Leia: O ANO BÍBLICO com a bíblia NVI e a Meditação Matinal - Maranata, O Senhor Vem! - Ellen G.White

LIÇÃO DA ESCOLA SABATINA - SEGUNDO TRIMESTRE DE 2019

Resumo da Lição 3
Preparando-se para a mudança

Existem dois tipos de pessoas despreparadas: as que sabem que estão despreparadas e as que não sabem. Você não preferiria fazer parte do primeiro grupo, em vez do segundo? Casamento, paternidade e maternidade, velhice e morte são eventos que influenciam radicalmente a vida familiar. O foco do estudo desta lição é como se preparar para essas mudanças monumentais da vida.

Ninguém gosta de ser apanhado despreparado. Prova surpresa, visitas inesperadas de amigos ou de inimigos e inspeções sem aviso prévio podem criar um nó no estômago. A questão interessante sobre a série de eventos em discussão é que os dois primeiros acontecem por escolha e os dois últimos são inevitáveis (não obstante um nascimento prematuro ou morte repentina, respectivamente). Podemos nos preparar para as coisas que escolhemos e sabemos que acontecerão. Então, na maioria das vezes, nos encontramos na posição em que podemos nos preparar cuidadosamente para esses eventos.

A Bíblia é rara entre a literatura antiga no sentido de que ela não encobre os fracassos de seus heróis nem exagera seus sucessos. Os autores da lição destacam o fato de que as Escrituras retratam a vida de uma forma não censurada. Os erros dos outros estão na Bíblia para que todos vejam e, se forem levados a sério, servirão como sinais de alerta. Além disso, o testemunho da vida das pessoas ao nosso redor confirma a veracidade e a atualidade dos princípios bíblicos. As histórias a seguir são duas das milhares de histórias que todos nós poderíamos compartilhar. Elas mostram a loucura de não se preparar para a velhice e a morte de uma forma que glorifique o Doador da vida.

Ilustração de saúde

José cresceu conhecendo ambos os seus avôs. Os últimos anos deles o assombraram como adulto enquanto refletia sobre a morte e a velhice, que são a ênfase da lição desta semana. Infelizmente, as experiências de seus avôs servem bem para ilustrar dois caminhos a serem evitados. O “sangue” deles “clama”, por assim dizer, em advertência, direcionando todos para caminhos diferentes daqueles que eles tomaram.

José e a esposa estavam viajando como mochileiros nas montanhas de Sierra Nevada [Serra Nevada] quando receberam uma ligação dizendo que “o vovô A” não estava muito bem. Ele tinha sofrido um ataque cardíaco no início daquele ano. Mas a saúde dele não estava melhorando como se esperava. Ele estava sendo cuidado por parentes. José e a esposa desviaram-se de sua rota para visitar esse pescador, anteriormente robusto, que levara José para pescar grandes peixes no Oceano Pacífico e que sempre tivera tempo para tomar sorvete com seu neto. José e a esposa entraram no quarto onde ele estava deitado, totalmente envolvido sob as cobertas de uma cama. Estava excepcionalmente rígido, como se estivesse imobilizado. As luzes fracas e a atmosfera depressiva prenunciavam o inevitável. Ele reconheceu seu neto. Trocaram algumas poucas palavras. E então, ele interrompeu a conversa soltando quatro palavras que passaram a assombrar José desde então: “Sua saúde [...] é tudo”. Ele repetiu essas palavras como se fossem as suas últimas: “Sua saúde é tudo”. Depois disso, José não conseguiu se lembrar de uma única palavra do que conversaram antes ou depois daquele pronunciamento fatídico. Ele e a esposa foram embora. Logo após a visita deles, o avô de José descansou. Mas até hoje, José ainda pode ouvir o desespero na voz dele enquanto pronunciava sua revelação no leito de morte: “Sua saúde é tudo”. Infelizmente, para muitos, tal revelação sobre a saúde só chega depois que a perdem.

Essa revelação não deve ser uma notícia revolucionária para os que têm sido adventistas a vida toda, como José e outros. Afinal, temos a mensagem de saúde. José, como muitos de nós, não bebia, não fumava nem comia carnes imundas. Ele se exercitava periodicamente. O que teria a temer? Naquela época, José estava muito mais interessado em estudar a Bíblia do que em “todo esse negócio de saúde”, para o qual ele não tinha tempo. E o que é pior, a mensagem de saúde parecia transformar alguns adventistas em fanáticos legalistas. José certamente não seguiria esse caminho. Ele até chegou a se convencer de que suas frequentes condescendências eram “saudáveis” sinais de “equilíbrio” e prova de que ele não era legalista nem fanático. Enquanto refletia sobre sua decisão anterior de não tornar a saúde uma prioridade, as palavras de Paulo lhe vieram à mente: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino” (1Co 13:11). Felizmente, as palavras de seu avô finalmente surtiram efeito em sua vida. Como dizem por aí: “Antes tarde do que nunca”.

Esta lição não pretende ser um seminário de saúde. Mas ela propõe que é apropriada uma breve mudança de perspectiva na nossa maneira de ver a saúde. À medida que nossos parentes envelhecem e finalmente descansam, começamos a ver que os hábitos de saúde de uma vida inteira resultam em um envelhecimento com vitalidade ou em decrepitude precoce. O que uma vez pensávamos que fossem doenças da velhice ou da genética passa a ser visto como mais dependente do estilo de vida. O fator estilo de vida nos Estados Unidos, por exemplo, que tem causado o maior número de mortes, é tanto surpreendente quanto revelador. O relatório “The State of U.S. Health, 1990-2010 Burden of Diseases, Injuries, and Risk Factors” [A Condição da Saúde dos EUA, 1990–2010 Peso de Doenças, Lesões e Fatores de Risco] lista dezessete fatores de risco relacionados à morte e à incapacidade.

Verifica-se que há um fator de risco específico no topo dos gráficos, tanto para a morte quanto para a incapacidade. Permita que isso entre em sua mente por um instante. O fator de risco relacionado ao maior número de mortes nos Estados Unidos (EUA) e à maior quantidade de anos perdidos por causa da invalidez é o mesmo. Algum palpite? Pode-se pensar que o fator de risco número um tenha sido o álcool, o cigarro, o excesso de peso ou a inatividade. Bons palpites, mas errados. O fator de risco número um é o que colocamos em nossa boca todos os dias: é a comida que comemos. Não se deixe enganar por alimentos rotulados como “orgânicos”, “veganos”, “sem glúten”, “vegetarianos”, “naturais”, etc. Há agora um consenso entre vários profissionais de saúde de que uma dieta que consiste principalmente em alimentos vegetais, integrais não refinados, como grãos, feijões, frutas e verduras, reduz substancialmente o risco de inúmeras doenças comuns. Estudiosos em saúde preventiva, como Caldwell B. Esselstyn Jr., T. Colin Campbell, Dean Ornish e John A. McDoughall, estão de acordo com a avaliação acima sobre o papel da dieta na saúde. Neal Barnard e Michael Greger também são recentes defensores dessa mesma posição. Cada um desses homens possui graduação em medicina ou doutorado em nutrição. Para mais informações, o trabalho deles tem bastante destaque na internet. Ellen White, à frente de seu tempo, como de costume, afirmou há mais de cem anos que “cereais, frutas, nozes e verduras constituem o regime dietético escolhido pelo nosso Criador” (A Ciência do Bom Viver, p. 296).

Muitas vezes, não gostamos que os outros nos digam o que devemos comer. O ditado da moda é: “Prefiro comer o que quero e morrer feliz.” Mas aqueles que comem “o que querem”, ignorando uma dieta saudável, geralmente não morrem felizes. Em vez disso, morrem de doenças debilitantes e que se arrastam por muito tempo, ou de morte súbita e prematura, como mostra o relatório dos EUA. É claro que, às vezes, a doença e a morte estão completamente fora do nosso controle. Mas, como o Dr. Kim Williams, presidente do American College of Cardiology [Colégio Americano de Cardiologia], uma pessoa que se abstém de todos os produtos de origem animal, explica: “Não me importo de morrer; só não quero que seja por minha culpa” (Jason Kelly, “Heal Thyself”, Revista da Universidade de Chicago. Disponível em: ). Tanto Davi quanto Ezequias viam a morte como algo a ser evitado. Por quê? Porque o louvor a Deus cessa na morte (Is 38:18; Sl 115:17). Incentive a classe a perceber que o simples (mas às vezes difícil) passo de mudar os hábitos alimentares é determinante para se preparar para uma longa vida de saúde e felicidade no Senhor.

Ilustração de sabedoria

“O vovô B foi um homem de sucesso. Aposentou-se rico e passou seus últimos anos jogando golfe e aproveitando as comodidades de uma comunidade de aposentados da classe alta. Durante uma rara reunião de família, os netos adultos do vovô B, incluindo José, se reuniram em torno dele e lhe perguntaram se ele poderia contar-lhes o que havia aprendido em seus oitenta anos de vida. Depois de alguns momentos desconfortáveis, era óbvio que o avô de José não tinha sabedoria para transmitir à sua descendência. Depois desse encontro, José e seus primos conversaram sobre uma vida que havia sido gasta na aquisição de riqueza à custa de relacionamentos e sabedoria. A vida de seu avô era um lembrete de que o legado mais rico que se pode transmitir à próxima geração é uma sabedoria originada no “temor do Senhor ” (Sl 111:10) e um modelo de vida piedosa. Sabedoria como essa não pode ser adquirida no último minuto da existência; tem que ser vivida ao longo dos anos. Incentive a classe a entender que agora é a hora de adquirir tal experiência.

O famoso jornalista Malcolm Muggeridge, que viveu de maneira bastante dissoluta, aceitou a Cristo em seus últimos anos. Suas palavras são sábios conselhos que precisam ser transmitidos e atendidos pelas novas gerações, para que outras pessoas não cheguem ao fim da jornada terrestre e percebam que desperdiçaram a vida: “Eu posso, suponho, me considerar um homem relativamente bem-sucedido. As pessoas ocasionalmente olham para mim nas ruas; isso significa fama. Eu posso facilmente ganhar dinheiro suficiente que me qualifique para estar presente entre os mais abastados na lista da Receita Federal. Isso é sucesso. Com dinheiro e um pouco de fama, até mesmo os idosos, se quiserem, podem participar de diversões agradáveis. Isso é prazer. De vez em quando, algo que eu disse ou escrevi pode ser suficientemente acatado para que eu fique convencido de que isso representa um impacto importante para o nosso tempo. Isso é realização. No entanto, eu lhe digo, e lhe peço que acredite em mim. Multiplique esses minúsculos triunfos por milhões, some-os todos, e eles não são nada, ou são menos do que nada em contraste com uma gota daquela água viva que Cristo oferece aos sedentos espiritualmente, independentemente de quem ou o que eles sejam” (Em Ravi Zacharias, Can Man Live Without God [Pode o Homem Viver Sem Deus?], Nashville: W Publishing Group, 1994, p. 116).

Se possível, procure alguns homens e mulheres, vividos e sábios, que estejam dispostos a compartilhar com a classe algumas pérolas divinas de sabedoria que aprenderam.

APLICAÇÃO PARA A VIDA

Alguns dos passos para se preparar para o casamento, para se tornar pai ou mãe e para a velhice são os mesmos. Primeiro, leia todos os conselhos, provérbios e histórias da Bíblia sobre esses tópicos. Em segundo lugar, além da Bíblia, leia material cristão de autores especializados nessas áreas. Em seguida, converse com casais, pais e idosos, a fim de conseguir o panorama mais claro possível dessas experiências.

Outro passo prático é “calcular o preço” (Lc 14:28, NVI). Esse passo se aplica diretamente a cada pessoa, se o casamento, a paternidade e a maternidade fazem parte dos planos para seu futuro e, indiretamente, à velhice e à morte. Considere questões como:

1. Há pessoas idosas com 70, 80 anos, que estão escalando montanhas, e há pessoas da mesma idade que estão sofrendo para subir um lance de escadas. Que mudanças de estilo de vida preciso adotar hoje para que eu tenha mais chances de alcançar a saúde ideal para os últimos anos?

2. Ter filhos é uma tremenda bênção (Sl 127:3-5), mas também um sacrifício de tempo, recursos e energia. No momento em que nascem, há uma preocupação sempre presente com sua segurança, desenvolvimento, bem-estar e salvação. Todo o planejamento, locomoção e espontaneidade tornam-se significativamente mais complexos. O vínculo de amor que temos com as crianças faz tudo valer a pena no momento, mas muitos falham em fazer esta importante pergunta: As crianças estão em harmonia com a direção em que o Senhor está conduzindo a vida delas? Se elas estiverem em outra direção, cabe aos pais orar e buscar a sabedoria divina para ajudá-las a seguir no caminho da salvação.