LIÇÃO DA ESCOLA SABATINA - SEGUNDO TRIMESTRE DE 2019

Lição 11 - Famílias de Fé

 

Sábado, 8/6/2019 

› Introdução

Por dez semanas estudamos “As estações da família”, partindo dos ciclos da vida, do nascimento à morte e descobrindo que em todas elas fazemos escolhas, livres e soberanas, certas ou erradas, trazendo consequências que serão boas ou más, no contexto imediato e podendo refletir até nas gerações futuras.

Aprendemos que uma certeza da vida são as mudanças: o bebê que muda da bolsa fetal, protetiva, à atmosfera externa, agressiva e poluída; o idoso que nunca está preparado para a morte ou a solidão, embora próximo a ambas. Refletimos sobre conselhos para formação da família, que deve sempre iniciar e permanecer como uma canção de amor entre os cônjuges e seus descendentes, o que só acontece se Cristo for o centro e o egoísmo derrotado nas pessoas e nas famílias.

Vimos que paternidade e maternidade extravasam os limites do fato físico e são muito mais responsabilidades que alegrias, muito mais suor, lágrimas e oração que risos e diversões, e que, assim como as mudanças, outra certeza dos viventes é que perdas ocorrerão, desde a perda da proteção umbilical do nascituro até a das maiores certezas que possam existir para a humanidade, como saúde, confiança, liberdade e vida. Por isso, somos instados a estarmos preparados para momentos difíceis que, é certo, virão no decorrer de nossas vidas.

Assim, como podemos imaginar uma família de fé, preparada e pronta para viver a missão de mensageiros do evangelho no século 21? Como não sucumbir à pressão da cultura e ao poder de convencimento da multidão? Como escolher a ação e competitividade adequada para vencermos? Como fixar em Jesus e não desviar ao longo da trajetória? Como estar prontos a sermos julgados por Deus como “irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo” (Filipenses 2:15)? Esse é nosso estudo nesta e nas próximas semanas.

Pense: “Cada um terá de enfrentar provações... Se olhardes a Jesus... sereis conduzidos através de cada provação, e suportando-as com paciência, tornar-vos-eis mais fortes para resistir à experiência seguinte, à próxima prova”. (EGW, AV [MM 1962, 07/11], p. 315.5).

Desafio: Participar com toda sua decisão e vontade da vontade de Deus para Sua família na Terra.

......................................................................................................................................................

Domingo, 9/6/2019 

› Retenha o que é bom

Após o pecado a criação principiou o partidarismo. A humanidade dividiu-se por sexo, atividade econômica, origem, famílias. Para homogeneizar desenvolveram diferenciais culturais, identificadores e segregadores dos grupos. Hoje o mundo é verdadeira torre de babel em línguas, costumes, religiões, ideologias e culturas, criando barreiras e impedimentos as ações missionárias entre os povos.

Na época de Jesus Israel se considerava superior aos povos vizinhos. Mesmo internamente separavam-se sacerdotes e povo, letrados e incultos, descendentes e não descendentes abraâmicos, circuncisos e incircuncisos. Deus ensinou à Sua igreja que para Ele não há divisões. Importa um relacionamento real e íntegro com Ele. Como o centurião Cornélio, a quem Deus falou pessoalmente e lhe enviou o apóstolo Pedro, preconceituoso e para quem um incircunciso era imundo. Deus ilustra a Pedro, de forma agressiva e constrangedora, o dever de levar o evangelho a todo o mundo (Atos 10:1-28, 34-35).

Jesus usou o discernimento de Seus seguidores para enfatizar que na pregação entre pessoas de outras culturas é melhor não perturbá-los com dogmas, liturgias e práticas prescindíveis ao plano da salvação, voto exposto em carta às igrejas orientando que não se exigisse dos cristãos não judeus práticas judaicas (Atos 15:19-20, 28-29).

À Corinto Paulo advertiu que entre eles se propôs apenas conhecer “a Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Coríntios 2:2). E aos tessalonicenses aconselhou “Examinai tudo. Retende o bem. Abstende-vos de toda a aparência do mal” (1 Tessalonicenses 5:21-22).

Como já afirmado, Satanás é a origem do partidarismo, divisão, confusão, pois é mentiroso e adversário de Cristo, mas o Espírito Santo dirige a mente de todo sincero indagador da verdade. Satanás espalha confusão, mas em Cristo há remissão para o mundo e Seu Santo Espírito guia a toda verdade (João 16:13).

Pense: “Os apóstolos, neste seu trabalho especial, estariam expostos a suspeitas, preconceitos e ciúmes. Como consequência natural de sua saída do exclusivismo judaico, suas doutrinas e ideias estariam sujeitas à acusação de heresia, e suas credenciais de ministros do evangelho seriam postas em dúvida por muitos judeus zelosos e crentes”. (EGW, HR, p. 304.1).

Desafio: Saber discernir o que deve e precisa ser levado como as boas novas às pessoas de outras culturas.

...................................................................................................................................................................

Segunda-feira, 10/6/2019 

› O poder da cultura sobre a família 

A cultura divide e cria preconceitos, mas é também meio de assinalamento de conceitos e práticas que se configuram superiores a outras. Deus, conhecedor dessa característica humana, a utilizou para diferenciar a família que, a partir dela, formaria a nação representante de Seu Nome, Leis e Estatutos.

Para difundir Seu propósito, governo e leis, Deus utilizou uma pessoa que o escolhera como Deus e Provedor, Abrão e sua família. Deus declarou conhecê-lo e saber como dirigiria sua descendência na cultura que os tornaria pessoas, famílias e nação separada, nominados “povo de Deus” e “nação santa” (Gênesis 18:19).

Mas, mesmo Abrão e Sarai, sua esposa, haviam sido marcados fortemente pela cultura de suas origens, fato confirmado pela confusão familiar que se originou da sugestão de Sarai a Abrão para que buscasse descendência através de uma concubina, conforme o costume e cultura dos povos por onde viveram (Gênesis 16:1-3).

O poder da cultura ancestral se evidencia também na família de Jacó, desde seu casamento com duas esposas, atendendo a cultura da família da escolhida, até seu convívio com duas concubinas, por sugestão de suas esposas, fazendo-o marido de quatro mulheres e, apesar de Jacó ser adorador somente de YHWH, suas esposas e filhos carregavam ídolos, “deuses estranhos” (Gênesis 35:1-4).

Mesmo após o exílio babilônico, líderes israelitas comportaram-se de forma indevida aos estatutos divinos, incluindo sacerdotes que se casaram com mulheres estrangeiras, o que era proibido (Êxodo 34:16, Ezequiel 44:22, Esdras 10:1-44).

Talvez a mais impactante demonstração do poder da cultura é o envolvimento emocional do rei Salomão com suas muitas mulheres estrangeiras, cedendoa suas exigências, resultando em larga apostasia com a adoção de práticas idolátricas e infidelidade ao Deus de seu pai, Davi (1 Reis 11:1).

Pense: “Com infinita paciência e tato, e com cuidadosa consideração pelos direitos e bem-estar de cada pessoa envolvida, Esdras e seus associados lutaram por levar os penitentes de Israel ao caminho reto. Esdras era sobretudo um ensinador da lei; e ao dar atenção pessoal ao exame de cada caso, ele procurou impressionar o povo com a santidade desta lei, e a bênção a ser alcançada pela obediência”. (EGW, PR, p. 318.4).

Desafio: Ser disseminador da cultura celestial por uma vida conforme as ordenanças de Deus.

.........................................................................................................................................................

Terça-feira, 11/6/2019 

› Sustentando a família nos tempos de mudança

Em todos os ciclos da vida e estações da família, é quase certeza a ocorrência de mudanças. Como já mencionado, elas trazem bons ou não tão bons resultados e estão relacionadas a muitos fatores, mas certamente, em casos não raros, estarão ligados à cultura da família.

Nessas mudanças é importante ter-se capacidade e suporte para sustentar o vínculo da família entre si e com Deus, apesar dos impactos culturais que tragam. Como na mudança de Abrão que recebeu a ordem Divina para sair de suaterra natal, do seio de sua família original, e com sua esposa, Sarai, ir para um lugar indefinido. Quis acompanhá-lo seu sobrinho Ló. (Gênesis 12:1-5).

Outra ocorrência de mudança que afetou a vida de uma pessoa, Hadassa, de sua família próxima, seu pai adotivo e tio Mardoqueu, que residindo como povo escravizado em terra estranha. A mudança a torna a rainha Ester, intercessora, com risco da própria vida, por seu povo diante do rei, seu marido (Ester 2:7-9).

Também sofreram mudanças de alto impacto em suas vidas pessoais e familiares, e que influenciaram os mais poderosos reis da época, em prol de seu povo e crenças e práticas, quatro hebreus admitidos na corte do rei Nabucodonozor, Daniel, Ananias. Misael e Azarias. A força da educação e cultura fez a diferença entre serem meros cortesãos servis e bajuladores ou, como foram, pessoas de discernimento, capacidade e raciocínio superior, provocando admiração e inveja (Daniel 1).

Pense: “Daniel e seus companheiros tinham sido educados por seus pais nos hábitos da estrita temperança. Tinham sido ensinados que Deus lhes pediria contas de suas faculdades, e que jamais deveriam diminuí-las ou enfraquecê-las. Esta educação fora para Daniel e seus companheiros o meio de sua preservação entre as desmoralizantes influências da corte de Babilônia. Fortes eram as tentações que os rodeavam nessa corte corrupta e luxuosa, mas eles permaneceram incontaminados. Nenhuma força, nenhuma influência poderia afastá-los dos princípios que tinham aprendido no limiar da vida mediante estudo da Palavra e obras de Deus”. (EGW, PR, p. 244.5).

Desafio: Ser o diferencial entre a servidão ao mundo ou o serviço e plano de Deus para a humanidade.

..............................................................................................................................................................................

Quarta-feira, 12/6/2019 

› Rumo à fé da primeira geração

A história demonstra o poder da cultura, a força das mudanças. Também exemplifica a degradação da sociedade humana no decorrer do tempo e nas interações entre povos e culturas. E é muito mais fácil prevalecer o mal, a degradação, corrupção, desagregação que o lado do bem, da elevação, pureza, unidade.

Os israelitas recém-introduzidos em Canaã não viram passar duas gerações e já haviam se esquecido do Deus que os livrara da escravidão, abrira o mar vermelho e o rio Jordão, lhes dera terras produtivas, cidades construídas e os fizera vencedoresde guerras aonde exércitos de dez mil fugiram de cem (Levíticos 26:8). Mas, após Josué e sua geração o povo corrompeu-se na adoração a Baal e Astarote (Juízes 2:7-13).

Também às igrejas e instituições difusoras da fé e cultura cristã ocorre o mesmo. Os apóstolos e discípulos demonstraram apego ímpar aos ensinos de Cristo e preservar o que Ele viveu e ensinou. A liderança da igreja cristã de nossos dias está envolvida em despertar uma cosmovisão de que a cultura é importante, mas os princípios e valores de Jesus Cristo devem pesar mais que o que veio através da cultura.

Assim, na sociedade eclesial, a família de Deus, não há formação de descendência por extensa relação genealógica, apenas a relação Pai e filho. Como assegura o ditado “Deus não tem netos, só filhos”, pois todo o que nasce no reino de Deus, ao receber Cristo como Salvador, é feito filho de Deus (João 1:12-13). Não há segunda geração, apenas a primeira, e todos nascem de novo, da água e do Espírito (João 3:7) e João ensinou que “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus” (1 João 5:1). E como filhos de Deus, O chamamos “Aba, Pai”, para caminharmos para a experiência e prática da fé da primeira geração de fiéis.

Pense: “A religião de Cristo revela-se como um princípio vitalizante e dominante, uma energia espiritual operante e viva. Quando o coração é aberto à influência celestial da verdade e do amor, esses princípios fluirão de novo como torrentes no deserto, fazendo que apareçam frutos onde agora há esterilidade e penúria”. (EGW, PR, p. 118.4).

Desafio: Viver e repassar em sua família fé pura e que os conduza à relação Pai-filho com Deus.

.........................................................................................................................................................................

Quinta-feira, 13/6/2019 

› Mensageiros do século 21 

A família é arma de Deus para a mensagem atingir com toda plenitude e potencial a mente e coração das pessoas. Especialmente se a mensagem for vivenciada no ambiente de sua própria cultura. Mas ser o mensageiro requer conhecer e viver a mensagem e dominar as técnicas de comunicação.

Como divulgar a mensagem sem despertar preconceito, especialmente se a pessoa for conhecedora e profunda em questões relacionadas aos textos sagrados (não só a Bíblia) ou conhecer arqueologia e história? A mensagem deve ser transmitida com amor, misericórdia, graça e empatia, ou seja, compaixão.

São primordiais para a mensagem impactar: a ressurreição de Jesus; a ordem angélica para que a divulgação imediata desse fato, porque a ressurreição comprova verdades ditas por Jesus sobre Si, Sua ressurreição, a promessa de Sua volta, a ressurreição dos mortos e transformação dos vivos e a viagem com Ele para o lugar prometido (Mateus 28:5-7).

Importante abordagem é explanar sobre amor e justiça como caráter de Deus. Que Ele nos amou a ponto de dar Seu Filho, para Nele termos vida eterna (João 3:16). Crer em Jesus é fé, e fé é certeza de salvação que transforma o injusto e impuro em puro e justo (Romanos 1:16-17).

Para expor a mensagem com frutificação é preciso transmiti-la como a verdade que é toda sobre Cristo e este crucificado (1 Coríntios 2:2). Jesus reconstrói a ligação com Deus, pois estávamos separados e em litígio com Deus, mas Cristo nos reconcilia, unifica e pacifica com Deus. (2 Coríntios 5:18-21).

Essa unidade é tão importante que para ela ocorrer e ser aceita por Deus, Jesus em Sua oração pastoral rogou para que acontecesse. Unidade Pai e Filho, Filho e discípulos, discípulos e conversos, porque isso comprova ao mundo que Jesus é o Cristo, e o Pai O ama e a Seus seguidores, pois Deus é amor. Síntese do evangelho.

Pense: “Hoje, como no tempo de Cristo, a obra do reino de Deus não se acha a cargo dos que reclamam o reconhecimento e apoio dos dominadores terrestres e das leis humanas, mas dos que estão declarando ao povo, em Seu nome, as verdades espirituais que operarão, nos que as recebem, a experiência de Paulo: ‘e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim’ [Gálatas 2:20]” (EGW, DTN, p. 358.4)

Desafio: Transforme sua vida na mensagem que o seu próximo contemplará.

...............................................................................................................................................................................................

Sexta-feira, 14/6/2019 

› Pontos para reflexão

Como dito na Introdução, estudamos ‘As estações da família’, dos ciclos da vida, as escolhas, livres e soberanas e suas consequências, boas ou más, que podem atingir até gerações futuras. Vimos a certeza das mudanças e conselhos para a família, que iniciasse em canção de amor, com Cristo como centro e sem egoísmo. Que paternidade e maternidade são muito mais responsabilidades que alegrias e que perdas ocorrerão, portanto, estejamos preparados para enfrentá-las. Motivo para que as famílias reproduzam um ambiente de paz, amor, alegrias, desenvolvimento e crescimento, atendendo o maior propósito de Deus para sua existência, qual seja representar e proclamar o plano de Deus à família celestial: a vida eterna com Deus.

Mas, enquanto ainda estamos neste mundo corrompido pelo pecado, devemos anunciar o evangelho, em linguagem adequada e sendo resposta aos anseios humanos deste século 21. O ambiente familiar nos prepara a não sucumbirmos ao poder da cultura egocêntrica e pós-moderna atual, nem sermos enredados pela multidão.

Só vence se Cristo for o centro e o foco do viver e da mensagem pregada. Testemunhando com vida e caráter e tidos como “irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo” (Filipenses 2:15).

Nossas reflexões sobre o impacto que as famílias têm que provocar no presente século, continuarão na próxima semana ao estudarmos o princípio de que há assuntos e características das famílias que são tesouros exclusivos dela e devem permanecer em seu círculo íntimo, ou seja, a família em primeiro lugar, mas também há aspectos da vida familiar que devem ser compartilhados, tornando-a num verdadeiro e contagiante centro de expansão do amor.

Pense: “Todos passam por provações, por desgostos duros de suportar, por tentações difíceis de resistir. Não conteis vossas aflições a vossos semelhantes, também mortais, mas levai tudo a Deus em oração. Tomai como regra nunca proferir uma palavra de dúvida ou de desânimo. Está em vós fazer muito para iluminar a existência de outros; para lhes fortalecer os esforços, mediante palavras de esperança e santa alegria”. (EGW, CC, p. 119.3)

Desafio: Seja um discípulo de fé e sua família será uma família de fé.

...........................................................................................................................................................................

Comentário por: Gerson Benedito Prado

http://www.escolanoar.org.br/novo/blog_pt.asp?nivel=jovens_pt&data=14/6/2019