Leia: O ANO BÍBLICO com a bíblia NVI e a Meditação Matinal - Maranata, O Senhor Vem! - Ellen G.White

LIÇÃO DA ESCOLA SABATINA - TERCEIRO TRIMESTRE DE 2018

Lição 12 – Detenção em Cesareia

Semana 15 a 21 de setembro

Comentário auxiliar elaborado por Sikberto Renaldo Marks, professor titular, sênior, no curso de Administração de Empresas da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ (Ijuí – RS)

Este comentário complementa o estudo da lição original

www.cristoembrevevira.com – marks@unijui.edu.br – Fone/fax: (55) 3332.4868

Ijuí – Rio Grande do Sul, Brasil

Verso para memorizar: “Assim DEUS permitisse que, por pouco ou por muito, não apenas tu, ó rei, porém todos os que hoje me ouvem se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias” (Atos 26:29).

 

Introdução de sábado à tarde

Como sabemos, Paulo foi transferido para Cesareia por uma questão de segurança, pois tramavam um atentado contra ele. E em Cesareia o deixaram de molho, por dois anos. Isso é uma indiferença para com um ser humano contra o qual nada se podia comprovar. Vez por outra, Paulo teve o privilégio de falar para as autoridades, mas isso que ele fez em dois anos poderia se fazer em menos de um mês.  Mas DEUS tinha um plano, que Paulo falasse aos gentios que se tornaram altas autoridades. Ali em Cesareia ele falou para Felix, Festo e para o rei Herodes Agripa II, e seus assessores. Nenhum se converteu. Agripa por pouco se converte, mas, ao menos, tiveram a oportunidade. Como é difícil a quem está no poder tornar-se seguidor de JESUS.

Diante da iminência de Paulo retornar a Jerusalém, onde a sua morte seria certa e onde o seu julgamento seria uma farsa, ele preferiu ser julgado pelos pagãos. Isso é lamentável cristãos terem de recorrer a tribunais seculares porque entre eles não há justiça confiável. O próprio Paulo mesmo alertou sobre a vergonha de irmãos recorrerem a tribunais seculares, de juízes descrentes, para resolverem suas demandas, e Paulo teve que recorrer a essa alternativa. Ele sabia muito bem que em Roma seu julgamento seria mais cuidadoso que em Jerusalém. Eu mesmo já sofri esse tipo de tratamento, quando na igreja não respeitam nem as próprias normas e muito menos as do país. Há inúmeros casos assim entre nós, hoje. Paulo teve que fugir da fúria não racional de seus irmãos na fé ao mesmo tempo em que estava enfrentando a indiferença dos que estavam ao seu lado. Os da igreja, que ele ajudou a construir, o abandonaram, justo nos momentos em que mais precisava. O grande problema não é o grito dos maus, mas a omissão dos bons.

Mas por vias tortuosas ou retas, Paulo iria testemunhar também em Roma, para os donos do poder do maior império daqueles dias, iria testemunhar perante César, no caso, seria Nero. Se Nero aceitasse ou não, isso já não era mais responsabilidade de Paulo. Mas não fosse a fúria de muitos judeus, Paulo poderia ter ido a Roma de outra maneira. Ou seja, DEUS não permitiu que os maus irmãos estragassem o poder de um homem culto nas mãos de DEUS. Ou quem mais poderia falar diante de tais autoridades?

Paulo estava pagando por ser politicamente incorreto, ou seja, por chamar o pecado pelo seu nome exato, e por ter aderido em tudo, ao que JESUS ensinou. Se formos julgados por esses motivos, que sejamos, e se formos condenados, então teremos a vida eterna garantida. Mas ai dos que julgam e condenam.

 

  1. Primeiro dia: Diante de Félix

A distância entre Jerusalém e Cesareia é de 120 km. A pé dá para fazer em 3 dias, na base de 4 km por hora, caminhando umas 12 horas por dia. Em 4 dias faz o trajeto com facilidade, ainda mais sendo soldados. Depois de Paulo chegar a Cesareia, 5 dias mais tarde, já veio para lá um grupo de judeus querendo acusar o apóstolo. Veio para lá uma comitiva poderosa, preparada para influenciar Félix, um governador truculento, cruel e mau caráter, tanto que menos de dois anos mais tarde ele foi trocado por Festo. Quem fez essa troca foi o imperador romano Cesar (Claudius Caesar Augustus Germanicus, que foi sucedido por Nero). O homem não prestava mesmo.

O grupo de judeus era composto de membros do Sinédrio, alguns judeus influentes, o sumo sacerdote Ananias (esse que mais devia defender a verdade, mas perseguia a verdade) e trouxeram um advogado e orador profissional, romano, Tértulo, (ele não era judeu), com eles, isto é, um entendido em filosofia, a ciência da argumentação e defesa de ideias da época.

Tértulo, um lisonjeador (aquele que enaltece de forma exagerada, ou que inventa atributos positivos inexistentes, com o fim de levar alguma vantagem), ao receber o direito à palavra, primeiramente enalteceu com lisonjas o governador Festo. O que ele disse? Ellen G. White descreveu assim: “Cinco dias depois de haver Paulo chegado a Cesareia, seus acusadores chegaram de Jerusalém, acompanhados por Tértulo, um orador a quem tinham aliciado como conselheiro. Foi concedida ao caso imediata audiência. Paulo foi levado perante a assembleia, e Tértulo “começou a acusá-lo”. Julgando que a lisonja pudesse ter sobre o governador romano mais influência que as simples afirmações da verdade e da justiça, o astuto orador começou seu discurso louvando a Félix: “Visto como por ti temos tanta paz e por tua prudência se fazem a este povo muitos e louváveis serviços, sempre e em todo o lugar, ó potentíssimo Félix, com todo o agradecimento o queremos reconhecer.” Atos 24:2 e 3. Tértulo desceu aqui a deslavada falsidade; pois o caráter de Félix era indigno e desprezível. Dele foi dito que “na prática de toda espécie de luxúria e crueldade, exerceu o poder de um rei com a têmpera de um escravo”” (Atos dos Apóstolos, 419). O advogado dos judeus acusou Paulo assim: “Primeiro, criou distúrbios entre os romanos por todo o império. Isto era uma ofensa contra o governo romano (crimen majestatis). Em segundo lugar, era o principal promotor da seita dos nazarenos; perturbou os judeus no exercício da sua religião, assegurado pelo Estado; apresentou novos deuses, algo que era proibido pelos romanos. E em terceiro lugar, tentou profanar o templo, um crime que os judeus podiam punir” (fonte aqui). Tudo mentira!

Ellen G. White descreve quase da mesma maneira a acusação, porém, com mais convicção e maior riqueza de detalhes importantes: “Em seu discurso, Tértulo acusou Paulo de crimes que, se provados, teriam resultado em sua condenação por alta traição contra o governo. “Temos achado que este homem é uma peste”, declarou o orador, “e promotor de sedições entre todos os judeus, por todo o mundo; e o principal defensor da seita dos nazarenos, o qual intentou também profanar o templo.” Atos 24:5 e 6. Tértulo afirmou então que Lísias, o comandante da guarnição em Jerusalém, tinha arrebatado Paulo aos judeus com violência, quando estavam para julgá-lo por sua lei eclesiástica, e que assim os forçou a apresentar o assunto perante Félix. Essas afirmações eram feitas com o desígnio de induzir o procurador a devolver Paulo à corte judaica. Todas as acusações foram sustentadas com veemência pelos judeus presentes, os quais nenhum esforço fizeram para ocultar seu ódio ao prisioneiro” (Atos dos Apóstolos, 420).

As lisonjas de Tértulo foram tão exageradas que todos ali presentes desconfiaram das intenções do acusador de Paulo, e muito mais Félix, pois ele bem sabia o quanto os judeus o odiavam, e faziam acusações contra ele em Roma.

O mau e cruel Félix, mesmo sendo de mau caráter, não era estúpido, não teve dificuldade alguma em discernir o que os judeus ali queriam. Nunca fora tão elogiado, e isso era no mínimo suspeito. O que aqueles homens queriam contratando um advogado que nem era judeu? Tudo era suspeito logo de início. As acusações eram fortemente apoiadas pelos outros que vieram de Jerusalém, e eles não conseguiram esconder o ódio contra Paulo.

Foi dada a oportunidade de Paulo defender-se, e pelo visto, o fez melhor que a acusação de Tértulo. Paulo não enfadou Félix com falsas lisonjas, mas fez uma breve introdução bem educada e foi direto aos pontos. Explicou o que ele fazia e disse que estava sendo julgado porque trouxe esmolas de Antioquia a Jerusalém, e estava entrando no templo depois de já se ter purificado. Ou seja, estava tudo certo. E Paulo desafiou os seus oponentes que apresentassem testemunhas do que o acusavam, o que está em Atos 24:20. Que fiasco, estavam diante do governador Felix, fizeram graves acusações contra Paulo, e não trouxeram nenhuma prova para sustentar o que diziam. Que advogado incompetente era esse Tértulo! E que acusadores cheios de ódio que nem chegaram a se dar conta que precisavam provar as acusações, pois, Felix, se fosse mais justo e consciencioso, poderia mandar prender todos eles, por calúnia e difamação, e desrespeito ao governador, tratando-o levianamente. Ali estava tudo errado, o único que se manteve impoluto foi Paulo.

Felix, sabia que Paulo não era um pobretão, que era influente e que tinha amigos. Ele, sendo ganancioso e sempre querendo levar vantagem, imaginou que Paulo fosse igualmente mau caráter para obter algum suborno e assim libertá-lo. Ou seja, o governador se convenceu que Paulo estava preso e sendo julgado por ódio, e que não era perigo algum contra o Império Romano, mas segurou o pregador por interesses pessoais contra ele.

 

  1. Segunda: Diante de Festo

O corrupto Felix foi substituído por outro corrupto, o governador Festo. Um como outro queriam agradar os judeus, pois assim estes colaborariam com o governo romano. Lembre-se que esse foi um dos motivos porque o Sinédrio comandou o falso julgamento e a execução de JESUS CRISTO.

Assumindo Festo, primeiramente foi a Jerusalém, onde os judeus falaram com ele, apresentando as acusações de sempre, enfatizando que deveria retornar para Jerusalém e ser julgado no Sinédrio, pelas leis judaicas. Se os governadores romanos eram corruptos, o Sinédrio era muito mais, havia um plano de matar Paulo sem qualquer julgamento, antes que chegasse à cidade. Mas Festo disse a eles que seria julgado em Cesareia, e que fossem com ele, pois logo partiria para lá.

Em Cesareia assentou-se o tribunal e lá estavam os acusadores, vários, contra um réu, que não possuía sequer um único defensor, ele mesmo deveria defender-se, sozinho. As acusações foram as mesmas, porém, dessa vez não veio aquele inútil advogado, que só sabia falar bem, mas não convencia o tribunal. Havia no tribunal vários conselheiros, mas o governador era o juiz que dava a palavra final.

Paulo mais uma vez defendeu-se, e usou a seu favor seus estudos no passado. Ele possuía muito conhecimento, uma boa oratória, falava corretamente, em várias línguas. Os bons adventistas devem porfiar por se aperfeiçoar, isso sempre é muito útil. Mas vejo na igreja muitos irmãos, ainda em idade de estudo, sem fazer o menor esforço para, no mínimo, melhorar a sua capacidade de falar em público sem tropeçar nas regras gramaticais. Lamentável por ser a igreja de CRISTO. Paulo disse poucas palavras a seu favor, mas foram palavras focadas e bem convincentes, dizendo: “Eu não pequei em coisa alguma contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César” (Atos 25:8).

Festo, querendo garantir o favor dos judeus, perguntou a Paulo, se ele concordava em ser julgado pelo Sinédrio. Ele perguntou porque Paulo era cidadão romano, se não fosse, o teria remetido logo a Jerusalém. Mas como cidadão romano, Paulo possuía direitos que deveriam ser respeitados. Então Paulo, sem outra saída, apelou para ser julgado em Roma, por Cesar (seria julgado por Nero, um dos da família dos cesares), num tribunal pagão, por leis romanas pagãs. Nesse tribunal, para Paulo era mais seguro que em Jerusalém.

O mesmo Paulo, certa vez escreveu: “Aventura-se algum de vós, tendo questão contra outro, a submetê-la a juízo perante os injustos e não perante os santos? Ou não sabeis que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deverá ser julgado por vós, sois acaso indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis que havemos de julgar os próprios anjos? Quanto mais as coisas desta vida! Entretanto, vós quando tendes a julgar negócios terrenos, constituis um tribunal daqueles que não têm nenhuma aceitação na igreja! Para vergonha vo-lo digo. Não há, porventura, nem ao menos um sábio entre vós, que possa julgar no meio da irmandade? Mas irá um irmão a juízo contra outro irmão, e isto perante incrédulos? O só existir entre vós demandas já é completa derrota para vós outros. Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes o dano? Mas vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o dano, e isto aos próprios irmãos. Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus?” (I Cor. 6:1-9). É, não havia sequer um sábio no Sinédrio, para que Paulo fosse julgado com justiça. Por outro lado, DEUS queria mesmo que Paulo fosse a Roma. Mas não precisava ser dessa forma.

Cabe uma reflexão. Como DEUS vê situações como essas, quando Seus filhos, para não serem injustiçados, precisam recorrer a tribunais seculares? E como isso é frequente entre nós. Infelizmente. Soube de um caso verídico, em que um ancião deveria ser julgado pela comissão de sua igreja. O pastor convocou a comissão, mas retiraram o nome do ancião da lista dos e-mails, e esse homem não compareceu à reunião, que foi feita às pressas, numa quarta-feira, sem ser sequer anunciada na igreja. Nessa reunião julgaram o ancião, e o condenaram, e, incrível, ninguém dos membros deu-se conta que o homem não estava lá para se defender. Tudo ilegal e tendencioso, manipulado, guiado pelo ódio, ou, pelo demônio. Isso é igual aos tempos da Inquisição, ou melhor, é o ensaio para perseguir os irmãos da igreja na igreja. Lamentavelmente, isso acontece dentro de nossa igreja. E pasme quem tem algum sentimento de coerência: no dia seguinte, aquele falso pastor resolveu comunicar o ancião, por telefone, sobre a reunião e sobre a decisão. Tudo teve que ser anulado, pois era falso e ilegal. Sinédrios existem por todos os lugares, líderes falsos e tendenciosos temos muitos entre nós. Não se pode varrer a sujeira por debaixo do tapete, é a realidade e será muito dura quando vier a perseguição, junto com o decreto dominical. Paulo, e isso é incrível, teve que apelar para um tribunal romano, pagão, pois entre o seu povo, seria morto sem sequer ter um julgamento. É como agiu aquela comissão! O que acontece entre nós não decreta que a nossa igreja seja Babilônia ou não seja a igreja de CRISTO. Isso diz que temos falsos líderes e muitos apoiadores, os inimigos da igreja, o joio. Trabalham para o demônio. É para resolver essa situação que será enviada a sacudidura, graças a DEUS. Só DEUS para tirar o joio de seu poder manipulador. E esse tempo virá com o decreto dominical. Então que venha logo, antes que muitas outras injustiças sejam cometidas, antes que muitas mentiras sejam pronunciadas, antes que o ódio tome conta de outros mais.

 

  1. Terça: Perante Agripa

Relembrando o que aconteceu a Paulo, mais recentemente. Festo recebeu o caso de Félix, que foi destituído pelo poder superior. Festo, antes de ir a Cesareia, passou por Jerusalém, e ali, os judeus o abordaram sobre Paulo, querendo que ele voltasse a ser julgado pelo Sinédrio, porém, antes disso, o matariam. Foi essa a razão que levou Claudio Lísias, o comandante da fortaleza ao lado do templo, a enviá-lo a Cesareia. E agora, Paulo voltaria? É que Festo parece que não sabia da trama que Lísias informara a Félix.

Então, chegando a Cesareia, no dia seguinte já se instalou o tribunal e foram julgar o caso de Paulo. Os judeus estavam lá e fizeram as acusações, mas Festo ficou perplexo ao perceber que não havia sequer uma acusação que envolvesse questão política ou de segurança contra o Império Romano. E nessa reunião Paulo apelou para ser julgado por César, o imperador. Agora Festo estava com um problema: o que escrever para o imperador? As acusações que faziam contra ele eram na verdade da jurisdição do Sinédrio, em Jerusalém, mas Paulo queria ser julgado por César, em Roma. Que confusão! Paulo se achava mais seguro sob o Império Romano que entre seus irmãosQue vergonha para os judeus, para o povo de DEUS. Festo mesmo disse aos judeus: “Não é costume dos romanos condenar quem quer que seja sem que estejam presentes seus acusadores e que o acusado possa defender-se” (Atos 25:16). Assim deveria ser em nossa igreja também, temos a aprender com os idólatras. Essa frase de Festo merece ser assunto de um sermão a divulgar a nível mundial, para evitar outras comissões falsas como a que relatei. Aliás, o Brasil é um país que garante amplo direito à defesa, coisa que entre nós não é bem assim. Infelizmente!

E agora, o que Festo deveria escrever ao imperador Cesar? Pois, como envolver o tribunal de Roma em algo que nada tinha a ver com o império? Tinha a ver com um tribunal religioso em Jerusalém. O que César, no caso, Nero, o mais cruel de todos os imperadores estaria interessado em um assunto assim, sendo que nem ele e nem seus assessores entendiam alguma coisa a respeito do assunto das acusações? E, se Festo manda um assunto de menor importância, ou incompatível com o tribunal, ele até poderia ser punido, pois estaria dando trabalho ao imperador que outros já deveriam ter resolvido, há tempo. Isso é um verdadeiro “nó górdio”. E o problema se agigantava, pois Paulo, ainda por cima cidadão romano, já estava preso há uns dois anos. Estava tudo errado. Festo tinha em suas mãos um problemão que não sabia como encaminhar.

Chegando à Cesareia o rei Herodes Agripa II, para saudar Pórcio Festo em seu novo cargo, e lhe dar apoio, Festo apresentou-lhe o caso de Paulo. Agripa até ficou feliz, pois queria mesmo ouvir Paulo, a sua história e fama já se havia espalhado. Esse Agripa era descendente do Herodes que mandou matar as crianças para ver se assim também matava JESUS recém nascido. Era mau, corrupto e cheio de interesses próprios. Aliás, difícil era encontrar algum homem no poder que fosse também justo.

Agripa, mesmo sendo mau sujeito, conhecia bem a doutrina dos judeus, e vendo-se diante de Paulo, sabendo que ele era muito estudado e eloquente, deliciou-se em ouvi-lo. A tal ponto apreciou o discurso de Paulo que quase se converteu, pois disse: “por pouco me persuades a me fazer cristão” (Atos 26:28). Amanhã estudaremos o que Paulo falou perante Agripa e Festo.

 

  1. Quarta: A defesa de Paulo

Hoje é o caso do estudo da defesa de Paulo perante o rei Herodes Agripa II, neto do outro rei Herodes, que vivia no tempo que JESUS nasceu. Todos os reis e governadores lideravam por meio de poder, submissão, medo, mas também faziam favores ao povo para que não houvesse rebelião. Exploravam mas garantiam paz e segurança.

Esse rei Agripa estava bem familiarizado com as crenças judaicas, diferente de Festo, que recém chegara como governador. O rei Agripa era de uma família de reis daquela região, era descendente de Esaú, portanto idumeu, e para poder governar melhor, devia conhecer o povo, seus costumes, tradições e religião. Os idumeus, ou edomitas e os judeus se odiavam mutuamente, desde que Jacó enganou Esaú. Os descendentes de Esaú sempre seriam servos dos descendentes de Jacó, mas, agora, eram esses descendentes que reinavam sobre os judeus. Difícil de engolir. Lembre que muitas profecias são vinculadas a obediência; há muito que os judeus perderam essa proteção da parte de DEUS.

Paulo contou a sua história, algo bem parecido com o que ele fez em Jerusalém. O rei Agripa II o ouvia atentamente, até que Festo, um tanto entediado, exclamou que Paulo estava ficando louco de tanto estudar. Festo até ali não estava entendendo muita coisa, mas Agripa II e sua esposa, estavam. É bem importante ler o que Paulo falou, está em Atos 26:1-32 (todo o capítulo). Tem dois fatos que chamam a atenção durante esse discurso: a ingênua interrupção de Festo, demonstrando que ele estava totalmente despreparado para julgar o caso de Paulo, e a exclamação do rei Agripa II, quando disse: “Por pouco me persuades a me fazer cristão” (Atos 26:28).

Agripa II entendeu bem a situação de Paulo, e chegou às seguintes conclusões:

  • Em Paulo nada havia que ameaçasse o Império Romano.
  • E quanto à lei judaica, da mesma forma, Paulo não estava deturpando o judaísmo.

A decisão de Agripa II seria de soltar Paulo imediatamente, mas agora havia um porém: Paulo, querendo escapar do falso e cruel Sinédrio de Jerusalém, já havia apelado para Cesar, e isso estava registrado, portanto, deveria ser atendido. Não fosse isso, Paulo naquele dia sairia, como se diz no Brasil, pela porta da frente, livre e sem pendência juridicamente alguma. É lamentável quando os tribunais seculares são mais justos e corretos que os tribunais religiosos, e pior ainda, sendo tribunais do povo de DEUS.

A sentença do rei Agripa II foi, e assim falavam entre si os conselheiros: “Este homem nada fez digno de morte ou de prisões. E Agripa disse a Festo: Bem podia soltar-se este homem, se não houvera apelado para César” (Atos 26:31,32). O rei e os demais participantes do tribunal inocentaram um homem que o Sinédrio queria matar. E Paulo teve a oportunidade de fazer mais uma defesa e de dar mais um testemunho. Não sabemos se isto resultou em alguma conversão, mas isso não é o mais importante. O que vale é que aqueles homens tiveram a sua oportunidade, e Agripa II quase se converteu ali mesmo. Que cada um faça uso de seu livre arbítrio como bem desejar, certo é que um dia DEUS irá perguntar a respeito dos atos de todos nós. Que nunca aconteça de eu, assentado numa comissão de igreja, julgar e sentenciar alguém sem que essa pessoa tenha amplo direito a defesa, e que se dê o tempo devido para essa pessoa se organizar. Quem não age assim, está ao lado de satanás, obrigando o coitado do réu a recorrer a tribunais seculares, às vezes mais justos que os irmãos na fé. Devemos ter muito cuidado pois estamos em Laudiceia, onde nem tudo se deve seguir, exceto as doutrinas e o que está escrito por profetas. Mas a influência em Laudiceia pode ser fatal.

 

  1. Quinta: Paulo diante dos líderes

Paulo expôs calmamente sua argumentação e defesa perante Agripa. Ele se sentia à vontade diante desse rei, que também era parente dos judeus por Isaque, irmão de Jacó; conhecia a doutrina cristã bem como a Torá. Ao contrário de Festo, estava bem mais informado sobre o que Paulo pregava, e, portanto, poderia entender melhor a situação de Paulo.

Após Paulo ser interrompido por Festo, porque dissera que JESUS fora morto, mas ressuscitara, tendo Festo não concordado com isso, mas Agripa II já conhecia essa doutrina, o apóstolo fez uma pergunta a Agripa II. “Acreditas, ó rei Agripa, nos profetas? Bem sei que acreditas” (Atos 26:27). Agripa II demonstrou que estava com tendência a se tornar cristão, ou seja, um idumeu convertido, se tivesse mais conhecimento sobre o cristianismo. Isso era quase impossível devido a forte incompatibilidade do cargo do rei, um alto cargo do Império Romano, e o cristianismo.

O rei Agripa II, crendo há mais tempo nos mesmos pontos de vista de Paulo, até ficou perplexo como esse homem estava preso há tanto tempo, só por crer assimOu seja, pelas palavras de Paulo, quando se referiu que esse rei, bem como os demais, seria bom se também fossem cristãos, menos as algemas, deu a entender que ser cristão não é algo punível por alguma lei, nem dos judeus, nem dos romanos, com o que Agripa II concordou plenamente. Agripa II, e os demais conselheiros, concordaram que Paulo poderia ser solto, pois os motivos de sua prisão nada tinham de problemático.

Ou seja, se Paulo e Agripa II criam nos mesmos princípios, por que um estava preso e o outro era livre? Todos ali entenderam a situação, mas Paulo teve que continuar preso para ser remetido a Cesar, pois havia apelado assim. Agora mais uma vez a contradição: Paulo teve que, mais cedo, apelar para Cesar em Roma, um tribunal gentio e pagão, para não morrer nas mãos de seus compatriotas em Jerusalém. Isso é triste demais, gentios serem mais confiáveis que os irmãos. Se os romanos gentios levavam mais a sério suas leis, por que os judeus não agiam assim, quando convocaram o Sinédrio, mas não para julgar Paulo, e sim, para matá-lo? Paulo foi ser julgado por uma autoridade romana porque senão seria morto em Jerusalém. E veja bem, Paulo foi julgado pelo cruel Nero, e por ele foi absolvido! No final dos tempos, muitos não crentes se converterão e se salvarão, e muitos crentes em JESUS, se perderão.

Aliás, como foi mesmo o julgamento de JESUS? Foi uma farsa, a intenção era matar JESUS. Não havia acusação para O julgar, nem mesmo para O prender. E eles, os líderes judaicos, sabiam muito bem quem era JESUS, o Filho de DEUS. Pois eles estavam presentes em quase todos os milagres que Ele praticava, inclusive quando ressuscitou Lázaro, morto de quatro dias. Como gente assim iria se arrepender? Pois esses, ao contrário dos soldados romanos, sabiam bem o que faziam.

A guerra entre o bem e o mal é muito sutil. Até os mais inteligentes podem ser engambelados. Portanto, a todos nós, tenhamos muito cuidado para não nos tornarmos perseguidores da igreja verdadeira sendo membros ou líderes dela.

 

  1. Resumo e aplicação – Sexta-feira, dia da preparação para o santo sábado:
  2. Tema transversal

Que título daremos à família dos Herodes? Uma família que nunca aprende o que é importante? Ou, que o poder corrompe? Ou, que a ideologia domina a mente? Ou, tudo isso?

O bisavô de Herodes Agripa II, Herodes o Grande, que governou do ano 37 aC a 4 dC, foi o homem que mandou matar as criancinhas de dois anos para menos, em Belém, tentando atingir JESUS. Esse era tão cruel, que chegou a matar a própria esposa e 3 filhos. O tio-avô de Agripa II, Herodes Antipas, foi o que mandou decapitar João Batista. O seu Pai, Herodes Agripa I, mandou matar Tiago, e queria matar também Pedro. Todos esses tiveram fins trágicos. Herodes, o Grande, um edomita, morreu, em Jericó, no ano 4 dC, embora tenha reformado o templo de Jerusalém, morreu de doença renal crônica, ele sofreu muito até à morte. Ele sofreu durante toda a sua vida de depressão e paranoia. Pouca gente lamentou a sua morte, muitos se alegraram.

Herodes Antipas casou-se com a filha de Aretas IV, rei da Arábia, cuja capital era Petra, na região da Trans-jordânia. Depois apaixonou-se por Herodias, esposa de Filipe, seu irmão. Levou-a consigo para a Galileia e casou-se com ela, divorciando-se da filha de Aretas e mandando-a de volta aos seus pais. João Batista denunciou esse casamento, pelo que foi decapitado. Junto com Pôncio Pilatos, envolveu-se no julgamento de JESUS. Herodes Antipas experimentou uma derrocada final. Seu exército foi derrotado pelas forças árabes sob o comando de Aretas IV, seu ex-sogro, ressentido pelo insulto feito à sua filha quando Herodes Antipas casou-se com Herodias. Envolveu em intrigas com seu sobrinho, Herodes Agripa I, foi denunciado como conspirador e banido de sua tetrarquia [quarta parte de um território] pelo imperador Calígula. Foi exilado para Gália (cidade de Lião, na França), por fim, morreu na Espanha.

Herodes Agripa I, como ele morreu? “Ora, havia séria divergência entre Herodes e os habitantes de Tiro e de Sidom; porém estes, de comum acordo, se apresentaram a ele e, depois de alcançar o favor de Blasto, camarista do rei, pediram reconciliação, porque a sua terra se abastecia do país do rei. Em dia designado, Herodes, vestido de trajo real, assentado no trono, dirigiu-lhes a palavra; e o povo clamava: É voz de um deus e não de homem! No mesmo instante, um anjo do Senhor o feriu, por ele não haver dado glória a Deus; e, comido de vermes, expirou” (Atos 12:19-23). “Quanto a isto [de o terem chamado deus] o rei não os repreendeu, nem rejeitou sua ímpia bajulação. Mas, estando ele presente, e depois olhou para cima, viu uma coruja pousada numa corda sobre sua cabeça, e imediatamente entendeu que este pássaro era o mensageiro de más notícias, como tinha sido antes mensageiro de boas notícias; e caiu na mais profunda tristeza. Uma dor severa também apareceu no seu abdome e começou de maneira muito violenta. Ele, portanto, olhou para seus amigos e disse: ‘Eu, a quem chamais deus, estou presentemente chamado a partir desta vida; enquanto a Providência assim reprova as palavras mentirosas que vós agora mesmo me disseram; e eu, que por vós fui chamado imortal, tenho que ser imediatamente afastado depressa para a morte…’ Quando ele acabou de dizer isto, sua dor se tornou violenta. Desse modo, ele foi carregado para dentro do palácio; e o rumor espalhou-se por toda parte, que ele certamente morreria dentro de pouco tempo… E quando ele tinha se esgotado muito pela dor no seu abdome durante cinco dias, ele partiu desta vida” (Josefo, Flávio; Antiguidades, XIX, 7.2). Os relatos falam de vermes visíveis em seu ventre e que ia apodrecendo, aparecendo os intestinos. Estes sintomas são compatíveis com uma sarna, que pode ter contribuído para sua morte além de sintomas psiquiátricos.

Sobre Herodes Agripa II, que julgou Paulo, temos algumas informações interessantes. Em 70, no vigésimo-primeiro ano de seu reinado, Jerusalém foi destruída pelos romanos. Ele foi o sétimo e último da família de Herodes a reinar. Ele morreu em Roma, no ano 100, o terceiro ano de Trajano; com sua morte, a Judeia foi incorporada à província da Síria.

Herodes Agripa II herdou de seus antecessores uma cultura de crueldade ao lado de favores para manipular o povo. Os Herodes, como todos os ditadores, dominavam por meio do medo, da submissão e do populismo. Foi esse que inocentou Paulo, e o teria libertado não tivesse Paulo apelado para Cesar. E Paulo teve que agir assim para se livrar de seus irmãos patrícios e na fé, para não ser morto. JESUS devia ser morto em Jerusalém, sob a astúcia do Sinédrio, por isso Ele se calou, mas Paulo deveria ainda ir a Roma, por isso não se calou e nem optou pelo Sinédrio.

 

  1. Aplicação contextual e problematização

Meus amigos e amigas: dá medo! Como é fácil cair para o lado do inimigo e combater a DEUS. Nesses últimos dias será muito pior que no tempo de Paulo. Isso dá medo! Estar na igreja verdadeira, na legítima igreja de CRISTO, e combater os seus mensageiros. Que DEUS me livre dessa sina.

 

  1. Informe profético de fatos recentes

Por que a Igreja Católica não permite que os padres se casem? Existem tantas igrejas cristãs não católicas no mundo e milhões de pastores, e praticamente não se tem notícia de abusos praticados por esses ministros. Mas de padres, tem bastante. Seriam os padres podres? Não, eles deveriam ter vida normal como todos os seres humanos, se casando e constituindo família. Agora descobriram mais de 300 padres no estado da Pensilvânia, EUA, que cometeram abusos, há décadas atrás. Certamente, na obscuridade, ainda existe muito por ser revelado, e muito que nunca será descoberto. Leia a notícia aqui.

E a situação dos abusos no Chile ainda não foi resolvida. Veja aqui.

E mais recentemente apareceram denúncias de abusos na Irlanda, conforme aqui.

 

  1. Comentário de Ellen G. White

“Paulo tinha apelado para César, e Festo não tinha outro jeito senão enviá-lo a Roma. Mas algum tempo se passou antes que pudesse ser encontrado um navio oportuno; e como outros prisioneiros deviam ser enviados com Paulo, a consideração de seus casos também ocasionou demora. Isto deu a Paulo oportunidade de apresentar as razões de sua fé diante dos principais homens de Cesareia, como também perante o rei Agripa II, o último dos Herodes” (Atos dos Apóstolos, 433).

 

  1. Conclusão

“Em homenagem aos visitantes, Festo buscara tornar a ocasião bastante aparatosa. As ricas vestes do procurador e de seus hóspedes, as espadas dos soldados e as brilhantes armaduras de seus comandantes, emprestavam brilho à cena.

“E agora Paulo, ainda algemado, achava-se diante do grupo reunido. Que contraste era aqui apresentado! Agripa e Berenice possuíam poder e posição, e eram por isto favorecidos pelo mundo. Mas eram destituídos dos traços de caráter que Deus estima. Eram transgressores de Sua lei, corruptos de coração e de vida. Sua conduta era aborrecida pelo Céu.

“O idoso prisioneiro, acorrentado a um soldado, não tinha em seu aspecto coisa alguma que levasse o mundo a prestar-lhe homenagem. Entretanto nesse homem, aparentemente sem amigos, riqueza ou posição, preso por sua fé no Filho de Deus, o Céu todo estava interessado. Os anjos eram seus assistentes. Caso se houvesse manifestado a glória de um só desses resplandecentes mensageiros, a pompa e o orgulho da realeza teriam empalidecidos; rei e cortesãos teriam sido lançados por terra, como os soldados romanos junto ao sepulcro de Cristo.

“O próprio Festo apresentou Paulo à assembleia com estas palavras: “Rei Agripa, e todos os varões que estais presentes conosco; aqui vedes um homem de quem toda a multidão dos judeus me tem falado, tanto em Jerusalém como aqui, clamando que não convém que viva mais. Mas, achando eu que nenhuma coisa digna de morte fizera, e apelando ele mesmo também para Augusto, tenho determinado enviar-lho. Do qual não tenho coisa alguma certa que escreva ao meu senhor, e por isso perante vós o trouxe, principalmente perante ti, ó rei Agripa, para que, depois de interrogado, tenha alguma coisa que escrever. Porque me parece contra a razão enviar um preso, e não notificar contra ele as acusações.” Atos 25:24-27” (Atos dos Apóstolos, 434 e 435).

Os irmãos de Paulo queriam matá-lo, os maus romanos, entendiam que era inocente. Cada coisa! Isso, dá medo! O que farei quando começar a perseguição final? De que lado estarei? Dá medo por estar na igreja verdadeira, como o alvo mais visado de satanás.