Leia: O ANO BÍBLICO com a bíblia NVI e a Meditação Matinal - Maranata, O Senhor Vem! - Ellen G.White

LIÇÃO DA ESCOLA SABATINA - TERCEIRO TRIMESTRE DE 2018

Lição 11: 8 a 15 de setembro

Prisão de Paulo em Jerusalém

Cristian Piazzetta
Capelão da Escola Adventista
Cachoeirinha, RS

Supervisor: Wilson Paroschi
Professor de Novo Testamento
Southern Adventist University
Collegedale, TN, EUA

Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br
Revisora: Josiéli Nóbrega

Esboço da lição da semana

I. A chegada de Paulo (At 21:17-26)

  1. O encontro com os líderes
  2. O relatório de Paulo
  3. A crítica dos presbíteros
  4. A proposta dos líderes de Jerusalém
  5. A fraqueza de Paulo

II. A prisão de Paulo (At 21:27–23:35)

  1. Tumulto no templo
  2. A detenção de Paulo
  3. A defesa de Paulo
  4. Perante o Sinédrio
  5. Transferência para Cesareia

I. A chegada de Paulo (At 21:17-26)

Chegamos à última seção de Atos. No final de sua terceira viagem missionária, Paulo se propôs a visitar Jerusalém, possivelmente para entregar as ofertas coletadas nas igrejas gentílicas. Infelizmente, o que era para ser uma ocasião festiva, representou o fim da liberdade do apóstolo. Em Jerusalém, Paulo se deparou com um rumor de que seu ministério não era benquisto pelos judeus. Tal oposição resultaria no seu aprisionamento e num longo período de julgamentos. A despeito da situação, Deus ainda tinha planos com Paulo, e aquilo que parecia uma tragédia, acabou de alguma forma colaborando para que o evangelho chegasse até os confins da terra.

1. O encontro com os líderes

A recepção de Paulo em Jerusalém foi calorosa (At 21:17). O texto não mostra claramente quem exatamente compunha esse grupo que o recebeu. Possivelmente, fossem crentes helenistas associados a Mnason, um discípulo natural de Chipre, talvez conhecido de Barnabé, com quem o apóstolo se hospedaria (v. 16). A alegre recepção de Paulo se assemelha à boa acolhida que ele tinha recebido antes do Concílio de Jerusalém (At 15:4). No entanto, dificuldades relacionadas aos gentios logo viriam à tona.

2. O relatório de Paulo

Paulo novamente fez questão de relatar o sucesso da missão gentílica. Lucas não nos conta o que exatamente Paulo destacou, mas é provável que ele tenha contado do período de três anos em que estivera em Éfeso (At 20:31) e das várias experiências que havia passado ali (At 19:8-41). Embora entusiasmados com as boas notícias, os líderes de Jerusalém não estavam à vontade. Havia um problema, o qual os levou a criticar o ministério de Paulo, bem como propor uma solução para diminuir a tensão.

3. A crítica dos presbíteros

Os líderes de Jerusalém estavam preocupados com a reputação de Paulo (ou talvez com os padrões da igreja por eles defendidos). O problema era o boato de que Paulo aconselhava os judeus da diáspora a apostatarem de Moisés e abandonar as práticas de seus ancestrais (At 21:21). É evidente que as acusações eram falsas. O que o apóstolo afirmava era apenas que, em termos de salvação, nem a circuncisão nem a incircuncisão eram coisa alguma, pois todos são igualmente salvos pela fé (Rm 2:28; Gl 5:6). A repetição dessa antiga crítica demonstra que o Concílio de Jerusalém não havia resolvido completamente a questão do preconceito judaico. Na verdade, essa questão ainda custaria a liberdade de Paulo.

4. A proposta dos líderes em Jerusalém

A recomendação foi que Paulo provasse que ainda era um judeu fiel. Havia ali outros judeus que estavam sob o juramento de nazireu. Ao finalizar o período, que durava trinta dias, esperava-se que o participante raspasse seu cabelo e o queimasse em holocausto (Nm 6:18). Além disso, era exigido que alguns animais fossem oferecidos em sacrifício (um cordeiro, uma cordeira e um carneiro), além da oferta de manjares (cereais) e libação de azeite (Nm 6:14, 15). Evidentemente, tomar tal voto envolvia um alto custo financeiro. A sugestão, então, foi que Paulo se unisse àqueles homens e bancasse tais gastos. Ao assim fazer, estaria demonstrando sua lealdade à lei (Torah) e a improcedência dos rumores a seu respeito.

5. A fraqueza de Paulo

Infelizmente, ao acatar a recomendação dos líderes de Jerusalém, Paulo comprometeu a mensagem na qual acreditava e que era o centro de sua pregação. Sua intenção parece ter sido boa. Nas palavras de Ellen G. White, ele “acreditava que, se por alguma concessão razoável pudesse ganhá-los para a verdade, removeria um grande obstáculo ao êxito do evangelho em outros lugares. Não se achava, porém, autorizado por Deus para ceder tanto quanto eles pediam.”

II. A prisão de Paulo (At 21:27–23:35)

O tiro saiu pela culatra, por assim dizer. Seu erro ao tentar corrigir um problema inexistente (a alegação de que ensinava os judeus cristãos a se apostatarem de Moisés) precipitou um grande tumulto no pátio do templo que acabou culminando com sua detenção, o que daria início a várias sessões de julgamento que se estendem praticamente até o fim do livro de Atos.

1. Tumulto no templo

O voto do nazireado requeria uma purificação no terceiro e no sétimo dias (Nm 19:12). Paulo provavelmente estivesse voltando ao templo no último dos sete dias para completar o ritual, mas ao ser identificado por um grupo de judeus provenientes da Ásia, um grande alvoroço teve início. A acusação era que ele havia introduzido no templo a Trófimo, gentio cristão de Éfeso, onde Paulo estivera por três anos em sua viagem recente. A nenhum gentio era permitido adentrar ao pátio interior do templo. A reação foi imediata. Os gritos enfurecidos da multidão ecoavam as mesmas palavras que haviam sido proferidas contra Estevão: “Este homem não cessa de falar contra o lugar santo e contra a lei” (At 6:13). Obviamente a acusação era infundada, pois Lucas indica que Paulo e Trófimo haviam sido avistados junto na cidade, não no templo. Mas, não havia tempo para explicações. Paulo teria que arcar com o custo de sua associação com os gentios. A ironia é que Paulo estava no templo justamente para realizar sua própria purificação, mas nesse momento foi acusado de havê-lo contaminado.

2. A detenção de Paulo

A vida de Paulo estava por um triz. Não fosse a intervenção do comandante romano, o apóstolo dificilmente teria sobrevivido. O relato sugere que Cláudio Lísias tomou cerca de duzentos soldados para tentar sufocar a revolta (At 21:32). Sendo Paulo o objeto principal da ira da multidão, foi natural a ordem de que ele fosse preso, acorrentado e recolhido à fortaleza romana, que ficava na parte norte do templo. O apóstolo permaneceria preso até o final do relato de Atos, um período que durou quase cinco anos.

3. A defesa de Paulo

Diante de tamanha injustiça, é natural que Paulo tivesse solicitado o direito de defesa. Impressionado com a habilidade do apóstolo de falar em grego e assegurado de que ele não era um dos vários revolucionários que causavam tumultos na cidade (At 21:36-39), Lísias concedeu ao apóstolo a oportunidade de falar em defesa própria. Paulo recorreu à sua própria experiência de conversão, relatando seu antigo zelo judeu e como ele havia sido comissionado pelo Jesus ressurreto. Até esse ponto, a multidão o ouvia atentamente. Mas, ao mencionar sua missão aos gentios (At 22:21), a multidão ficou ainda mais irritada desejando tirar-lhe a vida. A ira dos judeus motivou Lísias a levar Paulo novamente à fortaleza para o interrogar por meio de açoites. Quanto a isso, Paulo foi incisivo, pois ele possuía cidadania romana e não podia ser submetido a esse tipo de tortura (v. 25-29).

4. Perante o Sinédrio

Incapacitado de certificar-se das acusações dos judeus, Lísias decidiu entregar Paulo à corte de julgamento judaica, o Sinédrio. Em seu discurso, Paulo procurou enfatizar que a real motivação por trás das acusações era a sua esperança na ressureição dos mortos (At 23:6). Tendo em vista que o Sinédrio era composto por fariseus, que criam na ressurreição, e saduceus, que não criam, uma nova confusão se formou. A disputa tornou-se tão violenta que Lísias teve que intervir, levando Paulo de volta à fortaleza. No entanto, mais confortante do que intervenção do comandante, foram as palavras do próprio Senhor dirigidas ao apóstolo (v. 11). Deus estava cuidando de Paulo e ainda o usaria poderosamente!

5. Transferência para Cesareia

O encorajamento divino veio num momento oportuno, pois logo em seguida o apóstolo enfrentaria a conspiração de um grupo de quarenta judeus que se uniram sob juramento de nada comer nem beber enquanto Paulo não estivesse morto (At 23:12, 13). Providencialmente, a trama chegou ao conhecimento de Paulo, por meio de seu sobrinho (v. 16), e ele prontamente tratou de informar ao comandante para que sua vida fosse preservada. O apóstolo seria então enviado para Cesareia, a capital da província e um local mais seguro e apropriado para o seu julgamento.

Conclusão

Pontos a ser enfatizados em classe:

– As circunstâncias da prisão de Paulo e a própria contribuição do apóstolo para que isso acontecesse.

– A experiência pessoal utilizada por Paulo em sua defesa.

– A hostilidade dos judeus para com Paulo.

– O plano que Deus ainda tinha para o apóstolo.

 

 

Supervisor do comentário:

Wilson Paroschi ensinou na Faculdade de Teologia do Unasp, Engenheiro Coelho, por mais de trinta anos. Desde janeiro deste ano, é professor de Novo Testamento na Southern Adventist University, em Collegedale, Tennessee, Estados Unidos. Ele é PhD em Novo Testamento pela Andrews University (2004) e realizou estudos de pós-doutorado na Universidade de Heidelberg, na Alemanha (2011).