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LIÇÃO DA ESCOLA SABATINA - TERCEIRO TRIMESTRE DE 2018

Lição 1 – “Sereis Minhas testemunhas” – 30 de junho a 7 de julho de 2018

Publicado em 28 de junho de 2018por 

Comentário da Lição – Ligado na Videira – Lição 1

Sereis Minhas testemunhas” – Testemunhas do quê? Do que viram e ouviram do próprio Senhor Jesus, e não da tradição ensinada pelos “falsos” mestres e sacerdotes.

Com a morte, ressurreição e ascensão de Jesus, os discípulos passaram a ensinar o que verdadeiramente significava “A restauração de Israel” – sendo que “Israel” não era o conceito literal que até então mantinham, mas o “espiritual”. Nada de mensagem “exclusivista”. Nada de Messias “somente” para eles. Jesus é o Salvador de todas as pessoas. E todas as pessoas têm o direito de saber isso.

Entre a ressurreição e a ascensão, Jesus apareceu para poucos. Para os onze discípulos e mais algumas pessoas. Somente esse pequeno grupo foi contemplado com a Sua presença e os Seus ensinamentos. Mas, mesmo assim, para que fossem “acreditados”, deveriam ser dotados com o poder do Espírito Santo. Deus estabeleceu que a convicção da mensagem não seria por capacidade intelectual dos mensageiros, mas pelo poder vindo do Céu. “A missão dos discípulos” seria desenvolvida com a bênção do Espírito Santo. E eles não receberiam essa “Semente” Divina se não preparassem o “solo” de seus próprios corações.

Antes dos acontecimentos da cruz, os discípulos não compreendiam adequadamente o que significava o Mestre ter que ir para o Céu e de lá voltar. Porém, quarenta dias depois do Calvário, na frente deles, Jesus começou a ser levantado em direção ao Céu. E eles estavam “testemunhando” isso! E um anjo, naquele instante, se revelou a eles, expressando o que havia sido dito pelo próprio Senhor: Ele voltará”.

Nos dez dias seguintes, em obediência a ordem de Jesus, da parte dos discípulos houve a “Preparação para o Pentecostes”. Eles tiveram que se colocar na posição exigida para se receber a bênção. Não a receberiam se fosse do modo deles.

Assim como Noé foi orientado a respeito da construção da arca; assim como Moisés foi orientado a respeito da construção do Santuário; assim como Salomão foi orientado a respeito da construção do Templo; da mesma forma, os discípulos foram orientados sobre como e para qual propósito receberiam o poder do Espírito Santo. Não mais disputando quem seria o maior, mas na humildade divinamente recomendada.

Um fato deve nos chamar a atenção durante os dez dias de preparação. Pouco sabemos a respeito de Matias, “O décimo segundo apóstolo”. Pouco do “antes”, pouco do “depois”. No entanto, sabemos o melhor de tudo: O Espírito Santo guiou todo o processo, e os discípulos se permitiram ser guiados pelo Espírito Santo. Que transformação!

Irmãos, em linhas gerais, assim se desenvolverá a Lição desta semana. E o meu Comentário se resume a isso.

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Exponho uma situação particular a todos vocês: Minha sogra não está bem de saúde. Com isso, minha esposa tem cuidado da mãe e de duas casas. É conveniente, então, que eu manifeste mais apoio a ela. É prudente que eu diminua o ritmo que o blog exige. Peço, portanto, a compreensão de todos vocês, bem como suas orações. Orem pela dona Ernaní.

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Li e gostei do livro “Atos – Contando a História da Igreja Apostólica”, um “Comentário Bíblico Homilético”, escrito por Mário Veloso, publicado pela Casa Publicadora Brasileira. Excelente companhia para a Lição da Escola Sabatina deste trimestre, e ideal para quem deseja elaborar sermões.

Então, diminuo as minhas considerações, mas disponibilizo os textos correspondentes ao exigido para cada semana. Pode ser? Então, abra a sua Lição e vá fazendo as anotações que achar conveniente.

Atos – capítulo 1 –  Poder e esperança

Lucas (o autor de Atos) faz a introdução de seu livro sobre a história da igreja apostólica destacando três fatos necessários para o conteúdo de todo o livro: (1) o evangelho, (2) o recebimento do Espírito como condição prévia indispensável para a execução da missão, e (3) a ascensão de Jesus. Ele faz essas menções como modo de preparação.

Desde o início, Lucas deseja mostrar que a pregação do evangelho é obra espiritual sujeita à condução do Espírito Santo e, por essa razão, toda a igreja cristã, especialmente seus pregadores e dirigentes, são pessoas espirituais que vivem, pensam e atuam espiritualmente. Vivem distantes das práticas iníquas que seus inimigos lhes atribuem, pensam em harmonia com a Divindade graças à presença constante do Espírito Santo que neles opera, e assim agem inteiramente consagrados à missão redentora que Jesus lhes confiou.

O evangelho: o que Jesus fez e ensinou (Atos 1:1 e 2a). O evangelho vem em primeiro lugar. Foi o primeiro na obra de dois volumes que Lucas escreveu – o Evangelho e Atos – e tem que ser sempre o primeiro, porque se baseia na experiência cristã e na pregação do cristianismo. Lucas vê o evangelho considerando nele dois elementos: Jesus e o tempo.

Jesus: prática e ensinamento (Atos 1:1). “Estimado Teófilo”, começou Lucas o livro de Atos, indicando a quem dirigia sua história. Não era o grupo de pessoas composto por todos os que amam a Deus, nem um homem comum, desconhecido e sem influência. Era uma pessoa real que Lucas conhecia. Distinta e com a devida importância na comunidade, para que Lucas o considerasse representante apropriado a fim de procurar convencer, a ele mesmo, e, por meio dele, a todos os cidadãos do Império, especialmente os de Roma, que receberam informações incompletas ou equivocadas acerca do cristianismo. “Já lhe escrevi sobre Jesus, na primeira obra. Jesus é o evangelho. As boas-novas sobre a salvação surgem de Sua pessoa. Ele é o Deus amigo que veio ao mundo para salvar Seus amigos perdidos. Ele demonstrou, indiscriminadamente, amizade para com todos os seres humanos. Não favoreceu a ninguém em particular. É verdade que deu especial atenção aos pobres, às viúvas, às mulheres, às crianças e a todos que se encontrassem em algum tipo de desvantagem social ou econômica, mas não porque fizesse acepção de pessoas, nem porque desprezasse os ricos. Amou todos os seres humanos e morreu por todos. Suas obras e ensinamentos assim o demonstram.

“Teófilo, não se esqueça de que Jesus, como lhe contei em minha primeira obra, era uma pessoa íntegra, espiritualmente coerente. Sua vida foi coerente com Seus ensinamentos.

“Com Ele, geralmente não acontecia o que ocorre com os líderes da sociedade e com o povo. Quando falam a respeito de si, suas palavras descrevem uma pessoa boa, que não faz mal a ninguém, correta em tudo, sem más intenções para com qualquer pessoa, sempre fazendo o bem aos outros. Mas suas ações nem sempre condizem com as palavras. São tão diferentes… Nem o que dizem concorda com a descrição que fazem de si mesmos. Às vezes, falam de forma ferina, ofensiva, condenatória, recriminadora. São persistentes na recriminação. Diante de si mesmos, parece que se sentem superiores, quando corrigem os outros jogando-lhes na cara seus defeitos, suas falhas ou equívocos.

“As ações de Jesus eram cordiais, isentas de todo egoísmo. Eram nobres.

“Quando uma pobre mulher enferma, às escondidas Lhe tocou para ser curada, deixou que sua fé obtivesse a cura ansiada e mais: destacou-a diante de toda a multidão, dizendo-lhe: ‘Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz’. Muito tempo de tristeza, doze anos de dor; em um instante tudo acabou. Ficou somente a recordação de alegria, a lembrança de grande compreensão com muito afeto e uma vida de gratidão pelo alívio e a saúde tão generosamente outorgados e tão alegremente bem recebidos (Lucas 8:42 a 48).

“Como não lhe relembrar, Teófilo, a aflição de Jairo quando foi a Jesus para Lhe pedir que curasse sua filha enferma e a angústia que sentiu quando lhe deram a terrível notícia de sua morte? Jesus não Se deteve, seguiu Seu trajeto de amor até a casa cheia de tristeza por causa da dor e morte. Mas nEle não havia tristeza. Muito menos dor. Unicamente uma grande e bondosa disposição de ajudar e servir. ‘Não se preocupe’, Ele disse, ‘creia somente, e será salva’. Momentos depois, tomando a morta pela mão, lhe disse: ‘Menina, levanta-te!’ E ela se levantou. Jairo e a esposa ficaram maravilhados, felizes! A filha morta, agora novamente viva para ser amada. Eles viveram com ela a imensa gratidão que nunca morreria (Lucas 8:41 e 49 a 56).

“Não se esqueça, também, Teófilo: quando os líderes judeus, as autoridades romanas, o povo, as pessoas de todos os povos, os povos de todo o mundo e o mundo de todos os tempos O crucificaram, com o amor de sempre, sem recriminar ninguém, Ele orou a Deus, dizendo: ‘Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem’ (Lucas 23:34).

“As ações amorosas de Jesus concordavam com Seus ensinamentos de amor. Disse a Seus discípulos: ‘Amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam’ (Lucas 6:20 e 27). Se deviam fazer o bem e amar seus inimigos, quanto mais seus irmãos e amigos?

“O evangelho era e é Jesus. Suas obras e ensinamentos. Sua maneira de ser, de viver e de morrer pelos outros. Seu amor por todos, para que todos os que nEle cressem pudessem receber, com Ele, vida e salvação, eternamente”.

Tempo: até voltar ao Céu (Atos 1:2a). O evangelho tem muito que ver com o tempo. Tempo da vida e da morte. Por causa do evangelho, o tempo da morte chega a seu fim; permanece somente o tempo da vida. O tempo de Jesus.

“Estimado Teófilo, em meu primeiro livro, o evangelho”, escreveu Lucas, “me referi a tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o início até o dia em que foi levado ao Céu. Desde que deixou o Pai, para nascer no mundo como bebê humano, até Seu retorno ao Pai, nos Céus, quando o Criador foi declarado Filho de Deus pela ressurreição dentre os mortos (Romanos 1:4).

“Vencida a morte, restou unicamente a vida. Para Jesus, a vida que gera vida, como sempre teve; porque sempre foi Deus. Para os seres humanos, a vida, recebida de Jesus, que supera o tempo da morte, e se estende, sem interrupção, por todos os séculos da eternidade”.

O Espírito Santo e Jesus: mandamentos e poder (Atos 1:2b a 8). Lucas não demora em introduzir a ação do Espírito Santo. E não podia ser diferente, porque o Espírito Santo também não demorou para começar Sua obra em favor da igreja. Estando no cenáculo, na noite do quinto dia de Sua última semana, Jesus disse aos discípulos: “Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê, nem O conhece; vós O conheceis, porque Ele habita convosco e estará em vós” (João 14:16 e 17). Esta promessa da presença contínua do Espírito, no futuro da comunidade apostólica, que nos discursos de Jesus, a esta altura de Sua vida, um dia antes da crucifixão, sempre inclui a igreja; tem que ver com a vida dela e com seu trabalho. Pouco depois, no mesmo discurso, Jesus descreve a obra do Espírito em favor da igreja.

“O Consolador”, disse-lhes, “o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em Meu nome, Esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito” (João 14:26).

Somos gratos porque o Espírito guia e conduz a igreja; e esta se mantém na verdade, a verdade passada, presente e futura, pois a verdade não se altera nunca, é sempre verdade (João 16:13 e 14). A obra do Espírito pela igreja estaria relacionada com o mundo, pois existe um dinamismo entre o que Jesus ensinou à igreja, inesquecível para ela, e o mundo. O mundo precisa ser convencido do pecado, da justiça, e do juízo. Sem a atuação do Espírito Santo isso seria impossível. Por isso, essa tarefa está incluída na promessa do Espírito Santo (João 16:8).

Lucas lembra seus leitores de que a promessa do Espírito está relacionada com os mandamentos, com o poder e o testemunho.

O Espírito transmite os mandamentos (Atos 1:2b). Jesus, segundo escreveu Lucas a Teófilo, somente ascendeu ao Céu depois de ter dado os mandamentos, por meio do Espírito Santo, aos apóstolos que havia escolhido.

Esses mandamentos eram semelhantes aos dez mandamentos da lei moral, em relação aos quais Moisés disse: “Deus falou e ordenou todos estes mandamentos” (Êxodo 20:1).

São como o mandamento do amor que Jesus ordenou aos discípulos, quando lhes disse: “Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros” (João 15:17).

O mandamento da missão está nessa mesma categoria.

“Toda autoridade Me foi nos Céus e na Terra, portanto”, ordenou Jesus a Seus discípulos: “vão e façam discípulos de todas as nações” (Mateus 28:18 e 19).

Neste mesmo contexto, Paulo e Barnabé, explicando aos judeus de Antioquia e Pisídia, depois que eles os rejeitaram, a razão por que retornariam aos gentios, disseram: “Pois assim o Senhor nos ordenou: ‘Eu fiz de você luz para os gentios, para que você leve a salvação até aos confins da Terra’” (Atos 13:47).

Quando Jesus, pessoalmente, transmitiu essas ordens aos discípulos, não estava só. O Espírito Santo estava com Ele e o Espírito foi a pessoa divina que colocou os mandamentos no coração deles, a fim de que pelo Seu poder e companhia pudessem compreendê-los, aceitá-los e cumpri-los.

O Espírito Santo transmite poder (Atos 1:3 a 8a). Lucas conta a Teófilo que Jesus, por quarenta dias após Sua morte, esteve com os discípulos e lhes falou sobre o poder da ressurreição, do poder do reino de Deus e do poder do Espírito Santo.

  1. O poder da ressurreição. “Depois de ter padecido”, escreveu Lucas, “Jesus Se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis”.

Muitas demonstrações, fatos evidentes e sinais de poder. Algumas foram simples. Como, por exemplo, para demonstrar que não era um espírito, mas uma pessoa real. Outras, mais complexas e até milagrosas. Saber o que Tomé exigia para poder crer, e, com divina tolerância, responder a suas exigências mostrando-lhe Seu lado e Suas mãos para que os tocasse e assim pudesse crer.

Podia Jesus convencer a dois desanimados discípulos que viajavam por um caminho de triste solidão e silêncio, pensando que Ele estava morto e nunca mais poderiam vê-Lo? Podia e o fez. Extraiu argumentos das Escrituras. Fez com que os profetas adquirissem um novo significado na mente deles, antes entorpecida e incrédula.

“Acaso não tinha Cristo que sofrer estas coisas antes de entrar em Sua glória?”, perguntou-lhes.

Finalmente, lhes abriu os olhos físicos e espirituais, para que O reconhecessem. Estava ali. Vivo. Nenhum argumento existe mais poderoso para provar a ressurreição de um morto do que a presença viva do morto. O poder que atuou para ressuscitá-Lo foi Seu próprio poder, foi o poder do Pai, foi o poder do Espírito Santo. Foi o poder de Deus. Ele era Deus. Aceitou a morte no lugar dos pecadores, e por eles, para que pudessem receber a vida que era toda Sua, e ninguém poderia havê-la tirado se Ele não a houvesse entregado voluntariamente e por Si mesmo. Todo o poder de Deus se tornou visível na ressurreição de Jesus, pois nela Deus ofereceu a vida eterna a todo aquele que nEle crera.

  1. O poder do reino de Deus. “Jesus esteve com Seus discípulos durante quarenta dias”, conforme escreveu Lucas, “e lhes falou a respeito do reino de Deus”.

Não era a primeira vez. Já havia falado com eles muitas vezes, deforma direta, ou na multidão, enquanto pregava. Fez isso por meio de parábolas, quando explicou: o reino dos Céus é semelhante a dez virgens que esperam o esposo para suas bodas. Algumas estavam preparadas para recebê-Lo quando Ele chegasse, outras não; as preparadas entraram com Ele para a festa de bodas, as outras ficaram de fora (Mateus 25:1 a 13). O poder do reino chegou a elas por meio do Espírito Santo que as ajudou no devido preparo para as bodas.

O reino dos Céus, Ele disse também, é semelhante a um homem que partiu para um lugar distante e deu seus bens aos servos para que os administrassem. Quando o homem retornou, ajustou as contas com eles; o que recebeu cinco talentos e o que recebeu dois foram fieis e entraram no gozo de seu Senhor, mas o que recebeu um foi infiel e ficou de fora (Mateus 25:14 a 30). O poder do reino, com justiça, discrimina as ações dos seres humanos.

Em outra oportunidade, Jesus disse: o reino dos Céus é semelhante a um rei que fez uma festa de bodas para seu filho; convidou pessoas importantes, supostamente dignas das bodas, mas elas não fizeram caso dos servos que foram chamá-las ao chegar o tempo das bodas. O rei, então, convidou os menos importantes, indignos, que andavam pelos caminhos. Todos foram considerados dignos pelo rei e entraram na festa com o traje de bodas que o próprio rei providenciou para todos, indiscriminadamente. Mas um deles não quis usá-lo e permaneceu indigno como os primeiros convidados. O rei, utilizando todo o poder do reino, tornou a uns dignos das bodas e aos que não aceitaram suas regras os deixou fora, onde somente encontraram o pranto, autorrecriminações, destruição e morte (Mateus 22:1 a 14). O poder do reino provê os meios para que entrem nele os indignos que aceitam a provisão do Rei.

Jesus também lhes falou sobre o reino com expressões de discurso direto.

“Quando o Filho do Homem vier em Sua glória”, disse uma vez, “e todos os santos anjos com Ele, então Se assentará no trono de Sua glória”.

Todas as nações serão reunidas perante Ele e separará a todos em dois grupos, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Porá as ovelhas à direita e os cabritos à esquerda. Os que estiverem à esquerda, por sua vida egoísta, sem nenhum interesse pelo próximo, serão condenados ao castigo de destruição eterna. Os que forem colocados à Sua direita, por haverem muitas vezes feito o bem a pessoas necessitadas e que, sem pretensão, serviram fielmente ao Senhor, receberão o reino preparado para eles desde a fundação do mundo (Mateus 25:31 a 46).

O poder do reino é vida para sempre.

  1. O poder do Espírito Santo. “E estando juntos”, Lucas informa, “deu-lhes uma ordem que deviam obedecer rigorosamente, dizendo-lhes: Não se ausentem de Jerusalém, mas esperem a promessa do Pai. A promessa que vocês ouviram de Mim, relacionada com o envio do Espírito Santo. Equivale a um novo batismo. João batizou com água para o arrependimento, mas dentro de poucos dias vocês serão batizados com o Espírito Santo. Será um batismo de poder”.

Os discípulos ouviram a ordem, sem que da mente lhes fossem apagados a força e o poder do reino. O poder de um reino é sempre mais visível, mais impressionante, grandioso, magnífico, desejado, mais procurado que o poder do Espírito. Pelo menos, a mente dos discípulos havia sido mais confundida pelas palavras a respeito do reino, do que pela ordem de esperar em Jerusalém até que recebessem o poder do Espírito Santo.

“Senhor”, disseram a Jesus, “será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” (Atos 1:6).

No entanto, na mente dos discípulos, como um triste fantasma, rondava o reino de Israel. A pergunta deles foi a despedida desse reino que não voltaria a lhes incomodar a mente, pois a explicação de Jesus foi taxativa e decisiva.

“Não lhes compete”, respondeu-lhes, “saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela Sua própria autoridade” (Atos 1:7).

Imagine o mestre explicando: A pergunta de vocês é irrelevante. Não tem nenhum sentido para vocês, nem para ninguém. O poder do reino que vocês têm sonhado para Israel não está acessível para ninguém de Israel neste tempo. Entretanto, para vocês, israelitas convertidos ao cristianismo, existe um poder disponível que deve ser recebido imediatamente. É o poder do Espírito Santo.

O testemunho pelo Espírito (Atos 1:8b). Quando vier sobre vocês o Espírito Santo, receberão poder que aumentará a força, as habilidades, a capacidade, e as possibilidades de vocês, e serão pessoalmente Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e por todo o mundo até aos confins da Terra.

Prestem cuidadosa atenção no seguinte:

  1. Quanto ao recebimento do poder, quero que vocês o recebam. E, quando o Espírito Santo o outorgar, vocês precisam recebê-Lo natural e espontaneamente. O Espírito Santo não colocará pela força, em vocês, nenhuma capacidade do poder que Eu desejo que possuam e que Ele está empenhado em outorgar. A ação do Espírito Santo será sempre generosa, determinada, infalível. Nunca faltará. Mas vocês determinam se essa ação generosa permanece com vocês ou se deixarão que ela se vá, sem produzir o aumento das capacidades que Eu desejo para vocês.
  2. Quanto ao poder em si mesmo, não se trata de um poder de comando, como se vocês, a partir do momento em que recebessem o Espírito Santo, se transformassem em chefes que dão ordens para que os outros executem a missão. Todos os cristãos têm que executá-la.

O poder que o Espírito lhes dará é a capacitação para que possam realizar a missão, tarefa que exige mais capacidade, além da que vocês naturalmente têm.

Inclui o aumento da força física e espiritual que vocês devem ter, e aquisição de habilidades que vocês receberão, mesmo que não tenham; entre outras, boa disposição para a missão, aptidão para executá-la, talento para vencer os desafios, e agilidade para promover a missão sem cair no sincretismo.

Para cumprir a missão, o poder do Espírito Santo inclui também o aumento das capacidades, aptidões, dos talentos, recursos econômicos, etc.

O Espírito não lhes dará esses benefícios para que vocês os usem por pura vaidade, para o engrandecimento próprio. O objetivo do Espírito, e de vocês também, não é a preocupação com fama pessoal, mas sim o cumprimento da missão. Caso tenham prestígio, isso deve contribuir para a missão.

  1. Quanto a serem testemunhas, quero destacar duas coisas. Em primeiro lugar, isso é o que espero de vocês, assim como espero obediência quando dou um mandamento. A missão não é opcional, como algo que possa ser feito ou não, conforme o desejo de vocês. A missão representa Meu desejo, Minha vontade. Digo-lhes: “Vocês serão Minhas testemunhas”. Não lhes digo: “Tomara que vocês desejem ser Minhas testemunhas”.

Em segundo lugar, ser testemunha significa estar sempre a Meu favor e declará-lo. Vocês têm que ser testemunhas objetivas e contar o que realmente têm experimentado comigo, em sua própria vida, e algo mais. Esse algo mais inclui o compromisso de estar comigo, a Meu favor, sob quaisquer circunstâncias e risco, inclusive a morte. Somente assim vocês poderão ser Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia, em Samaria e até aos confins da Terra, pois, indo a todo o mundo, encontrarão lugares de extrema intransigência e agressiva intolerância onde não vacilarão em condená-los à morte, unicamente porque vocês viverão em harmonia com Meu estilo de vida e falarão coisas boas a Meu respeito.

Não se preocupem com os perigos. Eu cuidarei deles. Em algumas ocasiões, vou livrá-los de todo o mal que pretendam lhes fazer, mas haverá outras, em que a morte de vocês será necessária para que as pessoas creiam no testemunho que vocês lhes derem. Nesses casos, vocês não perderão a vida que lhes prometi. Apenas o tempo de vida terrestre será abreviado, antes que o mal que existe neste mundo seja eliminado, porque depois, quando o mal chegar ao fim, a vida será eterna para vocês, e essa vida ninguém lhes poderá tirá-la. Então, os que forem Minhas testemunhas neste mundo, terão, no juízo final, Meu testemunho favorável, serão absolvidos de todo pecado e viverão para sempre comigo, no Meu reino.

Ascensão de Jesus: promessa de retorno (Atos 1:9 a 11). Os discípulos estavam profundamente impressionados com a dimensão da missão que o Senhor lhes havia dado. “Todas as pessoas! Todo o mundo! Como conseguiremos? Somos tão poucos e tão pobres! Mas o Espírito Santo estará conosco. Seu poder suprirá todas as nossas necessidades. Como será isso?” Caminhando com Jesus, como em outras ocasiões, iam rumo a Betânia, acompanhando a Jesus desde Jerusalém até a casa de seus amigos Lázaro, Marta e Maria, simplesmente para visitá-los ou passar a noite descansando, depois de um interminável dia de trabalho e de tensão. Caminhando com Jesus para o cumprimento da missão, descansando nEle, fortalecendo-se nEle, vivendo com Ele para Sua própria glória, sem pensar nas próprias necessidades, porque junto dEle tinham sempre tudo o que lhes faltara. Poder, todo o poder de Jesus, pela presença do Espírito Santo.

Continuaram caminhando com Jesus enquanto pensavam no próprio futuro.

Ascensão: foi elevado (Atos 1:9). Ocorreu em Betânia. No fim da curta viagem, Jesus Se deteve ali com os discípulos, como sempre haviam feito. Rodearam-nO atentos aos ensinamentos que, numa ocasião como essa, sem dúvida, queria partilhar com eles. Mas tudo o que pudesse lhes dizer já havia dito. Brevemente, o Espírito Santo estaria com eles para lhes fazer relembrar todas as coisas. Apenas estendeu os braços, e com esse gesto assegurou-lhes Sua bênção e cuidado. Os olhos de todos estavam fixos nEle. Tantas vezes havia manifestado esse gesto. Assim, muitas vezes lhes havia comunicado uma sensação de segurança e simpatia, que tornaram a sentir. Desta vez, com um estranho sentimento de algo novo. Começaram a senti-lo desde que Ele começou a falar sobre o Espírito Santo, e logo depois quando lhes falou do reino e do testemunho. O silêncio de Jesus confirmou o que lhes havia dito. Eles também se calaram e, com reverente expectativa, esperaram para ver o que todos já pressentiam.

Lentamente, Jesus foi elevado ao Céu. Não estava levitando. Essa sensação de magia e mistério não acontecia ali. Somente a impressão do que era divino e uma forte evidência de muitos servidores que O assistiam, sem ruídos nem espantos, com a maturidade simples daqueles que sabem. Todos ali sabiam, incluindo os discípulos, que o Filho do homem havia finalizado a missão, e que o Filho de Deus retornava para o Pai, deixando paz e redenção em todos os crentes. Continuaram vendo-O por alguns momentos, até que uma nuvem O recebeu e, cobrindo-O, ocultou deles Sua figura admirável, e já não O viram mais.

A promessa: esse mesmo Jesus virá (Atos 1:10 e 11). Os olhos deles continuaram fixos no céu. Talvez, tentando ver além do visível. Querendo, quem sabe, retê-Lo com eles, mesmo que fosse uma intenção, uma vez que, depois de anunciar Sua partida, lhes disse: “Voltarei e vos receberei para Mim mesmo, para que, onde Eu estou, estejais vós também”.

Nesse instante, dois varões vestidos de branco se puseram junto deles e lhes disseram: “Varões galileus, por que estais olhando para as alturas?” A quem desejam ver? “Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao Céu virá do modo como O vistes subir”. Esperem-nO! Ele virá outra vez. Nunca esqueçam Sua promessa.

Quando enfrentarem dificuldades próprias da missão e quando sem dificuldades puderem cumpri-la cabalmente, lembrem-se: Ele virá outra vez. E quando voltar, virá da mesma forma como O viram partir, visivelmente. Tão visível que todos os vivos O verão, até os mortos que tenham ido para o sepulcro crendo nEle, e também aqueles que O crucificaram (Apocalipse 1:7; Daniel 12:2).

Esperem. Nunca percam o senso de expectativa porque quem o perder, perde também a esperança. Não importa quanto tempo demore; continuem esperando-O para o tempo em que ainda estiverem vivendo. Continuem crendo na iminência de Sua vinda. Primeiro, porque Ele pode vir no tempo de vocês. Segundo, porque a esperança tem que ser própria de cada testemunha, até que a missão seja concluída. Terceiro, porque o triunfo da missão ocorre somente quando Jesus voltar, e como poderiam pensar que podem executá-la, em seu tempo, sem crer na iminência de Seu retorno?

Os que abandonam a fé na iminência da segunda vinda, abandonarão também a missão. Uma verdadeira tragédia, não para a missão, porque esta seguirá seu curso até o triunfo final, mas sim para eles, pois na falta de ação missionária da fé, há sempre a tendência da indiferença e incredulidade. Mantenham a esperança. Creiam e testemunhem, pois Jesus virá outra vez e assim como O viram ir para o Céu, virá e não tardará.

Pregação, organização, perseguições. Em uma seção relativamente curta (Atos 1:12 a 7:60), Lucas concentrou a história do começo da igreja. Esse começo é de real importância. Relembremos que os feitos na vida da igreja, desde os dias apostólicos até a segunda vinda de Jesus, sendo feitos históricos reais, semelhantes aos feitos históricos de qualquer outra instituição humana, têm uma dimensão espiritual que procede de seu relacionamento com Deus e uma dimensão divina pela presença do Espírito Santo nela.

O Espírito Santo é o guia de todas as ações da igreja, a menos que essa escolha se desviar da revelação divina para a apostasia, numa ação independente, impensada e rebelde para com Deus. Mas a igreja terá sempre um grupo fiel a Jesus e à missão. Sendo assim, os feitos históricos da igreja cristã são tão válidos para o ensinamento dos crentes de todos os tempos, como foram válidos os feitos do passado na história de Israel. Assim entendeu Paulo e, de forma bem clara e direta, explicou aos cristãos de Roma. “Pois tudo quanto, outrora, foi escrito”, lhes disse, “para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança” (Romanos 15:4).

A vida da igreja tem uma dimensão espiritual-humana e outra divina, e ambas, mescladas em uma única realidade divino-humana, surgem nitidamente da história escrita por Lucas. Realidade que todos nós, como cristãos, devemos admirar na igreja apostólica e viver em total integração com Jesus, Deus Filho, e com Deus Pai. Como veremos, esse tipo de integração superior somente se fez e se torna possível para a igreja, por meio da obra que o Espírito Santo nela realizou e realiza. Por isso, a realidade divino-humana da igreja constitui seu próprio ser. Um ser ao mesmo tempo espiritual e terreno, prático e sublime, que, na missão, se torna história e vida eterna.

Primeiras ações (Atos 1:12 a 2:47). A vida da igreja tinha que começar em Jerusalém, e ali começou. Os discípulos não perderam tempo. Atenderam primeiro um assunto administrativo que devia ser resolvido: escolheram no grupo apostólico um substituto para Judas. Em seguida, se prepararam para o recebimento do Espírito Santo. Nada foi casual. Nem a organização da igreja nem a vida espiritual surgiram espontaneamente. Assim eles entenderam e agiram com determinação e eficiência.

Escolha de Matias: procedimento e direção divina (Atos 1:12 a 26). Então, escreveu Lucas, do monte chamado Olival, os discípulos voltaram para Jerusalém. Desse monte, Jesus havia sido elevado ao Céu, em Sua viagem de retorno ao Pai e ao governo de todo o Universo. O monte das Oliveiras não estava distante de Jerusalém. Apenas a jornada de um sábado – isto é, a distância que, conforme a lei judaica, um israelita, sem transgredir o quarto mandamento da lei moral, podia caminhar durante o sábado. Flavio Josefo diz que Betânia estava a cinco estádios (mais ou menos um quilômetro) de Jerusalém.

Quando chegaram a casa em que se hospedaram, subiram ao cenáculo onde os onze apóstolos estavam. Lucas menciona o nome de todos, organizados em quatro grupos. Já estão organizados para a missão? Primeiro grupo: Pedro, João, Tiago e André. Segundo: Filipe e Tomé. Terceiro: Bartolomeu e Mateus. Quarto: Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago. Viviam em comunidade.

Sabiam que não permaneceriam fisicamente juntos por muito tempo, pois teriam que trabalhar também na Judeia, Samaria e por todo o mundo. Mas até que recebessem o poder do Espírito Santo, podiam estar juntos e desfrutar mútua companhia. Tiveram oportunidade para superar diferenças, se integrar uns aos outros sem ambicionar os primeiros lugares, o que, antes, os havia dividido, para apreciar os valores que cada um possuía, para se aperceber de que todos eram necessários para a missão. E eles aproveitaram essa oportunidade. Com humildade, pediram perdão uns aos outros e manifestaram firme propósito de trabalhar sempre em união. Frequentemente, todos eles se reuniam com Maria, mãe de Jesus, com os irmãos dEle, e com as mulheres, possivelmente Maria Madalena, Joana, Susana, as esposas dos apóstolos casados e outras. Os irmãos de Jesus, que duvidavam dEle quando trabalhava na Galileia, haviam superado as dúvidas e, como os onze discípulos, criam que Jesus era o Filho de Deus e o Messias prometido. Todo o grupo estava unido em um só pensamento, oravam juntos e juntos se preparavam para as atividades futuras que todos esperavam.

Certo dia, houve uma reunião de negócios com todos os crentes. Eram cento e vinte pessoas. Homens e mulheres. Não havia machismo cultural, nem feminismo reivindicativo. A igreja nasceu livre das pressões culturais externas, com uma atitude contracultural, mas não anticultural. Não era inimiga da cultura, nem se deixou influenciar por ela. Tomou sua própria direção sob a orientação de Deus, solicitada em oração, desde o início de sua existência.

Pedro fez uso da palavra e pronunciou seu primeiro discurso. Nenhum complexo. Não havia mais desculpas para se pedir. Tudo estava em ordem, ninguém relembrava erros do passado, nem mais havia suspeitas. Todos haviam aceitado a restauração oferecida por Jesus junto ao Mar da Galileia. Ele tinha uma proposta a fazer e a fez no melhor estilo cristão. Baseada nela, a igreja tomou uma decisão sem pressões de ninguém. Proposta e decisão, simbólicas em sua forma de apresentação e no procedimento seguido sob a inspiração do Espírito Santo. Lucas descreveu o procedimento para mostrar a seus leitores a maneira transparente, espiritual, baseada nas Escrituras e sujeita à vontade de Deus, como a igreja procedeu em seus negócios internos. Em nada semelhante aos procedimentos do Império, politicamente corruptos, egoístas, e muitas vezes cheios de pressões violentas.

O discurso de Pedro (Atos 1:15 a 22). Foi um discurso muito breve e contém duas partes: a primeira é uma sólida fundamentação escriturística, e a segunda é a proposta. Vai diretamente ao assunto.

  1. Fundamentação da proposta. Irmãos, disse Pedro, era necessário que se cumprisse a Escritura, predita pelo Espírito Santo, pela boca de Davi. Naquela oportunidade, ele falou sobre o modo como a revelação de Deus chega a seus destinatários. Deus escolhe um instrumento humano que, nesse caso, foi Davi, e o Espírito Santo trabalha com ele para colocar em sua mente o que deve comunicar da parte de Deus. No caso referido por Pedro, tratava-se de uma profecia.

“A profecia”, disse Pedro, “é a respeito de Judas, aquele que serviu de guia para os que prenderam Jesus. Ele era membro de nosso grupo e recebeu, da parte do Senhor (não usurpou), uma posição importante nesse ministério”.

Essa posição de importância, no grego klerikós, que mais tarde deu origem ao conceito de clérigo, ele a perdeu. Não é necessário repetir o motivo. Já foi dito. Lucas apenas descreve as consequências da traição e o faz da maneira mais trágica possível. Faz relembrar que com o dinheiro recebido pela traição, salário de sua iniquidade, Judas comprou um campo e que, ao tirar a vida, precipitou-se, rompendo-se ao meio, e todas as suas entranhas se derramaram. Logo dá a esse campo o nome de Aceldama – Campo de Sangue.

Então, cita dois textos de Salmos, profecias aplicadas a Judas. Primeiro, fique deserta a sua morada, e não haja quem habite as suas tendas (Salmos 69:25), com o qual explica o trágico fim de Judas. Segundo, tome outro o seu encargo (Salmos 109:8). Com essas profecias, abre o caminho para a proposta que a seguir apresenta à assembleia de crentes.

  1. Proposta. “Portanto”, disse, “é necessário que escolhamos um dos homens que estiveram conosco durante todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós, desde o batismo de João até o dia em que Jesus foi elevado dentre nós às alturas. É preciso que um deles seja conosco testemunha de Sua ressurreição” (Atos 1:21).

Pedro acompanhou tudo. Apresentou as razões que provocaram a vaga. Não foram intrigas, questões pessoais, nem manobras políticas. Foi o procedimento traidor do que anteriormente tinha o ofício. Pedro falou sem eufemismos, diretamente, de forma clara e exata. Não há nenhuma intenção de cobrir a situação comprometedora de ninguém, nem de confirmar as razões reais com explicações convenientes. A única coisa que Pedro considerou, como sempre acontece na Escritura, foi o que realmente aconteceu.

Acrescentou o conteúdo da Escritura, que se aplicava ao caso, ao relatório do que Judas realmente havia feito. Nenhuma luz existe melhor que a da Revelação para se ver com clareza o modo de solucionar os problemas da igreja.

Era necessário escolher um homem. E Pedro propôs a escolha. Não apresentou um nome como candidato. Descreveu as características que o homem escolhido devia ter. Características que o qualificavam para ocupar eficientemente o cargo vago. A seguir, no relato de Lucas, está o que a igreja fez.

O processo da escolha (Atos 1:23 a 26). O modo de escolha foi simples. Conteve vários fatos realmente notáveis com os quais a igreja cristã se posicionou contra o governo ditatorial, contra o controle do governo por parte de grupos com interesses próprios, contra a manipulação dos eleitores, e a favor da transparência, da condução divina e da espiritualidade no processo.

  1. Prepararam uma lista de candidatos. Propuseram dois: José, chamado Barsabás, apelidado de Justo, e Matias.

Quem propôs os nomes? Evidentemente, a assembleia; porque Pedro, com sua proposta, se havia dirigido a ela. Não era necessário formar uma comissão de nomeação porque a assembleia não era muito numerosa. Somente cento e vinte pessoas. De alguma forma, chegaram a dois nomes propostos.

Propostos a quem? Não foram propostos aos apóstolos para que eles fizessem a escolha final. Nem a um apóstolo específico que, como líder, decidisse sozinho. Pelo que segue, a assembleia fez a proposta a Deus.

  1. Apresentaram os candidatos a Deus em oração. “Tu, Senhor”, Lhe disseram, “que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou, indo para o seu próprio lugar” (Atos 1:24 e 25).

Eles conheciam as características externas dos candidatos. Sabiam que haviam estado junto com os onze apóstolos, todo o tempo em que Jesus esteve entre eles. Mas não conheciam seu interior. Por isso, em última instância, todos os homens que integram o ministério na igreja não são escolhidos por ela, mas por Deus. Deus utiliza a igreja como Seu instrumento, mas ela não deve jamais usurpar a decisão final que pertence unicamente ao Senhor. Não se pode dizer: a escolha dos pastores é uma questão puramente eclesiástica, no sentido de que a determinação dos que possam ser pastores e a escolha deles sejam decisão da igreja, independentemente da vontade de Deus.

A primeira assembleia da igreja cristã, cujo primeiro assunto administrativo foi a escolha de um pastor para fazer parte do grupo apostólico, não agiu assim. Submeteu-se à vontade de Deus e seguiu a orientação divina. Como Deus deu origem à Sua orientação?

  1. O voto da assembleia. “Então tiraram sortes”, diz a tradução do que Lucas escreveu, “e a sorte caiu sobre Matias; assim, ele foi acrescentado aos onze apóstolos” (Atos 1:26).

Acaso, foi o ato de tirar sorte como jogar uma moeda ao ar para saber a quem escolher, ou como usar dados para saber de que lado está a sorte com respeito a uma aposta? A resposta óbvia é não. E a razão é simples. A moeda no ar e o movimento dos dados não são instrumentos que Deus usa para expressar Sua vontade. Quando estão no ar ou em movimento, sem nenhum controle racional, Satanás pode usá-los com a maior facilidade e, com o conceito supersticioso de que Deus pudesse atuar através deles, impor sua vontade nos assuntos em jogo diante de uma decisão. “Tirar sortes para escolher os líderes da igreja não faz parte do sistema de Deus” (Ellen G. White, Carta 37, 1900). Deus influencia nas decisões da igreja utilizando a mente de Seus filhos, a Escritura e o Espírito Santo.

Quando a assembleia orou, Deus impressionou a mente deles e eles, ao se expressarem, agiram sob a influência dessas impressões. Como se expressaram? A seguinte frase dá a explicação: “Foi contado com os onze apóstolos”.

A expressão “foi contado” é tradução de uma palavra grega que significa “foi votado, contando as pedras”. Eram pedras pequenas, pretas e brancas. As brancas eram voto positivo; e as pretas, negativo. Esse tipo de votação exigia um intercâmbio prévio de opiniões que eram expressas em voz alta. Paulo usa o mesmo termo quando conta ao rei Agripa as maldades que ele, antes de sua conversão, fez contra os cristãos em Jerusalém.

“E contra estes dava o meu voto, quando os matavam” (Atos 26:10).

Depois de votar, contaram as pedras e elegeram Matias para que ocupasse a vaga de Judas. A votação foi livre. Cada membro da assembleia, através da oração coletiva, deixou a mente aberta à influência do Senhor, para que Ele, como anteriormente havia escolhido Seus apóstolos, escolhesse o que faltava. E Ele o fez, expressando Sua vontade através da mente de todos os que votaram.

Dessa mesma forma, em todos os tempos, a igreja cristã deve decidir seus assuntos administrativos. Por voto livre. Cada votante, sem coerção de nenhuma natureza, com a mente aberta à influência do Espírito Santo, dá seu voto. Os assuntos que dizem respeito à igreja local, pelos membros da igreja local; os que dizem respeito a um grupo de igrejas em um território específico, pelos delegados desse território; e assim sucessivamente, até chegar aos assuntos que se referem à igreja mundial, cujas decisões devem ser tomadas pelos representantes da igreja mundial, reunidos em assembleia devidamente convocada. Veremos mais adiante que o ministério, as doutrinas, as práticas da igreja e o estilo de vida de seus membros eram assuntos que diziam respeito à igreja mundial.

Os princípios que guiaram a primeira assembleia administrativa da igreja cristã apostólica foram a livre expressão, voto pessoal diante de Deus, consciência de cada um, ausência de pressões para induzir a votação na direção estabelecida por alguma pessoa em particular ou pelos líderes, profunda espiritualidade no processo, submissão incondicional à vontade de Deus e votação geral de todos os presentes na assembleia, composta por homens e mulheres.

Lembrem-se de ler a Meditação Matinal de hoje. Escolhemos a 1ª da senhora White no Brasil (ano 1953) – basta clicar aqui.

Lição da Escola Sabatina 2018 – Comentário feito por Carlos Bitencourt