Leia: O ANO BÍBLICO com a bíblia NVI e a Meditação Matinal - Maranata, O Senhor Vem! - Ellen G.White

LIÇÃO DA ESCOLA SABATINA - TERCEIRO TRIMESTRE DE 2018

“Sereis minhas testemunhas” 

“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”. Atos 1:8

 

Era fim de culto. Estávamos conversando sobre as questões da igreja quando ela soltou: “Eu amo Jesus, mas detesto essa igreja”. Como sabia que aquela minha amiga tem um coração bem mais sincero que a média, eu ri da sua franqueza, disse que ela estava falando da “boca pra fora”, mas saí dali com um nó nos pensamentos: Seria possível isso ser realidade na vida de alguém?

Lembrei imediatamente das vezes que ouvi de pessoas afastadas da igreja, com o coração cheio de mágoa: “- Por que fazer parte de uma organização religiosa, cheia de pecadores falhos, orgulhosos e fraudulentos, se a salvação é individual?” Mesmo que as feridas, por vezes abertas pela própria comunidade de crentes sejam doloridas como esse questionamento, a igreja e seu propósito surgiram na mente de Deus. “E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la.” Mateus 16:18 

Cristo nos olha individualmente e nos conhece pelo nome, mas nos convida a fazer parte de seu povo, sua igreja, e dá a ela o privilégio de participar do plano de redenção da humanidade, que será festejado nas bodas do Cordeiro. “Regozijemo-nos! Vamos nos alegrar e dar-lhe glória! Pois chegou a hora do casamento do Cordeiro, e a sua noiva já se aprontou.” Apocalipse 19:7

Esse trimestre, somos convidados a relembrar o surgimento da Igreja Cristã, seus propósitos e seu destino. Se permitirmos, seremos renovados pelas palavras do livro de Atos. Nos emocionaremos outra vez, ao perceber a honra concedida pelo próprio Cristo quando nos chamou e nos prometeu o Espírito Santo para levar o Evangelho até os confins da terra. A igreja sofreu e ainda sofre com as mazelas daqueles que fazem parte dela. Mas ela é a noiva! “Veja, eu gravei você nas palmas das minhas mãos; seus muros estão sempre diante de mim. Erga os olhos e olhe ao redor; todos os seus filhos se ajuntam e vêm até você. Juro pela minha vida: Que você vestirá a todos como ornamento; você os vestirá como uma noiva, declara o Senhor.” Isaías 49:16-18

 

A restauração de Israel – Estaria Jesus, com seu ministério, apresentando um novo e revolucionário plano de redenção?

Pensar no povo judeu e como eles receberam Jesus e sua mensagem não é tarefa simples. Eles tinham profecias que apontavam para um Messias soberano, “A ele foram dados autoridade, glória e reino; todos os povos, nações e homens de todas as línguas o adoraram. Seu domínio é um domínio eterno que não acabará, e seu reino jamais será destruído”. Daniel 7:14 Mas também umCordeiro expiatório – “Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados”. Isaías 53:5

Isso para corações cheios de “necessidades imediatas” é um prato cheio para interpretações e expectativas equivocadas. Não é de se espantar que aguardavam um Messias soberano, conquistador que derrubaria os opressores e faria da nação judaica o novo Império Mundial. Inclusive pelos discípulos. ”… e nós esperávamos que era ele que ia trazer a redenção a Israel. E hoje é o terceiro dia desde que tudo isso aconteceu.” Lucas 24:21.Quando Cristo venceu a morte, as mesmas esperanças voltaram ainda mais fortes. “Senhor, é neste tempo que vais restaurar o reino a Israel?” Atos 1:6 Imagine! Um líder imortal!?!? Um Rei todo-poderoso?!?! Mas os sonhos de Deus eram maiores!

Cristo os conduz, desafiando-os mais uma vez para uma caminhada de confiança: “Não lhes compete saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade.” Atos 1:7

Um plano para nossa salvação foi traçado, desde o princípio, por Aquele que não pode errar. Ele tem conduzido aqueles que confiam em Sua palavra através dos desvios da história humana. Muito mais que mostrar o caminho Ele promete estar conosco. É nosso Guia. Alguns, no entanto, têm abandonado a companhia do Mestre porque querem indicar quando e como as coisas devem acontecer. Como sofreríamos menos se permitíssemos que Deus, com sua infinita ciência, ajustasse nossas expectativas!

 

A missão dos discípulos – Você já se pegou avaliando a equipe escolhida por Cristo como um grupo improvável?

Recentemente, enquanto acompanhava a minha turma nos jogos do Olimpiasp, algumas garotas começaram a se desentender e não demorou muito até se instalar um clima de desânimo e derrota. Em uma tentativa para solucionar o problema, chamei e atribui a algumas delas responsabilidades como “capitãs” em algumas partidas. Disse a elas que a turma contava com elas para manter os times unidos e focados. Não demorou muito até que encontrassem um jeito de resolver as intrigas. Elas precisavam de um propósito.

Não há família, igreja ou equipe que se mantenha saudável sem um propósito para estarem juntos. Na Biologia, um grupo de células só pode ser considerado um tecido se estiverem realizando um trabalho juntos.

Na última conversa do Mestre e seus discípulos, descrita em Atos 1, eles ainda estão perdidos, atordoados pelos acontecimentos inesperados, mas absortos pela presença confortante e revigorante de Cristo. Eles podiam não entender tudo o havia pela frente, mas a experiência indescritível de estar lado a lado com Jesus, satisfazia todas as necessidades da alma.

É nesse clima que eles recebem sua missão. O método de Cristo como coach desse time é efetivo e paciente. Ele dá um propósito “… serão minhas testemunhas”, uma missão, mas provê os recursos “receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês” e entrega também uma estratégia“…em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”. Atos 1:18. “A igreja é o instrumento apontado por Deus para salvar homens e mulheres perdidos.” Os Embaixadores, pág. 11.

 

Ele voltará – Vivemos, de fato, aguardando a volta de Jesus?

Atos 1:9-11 descreve o último momento de Jesus com os discípulos. “E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir”. Atos 1:9-11

Mais uma vez, tudo que podiam entender foi dito. E eu posso imaginar a força daquele momento. Se ainda haviam esperanças equivocadas, elas se dissiparam conforme Cristo subia. Imagino que ficou engasgado na garganta de Pedro: “Mestre, posso ir contigo?” Ou quem sabe João pensou e pedir um último abraço. Quanto tempo ficariam sem Aquele que lhes aquecia o coração? Quando ouviriam mais uma vez Aquela voz que levava o medo e a dúvida? O Pai do Céu que lê os corações manda por anjos poderosos o único consolo para aquele momento: Ele voltará! “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém.” Apocalipse 1:7

 

Preparação para o Pentecostes – Por onde começar?

Volte mais uma vez para aquela cena. Quando o último raio de luz de Cristo e dos anjos desaparece do céu, os discípulos olham uns para os outros sobre o Monte das Oliveiras. Dali sairiam até a última nação. Como se sentiam diante a responsabilidade que repousava sobre seus ombros?

Assim como Moisés desceu de seu encontro com Deus com o rosto resplandecente, os discípulos desceram envolvidos em um ar de alegria e vitória. Não se sentiam sozinhos. Não precisavam olhar para seus próprios atributos. Quando vivemos uma vida de confiança plena em Cristo, podemos viver seguros. Cessam a fatigantes autoavaliações. Podemos ser pais e mães, professores e pastores, missionários e amigos leais, confiando que Ele vai completar em nós e por nós a obra que Ele começou. “Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos”. Atos 1:14

Ali não havia especulações e discussões sobre quem seria o maior. Tinham um mesmo objetivo. Queriam reencontrar Jesus. Para isso deveriam ser usados pelo Espírito Santo como testemunhas humanas. E então oraram. Se colocando a disposição, oraram e louvaram Aquele que tudo sabe e tudo pode. E enquanto seus corações estavam assim inclinados, “Deus os fez lembrar de verdades que haviam esquecido, e eles repetiam uns aos outros. Cada cena da vida do Salvador passou como um filme diante deles… nenhum  trabalho seria difícil demais, nenhum sacrifício grande o bastante, contanto que pudessem testemunhar do caráter amável de Cristo.” Os Escolhidos, pág. 21.

Enfim, foram envolvidos em uma atmosfera de compreensão. Sem pressa, sem ansiedade, sem interesses próprios, aqueles dias devem ter sido especiais. Confissões e pedidos de perdão trouxeram alívio a alma. Estavam prontos para receber o Outro consolador.

 

O décimo segundo apóstolo. Como conhecer a vontade de Deus?

Se você já participou de uma reunião de condomínio, faz parte de um grupo de decisões no trabalho ou já tem parte nas escolhas da sua família, sabe como é difícil chegar a definições em grupo. Muitos desistem da coletividade por causa das confusões geradas pelas diferenças de opinião.

Para começar a organizar essa congregação, que já contava com quase cento e vinte integrantes, havia uma providência a ser tomada. Precisavam completar o time. Alguém ocuparia o lugar deixado por Judas.

Guiados pela sabedoria divina, consideraram requisitos ligados a missão. Simples assim. Sempre retornando às palavras de Cristo, “Sereis minhas testemunhas”, eles não acrescentaram letrinhas miúdas ou interpretações pessoais. Chegando a dois nomes que se habilitavam, oraram a Deus, e segundo o costume da época, sortearam, buscando a vontade dEle. Com a chegada do Espírito Santo e o crescimento espiritual da igreja, ficaria cada vez mais direta a comunicação de Deus sobre a condução dos planos e medidas congregacionais.  

Saber a vontade de Deus para cada uma de nossas deliberações é o sonho de cada cristão. Para onde ir? O que pregar no próximo sábado? Comprar ou não? Seguir adiante ou recuar? Falar ou esperar? Podemos viver o privilégio de conhecer a vontade do Onisciente. Se aceitarmos viver uma vida segundo o coração de Deus. Se estivermos dispostos a trocar nossa presunção orgulhosa pela ação condutiva do Espírito. “E os teus ouvidos ouvirão a palavra do que está por detrás de ti, dizendo: Este é o caminho, andai nele.” Isaías 30:21

 

Vamos?

Ainda guardo com carinho a lembrança do encerramento das Olimpíadas de Barcelona em 1992. Devido ao quadro geopolítico da época, aquele era um ajuntamento especial. Alemanha reunificada, a África, livre do apartheid, voltava ao evento mundial depois e 32 anos de suspensão. Havia um clima diferente no ar. Muito jovem, me emocionei ao ouvir Pavarotti cantar “Amigos para sempre”. Como você deve estar pensando, a paz não durou muito tempo. Ainda não.

Mas está chegando o dia em que Deus reunirá a congregação de seus filhos com uma paz que não terá fim. Por enquanto eu apenas imagino, mas eu estarei lá quando as canções celebrarem o fim de toda separação. Não estarei sozinha. Não será uma comemoração individual. Me unirei a todos aqueles, de todas as épocas, que foram resgatados. Seremos todos uma voz. Uma só igreja.

Esse encontro já começou. “A comissão do Salvador aos discípulos incluía todos os que creem. Abrange todos os que confiam em Cristo até o fim dos tempos… Todos os que recebem a vida de Cristo são mandados a trabalhar pela salvação de seus semelhantes. Por essa obra foi estabelecida a igreja, e todos os que tomam sobre si seus sagrados votos comprometem-se, assim, a serem colaboradores de Cristo.” O Desejado de Todas as Nações, pág. 822.

Você se distanciou da igreja por causa das decepções que sofreu? É hora de voltar. Há pessoas aqui que precisam de seu perdão e da alegria que virá com você. Eu sei que parece complicado. Sei que a prática não se afigura tão receptiva quanto esse convite. Mas o Espírito vai nos conduzir. Temos um trabalho para fazer juntos. E não demora nosso amado Jesus volta para nos buscar e fazer tudo novo. Vai ser uma festa. Como nunca vimos. Vamos?

Profª Ana Kelly Ribeiro