Leia: O ANO BÍBLICO com a bíblia NVI e a Meditação Matinal - Maranata, O Senhor Vem! - Ellen G.White

LIÇÃO DA ESCOLA SABATINA - TERCEIRO TRIMESTRE DE 2018

Comentário da Lição 11

Sábado (08/09/2018) – Introdução

[Estamos publicando o que está no livro “Atos – Contando a História da Igreja Apostólica”, um “Comentário Bíblico Homilético”, escrito por Mário Veloso].

Viagem de Paulo a Jerusalém: estou pronto (Atos 21:1 a 16)

Ao embarcar em Mileto, Paulo iniciou a etapa final da viagem a Jerusalém. Já estava informado a respeito dos perigos que o esperavam ali, mas nada diminuiu sua determinação de chegar a essa cidade. O relato de Lucas destaca dois locais no trajeto: Tiro e Cesareia. Nos dois, ele recebeu advertências e conselhos para mudar seus planos e não ir a Jerusalém. Paulo simplesmente disse: “Estou pronto” (Atos 21:13).

Tinha completa disposição, sem se preocupar com o perigo, nem com a realidade que esse perigo, anunciado antecipadamente, pudesse lhe apresentar.

Tiro: disposto a enfrentar o perigo (Atos 21:1 a 6)

Lucas apresenta o itinerário da viagem. Menciona lugares por onde não passaram e outros onde ficaram pouco tempo. No trecho entre Mileto e Tiro, menciona Cós, Rodes e Chipre (Atos 21:1 e 2). A menção desses lugares oferece realismo e validade ao relato. Uma rápida menção da evidente sensação da pressa de Paulo para chegar a Jerusalém. Como sabia o que o esperava, parece que ao escrever dessa forma, Lucas comunica a ideia de que, para Paulo, quanto mais rápido enfrentasse a experiência negativa que o esperava em Jerusalém, melhor seria.

Uma vez que não poderia evitar a prisão previamente anunciada, era melhor estar nela o mais rápido possível. Uma filosofia de vida muito saudável. Não se privar de viver a realidade. De fato, a realidade é a única coisa inalterável que ocorre na vida diária dos seres humanos. Não a realidade que se pretende, mas a que de fato acontece. Negá-la como se não existisse, quando ela está presente, é tolice. Falta de saúde mental. É preciso vivê-la e tirar o melhor proveito para o único objetivo válido na vida: a missão. Era isso o que Paulo sempre fazia.

“Chegamos a Tiro”, diz Lucas, “pois o navio devia ser descarregado ali” (Atos 21:3).

Eram necessários sete dias para descarregar o navio. Paulo e seus companheiros poderiam ter procurado outro navio para viajar imediatamente para Cesareia e Jerusalém. Mas como essa espera não os impediria de estar em Jerusalém a tempo para a festa de Pentecostes, permaneceram durante aquela semana em Tiro.

Havia na cidade uma igreja cristã. Não eram conversos de Paulo. Possivelmente, tivesse sido fundada pelos discípulos que fugiram de Jerusalém quando ocorreu a perseguição na qual Estêvão foi morto. Lucas havia informado a esse respeito (Atos 11:19).

Tiro estava localizada na Fenícia. Era um importante centro comercial. Tornou-se famosa por sua produção de tecidos, especialmente os que eram de púrpura com o fluido amarelo de um molusco chamado murex. Em contato com a luz solar, o fluido se tornava púrpura, e os fenícios o usavam como corante para tingir tecidos com os quais eram confeccionadas túnicas para reis e pessoas muito ricas. É dito que o corante murex valia mais que seu próprio peso em ouro.

Na igreja de Tiro, havia pessoas que tinham o dom de profetizar. O Espírito Santo as informou sobre o que aconteceria a Paulo em Jerusalém. Sabendo disso, elas o aconselhavam: “Não suba a Jerusalém” (Atos 21:4). Porém, Paulo, sabendo que a informação vinha do Espírito Santo, mas o conselho para não ir a Jerusalém provinha dos crentes dessa cidade, continuou sua viagem, sem se desviar do seu objetivo.

Passados os sete dias de espera, os discípulos da cidade o acompanharam até o navio. Já se havia estabelecido entre eles e Paulo um vínculo de afeto cristão, como sempre ocorria, porque os laços emocionais que produzem a fé comum e o comum serviço a Jesus não precisam de tempo para se desenvolver.

Todos acompanharam Paulo: os crentes com as respectivas famílias. Todos. Dos arredores da cidade chegaram à praia e oraram (Atos 21:5). E antes de entrar no navio, sob o olhar dos atônitos passageiros e tripulantes, uma semana antes desconhecidos, abraçaram-se uns aos outros mostrando o afeto próprio de antigos conhecidos (Atos 21:6). Mas esse afeto não era produzido por relações sociais ou familiares. Era o afeto da fé comum. Era o carinho do mesmo Senhor a quem todos serviam e amavam com igual entrega.

Paulo continuou adiante, disposto a enfrentar qualquer perigo que o aguardasse em Jerusalém.

Cesareia: disposto a morrer (Atos 21:7 a 16)

O navio deteve-se por um dia em Ptolemaida. Ali também havia cristãos, os quais, de acordo com Lucas, foram saudados por Paulo e seus companheiros (Atos 21:7). Em seguida, continuaram a viagem para Cesareia, onde Filipe morava e ficaram com ele (Atos 21:8 e 9).

“Ali Paulo passou uns poucos dias, pacíficos e felizes – os últimos da perfeita liberdade de que ele devia gozar por muito tempo” (Ellen G.White, Atos dos Apóstolos, pág. 397).

De Jerusalém receberam uma visita muito importante: o profeta Ágabo (Atos 21:10). O mesmo que foi de Jerusalém para Antioquia quando Barnabé e Paulo estavam no auge de seu trabalho missionário nessa cidade, e anunciou a grande fome que ocorreu no tempo do imperador Cláudio (Atos 11:27 e 28). Quando viu Paulo, tomando-lhe o cinto, uniu com ele as mãos e os pés do apóstolo e disse: “Assim diz o Espírito Santo: ‘Desta maneira os judeus amarrarão o dono deste cinto em Jerusalém e o entregarão aos gentios’” (Atos 21:11)

Era a confirmação de anúncios anteriores. Ágabo apenas informou o conteúdo da profecia. Nenhum conselho revelado ou pessoal sobre o que Paulo devia ou não fazer. Ele também era guiado pelo Espírito Santo e sabia qual era seu dever. Entretanto, outros, inclusive Lucas, o aconselharam: “Quando ouvimos estas palavras, tanto nós como os daquele lugar, rogamos a Paulo que não subisse a Jerusalém” (Atos 21:12).

Contudo, Paulo não se deixou guiar pelo bom desejo de todos eles (Atos 21:13). Vendo que estava disposto a morrer e que seria impossível modificar sua decisão de ir a Jerusalém, disseram: “Faça-se a vontade do Senhor” (Atos 21:14).

Subiram a Jerusalém. Foram acompanhados por alguns discípulos de Cesareia e por um homem chamado Mnasom, antigo discípulo de Chipre, em cuja casa ficariam hospedados em Jerusalém. Sem dúvida, essa hospedagem foi combinada com ele na casa de Filipe. Os cristãos eram de um só coração e um só afeto. Ajudavam-se mutuamente, porque todos eles se amavam no Senhor (Atos 21:15 e 16).

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Domingo (09/09/2018) – Encontrando os líderes de Jerusalém

Paulo em Jerusalém: Prisão e Julgamento

Jerusalém estava repleta de pessoas. Estava sendo celebrada a Festa de Pentecostes e haviam chegado judeus de todas as partes. Essa era uma das três festas anuais em que era exigida a presença de todos os homens judeus, no templo. Tinham que viajar a Jerusalém (Êxodo 23:17).

Era também chamada a Festa das SemanasFesta das Primícias e Festa da Colheita(Êxodo 34:22). Tinha a duração de um dia. Era o 50º dia, sete semanas depois da cerimônia da oferta movida, que se realizava no segundo dia da Festa dos Pães sem Fermento (Levítico 23:15 e 16). A ordem era a seguinte: em 14 de nisan, a oferta do Cordeiro Pascal; em 15 de nisan, começava a Festa dos Pães sem Fermento; em 16 de nisan, era apresentada a oferta movida. A partir daí, contavam-se os cinquenta dias para a Festa de Pentecostes. O mês de nisan era o primeiro mês do ano judeu. Começava com a lua nova que, de acordo com o nosso calendário, caía no mês de março ou abril.

Os judeus chegavam em Jerusalém no devido tempo para cumprir seus votos e se purificar para estar em condições cerimoniais apropriadas para o dia da Festa. Havia muita agitação no templo e Paulo enfrentaria uma situação que mudaria para sempre seu estilo de vida e o modo de cumprir a missão. Teria que fazê-lo na maior parte do tempo de vida que lhe restava, como prisioneiro. Sua prisão começou no templo (Atos 21:17 a 26:32)

Aprisionamento no templo (Atos 21:17 a 22:29)

Era o templo destinado à adoração a Deus, ou para aprisionar pessoas inocentes? Como centro físico da religião e da cultura dos judeus, havia-se tornado um lugar no qual qualquer coisa podia acontecer. Eram praticados desde os atos mais piedosos que um judeu era capaz de praticar, e eram muitos, até os atos mais distantes de Deus, como a ação do ódio intransigente que colocava as vítimas em verdadeiro perigo de morte. A vida e a morte se aproximam perigosamente nos atos religiosos quando estes se desviam de Deus. O egoísmo é sempre uma atitude assassina. A pessoa que odeia mata, porque o ódio a torna menos humana, e, concentrando seus instintos mais baixos, pode mobilizar suas paixões ao ponto de torná-la agressiva, violenta e criminosa. Matar por motivação religiosa parece um contrassenso, mas ocorre.

Mais de uma vez Paulo havia enfrentado essa realidade. Encontrou-se com possíveis assassinos seus que buscavam sua morte como se busca a melhor das bênçãos divinas. Consciente ou inconscientemente, atuavam com a mesma paixão contra a vida, que somente o maior inimigo de Deus, Satanás, possui. Paulo estava para vivenciar novamente esse perigo.

Encontro com dirigentes cristãos: alegria e conselho (Atos 21:17 a 25)

“Quando chegamos a Jerusalém”, diz Lucas, “os irmãos nos receberam com alegria” (Atos 21:17).

O grupo de Paulo era a equipe missionária de maior êxito que a igreja mundial possuía. Heróis da missão. Todos os fiéis de Jerusalém ouviam e contavam as maravilhas que, por meio deles, o Senhor fazia. Percorriam os melhores lugares do Império, pregando o evangelho e expandindo a presença da igreja no avanço de autênticos conquistadores. Não conquistavam o Império; conquistavam pessoas para Cristo. Perdidos, sem nenhuma chance de salvação, tornavam-se crentes, servidores ativos da missão cristã. Servos incondicionais do Senhor.

Com grande expectativa, todos os crentes de Jerusalém esperavam a chegada deles. Queriam vê-los. Ouvi-los. Escutar de seus próprios lábios as histórias missionárias que outros a eles relatavam. Mas todos esses cristãos judeus eram fiéis observadores da lei de Moisés. Tinham suas dúvidas quanto a algumas coisas que ouviam sobre práticas seguidas por Paulo com respeito à lei.

Um dia após sua chegada, Paulo e seu grupo visitaram Tiago (Atos 21:18), líder máximo da igreja mundial. Todos os anciãos estavam com ele. Eram os dirigentes das igrejas de Jerusalém e uma espécie de Comissão Diretiva que atendia os assuntos oficiais da igreja. Depois de afetuosas saudações, o que é próprio entre líderes cristãos quando se encontram, Paulo se dispôs a dar as informações. A seguir, Lucas diz: “Contou minuciosamente o que Deus fizera entre os gentios por seu ministério” (Atos 21:19).

Tudo era alegria. Glorificaram a Deus pelo extraordinário relatório que acabavam de ouvir. A igreja estava em franco progresso em todos os lugares. Porém, da alegria genuína passaram à cautela. Chamaram a atenção do corajoso pregador para os muitos judeus que, em Jerusalém, haviam crido e aos preconceitos que eles tinham com respeito ao seu trabalho.

“Bem vês, irmão”, lhe disseram, “quantas dezenas de milhares há entre os judeus que creram, e todos são zelosos da lei; e foram informados a teu respeito que ensinas todos os judeus entre os gentios a apostatarem de Moisés, dizendo-lhes que não devem circuncidar os filhos, nem andar segundo os costumes da lei” (Atos 21:20 e 21).

Depois do relatório sobre a obra feita pelo Espírito Santo entre os gentios, essa informação pareceu estranha. Dava a impressão de que esses líderes viram nos crentes judeus de Jerusalém um poder de ação diferente do poder do Espírito Santo. “Tão logo saibam de sua chegada, certamente se reunirão” (Atos 21:22). Isso implicava o conceito de que era melhor se preparar devidamente para esse encontro. De que forma? Através de um conselho: “Faze, portanto”, lhe disseram, “o que te vamos dizer: estão entre nós quatro homens que, voluntariamente, aceitaram voto; toma-os purifica-te com eles e faze a despesa necessária para que raspem a cabeça; e saberão todos que não é verdade o que se diz a teu respeito; e que, pelo contrário, andas também, tu mesmo, guardando a lei” (Atos 21:23 e 24).

Lucas não menciona o que Paulo pensou. Posso imaginar: Como pode ser? Tenho ou não o apoio desses líderes? É correto ou não o que o concílio de Jerusalém, com a presença deles mesmos, decidiu sobre esses assuntos? Por que não comunicaram às igrejas de Jerusalém que esse assunto já está resolvido, e totalmente resolvido para sempre? Suas perguntas devem ter-se desenhado no rosto porque os líderes lhes haviam contado. “Quanto aos gentios que creram, já lhes transmitimos decisões para que se abstenham das coisas sacrificadas a ídolos, do sangue, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas” (Atos 21:25).

Havia duas normas? Uma para os cristãos judeus e outra para os cristãos gentios? Se tivesse sido assim, a igreja universal não teria sido universal. Divisão da igreja desde o próprio começo? Quem estaria fazendo essa obra? Não podia ser Cristo. Quando Ele estava chegando ao fim de Sua obra na Terra, orou ao Pai estas palavras: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em Mim, por intermédio da Sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és Tu, ó Pai, em Mim, e Eu em Ti, também sejam eles em Nós; para que o mundo creia que Tu Me enviaste” (João 17:20 e 21).

A igreja devia ser uma só. Não devia ser duas, nem várias; dividida por práticas diferentes, nem por diferentes doutrinas, conforme as situações culturais ou formas de cultos das várias regiões geográficas do mundo.

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Segunda (10/09/2018) – Tumulto no Templo

Alvoroço e prisão de Paulo (Atos 21:26 a 36)

Havia algo estranho nesse conselho. Mas, para não criar problemas, se de algum modo pudesse evitar que a mencionada divisão oculta na mente e nos preconceitos se tornasse visível nos fatos, ele seguiu o conselho. “Tomando aqueles homens”, escreveu Lucas, “no dia seguinte, tendo-se purificado com eles, entrou no templo, acertando o cumprimento dos dias da purificação, até que se fizesse a oferta em favor de cada um deles” (Atos 21:26).

Já estava feito. Faltavam somente os sete dias da purificação. Aparentemente, não haveria nenhuma consequência negativa. Mas não foi assim. Toda a intenção de dividir a igreja, por qualquer razão que seja, traz suas consequências. Nenhuma é positiva para ninguém. A única coisa que produz a bênção total de Deus é mantê-la unida. A sombra que todo desvio produz começou a espalhar suas trevas no momento menos pensado. Lucas o descreveu assim: “Quando já estavam por findar os sete dias, os judeus vindos da Ásia, tendo visto Paulo no templo, alvoroçaram todo o povo e o agarraram”. Começaram a gritar: “Israelitas, ajudem-nos! Este é o homem que ensina a todos em toda parte contra o nosso povo, contra a nossa lei e contra este lugar. Além disso, ele fez entrar gregos no templo e profanou este santo lugar” (Atos 21:27 e 28).

Puro preconceito. Tinham visto Paulo na cidade, acompanhado de Trófimo, o efésio, e imaginaram que ele havia introduzido esse gentio no templo (Atos 21:29). Não havia feito isso. Mas, para eles, a realidade não importava. Somente importava o que eles, com sua fanática imaginação, concebiam como real. Era uma falsidade.

No entanto, a multidão da cidade, alvoroçada, se aglomerou sobre Paulo. Arrastaram-no para fora do templo, fecharam as portas, e tentaram matá-lo (Atos 21:30 e 31). Alguém levou a notícia ao comandante das tropas romanas; na hierarquia militar romana, um tribuno militar comandava uma corte de mil soldados. Força suficiente para manter a ordem em uma cidade como Jerusalém. Essa corte tinha sua base na torre chamada Antônia, construída por Herodes, o Grande, ao nordeste do templo, em honra a Marco Antonio. O comandante se chamava Cláudio Lísias (Atos 23:26).

“Toda a cidade de Jerusalém estava amotinada”, foi a informação chegada ao comandante da força, que deu ordens urgentes. “Centuriões, soldados, corram!” E ele correu com eles. Ao vê-los, os judeus pararam de espancar Paulo. O comandante o prendeu e o amarrou com duas correntes. Estava preso. “Quem é você? E o que fez?”, lhe perguntou, mas não havia condições para ouvir as respostas. A multidão continuava agitada e confusa. Alguns gritavam uma coisa; outros, outra coisa. O comandante vendo que não conseguia saber a verdade, mandou que Paulo fosse levado para a fortaleza. A multidão pressionava mais e mais. Os soldados apressando o passo, quase correndo, levaram Paulo carregado. A multidão continuava gritando: “Mata-o!” (Atos 21:32 a 36).

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Terça (11/09/2018) – Diante da multidão

Defesa de Paulo (Atos 21:37 a 22:21)

Quando Paulo ia ser recolhido à fortaleza, disse ao comandante: “Posso lhe dizer algo?” O comandante ficou surpreso porque Paulo lhe falou em grego. Um tanto confuso, lhe respondeu: “Não é você o egípcio que iniciou uma revolta e há algum tempo levou quatro mil assassinos para o deserto?” (Atos 21:37 e 38).

Os assassinos ou sicários eram judeus rebelados contra Roma. O nome sicário se originava de uma adaga que usavam para atacar os soldados romanos quando os encontravam sozinhos, abrindo-lhes o abdômen e deixando-lhes na rua com as entranhas expostas.

Paulo respondeu: “Não. Sou judeu, cidadão de Tarso, cidade importante da Cilícia. Por favor, me permita falar” (Atos 21:39).

Foi-lhe permitido. Em pé, na escadaria da fortaleza, Paulo fez um sinal com a mão e, quando se fez grande silêncio, começou a falar em aramaico: “Irmãos e pais, ouçam agora a minha defesa” (Atos 22:1).

Ficaram assombrados. Ao ouvir que lhes falava em aramaico, fizeram absoluto silêncio. Paulo começou sua defesa testemunhal. Defendeu-se para dar testemunho, e o deu.

Defesa de Paulo (21:37-22:21)

Quando Paulo ia ser recolhido à fortaleza, disse ao comandante: “Posso lhe dizer algo?” (Atos 21:37). O comandante ficou surpreso porque Paulo lhe falou em grego. Um tanto confuso, lhe respondeu: “Não é você o egípcio que iniciou uma revolta e há algum tempo levou quatro mil assassinos para o deserto?” (Atos 21:38).

Os assassinos ou sicários eram judeus rebelados contra Roma. O nome sicário se originava de uma adaga que usavam para atacar os soldados romanos quando os encontravam sozinhos, abrindo-lhes o abdômen e deixando-lhes na rua com as entranhas expostas. Paulo respondeu: “Não. Sou judeu, cidadão de Tarso, cidade importante da Cilícia. Por favor, me permita falar” (Atos 21:39).

Foi-lhe permitido. Em pé, na escadaria da fortaleza, Paulo fez um sinal com a mão e, quando se fez grande silêncio, começou a falar em aramaico (Atos 21:40): “Irmãos e pais, ouçam agora a minha defesa” (Atos 22:1).

Ficaram assombrados. Ao ouvir que lhes falava em aramaico, fizeram absoluto silêncio (Atos 22:2).

Paulo começou sua defesa testemunhal. Defendeu-se para dar testemunho, e o deu. Expressou cinco conceitos inseridos na história de sua conversão ao Caminho.

Primeiro conceito: o cristão não é inferior ao judeu (Atos 22:3)

Os judeus estavam acostumados ao conceito de que nada havia superior ao judaísmo. Era verdade. Tudo o que era sagrado que os judeus tinham em sua religião havia vindo a eles diretamente de Deus, menos suas tradições que mantinham uma aparência de pura formalidade sem valor espiritual. O judaísmo era uma religião revelada. Mas o cristianismo não era diferente.

Em primeiro lugar, porque aceitava todos os conteúdos do Antigo Testamento, que era chamado de Escrituras, incluindo as leis e práticas que prometiam o Messias e faziam relembrar diariamente essa promessa. Como o Messias tinha vindo em Jesus Cristo, já não era necessário mantê-las como prática simbólica diária, porque a função do símbolo, quando a realidade simbolizada surge, se extingue.

Em segundo lugar, porque, ao aceitar a Jesus como o Messias, o cristianismo confirmava todas as profecias da Escritura a Seu respeito. Não havia nenhuma contradição com o judaísmo; tinha somente o cumprimento. O que fez a diferença entre o judaísmo e o cristianismo não foi o cumprimento das antigas profecias sobre o Messias, foi a rejeição delas. O cristianismo não as rejeitou.

Em pé, diante da multidão, homem de pequena estatura e sem as características físicas que atraem a admiração das pessoas, Paulo causou um forte e quase atrativo impacto pela segurança de seu porte. Não demonstrava timidez. Parecia estar no comando do que lhe era próprio. Com voz firme e penetrante, disse: “Sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas criado nesta cidade. Fui instruído rigorosamente por Gamaliel na lei de nossos antepassados, sendo tão zeloso por Deus quanto qualquer de vocês hoje” (Atos 22:3).

Sua identidade ficou clara, como também sua educação e sua fidelidade. Não havia diferença entre ele e qualquer um dos judeus que o escutavam, com exceção, talvez, do grau de instrução. O seu era superior. Mas não destacou essa diferença.

Segundo conceito: a intransigência religiosa somente produz morte (Atos 22:4 e 5)

O zelo que sentia por Deus era realmente por Deus, ou pela maneira como aquela geração O entendia? Se tivesse sido por Deus, no trato religioso aos demais, teria refletido Seu caráter. Não foi assim. Paulo fez uma descrição de si mesmo com um realismo dramático. “Persegui este Caminho até a morte, prendendo e metendo em cárceres homens e mulheres” (Atos 22:4).

Essa única declaração deveria ter convencido a multidão de que a intransigência não era coisa boa. Mas acrescentou: “Como o podem testemunhar o sumo sacerdote e todo o Sinédrio; deles cheguei a obter cartas para seus irmãos em Damasco e fui até lá, a fim de trazer essas pessoas a Jerusalém como prisioneiras, para serem punidas” (Atos 22:5).

Terceiro conceito: Deus não deixa ninguém em trevas (Atos 22:6 a 11)

Após estabelecer a verdadeira identidade do cristianismo, em nada inferior ao judaísmo, e depois de haver mostrado o sentido mortal da intransigência, estava pronto para explicar sua própria conversão, como base para que entendessem a forma como Jesus estava atuando em relação aos judeus que criam nEle.

Contou-lhes então: “Por volta do meio-dia, eu me aproximava de Damasco, quando de repente uma forte luz vinda do céu brilhou ao meu redor”. “Fui tomado pela força dessa presença e caí por terra, enquanto uma voz me disse: ‘Saulo, Saulo, por que Me persegues?’ “Respondi: ‘Quem és Tu, Senhor?’” “‘Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem tu persegues’” (Atos 22:6 a 8).

Os que acompanhavam Paulo também viram a luz, porque a luz é para todos. Mas não perceberam a voz de quem falava. A presença visível de Jesus esteve à disposição de todos, mas Sua voz, o conteúdo de Suas palavras, estava disponível somente para os que estivessem dispostos a crer (Atos 22:9). Embora sem ele mesmo perceber plenamente, essa era a atitude de Paulo e Deus sabia disso.

“Que farei, Senhor?”, perguntou. “Levanta-te, entra em Damasco, pois ali te dirão acerca de tudo o que te é ordenado fazer” (Atos 22:10).

Por causa da intensa luz, Paulo havia ficado cego. Seus companheiros o levaram pela mão a Damasco (Atos 22:11). O processo da conversão de Paulo estava progredindo. Jesus Se havia manifestado a ele. Apenas era necessário que alguém da igreja entrasse em contato com ele para indicar a missão que Deus lhe havia confiado.

Quarto conceito: todos os crentes têm uma missão divinamente confiada (Atos 22:12 a 16)

Deus seguiu dois passos para dar a Paulo a missão de sua vida: devolveu-lhe a visão e lhe deu a tarefa de testemunhar. Ele o fez através de um emissário. Primeiramente, Paulo falou a respeito dele, dizendo: “Um homem chamado Ananias, piedoso segundo a lei e muito respeitado por todos os judeus que ali viviam, veio ver-me” (Atos 22:12).

Essa informação era importante para seu auditório. Paulo, acusado de profanar o templo, não havia se relacionado com um grupo de pessoas em rebelião contra Deus. Pelo contrário, eram devotos e fiéis. Além do mais, não viviam escondidos. Sua vida era pública e todos podiam observá-la. Ao serem observados, todos ficavam muito bem impressionados e podiam dizer que eram pessoas de bem.

Paulo continuou seu relato: “Ananias pondo-se junto a mim, disse: ‘Irmão Saulo, recupere a visão’. Naquele mesmo instante pude vê-lo” (Atos 22:13).

Deus já o havia capacitado para a missão. Não que um cego esteja incapacitado para realizá-la. Certamente, está e de muitas maneiras, podendo alcançar resultados tão grandiosos como uma pessoa que tenha visão e, talvez, até mais extraordinários. Ocorria que, no caso particular de Paulo, era necessário que recuperasse a visão para que a presença de Deus se tornasse absolutamente real; e a ação de Seu poder, autêntica. A conversão de Paulo e a dimensão da missão que Deus estava para lhe confiar requeria.

A seguir, Paulo acrescentou: “Ananias me disse: O Deus dos nossos antepassados o escolheu para conhecer Sua vontade, ver o Justo, e ouvir as palavras de Sua boca” (Atos 22:14).

Não se tratava de outro Deus; era o próprio Deus de Abraão, o Deus de Israel, o Deus de Jacó, o Deus de todos os pais da nação. Ele havia mostrado o Justo Jesus. Por que O chamou de Justo? Pela mesma razão que João, ao escrever mais tarde, assim O chamou: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e Ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1João 2:1 e 2).

O Justo é quem nos justifica. Jesus Cristo nos justifica de todo pecado, pois Ele foi o sacrifício, representado pelo cordeiro no santuário, que Se ofereceu a Si mesmo por nós, e Se tornou nosso constante Mediador e nosso Intercessor permanente.

Agora, a missão. “Tu serás Sua testemunha diante de todos os homens, das coisas que tens visto e ouvido” (Atos 22:15).

Deus já havia feito e dito tudo o que Paulo precisava para sua conversão e para que participasse da tarefa de testemunhar. Somente faltava começar a atuar. Ananias lhe havia dito qual deveria ser sua primeira ação, e Paulo contou à multidão o que Ananias lhe disse: “E agora, por que te demoras? Levanta-te, recebe o batismo e lava os teus pecados, invocando o nome dEle” (Atos 22:16).

Se a um perseguidor dos fiéis, como Paulo, Deus confiou a missão de ser Sua testemunha, por que não podia dar a mesma missão a todos os demais que lavassem seus pecados como ele? Certamente, podia. Então, ficava claro que, pelo fato de haver recebido o chamado de Deus, da forma como o recebeu, Paulo devia ser respeitado pelo próprio povo de Deus em vez de esse mesmo povo, aos gritos, pedir que o matassem.

Quinto conceito na defesa de Paulo: Deus confirmou tudo em uma visão (Atos 22:17 a 21)

A visão confirmatória ocorreu de tal forma que deveria ter despertado a mais completa aceitação do povo. E ela ocorreu no lugar mais sagrado de Israel. Paulo continuou dizendo: “Quando voltei a Jerusalém, estando eu a orar no templo, tive uma visão” (Atos 22:17). Quando o povo ouviu isso, deveria ter-se concentrado em suas palavras para saber que coisa extraordinária Paulo tinha visto nessa visão.

“Vi o Senhor que me dizia: ‘Depressa! Saia de Jerusalém imediatamente, pois não aceitarão seu testemunho a Meu respeito’. Eu respondi: Senhor, estes homens sabem que eu ia de uma sinagoga a outra, a fim de prender e açoitar os que creem em Ti. E quando foi derramado o sangue de Tua testemunha Estêvão, eu estava lá, dando minha aprovação e cuidando das roupas dos que o matavam” (Atos 22:18 a 20).

Essa reação de rejeição por parte do povo pode ter sido normal naquela época, quando Paulo estava no auge de sua popularidade, quando todo o povo confiava no seu zelo para exterminar os seguidores do Caminho, mas não agora, depois de tanto tempo, especialmente quando o cristianismo já se havia estabelecido em Jerusalém e em todo o mundo. O povo de Israel precisava aprender a ter tolerância e até se convencer das verdades cristãs. Mas não era assim. Paulo apenas pronunciou a seguinte frase que, pela reação do povo, tornou-se a última de sua defesa: “Então o Senhor me disse: ‘Vá, Eu o enviarei para longe, aos gentios” (Atos 22:21).

A proteção do comandante (Atos 22:22 a 29)

Ao ouvir a palavra gentios, lembraram-se de que Paulo estava sendo acusado de haver profanado o templo, nele introduzindo gentios; e não puderam mais se conter. Toda a força exclusivista de uma visão religiosa intolerante se somou à vontade de todos eles e começaram a gritar, dizendo: “Tira esse homem da face da Terra! Ele não merece viver!” (Atos 22:22).

A multidão continuava gritando. Os homens tiravam suas capas e lançavam poeira para o ar. Uma atitude violenta. Tornaram-se tão violentos, que o comandante deu ordens aos soldados para que o recolhessem à fortaleza a fim de evitar que o matassem. “Açoitem-no”, disse (Atos 22:23 e 24).

Queria forçá-lo a declarar o verdadeiro motivo por que a multidão agia contra ele tão violentamente. Os soldados tentaram amarrá-lo com correias para executar a ordem do açoite. Mas Paulo disse ao centurião: “Vocês têm o direito de açoitar um cidadão romano sem que ele tenha sido condenado?” (Atos 22:25).

O centurião se assustou. Imediatamente procurou o comandante na fortaleza e disse-lhe: “Este homem é cidadão romano”. O comandante também ficou preocupado. Não sabendo exatamente o que fazer, ou talvez duvidando das palavras do centurião, aproximou-se de Paulo e lhe perguntou: “Diga-me, você é cidadão romano?” Paulo respondeu: “Sim, sou”. “Eu”, disse o comandante, “precisei pagar um elevado preço por minha cidadania”. “Mas eu”, respondeu Paulo, “a tenho por direito de nascimento” (Atos 22:26 a 28).

Os soldados que se preparavam para açoitá-lo, imediatamente se afastaram dele. Não queriam sofrer as consequências legais impostas pela lei aos que maltratavam um cidadão de Roma. O próprio comandante estava com medo por haver mandado amarrá-lo (Atos 22:29). Medo do poder romano que ele mesmo representava. Incrível! O aprisionador com medo de seu prisioneiro! Se soubesse qual era o poder que Paulo representava, maior que todos os poderes existentes, quanto maior medo teria sentido! Mas a grandiosidade do poder de Deus não está no medo que possa gerar, e sim na tranquila confiança que oferece ao pecador quando este, arrependido e com fé, se entrega ao Senhor.

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Quarta (12/09/2018) – Perante o Sinédrio

Paulo perante o Sinédrio (Atos 23:1 a 22)

O comandante estava com um problema. O que fazer com o prisioneiro? Soltá-lo era um risco. Poderiam matá-lo. O que responderia às autoridades romanas quando estas fossem informadas de que, por um descuido seu, os judeus haviam assassinado um cidadão de Roma? Deixá-lo na prisão, sem saber exatamente qual era a culpa do prisioneiro, era muito dificultoso para ele. Não podia adotar nenhuma das duas alternativas. A solução era submetê-lo ao julgamento do Sinédrio.

O Sinédrio se reúne (Atos 23:1 a 11)

No dia seguinte, o comandante convocou os principais sacerdotes e todo o Sinédrio para saber o motivo da acusação contra Paulo. Mandou que lhe tirassem as cadeias e o fez comparecer perante o Sinédrio (Atos 22:30). O Grande Sinédrio era também chamado de Concílio, a Suprema Corte Judaica que, ao mesmo tempo, era tribunal de justiça, corpo legislativo e órgão diretivo em assuntos religiosos e políticos. Nessa época, era integrado por 71 membros, uma mescla de fariseus e saduceus. Seu presidente era o sumo sacerdote. Suas decisões podiam ser finais, com exceção da pena de morte, que o Império Romano reservava unicamente para suas próprias autoridades.

O comandante apresentou Paulo perante o Sinédrio e o autorizou a explicar seu caso. Paulo realizou sua defesa baseada em duas estratégias: sua boa consciência e a divisão do Sinédrio.

  1. A estratégia da boa consciência tinha por objetivo mostrar ao tribunal que sua opção pelo Caminho havia sido honesta e contava com a aprovação de Deus.

“Varões, irmãos, tenho andado diante de Deus com toda a boa consciência até ao dia de hoje” (Atos 23:1).

Ananias, o sumo sacerdote, considerou blasfêmia as palavras de Paulo. Mandou que lhe batessem na boca (Atos 23:2).

Sabendo que o comandante não autorizaria que batessem em um cidadão romano e conhecendo a lei judaica que somente autorizava o castigo físico de um preso depois que um processo judicial fosse realizado com justiça (Deuteronômio 25:1 a 3), Paulo, sem se irritar, com calma própria de quem está seguro do que faz, lhe disse: “Deus te ferirá, parede branqueada! Está aí sentado para me julgar conforme a lei, mas contra a lei me mandas ferir?” (Atos 23:3).

A injustiça é sempre incoerente. Motivo? Atua de forma contrária ao que diz a lei, quer seja de forma direta, por um ato autoritário, ou de forma dissimulada pela astúcia dos juízes, que não servem à lei mas sim a outras motivações mais pessoais. Alguns dos presentes lhe disseram: “Você ousa insultar o sumo sacerdote de Deus?” (Atos 23:4).

Paulo lhes respondeu: “Não sabia, irmãos, que ele é sumo sacerdote; porque está escrito: Não falarás mal de uma autoridade do teu povo” (Atos 23:5).

É bem possível que Paulo não tenha distinguido com clareza quem havia falado, pois depois de ficar cego quando ia a Damasco, em perseguição aos cristãos, parece que sua visão ficou com uma deficiência permanente (Atos 9:8 e 9). Por outro lado, como ele ia esperar que o sumo sacerdote fosse atuar contra a lei? A rapidez com que reconheceu sua falta e sua voluntária submissão à lei indicam que seu erro foi completamente involuntário. Paulo sabia perfeitamente que um dirigente dado ao povo por Deus devia ser respeitado (Êxodo 22:28).

Paulo percebeu que o sumo sacerdote, tendo planejado ou não dessa forma, havia eliminado uma possível defesa com base na honestidade e na boa consciência. Precisou mudar de estratégia.

  1. Paulo usa a divisão do Sinédrio entre fariseus e saduceus. “Irmãos”, disse, “sou fariseu, filho de fariseu. Estou sendo julgado por causa de minha esperança na ressurreição dos mortos” (Atos 23:6).

O Sinédrio ficou dividido (Atos 23:7). A antiga discussão entre fariseus e saduceus surgiu instantaneamente. Os saduceus pretendiam manter as antigas crenças de Israel e diziam que os fariseus haviam importado do zoroastrismo persa. Zoroastro, o profeta divino do zoroastrismo, ensinava a existência de dois reinos espirituais com suas respectivas hierarquias de espíritos bons e maus. Rejeitando essas doutrinas, os saduceus não criam que houvesse ressurreição, nem anjos, nem espíritos (Atos 23:8). Os fariseus, que não aceitavam a totalidade do zoroastrismo, criam na ressurreição e nos anjos, baseados nos ensinamentos bíblicos.

A discussão entre os dois grupos tornou-se violenta. Gritavam entre si. A contradição entre eles chegou ao ponto culminante quando alguns dos escribas, da parte dos fariseus, pondo-se em pé, disseram com respeito a Paulo: “Não encontramos nada de errado neste homem. Quem sabe se algum espírito ou anjo falou com Ele?” (Atos 23:9).

No calor da discussão, os dois grupos empurravam Paulo, alguns querendo defendê-lo e outros querendo condená-lo. O comandante percebeu que se a tensão continuasse entre fariseus e saduceus, terminariam despedaçando a Paulo. Chamou mais soldados e ordenou-lhes que levassem a Paulo para dentro da fortaleza a fim de protegê-lo (Atos 23:10). Os soldados obedeceram imediatamente a ordem e Paulo ficou livre do perigo.

Na noite seguinte, o Senhor apareceu a Paulo e lhe disse: “Coragem! Assim como você testemunhou a Meu respeito em Jerusalém, deverá testemunhar também em Roma” (Atos 23:11).

Assim, Paulo recebeu a confirmação do Senhor: tudo o que estava ocorrendo era apenas uma forma de levá-lo às mais altas autoridades do Império, às quais deveria pregar o evangelho. Ali estava para cumprir a missão do Senhor, e o restante de sua vida estaria igualmente consagrado a ela.

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Quinta (13/09/2018) – Transferência para Cesareia

Conspiração contra Paulo: um jovem frustra a ação (Atos 23:12 a 22)

Mais de quarenta judeus fizeram uma conspiração contra Paulo. Juraram que não comeriam nem beberiam nada enquanto não o matassem. Foram ter com os principais sacerdotes e anciãos com a seguinte decisão: “Juramos solenemente, sob maldição, que não comeremos nada enquanto não matarmos Paulo” (Atos 23:12 a 14).

Precisavam apenas de uma pequena colaboração dos dirigentes. Então, lhes disseram: “Agora, portanto, vocês e o Sinédrio peçam ao comandante que o faça comparecer diante de vocês com o pretexto de obter informações mais exatas sobre o seu caso. Estaremos prontos para matá-lo antes que ele chegue aqui” (Atos 23:15).

Não sabiam que Paulo estava sob ordens muitos superiores às deles e, para que as cumprisse, Deus Se havia comprometido a protegê-lo.

Desta vez utilizou um jovem, sobrinho de Paulo (Atos 23:16). Ele ouviu a conversa dos conspiradores e rapidamente foi à prisão. Contou tudo ao seu tio. Este mandou chamar um dos centuriões e disse: “Leve este rapaz ao comandante; ele tem algo para lhe dizer” (Atos 23:17).

Parece que Paulo sempre falava com a segurança característica dos verdadeiros dirigentes. O centurião não demonstrou nenhuma resistência. Levou-o ao comandante e lhe disse: “O preso Paulo pediu-me que trouxesse à tua presença este rapaz, pois tem algo que dizer-te” (Atos 23:18).

A mente do comandante reagiu com a mesma curiosidade de todos os que estão em meio a uma crise política. Querem toda informação que possam obter e a querem em segredo. Levou o rapaz à parte e perguntou-lhe: “Que tens a comunicar-me?” (Atos 23:19). “Os judeus planejaram pedir-te que apresentes Paulo ao Sinédrio amanhã, sob pretexto de buscar informações mais exatas a respeito dele” (Atos 23:20).

O jovem foi preciso e claro. Como informante, não podia ser melhor. Mas era atrevido também, no melhor sentido do termo. Deu-lhe um conselho: “Não te deixes convencer” (Atos 23:21a).

Seu conselho estava bem fundamentado e o explicou ao Comandante. “Mais de quarenta deles estão preparando uma emboscada contra Paulo. Eles juraram solenemente não comer nem beber enquanto não o matarem. Estão preparados agora, esperando que prometas atender-lhe o pedido” (Atos 23:21b).

Quando os inimigos da missão divina tornam-se enganosos e astutos em suas ações, Deus atua com simplicidade. Bastou um jovenzinho para desbaratar a ação planejada por mais de quarenta homens. A proteção de Seu servo era importante para Deus e, através desse jovem, convenceu o comandante.

Despediu o jovem e disse-lhe: “Não diga a ninguém que você me contou isso” (Atos 23:22).

Paulo perante dois governadores: manipulações (Atos 23:23 a 25:12)

A manipulação dos governadores romanos no julgamento de Paulo não era nenhuma novidade, nem foi a última vez que isso aconteceu em um julgamento; não apenas em Roma, mas em todos os lugares e em qualquer época. Em toda manipulação da justiça sempre há algum interesse que não agrada à justiça. Geralmente agrada os interesses pessoais do juiz, ou dos que o manipulam.

A tentativa de manipular o julgamento de Paulo não teve êxito porque ele estava protegido por Deus e porque o propósito divino de que ele fosse levado para Roma a fim de testemunhar às autoridades do Império devia ser cumprido. Além disso, testemunhou diante das autoridades que participaram em seu julgamento antes de chegar a Roma.

Paulo é enviado ao governador Félix: proteção romana (Atos 23:23 a 35)

Da simples proteção que um jovenzinho pode oferecer, Deus passou à grandiosa e até portentosa proteção do Império. O comandante decidiu retirar Paulo da cena de perigo que Jerusalém representava em uma das três mais importantes festas do calendário religioso anual judaico. Decidiu enviá-lo ao governador Félix, cuja sede ficava em Cesareia, mais ou menos 100 km a noroeste de Jerusalém, na costa. Queria estar seguro de que nenhum dos quarenta homens conspiradores, nem ninguém, fizesse algum mal a Paulo durante a viagem. Enviou dois centuriões, duzentos soldados, setenta cavaleiros e duzentos lanceiros. Guarda digna de um alto oficial do Império (Atos 23:23).

Além disso, mandou preparar vários cavalos e animais de carga para que Paulo cavalgasse levando seus pertences e houvesse outros animais descansados para substituição; pois o caminho, embora fosse uma ladeira, era montanhoso e longo. A ordem era entregá-lo a Félix são e salvo (Atos 23:24). Além do mais, o comandante entregou-lhes uma carta destinada ao Governador, nos seguintes termos: “Cláudio Lísias ao excelentíssimo governador Félix, saúde” (Atos 23:25 e 26).

“Os judeus prenderam este homem e estavam para matá-lo, mas eu cheguei com meus soldados e o resgatei, porque fiquei sabendo que era cidadão romano. Queria saber de que o acusavam e assim o levei ao Sinédrio judaico. Descobri que o acusavam de algumas questões de sua lei, mas não havia nenhuma acusação contra ele que justificasse a morte ou prisão. Quando me informaram de que estava sendo preparada uma cilada contra ele, decidi enviá-lo a ti, em seguida. Também ordenei a seus acusadores que exponham diante de ti as acusações que tenham contra ele” (Atos 23:27 a 30).

O fim da carta continha um relatório da revolta contra Paulo, da reunião do Sinédrio, da conspiração descoberta, da citação que fez aos acusadores para que se apresentassem perante Félix. Especialmente das oportunas intervenções do comandante que demonstravam ser ele um oficial atento, eficiente, justo e submisso à autoridade do governo. Excelentes recomendações sobre si mesmo. Não podia ser diferente. Além disso, era do prestígio pessoal que viviam os oficiais romanos e seus dirigentes de todos os níveis. Por sua vez, como servo de Deus, Paulo vivia da missão divina e para ela.

Seguindo as instruções do comandante, quando chegaram a Antipátride, cidade construída por Herodes, no vale de Saron, para homenagear a Antipáter, seu pai, no dia seguinte os soldados e os lanceiros retornaram, deixando a cavalaria para que protegesse Paulo no restante do caminho (Atos 23:31 e 32).

Em Cesareia o governador recebeu Paulo, leu a carta e lhe perguntou: “De que província é você?” “Da Cilícia”, respondeu. “Ouvirei seu caso quando os seus acusadores chegarem aqui”, disse-lhe (Atos 23:33 e 34).

Mandou que fosse detido no pretório de Herodes (Atos 23:35); nome que regularmente os romanos davam ao palácio de um governador provincial do Império. Ficou sob vigilância, mas não estava na masmorra de uma prisão. Essa era outra forma de proteção do poder romano. Deus mantinha Paulo sob Sua própria vigilância para que nada o impedisse de cumprir a ordem de testemunhar em Roma.

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Sexta (14/09/2018) – Conclusão

“Tudo quanto nos tem confundido acerca das providências de Deus será esclarecido no mundo vindouro. As coisas difíceis de serem compreendidas terão então explicação. Os mistérios da graça nos serão desvendados. Naquilo em que a nossa mente finita só via confusão e promessas desfeitas, veremos a mais perfeita e bela harmonia. Saberemos que o amor infinito dispôs as experiências que nos pareciam as mais difíceis. Ao reconhecermos o terno cuidado dAquele que faz todas as coisas contribuírem para o nosso bem, regozijar-nos-emos com júbilo inexprimível e repleto de glória” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 9, pág. 286).

“Quando os fiéis e exaustos porta-bandeiras imolam a vida pelo amor à verdade, quem irá à frente para lhes ocupar o lugar? Aceitarão nossos jovens o sagrado encargo das mãos de seus pais? Estão eles se preparando para preencher as lacunas que se apresentam pela morte dos fiéis? Será a exortação do apóstolo aceita, ouvido o chamado ao dever, em meio aos incitamentos ao egoísmo e ambições que seduzem a juventude?” (Atos dos Apóstolos, pág. 507).

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Publicado por Carlos Bitencourt