Leia: O ANO BÍBLICO com a bíblia NVI e a Meditação Matinal - Maranata, O Senhor Vem! - Ellen G.White

LIÇÃO DA ESCOLA SABATINA - TERCEIRO TRIMESTRE DE 2018

Lição 11 – Prisão de Paulo em Jerusalém

Semana 8 a 14 de setembro

Comentário auxiliar elaborado por Sikberto Renaldo Marks, professor titular, sênior, no curso de Administração de Empresas da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ (Ijuí – RS)

Este comentário complementa o estudo da lição original

www.cristoembrevevira.com – marks@unijui.edu.br – Fone/fax: (55) 3332.4868

Ijuí – Rio Grande do Sul, Brasil

Verso para memorizar: “Na noite seguinte, o Senhor, pondo-Se ao lado dele, disse: Coragem! Pois do modo por que deste testemunho a Meu respeito em Jerusalémassim importa que também o faças em Roma” (Atos 23:11).

 

Introdução de sábado à tarde

O que era Paulo afinal? Um agitador? Um revolucionário? Um perturbador? Um inimigo da lei e da ordem? Onde quer que fosse, logo ocorria alguma polêmica, algum desentendimento e distúrbio. Então, Paulo era mesmo aquela pessoa que poderia ser classificada como apóstolo?

Em nossos dias, em nossa igreja, qualquer um que crie algum motivo de agito já é mal visto. Experimente falar o que EGW escreveu sobre a música, e já se levantam anciãos, o pastor, vem o departamental e vem os músicos, etc., com toda fúria. Experimente falar sobre os costumes, as modas, etc., na igreja e atente como se levanta a oposição. Experimente falar sobre o chimarrão aqui no sul do Brasil, e terá inimigos dentro da igreja para sempre. Experimente falar contra o futebol, vai custar caro. Experimente falar sobre a verdadeira santificação do sábado, e é a mesma coisa. Eu mesmo já experimentei a fúria de pastores só porque li trechos de Ellen G. White sobre a música. Experimente classificar pessoas assim como lobos devoradores (e de fato, é o que são), para ver como tremem de raiva. Não estou supondo, já presenciei algumas vezes, em lugares diferentes. Fico a imaginar como serão essas pessoas quando vier a sacudidura, e elas se transformarem nos piores inimigos da igreja de JESUS CRISTO. Ou que mais seriam esses inimigos?

E como é fácil enganar as pessoas! Certa vez, a Missão local fez um lançamento das atividades do novo ano, e a zoeira, o barulho e o som dentro da igreja eram tão altos que, não suportando saí. Um ou dois também fizeram isso, mas todos os outros estavam lá dentro, berrando ainda mais alto, de mãos erguidas. E EGW alertou sobre tudo isso. Experimente falar sobre isso, e vai ver como a fúria aparece por todos os lados.

Não acontece só com Paulo, e ele foi um fiel servo de DEUS. Era zeloso, dizia a verdade que doía em muitas pessoas. Seus inimigos foram os judeus não convertidos, que eram inimigos de JESUS; o Sinédrio, que queria o favor do poder romano; os judaizantes (judeus convertidos mas que não admitiam a supressão das tradições, do cerimonialismo e da circuncisão). Todos esses eram fanáticos pelo que defendiam. Com essa gente não havia diálogo, só valia o ponto de vista deles. E Paulo ainda os chamou de lobos devoradores! Estudaremos pela frente como era bem mais seguro confiar nos romanos que nesses irmãos judeus. E hoje, é diferente?

Da minha parte, tenho Paulo como um modelo a ser seguido, pois DEUS estava com ele, não com os seus inimigos. Ele é o tipo de homem que precisamos hoje, ou não sairemos do estado de Laudiceia.

 

  1. Primeiro dia: Encontrando os líderes de Jerusalém

Paulo, chegando a Jerusalém, logo todos souberam. Lá ele tinha muitos amigos, mas também muitos inimigos. Os inimigos eram fariseus, saduceus, sacerdotes e os judaizantes. Eles acusavam Paulo de pregar contra o povo de DEUS, contra as tradições mosaicas, contra o templo e ainda por cima, os judeus não convertidos e os saduceus bem como os fariseus não admitiam JESUS como Messias. Para esses aí, Paulo era um destruidor do judaísmo, bem como da recém igreja cristã. Mas havia polêmica entre os judeus cristãos e os judeus não convertidos; na verdade, uma confusão bem adequada ao que satanás queria.

Então os amigos de Paulo tiveram uma ideia completamente errada, mas pareceu boa a eles e até Paulo achou uma boa ideia. Isso depois da repreensão que ele dera a Pedro, que fez de conta que não se misturava com gentios quando, em Antioquia, apareceram os judaizantes. Agora Paulo faz praticamente a mesma coisa.

O que eles arquitetaram? Como a principal acusação contra Paulo era sobre a lei mosaica, aqueles cerimonialismos que na verdade foram anulados na morte de JESUS, sugeriram a ele que seguisse essas tradições, só para contentar os judaizantes. Foi o erro que Pedro já tinha cometido em Antioquia. Veja o conselho deles:

“Temos quatro homens que fizeram voto. Toma estes contigo, e santifica-te com eles, e faze por eles os gastos para que rapem a cabeça, e todos ficarão sabendo que nada há daquilo de que foram informados acerca de ti, mas que também tu mesmo andas guardando a lei [dos cerimoniais de Moisés]” (Atos 21:22-24, cf. Números 6:10-11).

Paulo entrou no templo com esses quatro homens e faria isso por sete dias, para que assim se purificassem. Esse era um dos rituais da lei de Moisés, eles queriam fazer voto de nazireado, e Paulo, que tanto pregara que não se devia mais seguir, estava agora praticando.

No final desse período, chegaram à cidade uns judaizantes da Ásia, e viram isso. Esses odiavam Paulo e procuravam qualquer argumento ou pretexto para condená-lo. Eles pensaram que Paulo houvesse introduzido no templo Trófimo de Éfeso (Atos 21:26-30; 24:6), pois tinham visto esse gentio convertido em Éfeso, durante a terceira viagem com Paulo. Esse homem havia ido com Paulo a Jerusalém. De um momento para outro, alvoroçaram a cidade. O povo parece que se presta para ser enganado, assim como haviam alvoroçado a multidão dos que foram beneficiados pelos milagres de JESUS, pelo pão e pelo peixe que multiplicou para eles, a que gritasse “crucifica-O”, assim não foi difícil insuflar uma multidão contra o maior dos evangelistas. Nesse momento ninguém confere os fatos, vale o que alguém disse, ou que gritou. Paulo foi arrebatado e preso, e a história continua amanhã.

Mas, revisando, qual foi o erro de Paulo no caso de hoje? Ele contradisse o que pregou por todos os lugares. Ele ensinava que não era mais necessário guardar uma lei, a de Moisés, a dos sacrifícios e cerimoniais, nem a circuncisão nem nazireado. E agora ele mesmo realiza parte dessa lei, fazendo uma purificação ritual que nem se exigia mais. Pois bem, naquele tempo a polêmica era sobre uma lei que caiu, que deixou de valer, hoje, a polêmica será sobre uma lei que não deixou de valer, bem ao contrário.

 

  1. Segunda: Tumulto no templo

Preconceito, raiva e suposição, esses três ingredientes se uniram contra Paulo nas mentes de seus inimigos. Os judeus não convertidos e os judeus fariseus convertidos imaginavam tudo de mau contra Paulo. Eles tinham uma espécie de certeza, embora falsa, de que Paulo estava empenhado em depreciar o templo, as tradições judaicas, os cerimoniais de Moisés e até o povo santoDiziam que Paulo falava contra Moisés e contra todo cerimonialismo, enquanto ele só dizia que isso poderia ser praticado, mas que não salvava. A salvação era pela graça de JESUS. Paulo era para eles um blasfemo bem sucedido em seu empenho, quando não era nada disso. E com esses ingredientes falsos, qualquer fato mal compreendido, ou mesmo inventado ou suposto, serve para desencadear um tumulto fora de controle, como foi o caso em Jerusalém, contra Paulo. E nessas coisas se intromete satanás e coloca seu tempero mortal e azeda tudo.

Muitos de Jerusalém nunca assimilaram as decisões do Concílio de Jerusalém. E ali havia fanatismo, além do que, sempre andavam por ali outros fanáticos de outros lugares. Paulo, por sua vez, também era de pavio curto, e defendia a verdade a qualquer preço. E ele possuía uma capacidade de persuasão e convencimento superior a todos. Mas os judaizantes nunca se davam por vencidos, e perdendo no debate, apelavam para a violência. Tiago, meio irmão de JESUS (Gálatas 1:19), era um tipo que procurava evitar a polêmica, ele não queria que houvesse um cisma na igreja em Jerusalém. Havendo um confronto entre Paulo e aqueles fanáticos, o fato seria uma tragédia. Paulo não deixava por menos, ele jamais perdeu um debate, mas sua competência resultava em violência, e isso nunca foi culpa dele, assim como não foi culpa de JESUS. Então foi que Tiago elaborou um plano do tipo apaziguador dos ânimos contra Paulo. Ele usou o que Paulo mesmo dizia, que se fazia judeu para com os judeus, gentio para com os gentios, etc., para ganhar mais um para CRISTO. Então, dessa vez, Paulo se faria como um judeu fariseu, com o voto dos quatro gentios e ele mesmo, antes disso, se purificando por sete dias.

Ontem já estudamos sobre isso, mas façamos uma revisão rápida.

Tiago e os presbíteros pediram que Paulo participasse com quatro homens dos rituais de purificação concernentes a um voto de nazireado que fizeram, e que pagasse as suas despesas para que rapassem a cabeça. Seu raciocínio era que Paulo deveria fazer isso para desmentir os boatos e mostrar que continuava vivendo em obediência à lei, e que não estava dizendo que não se deveria praticar esses rituais. Não iria afetar os gentios, pois que eles, os presbíteros da igreja de Jerusalém, já haviam determinado que os gentios não eram obrigados a se submeter à lei de Moisés, mas apenas deveriam abster-se de comida sacrificada aos ídolos, do sangue, da carne de animais estrangulados e da imoralidade sexual.

Em outras palavras, assim como os gentios não precisavam obedecer à lei de Moisés para santidade de vida, também os judeus não tinham que abandonar os rituais da sua lei quando se convertessem a CRISTO (está implícito que não confiavam neles para a sua salvação).

Quatro homens gentios queriam fazer voto de nazireado, e foi sugerido a Paulo fazer voto junto com eles. Mas como Paulo veio de terras gentílicas, ele mesmo, antes do procedimento do voto desses homens, precisava purificar-se por sete dias. Assim ele fez. No sétimo dia chegaram aqueles judeus da Ásia, destilando fel contra Paulo. Encontraram-no lá pelo templo, e junto com Trófimo de Éfeso, um gentio e incircunciso. Paulo não o havia introduzido no templo, o que seria considerado tão grave, sob pena de ser morto. Mas eles viram esse homem com Paulo, supuseram que Paulo, no ver deles, um blasfemo, tivesse entrado no templo com esse homem. Pois é, Paulo não tinha necessidade de se envolver com os votos desses quatro homens, já estava tudo azedo mesmo, e isso serviu para piorar sua situação. Os maus sempre inventam algo para acusar e para condenar. Se fizeram com JESUS, farão com Seus seguidores. O plano de Tiago, apoiado pelos presbíteros, foi um desastre, embora não houvesse nada de errado na ação de Paulo e dos quatro homens, e Paulo só se deu conta do erro depois que já era tarde.

O voto de nazireado requeria que a pessoa:

Não bebesse vinho ou outra bebida alcoólica – Números 6:2-3

Não comesse uvas nem algum outro produto da videira – Números 6:4

Não cortasse o cabelo da cabeça durante o período do nazireado, mas deveria rapar no início e no final do período – Números 6:5

Não se aproximasse nem tocasse em um cadáver – Números 6:6-7

Oferecesse sacrifícios no final do período.

O voto de nazireu servia como um tempo de dedicação especial a DEUS e às coisas de DEUS. Durante esse período, o nazireu provavelmente dedicaria mais tempo à comunhão com DEUS. Era um cerimonial do Antigo Testamento. Paulo fazendo isso com esses quatro estaria demonstrando não ser contra Moisés e a lei cerimonial. Todo o cerimonial teria um custo, o de rapar os cabelos, e Tiago sugeriu que Paulo pagasse, para ficar bem clara a sua posição. Aqueles quatro homens eram pobres, e o pagamento por outro sempre era uma demonstração de piedade. Até o rei Herodes Agripa I pagava nazireado aos pobres, para obter popularidade, coisa de político. O período mínimo para um voto desses era de 30 dias, e havia os sete dias precedentes de purificação, que Paulo teria que ficar com os quatro homens, separados num quarto do templo. Sansão, por exemplo, deveria ser nazireu por toda a vida.

Esses judaizantes (que defendiam a necessidade de seguir os rituais antigos, senão não se salva) e os legalistas (pessoas que inventam atributos e poderes à lei que nem existem) criaram um tumulto enorme. Fizeram isso aos gritos histéricos como se viesse imediatamente o juízo divino sobre todos, e por causa de Paulo. Essa histeria toda fomentou uma revolta popular contra Paulo, a tal ponto que se preparavam para linchá-lo. Felizmente, ao lado do templo existia uma fortaleza romana, e o comandante Claudio Lísias, ouvindo a gritaria, com seus soldados, foi e resgatou Paulo, prendendo-o nessa fortaleza. Lízias pensava que Paulo tivesse feito algo muito grave.

Que coisa horrível! Um comandante pagão, com um exército de um império pagão, ter que se interpor para livrar da morte um pregador cristão das mãos de seus próprios compatriotas. Muitas vezes o povo de DEUS torna-se pior contra seus próprios irmãos que os chamados gentios, ou pagãos, ou estrangeiros. Assim foi ao longo da história dos israelitas, dos judeus e do cristianismo, desde a saída do Egito, e será o mesmo até o final.

Reflitamos sobre uma coisa muito grave. Você lembra de algum momento na história do povo de DEUS quando a maioria estava correta? Difícil isso acontecer. Portanto, se você está com a maioria, cuidado, pode estar errado. Também tenha outro cuidado: minorias existem mais de uma, e só uma pode estar correta, ou, às vezes, nenhuma. O “está escrito” e o “assim diz o Senhor” resolvem todas as dúvidasAqui, mais uma vez, a multidão foi manipulada por alguns fanáticos, e a multidão tornou-se fanática, e perdeu-se o controle sobre a racionalidade de todos. Logo, todos estavam errados, todos se tornaram fanáticos. Tal situação vai se repetir nos últimos dias, uma maioria convertida ao mundo perseguindo uma minoria cheia do ESPÍRITO SANTO.

 

  1. Terça: Diante da multidão

Uma multidão não é racional. Uma pessoa facilmente pode dominar uma multidão por meio de palavras de ordem. É o que o pessoal dos sindicatos e os políticos sabem fazer com destreza. E muitos líderes religiosos também. DEUS é radicalmente contrário a tais práticas, embora elas sejam fáceis de fazer. Isso se chama manipulação.

Vamos dar um exemplo. Bastante tempo atrás, num estádio de futebol do México, alguém de mau gosto gritou: “fogo”. As pessoas começaram a correr, umas numa direção, outras em direção contrária. Houve mortes. E ninguém sabia onde era o fogo, aliás, não havia fogo. Multidões são um conjunto grande de cérebros que não podem ser ligados racionalmente, logo, agem de forma errática, e facilmente seguem alguém com quem mais se identificam. Se uma multidão tem raiva de alguém, mesmo que essa pessoa seja amiga e esteja com a razão, a multidão não o ouvirá, e seguirá o inimigo dela. Foi isso que aconteceu com Paulo; ele estava correto, os judaizantes estavam errados, mas a multidão se identificou com os judaizantes, e desenvolveu cada vez mais raiva contra Paulo. O mesmo aconteceu com JESUS, que nunca na vida fez algo errado, mas a multidão se identificou com os sacerdotes, não com o homem honesto, correto, filho de DEUS e Salvador. E se identificou com o mau elemento, Barrabás. Portanto, nesses casos, diferente de Paulo, diante de uma multidão não racional, melhor é fazer como JESUS: ficar quieto, pois nada vai mudar. E isso que JESUS curou, deu pão e bons conselhos àquela multidão que gritava: “crucifique-O.” Minha posição nesses casos sempre é a mesma e é bem forte: não quer ouvir, dane-se. Aprendi de JESUS. O jovem rico foi bem aconselhado para se salvar, mas virou as costas e foi embora, e JESUS não fez nada para que ele voltasse. Também no caso de Judas, JESUS ainda disse: “o que tens para fazer, faze-o depressa.” Ele tinha duas coisas por fazer: trair JESUS e depois enforcar-se. Mas àqueles que se mostravam propícios de arrependimento, JESUS dizia: “estão perdoados os teus pecados”, ou, “vai e não peques mais”, ou, “estarás comigo no paraíso.” Muito cuidado para não fazer parte de uma multidão que está em desacordo com o que está escrito.

Paulo pediu para falar à multidão. O comandante concedeu. E Paulo contou a sua história, mas disse algo que não deveria ter dito naquele momento, que era o apóstolo chamado por JESUS para pregar aos gentios. Essa era uma das acusações contra Paulo, que ele estava convertendo gentios de qualquer jeito, até sem que circuncidassem. A multidão passou a berrar mais e mais alto que ele fosse morto. A multidão escutou Paulo até ele dizer aquela palavra; mas, ao ouvi-la todos gritaram a uma só voz: “Fora com esse homemMatem­noNão é digno de viver!”, clamando e lançando ao ar as túnicas, de mistura com terra. Imagine que cena pavorosa.

Da minha parte, creio que se Paulo dissesse o que fosse, ele seria cada vez mais motivo de ódio. Ele, portanto, perdeu uma grande oportunidade de ficar quieto. Ele, sincero e cheio de misericórdia para com eles, queria ver se convertesse mais algum, mas num ambiente desses, isso é improvável. De qualquer maneira, estou com Paulo, ele me serve como exemplo. Se vai falar, fale a verdade e não tema, mesmo que isso resulte em sua condenação. Prefiro ser condenado por falar a verdade do que por dissimular, ou por me acovardar.

O comandante certamente não entendeu nada. Mas ele teria que tomar decisões a respeito de Paulo; logo, precisava entender o que se passava. Naqueles tempos, e até bem recente também no Brasil, interrogatórios eram feitos sob açoites, para a pessoa confessar. Na Idade Média a Igreja Católica usava os açoites e as torturas para esse fim, especialmente para as pessoas se retratarem de sua fé na Bíblia. Então o comandante mandou preparar a seção de açoites e Paulo já seria levado para essa finalidade. O oficial já levava Paulo, acorrentado, quando Paulo mesmo perguntou se era permitido açoitar um cidadão romano que nem fora julgado. Aí o comandante Cláudio Lísias, avisado disso, tremeu, pois se fizesse isso, poderia ser ele mesmo ser condenado pelas leis romanas. Os soldados, descobrindo que Paulo era cidadão romano, foram saindo cada um para um lado, temerosos de serem acusados por Paulo. O comandante até ficou preocupado por ter amarrado Paulo, que era cidadão romano legítimo, por nascimento, e o comandante adquiriu a cidadania por preço alto. Portanto, Paulo estava numa situação superior a do comandante.

“É importante lembrar que, nos tempos de Paulo, nem todos eram iguais perante as leis de Roma. Uns eram escravos e eram tratados como mercadorias. Outros eram meros estrangeiros para os romanos, embora vivessem dentro da circunscrição do império pagando os seus pesados impostos. E existiam ainda aqueles que, por motivo de nascimento, ou de aquisição mediante algum pagamento ao governo, tornavam-se cidadãos romanos e que, portanto, passavam a ter alguns direitos naquela sociedade. Pois Roma era a cidade que governava o mundo no século I e, deste modo, quem tivesse a cidadania romana teria direitos protegidos pelas leis, entre os quais o de receber um julgamento justo, caso fosse feita alguma acusação. Sendo assim, mesmo naquela época, uma autoridade não poderia jamais prender uma pessoa que fosse cidadão romano sem que houvesse um justo motivo. E muito menos castigar com açoites, dando um tratamento desumano, conforme tinha ocorrido com Paulo e Silas na cidade de Filipos. Logo, Paulo teve que ser libertado e ainda recebeu desculpas das autoridades locais pelo ocorrido” (Fonte aqui).

 

  1. Quarta: Perante o Sinédrio

Ao o comandante Claudio Lísias entender qual era a questão de Paulo, que nada tinha a ver com a segurança do Império Romano, mas assuntos da religião judaica, entregou o caso ao Sinédrio. Fez o correto, mas, mal sabia ele que entregou Paulo aos seus inimigos. Todo o Sinédrio estava contra Paulo, embora alguns fariseus simpatizassem um pouco com ele, mas eram minoria.

O Sinédrio reuniu-se com fúria contra Paulo, que falou uma primeira frase, e já recebeu uma bofetada na boca. Cabe aqui uma reflexão: tenho mais receio dos tribunais religiosos do que dos civis. Religiosos fanáticos são cruéis, maldosos, vingativos, e pensam fazer tudo em nome de DEUS. Assim se justificam. Foi no tempo do povo de DEUS, quando perseguiam os profetas, foi nos dias de JESUS e dos apóstolos, e foi assim na Idade Média. É assim entre nós, e será assim no final, na última perseguição, quando nossos irmãos nos perseguirem ao lado dos nossos outros inimigos. Religiosos fanáticos detestam dar o direito à defesa. Fazem o possível de tolher o direito à palavra, já aconteceu comigo, sei do que falo. E continuam fazendo de conta que estão servindo a DEUS.

Paulo também não se recolhia nem se acovardava sob ameaças. Chamou o sumo sacerdote, que até o momento não sabia quem era, de “parede branqueada”. Quando percebeu que se tratava do sumo sacerdote, apenas se explicou, mas não se nivelou por baixo para pedir perdão, não era o caso.

JESUS não era diferente. Certa vez chamou os escribas e os fariseus de hipócritas, serpentes, raça de víboras, cheios de iniquidade, cegos guias de cegos, e repetiu várias vezes (Mat. 23:13 a 26), e nunca pediu perdão. Nem sempre esse é o caso. Nem JESUS nem Paulo eram adeptos daquilo que hoje se chama “politicamente correto”, mas completamente transigente nos princípios, ou seja, liberal. É isso hoje que nos torna Laudiceia.

Mas Paulo teve uma iluminação em sua mente. Ele bem sabia que o Sinédrio era um colegiado dividido, pois que os fariseus e os saduceus criam diferentemente em várias questões doutrinária importantes. Como pode um órgão superior de uma mesma instituição estar dividido? Sendo assim, aquilo que ele dirige será fraco, como era o caso da nação judaica. Um dos pontos de dissensão entre esses dois grupos era a ressurreição: os saduceus não criam nela, mas os fariseus criam. Quer ler um resumo das diferenças entre Saduceus e Fariseus, então clique aqui, e, se desejar algo um pouco mais profundo, clique aqui.

Paulo declarou que estava sendo julgado por causa da ressurreição dos mortos(Atos 23:6). Disse isso porque ele cria na ressurreição e porque JESUS ressurreto tornou-Se Salvador e encontrou-Se com ele na estrada para Damasco. Dito isso, os saduceus e os fariseus entraram em conflito, uns contra os outros, pois criam de maneira oposta quanto à ressurreição. Brigaram entre si até que o comandante resolveu tirar Paulo dali. Paulo era grande defensor da ressurreição, por ser uma verdade e por ter-se encontrado com JESUS ressuscitadoNaquela noite DEUS, aprovando como Paulo falou no Sinédrio, lhe disse o seguinte: “Paulo, tem ânimo; porque, como de Mim testificaste em Jerusalém, assim importa que testifiques também em Roma (Atos 23:11).

 

  1. Quinta: Transferência para Cesareia

Em torno de 40 judeus conspiraram contra Paulo para o assassinar. Era de tal intensidade o seu ódio contra o apóstolo que juraram, sob anátema, de não se alimentarem nem mesmo beberem alguma coisa sem antes tirarem a vida de Paulo. Isso sim é ódio irracional, algo pavoroso, de meter medo. A palavra Anátema é uma sentença pronunciada e mediante a qual se expulsava alguém considerado um “herege” do seio da sociedade religiosa; esta expulsão era considerada uma pena mais grave que a excomunhão. Aqueles judeus chegaram ao extremo da aversão, repulsa ou horror contra Paulo. O homem chamado por DEUS, escolhido a dedo por JESUS, pregador dos gentios, coitado, acabou sendo alvo de tamanha fúria de seus compatriotas. Isso é um indicativo de como será a raiva contra os pregadores da verdade, contra aqueles que continuarão a sustentar a santificação do sábado, no final dos tempos.

Diante da situação de conspiração contra Paulo, e sendo ele cidadão romano, o comandante Claudio Lísias decidiu garantir que nada acontecesse a seu prisioneiro. Ele não poderia manter o homem preso sem nada fazer com ele. Teria que haver um julgamento justo, como garantia a lei romana a seus cidadãos. Também essa lei exigia que seus cidadãos fossem protegidos contra conspirações. Então, como o comandante poderia garantir a segurança de Paulo, no Sinédrio, por exemplo? A não ser que enchesse o ambiente com soldados, o que, por sua vez, geraria revolta nos judeus. Logo, ali Paulo não poderia ficar; se ficasse na fortaleza, estaria seguro, mas nunca seria julgado. Esse não poderia ser o propósito, a lei requeria que o caso de Paulo fosse resolvido devidamente. Então Claudio Lísias, o comandante que respeitava Paulo, resolveu remete-lo, com urgência, para Cesareia, junto ao governador Marco Antônio Félix. Esse homem não tratou Paulo com o devido respeito, embora não o maltratasse, mas ficou segurando-o na prisão por longo tempo. Félix era um mau sujeito, truculento, e embora não fizesse mal a Paulo, queria dele receber suborno (Lucas 24). Também Félix não tinha do que acusar Paulo para ser julgado pelas leis romanas, ele não era perigo a Roma. Uma contradição incrível. Paulo deveria ser julgado pelo Sinédrio, mas ali matariam um cidadão romano. Como pode algo assim?

Marco Antônio Félix casou-se com Drusila, neta de Herodes, o Grande, em 54 ad. Acusado de corrupção e excessiva severidade, foi removido do cargo e substituído por Pórcio Festo.

 

  1. Resumo e aplicação – Sexta-feira, dia da preparação para o santo sábado:
  2. Tema transversal

Um dos grandes problemas que a humanidade enfrenta é o fanatismo (ou, extremismo; radicalismo; narcisismo; zelo religioso obsessivo; extremos de intolerância; faccionismo partidário; adesão cega a um sistema, doutrina ou ideologia; dedicação excessiva a alguém ou algo; paixão não racional). Cultiva-se o fanatismo, hoje, em diferentes assuntos, como, por exemplo, na moda; no visual (ou look); no esporte; nos títulos acadêmicos, etc. É bem comum, por exemplo, ouvir pregadores exaltarem seus times de futebol em pleno púlpito fazendo chacota dos outros irmãos de outros times. Esses cultivam e disseminam o fanatismo, que para se manifestar em outros assuntos mais adiante.

Muitos judeus dos tempos de JESUS e de Paulo, ou seja, dos tempos do início da igreja cristã, eram fanáticos principalmente na lei mosaica, em suas tradições orais e quanto ao templo. Não toleravam quem fizesse diferente, nem mesmo JESUS, o Autor da lei e o projetista do templo, o Shekinah, escapou de sua fúria. Assim o fanatismo se prestou para perseguir a igreja de JESUS CRISTO. Mas DEUS é superior a tudo, e valeu-Se do fanatismo para impulsionar Sua obra.

 

  1. Aplicação contextual e problematização

A segurança que DEUS garante a Seus servos não se refere que não serão perseguidos, maltratados ou mortos. Algumas vezes DEUS livra disso, mas o que Ele garante é que Seus servos serão vencedores sobre a morte e herdarão, com CRISTO, a vida eterna.

 

  1. Informe profético de fatos recentes

O papa Francisco modificou o catecismo da Igreja Católica, declarando que a pena de morte é inadmissível. Isso ocorre em meio a um clamor mundial contra a pena de morte, e a igreja ainda sustentava essa pena capital em seu principal manual de conduta. O catecismo em seu artigo 2267 dizia o seguinte: “2267. A doutrina tradicional da Igreja, desde que não haja a mínima dúvida acerca da identidade e da responsabilidade do culpado, não exclui o recurso à pena de morte, se for esta a única solução possível para defender eficazmente vidas humanas de um injusto agressor. Contudo, se processos não sangrentos bastarem para defender e proteger do agressor a segurança das pessoas, a autoridade deve servir-se somente desses processos, porquanto correspondem melhor às condições concretas do bem comum e são mais consentâneos com a dignidade da pessoa humana. Na verdade, nos nossos dias, devido às possibilidades de que dispõem os Estados para reprimir eficazmente o crime, tornando inofensivo quem o comete, sem com isso lhe retirar definitivamente a possibilidade de se redimir, os casos em que se torna absolutamente necessário suprimir o réu «são já muito raros, se não mesmo praticamente inexistentes».”

No novo texto ressalta que “a Igreja mostra, à luz do Evangelho, que a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa, e se compromete com determinação para sua abolição no mundo todo”.

Isso vai exatamente em sentido contrário à da profecia que diz haver, no futuro, forte perseguição e que milhões serão mortos. Como então se cumprirá a profecia? Por certo, quando se instalar o fanatismo generalizado, lei alguma garantirá qualquer direito. E, assim como os Estados Unidos da América também garantem liberdade religiosa em sua constituição, e renunciarão a essa garantia, do mesmo modo o Vaticano pode facilmente encontrar razões para retroceder em sua decisão, e voltar a aprovar a pena de morte. É de se lembrar que a Igreja Católica avalizou milhares de mortes durante a Inquisição, ela mesma mandou queimar vivos os hereges bem como torturou até à morte, nos ‘autos de fé’, uma enorme quantidade de pessoas. Isso faz parte de seu currículo. Veja duas notícias sobre essa decisão nesses links, esse e esse outro. Se desejar, assista aqui um vídeo sobre as torturas da Idade Média, que a igreja praticou, e que voltará a praticar.

 

A China, por iniciativa de seu presidente e do partido comunista, voltou a perseguir os cristãos. Arrasaram igrejas e prenderam líderes religiosos. Veja sobre isso nesse link.

 

  1. Comentário de Ellen G. White

“Paulo se inclinava a permanecer em Jerusalém, onde poderia fazer frente à oposição. Parecia-lhe um ato de covardia fugir, se, permanecendo, pudesse convencer alguns dos obstinados judeus quanto à verdade da mensagem evangélica, mesmo que o permanecer lhe custasse a vida. E assim respondeu: “Senhor, eles bem sabem que eu lançava na prisão e açoitava nas sinagogas os que criam em Ti. E quando o sangue de Estêvão, Tua testemunha, se derramava, também eu estava presente, e consentia na sua morte, e guardava os vestidos dos que o matavam.” Mas não estava de acordo com os propósitos de Deus que Seu servo desnecessariamente expusesse a vida; e o mensageiro celestial respondeu: “Vai, porque hei de enviar-te aos gentios de longe.” Atos 22:19-21.

“Ao saberem desta visão, os irmãos apressaram-se em efetuar ocultamente a saída de Paulo de Jerusalém, receosos de que fosse assassinado. Os irmãos “o acompanharam até Cesareia, e o enviaram a Tarso”. Atos 9:30. A partida de Paulo suspendeu por algum tempo a oposição violenta dos judeus, e a igreja teve um período de descanso, no qual muitos foram acrescentados ao número dos crentes” (Atos dos Apóstolos, 130).

Mas, mais tarde, após Paulo concluir seu trabalho, ele foi a Jerusalém para sofrer as consequências do bem que praticou a favor da humanidade.

 

  1. Conclusão

“”E, ouvindo nós isto”, continua Lucas, “rogamos-lhes, tanto nós como os que eram daquele lugar, que não subisse a Jerusalém.” Mas Paulo não se desviaria do caminho do dever. Seguiria a Cristo se necessário à prisão e à morte. “Que fazeis vós chorando e magoando-me o coração?” exclamou; “porque eu estou pronto, não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus.” Vendo que lhe causavam sofrimento sem mudar o propósito, os irmãos cessaram de insistir, dizendo apenas: “Faça-se a vontade do Senhor.” Atos 21:10-14.

“Logo chegou o momento em que a breve estada em Cesareia teve fim, e acompanhado por alguns dos irmãos, Paulo e sua comitiva partiram para Jerusalém, com o coração profundamente anuviado pelo pressentimento de males vindouros.

“Nunca dantes havia o apóstolo se acercado de Jerusalém com o coração tão entristecido. Sabia que encontraria poucos amigos e muitos inimigos.

“Estava-se aproximando da cidade que tinha rejeitado e matado o Filho de Deus, e sobre a qual agora pairavam as ameaças da ira divina. Relembrando quão amargos tinham sido seus próprios preconceitos contra os seguidores de Cristo, sentia a mais profunda piedade por seus iludidos compatriotas. E, no entanto, quão pouco podia ele esperar ser capaz de fazer para ajudá-los! A mesma ira cega que inflamara outrora o seu coração, ardia agora com inaudito poder no coração de toda uma nação contra ele.

“E ele não poderia contar com a simpatia e o auxílio de seus próprios irmãos na fé. Os inconvertidos judeus que lhe haviam tão de perto seguido os passos, não haviam demorado em fazer circular em Jerusalém os boatos mais desfavoráveis sobre ele e sua obra, tanto por carta como pessoalmente; e alguns, mesmo dentre os apóstolos e anciãos, tinham tomado esses relatos por verdadeiros, nada fazendo para contradizê-los, e não manifestando desejo de se harmonizarem com ele.

“Se bem que assaltado de desânimo, o apóstolo não se desesperara. Confiava em que a voz que lhe falara ao próprio coração ainda falaria ao de seus concidadãos, e que o Mestre a quem os condiscípulos amavam e serviam uniria ainda seus corações ao dele na obra do evangelho” (Atos dos Apóstolos, 397 e 398).

A Bíblia orienta que devemos alertar as pessoas sobre sua condição pecaminosa. Se elas se converterem, se salvam, mas se não se converterem, se perdem. Porém, se não formos alertar, essas pessoas se perdem e quem não alertou, também. Não há informação, ao menos que se saiba, de algum daqueles inimigos de Paulo, que tenha mudado de atitude, mas ele fez a sua parte.