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LIÇÃO DO PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2018

Lição 1

A influência do materialismo

 

Autor: Heber Toth Armí

Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Revisora: Josiéli Nóbrega

 

A influência do materialismo

A conversão a Cristo muda a mente e a forma de encarar a vida, o mundo e os bens materiais. Antes éramos egoístas e possessivos; depois, tornamo-nos altruístas. Antes vivíamos para a própria glória; depois passamos a render glórias a Deus. Antes, focalizávamos aspectos carnais da existência; depois, começamos a trilhar o caminho da santificação (1Pe 2:9). Assim, como cristãos, representamos Deus no mundo ao administrar tudo o que Ele coloca em nossas mãos. Craig Cabaniss escreveu: “Agora que somos pessoas diferentes, devemos viver uma vida diferente” (C. J. Mahaney, ed. Mundanismo, p. 39).

Por isso, a mordomia cristã não é apêndice na agenda do converso. Toda a agenda é montada com base em seus princípios, focalizando seus objetivos. Numa sociedade ávida por riquezas, o cristianismo opõe-se ao materialismo desenfreado (Lc 14:26-33). O apóstolo Paulo apresentou este imperativo: “Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:2).

A filosofia materialista não se harmoniza com os princípios da mordomia cristã. Sua essência é a valorização do material em detrimento do espiritual. Porém, essa não é uma tendência recente; nas primeiras páginas da história do pecado isso já era evidente.

Caim e seus descendentes substituíram Deus pelas coisas materiais. Seus traços não eram espirituais. Aliás, nenhuma piedade é percebida neles. Após ter saído da presença divina, Caim e sua família passaram a viver para si (Gn 4:16). Por isso, em vez de edificar o reino de Deus, edificaram uma cidade (Gn 4:17); Lameque, pautado pelo hedonismo, tornou-se o primeiro polígamo (Gn 4:19). E, buscando satisfação pessoal, movidos por ambição, almejando segurança e estabilidade, os que rejeitaram a Deus inventaram instrumentos musicais, formaram as primeiras fazendas e criaram tecnologia, literatura e poesia (Gn 4:20-24).

Que mal há nos instrumentos musicais, músicas, fazendas, tecnologia ou literatura? Nenhum! O problema está em enfatizar essas coisas a ponto de excluir Deus da nossa agenda, tentando preencher o vazio provocado pela ausência Dele com coisas que não nos completam e buscando satisfação pessoal nas pervertidas ambições de um coração corrompido pela avareza (Lc 12:15-21).

Para entender melhor a influência do materialismo, observe estas correntes filosóficas:

1. Humanismo: Esse movimento teve sua ênfase na Europa há cerca de 500 anos, induzindo indivíduos a pensar que, se Deus existe, não se pode saber; se existe, deveria Se revelar. Tal ênfase tirou Deus do centro e colocou o homem em Seu lugar. Assim, tudo passou a girar em torno do ser humano, promovendo orgulho, egoísmo, arrogância, competição, e ambição física e intelectual. Desse modo, Deus perdeu espaço na existência humana.

2. Racionalismo: O humanismo gerou o racionalismo. A inteligência, a intelectualidade, a lógica, a retórica, a literatura e a razão ocuparam a atenção da humanidade. A fé perdeu o sentido, foi considerada desprovida de lógica, e teria sido o resultado da ingenuidade dos antepassados “desprovidos” de cultura intelectual. A Bíblia foi atacada, perdendo sua autoridade, que foi transferida para a razão e a lógica humanas. A Palavra de Deus perdeu espaço na vida humana.

3. Secularismo: Com a fusão do humanismo com o racionalismo surgiu o secularismo. A vida deixou de ser orientada pela submissão à vontade divina, expressa nas palavras “se Deus quiser”, e passou a ser orientada pelos desejos humanos, expressos nas palavras “querer é poder”. Surgiu, então, a premissa de que economia, negócios, política, sociedade, estudos, família, sexo, ciências, artes, sociologia, psicologia, enfim, tudo devia estar desvinculado da fé. Assim, embora a religião possa ter um espaço na agenda humana, ela não deve interferir nos demais assuntos.

4. Materialismo e Hedonismo: Essas duas correntes surgiram devido à ausência de Deus na existência humana. Elas procuram solucionar a insatisfação causada pela ausência do verdadeiro Deus. Pregam que priorizar a comida, o vestuário, os bens materiais, e todos os tipos de prazeres que o mundo oferece satisfazem o coração humano. Mas, de que adianta ter todos os prazeres que o mundo oferece e perder a salvação? (Mc 8:36).

A avidez pelo materialismo, sucesso financeiro e status social não satisfazem plena e adequadamente ninguém. Augusto Cury nos dá o seguinte parecer:

O ateísmo, tão em moda na primeira metade do século 20, começou a implodir nas últimas décadas. No século 21, a sede de descobrir quem é o Autor da vida só irá aumentar. Um dos motivos que promovem essa procura é o vazio deixado pela ciência. Nunca a ciência avançou tanto e nunca pessoas estiveram tão expostas aos transtornos emocionais, tão vazias e sem motivação na vida (Augusto Cury. O Mestre da Vida, p. 131).

É fundamental atentar para o que Deus diz em Deuteronômio 8:10-14. Certamente, não podemos nos conformar com os bens deste mundo. O humanismo parece bom; o racionalismo parece lógico; o secularismo parece atraente; o materialismo pode representar algum status; e, o hedonismo oferece momentos prazerosos; entretanto, são artimanhas diabólicas para moldar-nos a este mundo corrompido e desviar-nos do caminho de Deus e do Seu ideal para o cristão, que é servir unicamente a Deus (Mt 6:22-24).

*O materialismo, devido ao poder da mídia, invadiu todos os continentes; será que chegou às igrejas e lares cristãos?

*O que sua vida revela sobre o impacto do materialismo? E sobre o impacto do cristianismo?

*Numa sociedade consumista e materialista, não deveríamos aprender a ver os bens materiais conforme Deus os vê?

*É fácil se iludir com interesses seculares. Por isso, é importante avaliar: Minhas prioridades são os bens materiais ou os temas espirituais?

A mordomia cristã não se opõe ao dinheiro; mas, ao amor a ele (1Tm 6:10). O problema não é ter dinheiro, mas ser regido por ele. Pecado não é ter riquezas, mas submeter-se a elas como fiel adorador das coisas materiais. O cristão não segue o dinheiro, que se tornou um deus no mundo, nem se deixa moldar pelo materialismo, que se tornou a forma de religião do dinheiro. Ele ajunta um tesouro no Céu (Mt 6:19-21).

Confiar em Deus plenamente (não nos bens que Ele dá) é o segredo para não se influenciar pelo materialismo (Jo 15:5; 1Jo 2:16-17). Pôr o reino de Deus e a Sua justiça em primeiro lugar é a filosofia de vida do pecador convertido (Mt 6:33). Nisso consiste a essência do verdadeiro mordomo cristão!

Autor do comentário:

O Pastor Heber Toth Armí graduou-se em Teologia pelo UNASP-EC, em 2005. Concluiu Mestrado em Teologia pelo UNASP-EC, em 2016. Atua como distrital em Fraiburgo, SC. É casado com Ketlin Mara Hasse Armí.