LIÇÃO DA ESCOLA SABATINA - SEGUNDO TRIMESTRE DE 2019

Resumo da Lição 11
Famílias de fé

A cultura pode ser amiga ou inimiga ao se envolver com a fé cristã. Famílias que desejam permanecer fiéis ao caminho radical do discipulado cristão geralmente enfrentam pressão cultural para comprometer os padrões de santidade. No entanto, a rejeição desnecessária das normas culturais atuais de alguém, em nome da religião, não é um sinal de santificação, mas de zelo equivocado que pode trazer descrédito ao nosso testemunho cristão. O discernimento cuidadoso entre quais são e quais não são as normas culturais compatíveis com o cristianismo pode ser uma fonte de intensa divergência entre os crentes (por exemplo, a intensificação das questões que levaram ao Concílio de Jerusalém no ano 49 d.C., descrito em Atos 15). Ouvido atento, atitude humilde e sensibilidade à direção do Espírito são necessários para permanecer biblicamente fiel e culturalmente sensível.

Enquanto as famílias cristãs definem qual é o apropriado nível de adaptação cultural, elas podem ter certeza de que não há espaço dentro do cristianismo autêntico para a desvalorização de nenhum ser humano, pois todos foram criados à imagem de Deus (Gn 1:26, 27; 9: 6). Se uma cultura menospreza algum grupo com base nos critérios de sexo, etnia, classe social, deficiências físicas ou mentais, idade etc., então há uma grande e justificável oportunidade de romper totalmente com essa cultura e revelar por meio de nossas ações um Deus que demonstra “imparcialidade” (Rm 2:11, At 10:34, Gl 2:6).

As famílias da Bíblia apresentam uma série de erros que nos permitem aprender muitas lições e evitar as falhas cometidas. Essas famílias foram influenciadas, pelo menos parcialmente, pelas culturas em que viviam. Desde o terrível erro de Abrão em relação a Agar (Gn 16) até a presença de ídolos na casa de Jacó (Gn 35), a cultura sempre exerceu sua pressão sobre o povo de Deus. Ao recapitular a lição da Escola Sabatina desta semana, enfatize a questão de que os que se encontram inconscientes das influências culturais em sua vida podem estar irrefletidamente se ajustando a elas.

Cultura: está em toda parte

O problema com a cultura é que ela é uma força motriz em nossa vida que escapa à reflexão rigorosa. No Ocidente, quando um amigo pergunta: “Você gostaria de tomar um lanche e um suco antes do trabalho?”, poucos demonstram surpresa quando são convidados, porque no Ocidente sair para tomar um lanche faz parte da cultura. Em vez disso, tente perguntar a um colega de trabalho: “Ei, você gostaria de sair para comer uma salada de frutas depois do trabalho?” A pessoa sorrirá de modo desconfiado e perguntará: “Você está falando sério?” Mas, qual é o motivo do espanto? Escolher uma salada de frutas é uma opção da mesma forma que o lanche e o suco. Mas, embora seja uma escolha muito mais saudável, a salada de frutas não conquistou seu lugar entre os alimentos tradicionais da cultura ocidental mais ampla, de modo que alguém parecerá excêntrico ao sugerir isso.

O caso citado acima é um exemplo relativamente inofensivo. Na próxima comissão, levante uma questão quanto às igrejas, se devem usar hinos mais antigos ou músicas de louvor mais contemporâneas, e prepare-se para um conflito cultural. Torna-se ainda mais complicado quando a música de outras culturas migra para áreas muito diferentes, criando tensões interculturais. Toda essa mistura e fusão servem para mostrar que a cultura está exercendo uma influência em todas as áreas. Às vezes as pessoas pensam que estão sendo astutas teologicamente ao criticar ou afirmar uma prática da igreja quando, na realidade, estão sendo compelidas pela cultura dominante ou subcultura da qual fazem parte. Estar ciente dessa dinâmica é útil em meio às várias visões da igreja. Os conservadores precisam ficar atentos para não “santificar” aspectos não essenciais de sua crença e prática, em um esforço para se proteger da cultura dominante. Por outro lado, os liberais devem ficar atentos para não “dispensar o que é santo” em uma tentativa de acomodar ao máximo a cultura dominante.

Cultura: exemplos

Visto que a Igreja Adventista do Sétimo Dia está espalhada pelo mundo, as influências culturais sobre a igreja são numerosas e variadas. As famílias da igreja em todo o mundo precisam analisar seu próprio ambiente cultural e indagar como podem resistir de modo mais eficaz à sua cultura ou tirar proveito dela para a expansão do reino de Deus. A lição cita alguns exemplos de como a cultura influenciou as famílias da Bíblia. Embora os exemplos sejam todos negativos, é instrutivo considerar como Deus cumpriu Sua vontade, apesar dos obstáculos culturais.

Abrão, Sarai e Agar

Conhecemos bem a história de como Abrão e Sarai, desesperados para ter um herdeiro natural, usaram a serva Agar como a solução para a infertilidade de Sarai (Gn 16:2). No mundo de hoje, a repetição dessa exata “solução” seria evitada na maioria dos casos. Porém, a barriga de aluguel é uma opção bem conhecida para os que desejam ser pais. A prática cultural da barriga de aluguel permaneceu, embora o método tenha mudado mediante a intervenção médica. A continuidade cultural, no entanto, nos ajuda a identificar melhor a história e a difícil situação de Sarai.

A promessa de Deus a Abrão era de que ele teria um herdeiro natural (no lugar de Eliézer; ver Gn 15:4). Na cultura do antigo Oriente Próximo se aceitava que uma esposa oferecesse outra mulher para ter filhos em seu nome. Portanto, essa era uma opção sempre presente. Essa situação levou Abrão e Sarai a tentar um atalho cultural para cumprir a promessa de Deus. Mas, em vez de ajudar a cumprir a promessa divina, essa prática, embora culturalmente aceita, interferiu no plano de Deus e causou sofrimento e dificuldades desnecessários a todos os envolvidos. Deus finalmente cumpriu Sua vontade (apesar do grave erro de Abrão e Sarai) por intermédio do nascimento de Isaque, e, além disso, cuidou dos desalojados Agar e Ismael. Pode-se inferir da narrativa que nem Sarai nem Abrão buscaram o conselho de Deus sobre o plano deles para ajudar no cumprimento da promessa divina; e pagaram caro por essa decisão (talvez durante a vida inteira).

Um princípio pode ser extraído dessa história: ao tentar cooperar com os planos de Deus utilizando certas práticas, simplesmente porque são aceitáveis culturalmente, podemos produzir mais mal do que bem. Se eles tivessem refletido com oração e uma dose de realismo, poderiam ter evitado todo o fiasco (Nas Escrituras, casamentos poligâmicos pacíficos são raros. Esse ponto é significativo se alguém acredita que as Escrituras refletem precisamente a história e a cultura das épocas).

Séculos mais tarde, a insistência obstinada de Israel em ter um rei para governá-los serviria como exemplo da acomodação cultural, com consequências desastrosas para o destino de toda a nação. E o povo disse: “Constitui-nos, pois, agora, um rei sobre nós, para que nos governe, como o têm todas as nações” (1Sm 8:5). Deus sabia que essa escolha era uma total rejeição de Si mesmo como rei da nação (1Sm 8:7), sem oferecer uma justificativa melhor do que o desejo de ser “como todos os outros”. Esse desejo por um rei é uma acomodação cultural no seu pior grau. Qualquer um que tenha lido o relato dos reis de Israel e dos reis de Judá sabe que, na maior parte da história da monarquia em Israel, a vontade deles de ter um rei resultou em desastre. Mas há dois pontos importantes dignos de nota: (1) Deus permitiu que eles fizessem essa acomodação cultural, escolhendo até mesmo o primeiro rei para eles; (2) Deus trabalhou dentro da estrutura da decisão pecaminosa de Israel, a ponto de incluir profecias messiânicas na monarquia. Que Deus é esse! Estabelecer um rei humano sobre Israel não era a vontade perfeita de Deus. Toda a história do Seu povo poderia ter sido muito diferente se ele tivesse escolhido permanecer, talvez, a única nação do planeta sem um líder humano visível. Mas Deus é capaz de iniciar o plano B, C ou D, a despeito das nossas escolhas. Ele não desiste facilmente do Seu povo.

Quando a igreja ou suas famílias fazem acomodações culturais pecaminosas, mesmo aquelas que têm efeitos duradouros, parece que Deus é grande o suficiente para contornar ou trabalhar decisões equivocadas. Ele não nos mantém sob um estado de contínua rejeição ou ira. As consequências naturais de nossas decisões equivocadas podem, às vezes, ser suficiente punição, como a monarquia de Israel (1Sm 8:9-19). Seria prejudicial usar esse ângulo da misericórdia de Deus como uma liberação para simplesmente seguir o fluxo cultural. A bondade e a paciência de Deus nesses aspectos são destinadas a “conduzir ao arrependimento”, e não a incentivar ainda mais o pecado (Rm 2:4, 5). O povo de Deus muitas vezes tropeça em si mesmo enquanto escolhe como viver a fé em suas respectivas culturas. No entanto, o Senhor sabe exatamente como inserir perfeitamente Seu reino em cada contexto cultural. Ao cooperarmos com Ele, o Senhor não só nos guia por intermédio da Sua Palavra e do Espírito Santo, mas também pode compensar nossos erros.

Cultura: uma ameaça

Devido à variada audiência cultural que essas lições estão alcançando, é difícil escolher quais tendências culturais antagônicas ao evangelho devemos mencionar. Destacar uma tendência significa negligenciar outras dez. Entretanto, a secularização ocidental é um fenômeno que está espalhando sua influência para além de suas fronteiras. A citação abaixo, de J. Gresham Machen, foi pronunciada na abertura da 101ª sessão do Seminário Teológico de Princeton, em 1912. Ela aborda uma secularização cultural que rebaixaria a mensagem cristã a um conto de fadas. No entanto, é ampla o suficiente no seu escopo para ser aplicada a qualquer ambiente culturalmente tóxico ao cristianismo:

“Falsas ideias são os maiores obstáculos para a receptividade do evangelho. Podemos pregar com todo o fervor de um reformador e, contudo, conseguir alcançar só um aqui e outro ali, se permitirmos que todo o pensamento coletivo da nação ou do mundo seja controlado por ideias que, pela força irresistível da lógica, impeçam que o cristianismo seja considerado algo mais do que uma ilusão inofensiva. Sob tais circunstâncias, o que Deus deseja que façamos é destruir o obstáculo na sua raiz” (“Christianity and Culture” [Cristianismo e Cultura], The Princeton Theological Review, v. 11, nº 1, 1913, p. 7).

APLICAÇÃO PARA A VIDA

Aqui estão alguns exercícios e reflexões que podem levar a classe da Escola Sabatina a pensar sobre cultura, cristianismo e famílias.

1. O “relativismo cultural” é um modelo útil para nos ajudar a entender as diferentes culturas a partir de suas próprias perspectivas. No entanto, torna-se problemático quando todas as práticas culturais são consideradas imunes a julgamentos morais. Como alguém poderia responder que um julgamento moral sobre uma prática cultural tem alguma validade objetiva?

2. Quais são as tendências culturais na sua comunidade que atuam contra o evangelho? Há alguma tendência operando em favor da verdade bíblica?

3. Pense nas parábolas em que Jesus descreveu o “reino de Deus” e use-as como uma referência para a cultura ideal. Como você reformularia sua própria cultura para se parecer mais com a celestial?

4. Pergunte aos alunos: Quais práticas entre os membros da igreja trazem preocupação e desafiam nossa fé? Escreva essas práticas em um quadro branco. Pergunte se existem ordens bíblicas claras contra qualquer uma das práticas mencionadas. Se não houver, discuta se essas práticas podem ser apenas questões culturais e não princípios bíblicos.