LIÇÃO DA ESCOLA SABATINA - TERCEIRO TRIMESTRE DE 2019

Comentários da Lição 7 (3o Trim/2019) por Pastoral UNASP-HT

 

JESUS E OS NECESSITADOS

O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos e apregoar o ano aceitável do Senhor. Lucas 4: 18, 19.

A Palestina nos tempos de Jesus estava marcada por graves conflitos sociais e por estruturas geradoras de pobreza em grande proporção. Algo deste quadro social conflitivo se reflete em parábolas de Jesus com o a do homem rico e Lázaro (Lc 16.19), a dos maus vinhateiros (Mc 12.1) ou a dos trabalhadores na vinha (Mt 20.1).

O combate à pobreza se tratava antes de mais nada uma exigência da lei. São abundantes no Antigo Testamento as determinações que protegem o pobre e procuram restabelecer a igualdade social. O livro da aliança (Êx 21-23) proíbe a exploração do pobre mediante a cobrança de juros (Êx 22.23; Dt 23.19), destina-lhe os frutos do ano sabático (Êx 23.1 Os; Lv 25.1). O Deuteronômio, além disto, prescreve o “dízimo ao pobre ” a ser recolhido ao fim de cada três anos (Dt 14.28; 26.12) e dá permissão para saciar a fome em seara alheia desde que nada seja levado em cesto (Dt 23.24; Mc 2.23). A lei do Antigo Testamento prevê uma série de medidas destinadas a garantir a vida do pobre e amparar-lhe os direitos.

Jesus veio para evangelizar aos pobres (Lc 4.18; Mt 11.5). São eles os bem aventurados e os herdeiros do reino de Deus (Lc 6.20). Além dos pobres são os pecadores o grupo preferido por Jesus (Mc 2.17; Lc 15.7). Com eles manteve comunhão na mesa (Mc 2.15; Lc 15.1), aceitou-os em sua companhia (Lc 7.36), e com eles andou. Provocou assim escândalo entre os piedosos, sendo injuriado como “amigo dos publicanos e pecadores” (Mt 11.19). Como se relacionam os pobres e pecadores em palavra e ação de Jesus? Trata-se do mesmo grupo? Enquanto os pobres sofrem opressão material, os pecadores estão sob pressão social. De qualquer maneira, trata-se de vítimas da sociedade. Jesus vem para defender e tirá-los de seu isolamento social.

Já vimos em lições passadas que pecado também pode ser identificado com opressão, enquanto os pecadores seriam os opressores. Jesus invertido os conceitos praticados. Os na época julgados pecadores são os doentes aos quais ele veio curar. Já os que se consideram “justos”, estes são os pecadores de verdade.
O pobre não é somente um oprimido ou necessitado social. É também, como todo ser humano, um pecador que precisa de conversão. Mas isto não porque os pobres fossem bons. Também eles precisam ser libertados do seu egoísmo, devem crer para realmente serem salvos, e não são, de modo algum, dispensados da exigência do amor.

O pobre pode ser ele mesmo culpado de sua desgraça com o filho pródigo, por exemplo (Lc 15.1). Ou então ele pode ser vítima de crimes alheios, como são as viúvas, cujas casas são devoradas pela ganância dos fariseus (Mt 23.14). O tipo de ajuda será diferente conforme o caso. Mas nada é motivo para negar ao pobre a assistência ou a solidariedade. Um bom exemplo é a parábola do rico e o Lázaro onde falta qualquer reflexão sobre as causas da pobreza de Lázaro. A graça de Deus não se condiciona a méritos nem se nega à culpa. Ela se torna ativa onde há necessidade, sem perguntar se as pessoas o merecem.

Jesus não limitou sua preferência a uma só classe social. Via as pessoas em suas múltiplas necessidades, principalmente em suas necessidades diante de Deus. O que Jesus pretende, e o que com seu próprio exemplo demonstrou, é a liberdade do ser humano frente às posses. Sua capacidade de dar, repartir e renunciar, de usar sem abusar, de distribuir e empenhar-se pela justiça. Inversamente, está prejudicada esta liberdade, onde se verifica avareza, ganância, acúmulo de bens às custas dos pobres, culto ao lucro e luxo. O cristão precisa aprender a confiar em Deus, tornando-se livre do poder das posses (BRAKEMEIER, 1985).

BRAKEMEIER, Gottfried. Pobres e pecadores na ótica de Jesus. Estudos Teológicos, v. 25, n. 1, p. 13-63, 1985.