Leia: O ANO BÍBLICO com a bíblia NVI e a Meditação Matinal - Maranata, O Senhor Vem! - Ellen G.White

LIÇÃO DA ESCOLA SABATINA - TERCEIRO TRIMESTRE DE 2018

Prisão de Paulo em Jerusalém

E na noite seguinte, apresentando-se-lhe o Senhor, disse: Paulo, tem ânimo; porque, como de mim testificaste em Jerusalém, assim importa que testifiques também em Roma. Atos 23:11

Há um tempo atrás, em um lugar distante, estava com uma amiga em um evento da igreja e, cansadas, nos espichamos perto de uma varanda. Acidentalmente ouvimos conversas de teor suspeito, para não dizer vergonhoso, daqueles que eram nossos líderes na época. Como éramos muito jovens, aquilo nos deixou abaladas. Mal sabia que os desdobramentos daqueles dias seriam maiores que o desconforto daquele flagrante. Aquela minha amiga jamais seria a mesma em relação a igreja e os envolvidos também não.

Sei que coisas como essa acontecem em todas as igrejas e que líderes, a quem admiramos tanto, podem falhar. No entanto, como vimos nas primeiras lições desse trimestre, a igreja, com seus membros humanos, tal como a Arca de Noé, pode nem sempre cheirar bem, mas chegará ao seu destino.

Os capítulos 21 a 23 de Atos contam como Paulo foi recebido em Jerusalém. A essa altura dos registros de Lucas, você pensa estar acostumado com os sofrimentos desse apóstolo. É aí que você se depara com líderes que, infelizmente, abriram mão de protege-lo para manter a boa política local. Vale a pena ler:

“No dia seguinte Paulo foi conosco encontrar-se com Tiago, e todos os presbíteros estavam presentes. Paulo os saudou e relatou minuciosamente o que Deus havia feito entre os gentios por meio do seu ministério. Ouvindo isso, eles louvaram a Deus e disseram a Paulo: “Veja, irmão, quantos milhares de judeus creram, e todos eles são zelosos da lei. Eles foram informados de que você ensina todos os judeus que vivem entre os gentios a se afastarem de Moisés, dizendo-lhes que não circuncidem seus filhos nem vivam de acordo com os nossos costumes. Que faremos? Certamente eles saberão que você chegou; portanto, faça o que lhe dizemos. Estão conosco quatro homens que fizeram um voto. Participe com esses homens dos rituais de purificação e pague as despesas deles, para que rapem a cabeça. Então todos saberão que não é verdade o que falam de você, mas que você continua vivendo em obediência à lei”.” Atos 21:18-24

Eles sabiam do risco que Paulo estava correndo. A sugestão era fruto de covardia. Ser líder envolve, principalmente, proteger. E muitas vezes colocando-se, desconfortavelmente, entre o perigo e seu liderado.

Paulo também vacilou e cedeu a subjetividade da orientação recebida, em detrimento da firmeza lógica com que geralmente ele agia. Talvez ali houvesse uma porção de sentimentos envolvidos de ambas as partes. Hesitações, anseios antigos, medos, ciúmes.

O fato é que esse trecho da narrativa não se trata de decisões bem acertadas. Ellen White comenta: “Seus esforços (de Paulo) para satisfazer os interesses dos outros só trouxeram mais rapidamente sobre ele os sofrimentos preditos, separando-o dos outros cristãos e privando a igreja de uma de suas colunas mais fortes.” Os Embaixadores, pg. 188.

A chegada no templo deve ter sido repleta de nostalgia. Em outras terras, aquele fariseu alcançado pela graça, deve ter ensaiado sermões para aquele momento. Sonhando apresentar a esperança que lhe abriu os olhos, ele por muitas vezes imaginou poder ver seus antigos amigos abraçando a salvação em Cristo. Mas a realidade era outra. Seus inimigos, mais uma vez, baseados em suposições lhe acusam de profanar o templo e levantam uma multidão para lhe apedrejar. Um centurião, provavelmente acompanhado com cem homens a cavalo, impede o assassinato. Deve ter sido um alívio e, se fosse eu, entraria debaixo de uma capa de um deles e nunca mais voltaria ali. Mas o Pr. Paulo não dá tréguas para nossa emoção. Ele pede a palavra.

Sim. Depois de apanhar ele se dirige àqueles loucos com um amor que só o Espírito Santo pode conceder: “Meus irmãos e pais…” Atos 22:1, ele começa. Se alguma dúvida resta da motivação que o sustentava, ela acaba enquanto você lê sua “defesa”. Prendendo o fôlego você comemora o silêncio que fazem para o ouvir. Já imagina que ele vai sair da confusão graças à sua persuasão, mas, percebe que ele usa essa única oportunidade para pregar o evangelho, a razão de sua fé e o amor universal e incondicional de Cristo. Para quem já havia endurecido o coração era a gota d’água. Não queriam ouvir.

A sequência é triste. Ameaças, humilhações, julgamentos infundados, planos escusos de morte. Paulo teve que agir com toda a sua inteligência, ora com ousadia, ora com sensibilidade, lutando com as próprias emoções mas, termina, de novo, no chão duro, úmido e gelado do cárcere romano. Sozinho.

Meu amigo, consegue imaginar? Machucado, esbofeteado, injustiçado, desprotegido e só. Qual de nós não questionaria se valia a pena? Não sabemos ao certo o tamanho da luta vivida por esse homem naquela prisão. Mas se segure onde está sentado e veja: “Na noite seguinte o Senhor, pondo-se ao lado dele, disse: “Coragem! Assim como você testemunhou a meu respeito em Jerusalém, deverá testemunhar também em Roma””. Atos 23:11. Eu posso imaginar as orações de Paulo chegando ao céu! Seus clamores sendo ouvidos, anjos expectantes. Talvez Gabriel pedindo autorização: Senhor, permita-me passar essa noite ao lado dele… Quem sabe Elias? Mas o Senhor silencia a todos dizendo: – Hoje, Eu mesmo vou. Ah! Que emoção!  O Dono do Universo se senta em uma prisão vulgar para amparar seu servo.

Olhando para Seu Senhor, suas feridas nada representam. Toda dúvida se dissipa e se sente forte para viver tudo outra vez em Roma ou onde quer que for.

No céu conheceremos os frutos da estada de Paulo em Jerusalém. Foram dias de intensa tribulação. A vacilação de uma liderança com falhas, somado aos sentimentos e frustações de fazer parte de uma comunidade dividida o levou ao teste de seus alicerces. Ele precisou viver baseado em tudo que o Senhor Jesus implantara em sua razão. Recorreu a solidez do conhecimento que tinha de Seu Mestre, de seus ensinamentos, da Palavra.

Você e eu seremos testados também. Momentos de dúvida serão mais perigosos que perseguições e martírios. Onde estará baseada nossa fé quando isso acontecer? Nas lindas e emocionantes experiências com a igreja? No calor recebido pelos companheiros de fé? Ou na Palavra dAquele que não muda?

A experiência em si é muito subjetiva, muito transitória, muito interior, muito fugaz, muito ligada a fatores fisiológicos para ser um guia digno de confiança para a fé. Confiar em nossa experiência é colocar a nossa fé à mercê de nosso fígado, de nossas glândulas endócrinas, da qualidade de nosso sono em qualquer dada noite, o estado da nossa digestão ou os problemas do nosso trabalho. A experiência deve estar sempre sujeita à autoridade da obra salvadora de Deus em Jesus Cristo como declarado na Bíblia.

Hoje é o dia da construção dos fundamentos da fé que irão nos sustentar nos dias de tormenta. Quanto tempo temos dedicado diariamente ao estudo sincero e profundo da Bíblia e às súplicas por perdão e orientação em uma vida de oração?

Profª Ana Kelly Ribeiro