus. As dez pragas derramadas tinham como objetivo anular os dez principais deuses adorados por aquele povo.

O objetivo maior era que o povo abandonasse seus ídolos para se achegarem ao único Deus existente e verdadeiro. É claro que a maioria, assim como faraó, já haviam feito suas escolhas, e o fato de Deus ter endurecido o coração de Faraó (Retirado dele o Espírito Santo), é uma evidência clara de sua rejeição. Além do mais, Faraó resistiu até o limite o pedido de Moisés para que o povo tivesse liberdade de adorar o Deus verdadeiro fora dos muros do Egito.

Infelizmente, nem todos são constituídos como vasos para honra, muitos se tornam vasos para desonra. Mas, embora não consigamos entender muitas coisas, uma entre tantas podemos. As escolhas partem de nós, pois somos nós mesmos que tomamos as decisões para o bem ou para mal. Faraó é um exemplo disto, pois resistiu até o fim aos apelos de Deus. Viu suas divindades sendo deitadas por terra, presenciou os milagres de Deus diante de seus olhos e por fim, sucumbiu-se diante de suas escolhas erradas. O mesmo pode acontecer conosco hoje. A graça abundante e a presença do Espírito Santo ainda se faz presente em nossa vida. Mas Deus não força nós o escolhermos, esta escolha precisa partir de nós. Assim como os Egípcios precisavam abandonar seus deuses, assim nós precisamos nos abster dos nossos, aqueles que tanto criamos ao endurecer nosso coração.

QUARTA
Ammi: “Meu Povo”

Rm 9.25 Como diz ele também em Oséias: Chamarei meu povo ao que não era meu povo; e amada à que não era amada.
Rm 9.26 E sucederá que no lugar em que lhes foi dito: Vós não sois meu povo; aí serão chamados filhos do Deus vivo.
Rm 9.27 Também Isaías exclama acerca de Israel: Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo.
Rm 9.28 Porque o Senhor executará a sua palavra sobre a terra, consumando-a e abreviando-a.
Rm 9.29 E como antes dissera Isaías: Se o Senhor dos Exércitos não nos tivesse deixado descendência, teríamos sido feitos como Sodoma, e seríamos semelhantes a Gomorra.

Oséias com seu casamento nem um pouco amistoso é mencionado na carta de Paulo. O objetivo do apóstolo é mostrar a relação existente entre o povo de Israel com o paganismo. Assim como Oséias se juntara a uma prostituta, o povo de Israel também havia se juntado com deuses estranhos. Os filhos de Oséias receberam nomes que os caracterizavam, como um povo idólatra. Naquele tempo as crianças recebiam de seus pais nomes característicos. Podia-se conhecer muito bem uma pessoa por seu nome, pois era nesta essência que o caráter, característica ou geração das pessoas podiam ser conhecidas. No caso de Oséias não foi diferente, podemos ver esta tradição bem destacada na terceira criança quando ela recebe o nome de Loammi (Os 1:9), que significa “não meu povo”. Entretanto, Oseias predisse que depois da maldição ou castigo, viriam as bênçãos, pois Deus restabeleceria sua fortuna, removeria todos os seus ídolos para refazer com o povo a aliança (Os 2:11-19).

Com esta relação reconstruída, Loammi não mais seria chamado desta maneira, mas passaria a ser chamado Ammi que significa “Meu povo”. Paulo, falando a respeito dos laços refeitos entre Deus e o povo, reclamaria novamente os povos, de seus filhos (Rm 9:26). Hoje todos nós somos Ammi, ou seja, povo de Deus. Graças ao bom Deus que uma descendência fora deixada, pois se assim não fosse, teríamos sido feitos como Sodoma e Gomorra (Rm 9:29). Todavia, nem todos dentre o povo de Deus permanecerão firmes até o fim. “Ainda que o número do povo de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo” (Rm 9:27). Se trouxermos para os nossos dias esta predição, e se os números e as profecias não falharem, muito, mesmo dentre nós, não  permanecerão firmes ao lado da verdade. A este respeito escreveu Ellen White:

“Permanecer ao lado da verdade e da justiça quando a maioria nos abandona, ferir as batalhas do Senhor quando são poucos os campeões; esta será nossa prova. Naquele tempo devemos tirar calor da frieza dos outros, coragem de sua covardia e lealdade de sua traição” (I TS, p.32).

Mas Deus é maravilhoso e está sempre atento ao nosso arrependimento e desejo de perdão. Não dispensará absolutamente nenhuma alma sincera que se achegue a ele com humildade e desejo de salvação.

QUINTA E SEXTA
Tropeçando

Rm 9.30 Que diremos pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça, mas a justiça que vem da fé.
Rm 9.31 Mas Israel, buscando a lei da justiça, não atingiu esta lei.
Rm 9.32 Por que? Porque não a buscavam pela fé, mas como que pelas obras; e tropeçaram na pedra de tropeço;
Rm 9.33 como está escrito: Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço; e uma rocha de escândalo; e quem nela crer não será confundido.

Os Israelitas haviam transformado o plano da salvação em salvação pelas obras (Ex 19:8; 24:3,7; Rm 9:31-32), e Paulo, enfatizou com muita veemência, que eles buscaram apenas a lei da justiça. Agora, tendo a oportunidade de reconhecer o verdadeiro papel da graça, muitos a desperdiçavam preferindo seguir suas próprias conclusões legalistas do que a fé. Neste caso, como citado no verso 32 e 33, Cristo acabou sendo para eles uma pedra de tropeço por não preencher os requisitos mínimos esperados. Esta falsa impressão e compreensão os levara a uma confusão salvífica. Entretanto, os gentios não tiveram o mesmo problema, pois, eles não olhavam para a justiça como meios de alcance humano, na verdade entenderam bem, que a justiça vem pela fé somente.

Parece que a história não mudou muito desde aqueles tempos. Em nossos dias, ainda existem pessoas, que, como os Judeus antigos, buscam viver sob o fardo do legalismo ou do perfeccionismo. Misturam Justificação com Santificação e por fim acabam criando uma teologia salvífica extremamente confusa. A Justificação e a Santificação não podem ser lançadas ao liquidificador para serem batidas juntas. Cada um tem o seu devido lugar na teologia. Toda e qualquer salvação, não depende da guarda da lei, não dependem de nossa obediência. Salvação é um dom que não merecemos, e se não merecemos, não há absolutamente nada que possamos fazer para possuir algum crédito salvífico. Tudo vem de Cristo, pela fé é que as coisas acontecem, pela fé é que nossa obediência deve se tornar vitalícia, pela fé é que nossas obras devem surgir e produzir frutos.

Reflexão
Há uma eleição de indivíduos e de um povo. A única eleição encontrada na Palavra de Deus, em que alguém é escolhido para a salvação. Muitos têm olhado para o fim, pensando terem sido certamente eleitos para a glória celestial; mas não é esta a eleição que a Bíblia revela. As pessoas são escolhidas para efetuar sua salvação com temor e tremor. São escolhidas para envergar a armadura, para pelejar a boa peleja da fé. São escolhidos para usar os meios que Deus colocou ao seu alcance para lutar contra todo desejo profano, enquanto Satanás executa o jogo da vida pela sua destruição. São escolhidos para vigiar em oração, para examinar as Escrituras, e evitar entrar em tentação. São eleitos para ter fé continuamente, eleitos para ser obedientes a cada palavra que procede da boca de Deus, para que não sejam apenas ouvintes, mas praticantes da Palavra. Essa é a eleição bíblica” (Ellen G. White, Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 453, 454).
“Nenhum espírito finito pode compreender completamente o caráter ou as obras do Ser infinito. Pelas nossas pesquisas, não podemos encontrar Deus. Para os espíritos mais fortes e mais altamente educados, assim como para os mais fracos e ignorantes, aquele Ente santo deverá permanecer revestido de mistério. Mas conquanto ‘nuvens e obscuridade [estejam] ao redor dEle, justiça e juízo são a base do Seu trono’ (Sl 97:2). Podemos compreender Seu trato para conosco a ponto de discernir a misericórdia ilimitada unida ao infinito poder. É-nos dado compreender tanto de Seus propósitos quanto somos capazes de abranger; para além disto podemos ainda confiar naquela mão que é onipotente, naquele coração repleto de amor” (Ellen G. White, Educação, p. 169).

 Gilberto G. Theiss