Leia: O ANO BÍBLICO com a bíblia NVI e a Meditação Matinal - Maranata, O Senhor Vem! - Ellen G.White

LIÇÃO DO PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2018

Lição 2: 6 a 13 de janeiro

Vejo, quero, pego

 

Autor: Heber Toth Armí

Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Revisora: Josiéli Nóbrega

 

Sou parte da quarta geração de adventistas em minha família. Desde criança, com meus pais participei das atividades da igreja. Assisti aos cultos religiosamente aos sábados, domingos e quartas-feiras, além das semanas especiais no município de La Paloma, no Paraguai.

Sempre gostei de estudar e aprender assuntos espirituais. Eu pensava que já conhecia o tema da Lição deste trimestre, porém, ao examinar as treze Lições sobre mordomia cristã para preparar os comentários, notei quanto eu desconhecia esse assunto. Ao revisá-lo foram dissipadas, inclusive, preconceitos adquiridos na infância.

Se, de certa forma, você se identifica comigo quanto à mordomia cristã, saiba que somos desafiados a reconsiderar nossos conceitos. Esse tema abrange mais do que eu imaginava. Ele mostra que nenhum ser humano é dono de nada; contudo, administra tudo o que o Dono de todas as coisas deixa sob sua responsabilidade, inclusive a vida. Que privilégio!

Quando, porém, não entendemos isso, pretendemos usar as coisas de Deus como se fossem nossas.

Este estudo amplia a ideia de materialismo visto anteriormente, dando ênfase aos sentimentos que o motivam.

Tudo começa com o ato de “ver”, depois passa pelo sentimento de “querer”, até culminar na decisão de “pegar”. Isso caracteriza a “cobiça”. Eva viu, quis e pegou (Gn 3:1-6). Assim, a cobiça humana começou quando Eva desejou o fruto proibido porque quis ser como Deus.

Infelizmente, “o mundanismo e a cobiça estão destruindo a vitalidade do povo de Deus” (Ellen G. White. Testemunhos Para a Igreja, v. 3, p. 405). Inclusive a interpretação do evangelho é afetada quando o leitor é dominado pela cobiça e pelo materialismo.

O evangelho da prosperidade se espalhou pelo mundo. Embora seja atraente, a teologia da prosperidade perverte o evangelho. Em essência é a cobiça pedindo a Deus para enriquecer-se materialmente. É a ambição usando as vestes da religião (Is 56:11). É o desejo desenfreado de obter com Deus coisas que, de outra forma, seria mais difícil ou impossível. É buscar tesouros do Céu para prosperar na Terra.

No evangelho da prosperidade, damos para ganhar, oferecemos para receber, ofertamos para obter o que queremos. Na Bíblia, Deus dá sem que mereçamos; Ele entrega sem que Lhe peçamos; Ele Se doa sem nossa súplica. Na verdade, se tudo é de Deus, nada temos para pagar por Seus serviços. É como tentar tomar emprestado Dele para pagar-Lhe por aquilo que queremos. É um cristianismo materialista, um evangelho pautado pela cobiça.

Devido à influência do materialismo, “muitos do povo de Deus estão em perigo de ser enredados pela mundanidade e a cobiça” (Ellen G. White, Conselhos Sobre Mordomia, p. 15). Em Mateus 13:3-7 Jesus contou a parábola dos tipos de ouvintes (solos) de Suas palavras (sementes).

1. Os que ouvem, mas não interiorizam nenhum ensinamento têm coração duro e impenetrável (v. 4).

2. Os que recebem com empolgação o evangelho sem retirar os obstáculos (pedras); assim, com a mesma rapidez com que aceitam, desanimam e desistem sem criar raízes, voltando às próprias ideologias (v. 5-6).

3. Os que se preparam, são sedentos e receptivos, comprometem-se consciente e perseverantemente, permitindo que o evangelho crie raízes; porém, não se preocupam em vigiar, ignoram a possibilidade dos espinhos que podem nascer, crescer e sufocar os ensinamentos de Cristo (v. 7). Os espinhos representam duas coisas (Mt 13:22):

I. Os cuidados do mundo: Preocupações, ansiedade, medo do futuro, busca por poder, fama, reconhecimento, títulos, negócios, etc. (Lc 21:34).

II. A fascinação pelas riquezas: Ambições, ganância, materialismo, cobiça, etc.

A riqueza nos fascina, mas não nos salva. Ela nos sufoca. Iludimo-nos com ela como se fosse garantia da nossa existência insegura, incerta e frágil.

A cobiça enfraquece o domínio próprio, corrompe o raciocínio e destrói a inteligência espiritual. Quem cobiça pisa nos nobres princípios divinos, ignora a revelação de Deus e rebaixa a moral. Quando a ganância toma conta da alma, leva a pessoa a fazer coisas visando satisfazer os caprichos da cobiça:

*Jezabel mandou matar Nabote para tomar-lhe a vinha (1Rs 21).

*Acã roubou uma capa, prata e ouro porque primeiro os cobiçou (Js 7:20-22).

*Demas abandonou Paulo e Cristo por ter amado o presente século (Fl 24; Cl 4:14; 2Tm 4:10).

*Judas vendeu seu Senhor, o Filho de Deus, por trinta moedas de prata (Mt 26:14-16).

A cobiça é imperceptível, mas quando se revela as consequências são indesejáveis. Devemos cuidar com pecados sutis. Note que,

“O alcoólatra é desprezado e costuma-se dizer a ele que seu vício o deixará fora do Céu, enquanto o orgulho, o egoísmo e a cobiça não são muitas vezes condenados. No entanto, esses são pecados muito ofensivos a Deus, pois são contrários à bondade do caráter divino e ao amor desinteressado, que é o próprio ambiente de todo o Universo onde o pecado não entrou” (Ellen G. White. Caminho a Cristo, p. 30).

A cobiça é tão ofensiva que Deus concluiu os Dez Mandamentos proibindo-a (Êx 20:17). Loron Wade declarou que “a cobiça é o amor fora de proporção, fora de equilíbrio e fora de lugar” (Loron Wade. Os Dez Mandamentos, p. 93). Paul R. House percebeu que “o décimo mandamento denuncia a atitude específica que leva à quebra de todos os mandamentos” (Paul R. House. Teologia do Antigo Testamento, p. 144). E, Ellen G. White foi categórica: “O décimo mandamento fere a própria raiz de todos os pecados, proibindo o desejo egoístico, do qual nasce o ato pecaminoso” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 309).

A insatisfação é a raiz de ambições ilícitas, desejos perversos e ganância licenciosa. A insatisfação,

*fez de Lúcifer o diabo.

*fez de Eva uma pecadora e instrumento de Satanás para levar Adão a pecar.

*levou o filho pródigo a querer a herança para gastar como bem entendesse (Lc 15:11-30).

Portanto, precisamos cuidar para que os nossos olhos não sejam fixados nas seduções da cobiça e do pecado (Tg 1:14, 15). Para não cair em tentação, devemos resistir ao diabo, purificar as mãos e limpar o coração (Tg 4:7, 8). É necessário impedir que a cobiça entre em ação. Por isso, devemos deixar Cristo atuar em nós (Gl 2:20), para desenvolver em nosso coração a generosidade (2Co 8:1-7).

Precisamos entender que só seremos satisfeitos em Deus. Só através Dele teremos domínio próprio e não nos submeteremos ao poder da cobiça, ganância e ambição que nos levam à perdição.

Jesus é Aquele que satisfaz o cristão (Jo 4:14). Ele supre toda necessidade dos que colocam em primeiro lugar o que realmente é prioridade (Mt 6:25-34; Fl 4:19). Quando Deus e Seu reino forem nossas prioridades, seremos Seus mordomos de verdade. Então, buscaremos as coisas do alto, onde Cristo habita (Cl 3:1).

Conheça o autor dos comentários deste trimestre: O Pastor Heber Toth Armí graduou-se em Teologia pelo UNASP-EC, em 2005. Concluiu Mestrado em Teologia pelo UNASP-EC, em 2016. Atua como distrital em Fraiburgo, SC. É casado com Ketlin Mara Hasse Armí.

Autor do comentário:

O Pastor Heber Toth Armí graduou-se em Teologia pelo UNASP-EC, em 2005. Concluiu Mestrado em Teologia pelo UNASP-EC, em 2016. Atua como distrital em Fraiburgo, SC. É casado com Ketlin Mara Hasse Armí.